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 O CORPO VITAL
Max Heindel

 

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

PREFÁCIO 3

INTRODUÇÃO 4

PARTE I – EVOLUÇÃO PASSADA DO CORPO VITAL DO HOMEM 5

Capítulo I 5

Durante Períodos e Revoluções 5

Capítulo II 10

Durante as Épocas 10

PARTE II – O CORPO VITAL DO HOMEM NA ATUAL ÉPOCA ÁRIA 14

Capítulo I 14

Natureza e Funções 14

Capítulo II 25

Na Saúde e na Doença 25

Capítulo III 37

No Sono e nos Sonhos 37

Capítulo IV 42

Na Morte e nos Mundos Invisíveis 42

Capítulo V 55

A Caminho do Renascimento 55

Capítulo VI 57

As crianças. 57

PARTE III – O CORPO VITAL DOS ANIMAIS E DAS PLANTAS 61

Capítulo I 61

Natureza e Funções 61

PARTE IV – A RELAÇÃO DO CORPO VITALCOM O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL 66

Capítulo I 66

Um Fator Importante 66

Capítulo II 74

O Efeito das Orações, Rituais e Exercícios 74

Capítulo III 79

Iniciação Antiga 79


 

Capítulo IV 82

Desenvolvimento Positivo e Negativo 82

PARTE V – O CORPO VITAL DE JESUS 89

Capítulo I 89

Como um Veículo para Cristo 89

 


 

PREFÁCIO

"A Escola de Sabedoria Ocidental ensina como sua máxima fundamental que "todo desenvolvimento oculto começa com o corpo vital", declara Max Heindel um iniciado da Ordem Rosa Cruz. É por esse motivo e com o propósito de apresentar numa forma concisa e de fácil compreensão toda informação importante que o fundador da Fraternidade Rosacruz escreveu em várias cartas, lições e livros a respeito do veículo etérico, que este material compilado acha-se publicado em forma de livro. Para o leigo em estudos ocultos, assim como para o estudante avançado, seu conteúdo é de enorme valor prático.

Muitos estudantes zelosos dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental deram, de modo desinteressado e amoroso, seu tempo e esforços no preparo desse material para publicação, e eles rogam que cada exemplar possa levar sua mensagem de luz e inspiração a todo aspirante espiritual que esteja se empenhando em seguir o Caminho de Cristo.


 

INTRODUÇÃO

 

A Filosofia Rosacruz ensina que o homem é um Espírito tríplice, possuindo uma mente através da qual ele governa o tríplice corpo, que ele emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse corpo tríplice ele transmuta numa alma tríplice, da qual ele se nutre da impotência à onipotência. O Espírito Divino emana de si mesmo o corpo denso extraindo como alimento a Alma consciente; o Espírito de Vida emana de si mesmo o corpo vital, extraindo como alimento a Alma intelectual; o Espírito Humano emana de si mesmo o corpo de desejos, extraindo como alimento a Alma Emocional. O corpo vital é feito de éter e permeia o corpo visível como o éter permeia todas as demais formas, com a exceção de que os seres humanos especializam uma maior quantidade do éter universal que as outras formas. Esse corpo etéreo é nosso instrumento para a especialização da energia vital do Sol.

Também é ensinado pela Filosofia Rosacruz que nosso esquema evolucionário é levado através de cinco dos sete Mundos ou estados da matéria (Físico, do Desejo, do Pensamento, do Espírito de Vida e do Espírito Divino) em sete grandes Períodos de Manifestação ( Períodos de Saturno, Sol, Lua, Terra, Júpiter, Venus e Vulcano) durante os quais o Espírito Virginal, ou vida evolucionante, torna-se primeiro, um homem e depois, um Deus. Estamos agora no quarto período, ou Período Terrestre, que acha-se dividido em sete Revoluções, assim como as sete Épocas seguintes: a Polar, a Hiperbórea, a Lemúrica, a Atlante e a Ária, e a Nova Galiléia e o Reino de Deus ainda por vir (veja no Conceito Rosacruz do Cosmo cap.XII).

No começo do Período de Saturno doze grandes Hierarquías Criadoras estavam ativas no trabalho da evolução. Duas dessas Hierarquias fizeram algum trabalho para ajudar bem no início..... e então retiraram-se da existência limitada para a liberação. Mais três Hierarquias Criadoras seguiram-nas no início do Período Terrestre: os Senhores da Chama, os Querubins e os Serafins, deixando sete Hierarquias em serviço ativo quando o Período Terrestre teve início: os Senhores da Sabedoria, os Senhores da Individualidade, os Senhores da Forma, os Senhores da Mente, os Arcanjos, os Anjos e os Espíritos Virginais.


 

PARTE I – EVOLUÇÃO PASSADA DO CORPO VITAL DO HOMEM

 

Capítulo I

 

Durante Períodos e Revoluções

 

A evolução do corpo vital e do Espírito de Vida, do qual é uma contraparte, teve início no segundo período ou Período Solar dos sete Grandes Dias de Manifestação. Desde então tem sido reconstruído e atingirá a perfeição no Período de Júpiter. Num estágio futuro a humanidade não mais terá necessidade desse veículo, mas mesmo assim, sua quintessência será retida.

 

O Espírito de Vida e o corpo vital iniciaram sua evolução no Período Solar e por conseguinte são responsabilidade específica do Filho.

Eles (os Senhores da Chama) forneceram anteriormente o germe do corpo denso e, na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, estavam ocupados com certos melhoramentos a serem feitos nele.

No Período solar a formação do corpo vital estava para ter início, com todas as decorrentes implicações de capacidade para assimilação, crescimento, propagação, desenvolvimento das glândulas, etc.

Os Senhores da Chama incorporaram no germe do corpo denso apenas a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos. Na ocasião agora em consideração, foi necessário mudar o germe de tal modo que permitisse a interpenetração do corpo vital, e também a capacidade de desenvolver glândulas e um tubo digestivo. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama, que forneceram o germe original, e os Senhores da Sabedoria, que se encarregaram da evolução material no Período Solar.

Quando os Senhores da Chama e os Senhores da Sabedoria tinham, na Revolução de Saturno do Período Solar, reconstruído conjuntamente o corpo denso germinal, os Senhores da Sabedoria, na Segunda Revolução, deram início ao trabalho propriamente dito, do Período Solar, irradiando de seus próprios corpos o germe do corpo vital, tornando-o capaz de interpenetrar o corpo denso e dando ao germe a capacidade de crescimento ulterior, de propagação e de sensibilização dos centros sensoriais do corpo denso e possibilitando-o a se mover. Em suma, eles deram, em germe ao corpo vital, todas as faculdades que ele está agora expandindo para tornar-se um instrumento perfeito e flexível para o uso do Espírito.

Notamos também que, como a primeira revolução ou Revolução de Saturno, de qualquer período, diz respeito ao trabalho no corpo denso (porque este teve início numa primeira Revolução), assim, a Segunda, ou Revolução Solar, de qualquer período acha-se relacionada com melhorias no corpo vital, porque este teve início numa Segunda Revolução.

Pode-se dizer que o homem no Período Solar passou pela existência do vegetal. Ele tinha um corpo denso e um corpo vital, como têm as plantas. Sua consciência, tal como a dos vegetais, era a de um sono sem sonhos.

Então havia duas classes ou reinos no Período Solar, isto é, os extraviados do Período de Saturno, que ainda eram minerais e os pioneiros do Período de Saturno, que foram capazes de receber o germe do corpo vital e tornarem-se semelhantes às plantas.

No meio da sétima Revolução do Período Solar, os Senhores da Sabedoria se encarregaram do Espírito de Vida germinal dado pelos Querubins na Sexta Revolução do Período solar. Eles assim o fizeram com o propósito de conectá-lo ao Espírito Divino. Sua maior atividade nesse trabalho foi alcançada na Noite Cósmica intermediária entre os períodos Solar e Lunar. No primeiro despertar do Período Lunar, à medida em que a onda de vida pôs-se em marcha em sua nova peregrinação, os Senhores da Sabedoria reapareceram, trazendo com eles os veículos germinais do homem em evolução. Na primeira Revolução, ou de Saturno do Período Lunar, eles cooperaram com os "Senhores da Individualidade", que tinham como encargo especial a evolução material do Período Lunar. Juntos eles reconstruíram o germe do corpo denso trazido do Período Solar. Esse germe tinha desdobrado os orgãos embrionários dos sentidos, os orgãos da digestão, as glândulas, etc. e foi interpenetrado por um corpo vital germinal que difundiu um certo grau de vida no corpo denso embrionário. Certamente, ele não era sólido e visível como é agora, embora numa certa forma já estava algo desenvolvido e era perfeitamente distinguível pela visão clarividente treinada do investigador competente que procure na memória da natureza por cenas desse distante passado.

Na Segunda, ou Revolução Solar do Período Lunar, o corpo vital foi modificado para tornar-se capaz de ser interpenetrado pelo corpo de desejos, e também acomodar-se ao sistema nervoso, muscular, esqueleto, etc. Os Senhores da Sabedoria, que foram os criadores do corpo vital, ajudaram também os Senhores da Individualidade em seu trabalho.

Na Sexta Revolução do Período Lunar os Querubins reapareceram e vivificaram o Espírito de Vida daqueles deixados para trás no Período Solar mas que desde então tinham alcançado o estágio necessário de desenvolvimento, e também naqueles extraviados do Período Solar que tinham então desenvolvido o corpo vital durante sua existência vegetal no Período Lunar.

Os pioneiros da nova Onda de Vida passaram por um estágio inferior da existência vegetal; entretanto a maioria deles desenvolveu o corpo vital suficientemente para permitir o despertar do Espírito de Vida.

Portanto, todos os três últimos mencionados possuíam os mesmos veículos no início do Período Terrestre embora só os dois primeiros mencionados pertençam à nossa onda de vida e têm a chance de até nos ultrapassarem se passarem pelo ponto crítico que virá na próxima Revolução do Período Terrestre. Os que não conseguirem ultrapassar esse ponto ficarão retidos até que alguma evolução futura alcance um estágio onde eles possam ser incorporados e continuar com seu desenvolvimento em um novo período humano. Eles serão impedidos de prosseguir com a nossa humanidade porque esta terá avançado muito além de suas condições e seria um sério entrave ao nosso progresso arrastá-los conosco. Eles não serão destruídos, mas simplesmente retidos esperando por um outro período de evolução.

No fim do Período Lunar essas classes possuíam os veículos como estão classificados no Diagrama 10 do Conceito e começaram com eles no início do Período Terrestre. Durante o tempo que transcorreu desde então, o reino humano vem desenvolvendo o elo mental, e tem desse modo logrado total consciência de vigília. Os animais obtiveram um corpo de desejos; as plantas um corpo vital; os extraviados da onda de vida que entraram na evolução no Período Lunar escaparam das duras e pesadas condições de formação de rocha e agora seus corpos densos compõem nossos solos mais macios; enquanto que a onda de vida que entrou na evolução aqui no Período Terrestre forma as rochas mais duras e as pedras.

Vemos então que ao término do Período Lunar o homem possuía um corpo tríplice em vários estágios de desenvolvimento; e também o germe do tríplice Espírito. O homem possuía corpos denso, vital e de desejos, e os Espíritos Divino, de Vida e Humano. Só lhe faltava o elo para conectá-los.

Outra Hierarquia criadora tinha encargo especial dos três germes dos corpos denso, vital e de desejos conforme estavam evoluindo. Eram aqueles que, sob a direção das mais elevadas ordens fizeram praticamente o trabalho inicial nesses corpos, usando a vida evolucionante como uma espécie de instrumento. Essa Hierarquia chama-se os "Senhores da Forma". Eles estavam então tão evoluídos que receberam o encargo do terceiro aspecto do Espírito no homem 0 Espírito Humano - no Período Terrestre que se aproximava.

Vamos, portanto analisar o assunto e ver o que temos direito de esperar de quem pretende ser um professor. Para fazê-lo temos que primeiro nos indagar: Qual o propósito da existência no universo da matéria? Podemos responder a isso dizendo que é a evolução da consciência. Durante o Período de Saturno, quando éramos como minerais em nossa constituição, nossa consciência era a de um médium afastado de seu corpo por espíritos em uma seção de materialização, onde uma grande parte dos éteres que compõem o corpo vital tenha sido removida. O corpo físico fica então num transe bem profundo. No Período Solar, quando nossa constituição era similar a das plantas, nossa consciência era como a de um sono sem sonhos quando o corpo de desejos, a mente e a Espírito ficam fora do corpo, deixando os corpos físicos e vital sôbre a cama. No Período Lunar, tivemos um quadro de consciência como a que temos nos sonhos, quando o corpo de desejos acha-se só parcialmente removido do veículo denso e do corpo vital. Aqui no Período Terrestre nossa consciência se alargou para sentir os objetos fóra de nós, colocando-se todos os veículos numa posição concêntrica, como quando estamos acordados.

O Período Terrestre é proeminentemente o Período da Forma pois aqui a forma ou a parte material da evolução atinge seu maior e mais pronunciado estado. Aqui o Espírito está mais indefeso e subjugado e a Forma é o fator mais predominante, daí a proeminência dos Senhores da Forma.

Durante essa Revolução (a Segunda ou Revolução Solar do Período Terrestre) o corpo vital foi reconstruído para acomodar o germe da mente. O corpo vital foi moldado para ficar mais semelhante ao corpo denso, de modo que pudesse tornar-se adequado para uso como o veículo mais denso durante o Período de Júpiter, quando o corpo denso terá se espiritualizado.

Os Anjos, a humanidade do Período Lunar, foram ajudados nessa reconstrução pelos Senhores da Forma. A organização do corpo vital acha-se agora próxima em eficiência ao corpo denso. Alguns escritores deste assunto chamam o corpo vital de um elo, e sustentam que ele é meramente um molde do corpo denso, e não um veículo separado.

Embora não desejando criticar, e admitindo que essa controvérsia acha-se justificada pelo fato de que o homem, no presente estágio da evolução, não pode habitualmente usar o corpo vital como um veículo separado, porque ele sempre permanece com o corpo denso, e retirá-lo totalmente iria causar a morte do corpo denso, sem duvida houve uma época em que ele não estava tão firmemente incorporado a este último, como veremos mais adiante.

Durante essas épocas da história de nossa terra que já foram mencionadas como a Lemúrica e a Atlante, o homem era involuntariamente clarividente, e foi precisamente essa debilidade de conexão entre os corpos denso e vital que tornava o homem assim. (Os Iniciadores daquela época ajudavam o candidato a afrouxar ainda mais essa conexão, como no clarividente voluntário).

Desde então o corpo vital tornou-se muito mais firmemente entretecido com o corpo denso na maioria das pessoas, mas em todos os sensitivos essa conexão está frouxa. É essa frouxidão que constitue a diferença entre o parapsíquico e a pessoa comum que é inconsciente de tudo, exceto das vibrações captadas pelos cinco sentidos. Todos os seres humanos tiveram que passar por esse período de estreita conexão dos veículos e experimentar a conseqüente limitação de consciência. Há, portanto, duas classes de sensitivos, aqueles que não se tenham firmemente enredado na matéria, como a maioria dos hindus, indianos, etc, que possuem um certo e pequeno grau de clarividência, ou sejam sensíveis aos sons da natureza, e aqueles que se acham na vanguarda da evolução. Os últimos estão surgindo do acme da materialidade, e estão também divididos em dois tipos, um dos quais se desenvolve de modo passivo e fraco de vontade. Pela ajuda de outros eles tornam a despertar o plexo solar e outros órgãos de conexão com o sistema nervoso involuntário. Esses são portanto clarividentes involuntários, médiuns que não possuem controle de sua faculdade. Eles retrocederam. O outro tipo é formado por aqueles que pela própria vontade, desenvolveram o poder vibratório dos órgãos atualmente conectados com o sistema nervoso voluntário e assim tornaram-se ocultistas treinados, controlando seus próprios corpos e exercendo a faculdade de clarividência como desejem. Eles são chamados de clarividentes voluntários ou treinados.

No Período de Júpiter o homem vai funcionar em seu corpo vital como agora ele faz em seu corpo denso e como nenhum desenvolvimento é súbito na natureza, o processo de separar os dois corpos já teve início. O corpo vital irá no futuro alcançar um grau muito maior de eficiência que o que tem o corpo físico de hoje. Como ele é um veículo muito mais flexível, o espírito estará então capacitado a usá-lo de um modo impossível de imaginar com nosso atual veículo denso.

O corpo vital começou na Segunda Revolução do Período Solar foi reconstruído nos Períodos Lunar e Terrestre, e irá alcançar a perfeição no Período de Júpiter, que é o seu quarto estágio, assim como o Período terrestre é o quarto estágio do corpo denso.

Nada é desperdiçado na natureza. No Período de Júpiter as forças do corpo denso irão se superpor ao corpo vital completado. Este veículo possuirá então os poderes do corpo denso além de suas próprias faculdades e será por isso um instrumento de muito mais valia para o tríplice Espírito expressar-se do que se fosse construído a partir de suas próprias forças.

De modo similar, o globo D do Período de Vênus está localizado no Mundo do Desejo, e daí nem o corpo denso nem o vital poderiam ser usados como instrumentos conscientes. Por esse motivo as essências dos corpos denso e vital aperfeiçoados serão incorporadas ao corpo de desejos completo, tornando-se assim, este último, um veículo de qualidades transcendentais, maravilhosamente adaptado e assim sensível ao mais leve desejo do Espírito interno do que em nossas atuais limitações, o que acha-se além de toda a concepção.

Até mesmo a eficiência desse esplêndido veículo estará superada quando no Período de Vulcano sua essência, junto com as essências dos corpos denso e vital, agregadas ao corpo mental, se tornará o mais elevado dos veículos do homem, contendo dentro de si a quintessência do que houver de melhor em todos os veículos. Se o veículo do Período de Vênus está tão além de nosso atual poder de compreensão, que dirá aquele que estará a serviço dos seres divinos no Período de Vulcano.


 

Capítulo II

 

Durante as Épocas

 

As Épocas Polar, Hiperbórea, Lemúrica e Atlante foram recapitulações das etapas que os Espíritos Virginais atravessaram. Conseqüentemente, o corpo vital sofreu modificações durante aquelas épocas.

 

Quando o homem apareceu na Terra, o corpo denso foi constituído na Época Polar e foi vitalizado pela interpenetração do corpo vital na Época Hiperbórea. Naquela época, o homem era parecido com os Anjos, macho-fêmea uma completa unidade criadora, capaz de criar por si mesmo, projetando toda sua força criadora que é amor.

Quando a Terra surgiu do Caos, encontrava-se primeiramente na etapa vermelho-escuro que conhecemos como Época Polar. Então, a humanidade desenvolveu primeiro um corpo denso que não era, absolutamente, como nosso corpo atual. Quando o estado da Terra se fez ígneo, na Época Hiperbórea, o corpo vital foi agregado e o homem se converteu em algo similar às plantas, isto é, tinha os mesmos veículos que têm as plantas atualmente e também uma consciência similar, ou melhor, uma inconsciência parecida à que temos durante o sono sem sonhos, quando só os corpos vital e denso ficam no leito.

Os Senhores da Forma apareceram na Época Hiperbórea juntamente com os Anjos (humanidade do Período Lunar) e envolveram a forma densa do homem com um corpo vital.

Como a Época Polar era realmente uma recapitulação do Período de Saturno, pode- se dizer que, durante este tempo, o homem passou através do estado mineral; tinha o mesmo veículo - o corpo denso - e uma consciência semelhante à do estado de transe. Por razões análogas, o estado vegetal foi atravessado durante a Época Hiperbórea, pois o homem tinha um corpo denso e um vital e sua consciência era semelhante à da de sono sem sonhos.

Absorvendo os cristalóides preparados pelos vegetais, o ser humano desenvolveu um corpo vital na Época Hiperbórea e se converteu em algo semelhante às plantas, tanto por sua constituição como por sua natureza, pois vivia sem fazer esforço algum e tão inconscientemente quanto as plantas.

Na segunda época, a Hiperbórea, um corpo vital de éter foi acrescentado, então, o homem em desenvolvimento já possuía um corpo constituído como o das plantas atuais. Ele não era uma planta, mas algo semelhante à planta. Caim, o homem desta época, é descrito como um agricultor; seus alimentos vinham unicamente dos vegetais, pois as plantas contêm mais éter do que qualquer outra estrutura.

Descreve-se Caim como um agricultor. Ele simboliza o homem da Segunda Época. Tinha um corpo vital análogo ao das plantas que o sustinham.

Na segunda época, a Hiperbórea, Deus disse: "Faça-se a Luz", o calor se converteu numa massa ígnea luminosa semelhante à do Período Solar e o corpo denso humano foi vestido com um corpo vital flutuando aqui e acolá sobre a Terra ígnea, como uma coisa grande em forma de saco ou bolsa. O homem era, então, análogo ao vegetal porque tinha os mesmos veículos que têm as plantas atuais e os Anjos eram seus auxiliares na organização de seu corpo vital, e continuam sendo até os dias atuais.

Isto pode parecer uma anomalia, pois os Anjos são a humanidade do Período Lunar, no qual o homem obteve seu corpo de desejos. Porém, não é assim, porque, só no Período Lunar, a Terra evolucionante se condensou em éter, tal como o que agora forma nosso corpo vital e, lá, a humanidade, os Anjos atuais, aprenderam a construir seus corpos mais densos com matéria etérea, assim como estamos aprendendo a formar os nossos com sólidos, líquidos e gases da Região Química. Eles se tornaram especialistas na construção daqueles corpos, assim como nós o seremos na construção de um corpo denso quando finalizar o Período Terrestre.

Na Época Polar, o homem tinha somente um corpo denso pobremente organizado; era inconsciente e imóvel como os minerais que agora são assim constituídos. Na Época Hiperbórea, seu corpo denso ficou envolto num corpo vital e o Espírito pairava fora. Os efeitos desta natureza podem ser observados nos vegetais que agora estão constituídos analogamente.

Neles vemos repetição constante, construção de talos e folhas para cima em sucessão alternada, o que continuaria ad infinitum se não houvesse outra influência. Porém, como a planta não tem corpo de desejos separado, o corpo de desejos da Terra, o Mundo do Desejo, endurece o vegetal e freia seu intenso crescimento na medida certa. A força criadora, que não consegue fazer uma determinada planta continuar a crescer, busca outra saída: forma a flor e se acumula na semente, para que possa crescer outra vez em uma nova planta.

Na Época Hiperbórea, na qual o homem se encontrava em condições parecidas, seu corpo vital o fazia crescer até alcançar um tamanho enorme. O Mundo do Desejo, agindo sobre ele, fazia com que ele produzisse umas sementes semelhantes a esporos que ou eram apropriadas por outros Egos humanos ou eram empregados pelos Espíritos da Natureza para formar os corpos animais que começavam a emergir do Caos. (A onda de vida superior começa primeiro no princípio de um período e é a última que vai ao Caos; as ondas de vida que se seguem - animal, vegetal e mineral - surgem mais tarde e se vão mais depressa).

Deste modo, na Época Hiperbórea, quando o homem era análogo aos vegetais, seu corpo vital formava vértebra pós vértebra e teria continuado assim se não lhe tivesse sido dado um corpo de desejos na Época Lemúrica. Esse corpo começou a endurecer a estrutura e a dominar a tendência a crescer, e, como resultado, o crânio, a flor sobre o "talo" da coluna espinhal foi incipientemente formado.

Impedida em seus esforços de construir uma forma mais alta, fez-se necessário que a força criadora do corpo vital buscasse outra saída pela qual pudesse continuar crescendo para cima em outro ser humano. Então, o homem tornou-se hermafrodita, capaz de gerar um novo corpo de si mesmo.

Então chegamos à segunda época, a Hiperbórea, quando o homem possuía um corpo denso e um corpo vital; este o estágio do vegetal. Alimentava-se de vegetais e se fala de Caim como de um agricultor. Imediatamente depois, temos a Época Lemúrica, quando o homem já tinha um corpo de desejos, isto é, possuía três veículos, igual aos animais.

Então chegamos à etapa em que o homem necessita de alimentos para manter seus três corpos. Ele os obtém de animais viventes e se diz que Abel era um pastor.

Quando o ser humano adquiriu seu corpo vital na Época Hiperbórea, o Sol, a Lua e a Terra estavam ainda unidos e as forças solares-lunares penetravam em cada ser uniformemente, de modo que todos podiam perpetuar sua espécie através de brotos e esporos, como fazem as plantas atuais. Os esforços do corpo vital para abrandar o veículo denso e mantê-lo vivo então não eram contrarrestados, e esses corpos primitivos, parecidos com as plantas, viviam séculos. Porém, como o homem era inconsciente e imóvel como as plantas, não fazia nenhum esforço vigoroso. A inclusão de um corpo de desejos agregou estímulo e desejos e a consciência surgiu como resultado do estado de guerra entre o corpo vital que constrói e o corpo de desejos que destrói o corpo denso.

Então, a dissolução tornou-se só uma questão de tempo, especialmente porque a energia construtiva do corpo vital foi também necessariamente dividida, uma parte ou pólo, sendo usada nas funções vitais do corpo, e a outra para substituir o veículo perdido pela morte. Porém, como os dois pólos de um magneto ou dínamo são requisitos para a manifestação, assim também dois seres de sexos diferentes são necessários para a geração; então, casamento e nascimento foram instituídos para contrarrestar a morte. A Morte então, é o preço que pagamos pela consciência no mundo atual. O casamento e os nascimentos repetidos são nossas armas contra o maior terror da humanidade até que mude nossa constituição e nos tornemos seres semelhantes a Anjos.

Os veículos superiores dos primitivos Atlantes não estavam em posição concêntrica com relação ao corpo denso como estão os nossos. O espírito não era ainda um Espírito interno; estava parcialmente no exterior e, portanto, não podia controlá-los tão facilmente como quando habita internamente. A cabeça do corpo vital estava fora e se mantinha muito mais acima que a do corpo físico. Há um ponto entre as sobrancelhas a uma meia polegada abaixo da pele que tem um ponto correspondente no corpo vital. Esse ponto não é o corpo pituitário que está muito mais dentro da cabeça do corpo denso. Pode chamar-se de "raiz do nariz". Quando esses dois pontos do corpo vital e do físico se colocam em correspondência, como acontece com o homem atual, o clarividente treinado os vê como uma pequena mancha negra, ou melhor dizendo, como um espaço vazio, semelhante à parte invisível da chama do gás. Este é o assento do Espírito interno do homem, o Santuário dos Santuários (Sancta Sanctorum) do templo do corpo humano, fechado para tudo o que não seja o Espírito que habita aquele corpo, o Ego. O clarividente desenvolvido pode ver com maior ou menor clareza, de acordo com sua capacidade e treinamento, todos os diferentes corpos que formam a aura humana. Esse ponto, está oculto para ele. É a "Isis" cujo véu ninguém pode levantar. Nem mesmo o ser mais evoluído da Terra pode tirar o véu do Ego da mais humilde ou menos desenvolvida criatura. Isto, e unicamente isto, sobre a Terra, é tão sagrado que está completamente a salvo de toda intrusão.

Estes dois pontos que acabamos de citar - um no corpo denso e sua contraparte no corpo vital - estavam muito separados no homem dos primitivos tempos da Atlântida, como estão nos animais atuais. A cabeça do corpo vital do cavalo está muito separada da cabeça de seu corpo denso. Esses dois pontos estão mais próximos no cachorro do que em qualquer outro animal, com exceção talvez do elefante. Se chegam a juntar-se, acontece o caso dos animais prodígios que podem contar, soletrar, etc.

Devido à distância entre esses dois pontos, o poder de percepção do Atlante era muito mais agudo nos mundos internos do que no Mundo Físico, obscurecido pela atmosfera de neblina densa e pesada. Com o tempo, no entanto, a atmosfera foi ficando gradualmente mais clara, ao mesmo tempo que o ponto citado no corpo vital foi-se aproximando pouco a pouco do correspondente no corpo denso. Conforme iam-se aproximando, o homem ia perdendo seu contato com os mundos internos, que ficavam mais escuros à medida que o físico clareava. Finalmente, na terceira e última parte da Época Atlante, o ponto do corpo vital se uniu ao do corpo físico correspondente. Até esse momento, o homem não estava plenamente consciente do Mundo Físico, porém, ao mesmo tempo que se obteve a plena visão e percepção do Mundo Físico, a maioria da humanidade perdeu gradualmente a capacidade de perceber os mundos superiores.

Durante a existência desta Raça (os Semitas Originais), a atmosfera da Atlântida começou a clarear definitivamente e o ponto, já mencionado, do corpo vital se colocou em correspondência com o respectivo ponto no corpo denso. A combinação dos acontecimentos deu ao homem a capacidade de ver os objetos com clareza e nitidez, com contornos bem definidos; porém, isto também provocou a perda de sua visão dos mundos internos.

Durante as idades que transcorreram desde a Época Lemúrica, a humanidade desenvolveu pouco a pouco o sistema nervoso cérebro-espinhal que está baixo o domínio da vontade. Na última parte da Época Atlante, tal sistema se desenvolveu bastante para permitir ao Ego tomar plena posse do corpo denso. Então, foi o momento (como já foi mencionado) em que o ponto no corpo vital e o ponto no corpo denso se corresponderam na raiz do nariz e o Espírito interno despertou no Mundo Físico e a grande maioria da humanidade perdeu a consciência dos mundos internos.


 

PARTE II – O CORPO VITAL DO HOMEM NA ATUAL ÉPOCA ÁRIA

 

Capítulo I

 

Natureza e Funções

 

A humanidade está evoluindo atualmente na Época Ária. O corpo vital tem funções, cor, forma, estrutura atômica e polaridade. Sua existência pode ser provada.

 

Vimos que o homem é um ser complexo e se compõe de:

  1. Corpo denso, seu instrumento de ação;

  2. Corpo vital, condutor da "vitalidade" que faz possível a ação;

  3. Corpo de desejos, de onde vêm os desejos que compelem à ação;

  4. Mente, que controla os impulsos, dando um propósito à ação;

  5. Ego, que age e acumula experiência resultante da ação.

  6.  

O objetivo da vida é transformar os poderes latentes no Ego em energia dinâmica, por meio da qual ele poderá controlar perfeitamente seus diferentes veículos e atuar como lhe pareça melhor. Sabemos que o Ego não tem completo domínio, pois, se assim fosse, não haveria guerra em nosso interior entre o Espírito e a carne, melhor dizendo, entre o Espírito e o corpo de desejos. É esta guerra que desenvolve o músculo espiritual, assim como a luta constrói o músculo físico. É fácil mandar que outros façam isso ou aquilo, mas impor obediência a si próprio é a tarefa mais difícil no mundo, e diz-se, com razão, que "o homem que conquista a si mesmo é maior do que o que conquista uma cidade". Goethe, o grande poeta iniciado, nos dá razão quando diz:

"De todos os poderes que encadeiam o mundo o homem se libertará quando adquirir auto-controle".

Além do corpo visível do homem que vemos com nossos olhos físicos, há outros veículos mais sutis que são invisíveis para a grande maioria da humanidade. No entanto, não são acessórios inúteis do corpo físico; pelo contrário, são muito importantes pelo fato de serem impulsionadores de toda ação. Se não existissem esses veículos sutis, o corpo físico ficaria inerte, insensível e morto.

 

O primeiro desses veículos sutis chamamos de "corpo vital" por ser a avenida da vitalidade que faz fermentar a massa morta de nossa envoltura mortal em seus anos de vida, e nos dá o poder de nos movermos.

 

Quando nosso corpo visível atual brotou primeiramente no Espírito, era um pensamento-forma, porém, gradualmente, foi-se condensando e solidificando até se converter na cristalização química atual. O corpo vital foi logo emanado pelo Espírito, também como um pensamento-forma, e se encontra agora em seu terceiro grau de solidificação que é etéreo.

 

Além do corpo denso, visível para todos, existem veículos mais sutis que interpenetram o organismo e que são os impulsionadores de sua atividade. Um deles é o corpo vital formado de éter, o qual tomou a seu cargo a construção do corpo denso por meio dos alimentos que ingerimos em nosso organismo. Ele governa todas as funções vitais, tais como a respiração, a digestão, a assimilação, etc., trabalhando através do sistema nervoso simpático. Outro veículo, ainda mais sutil, é o corpo de desejos; é o veículo de nossas emoções, sentimentos e desejos que gasta as energias acumuladas no corpo denso pelos processos vitais, graças ao controle que exerce sobre o sistema nervoso cérebro-espinhal ou voluntário. Durante sua atividade, o corpo de desejos está destruindo e rompendo continuamente os tecidos formados pelo corpo vital: é a guerra entre estes dois veículos que produz o que chamamos de consciência no Mundo Físico. As forças etéreas do corpo vital operam de tal maneira que convertem em sangue a maior parte possível dos alimentos, e o sangue é a mais alta expressão do corpo vital.

 

A propagação é uma faculdade do corpo vital, que é o reflexo do Espírito de Vida, o segundo aspecto do Espírito tríplice do homem.

 

Conta-se que dois Querubins com espadas flamejantes se converteram em guardiães do Éden, quando o homem foi expulso dali, para que não comesse o fruto da Árvore da Vida, tornando-se imortal. Os Querubins são a grande Hierarquia criadora que se encarregou da Terra no Período Solar, quando o corpo vital germinou e o Espírito de Vida foi despertado.

 

Em nossa Bíblia, há uma descrição dos primeiros homens da Terra. São chamados de Adão e Eva, porém, interpretando corretamente, Adão e Eva querem dizer a raça humana, a qual pouco a pouco arrogou-se a faculdade de procriar, convertendo-se assim em seres livres. Dessa maneira, a Humanidade obteve sua liberdade e se fez responsável perante a Lei de Conseqüência, pois, arrogando-se o direito de criar novos corpos, separou-se então da Árvore da Vida e de um estado que reconhecemos agora como etéreo. Quando aprendermos que temos um corpo vital feito de éter, e que é a árvore da vida de cada ser humano, o qual nos proporciona a vitalidade necessária para nos movermos, então compreenderemos porque o poder de recriar e regenerar nossos corpos nos foi tirado para que aprendêssemos como vitalizar nosso imperfeito corpo denso. E compreenderemos também porque, assim como está na Bíblia, havia Querubins com espadas flamejantes no portão do Jardim do Éden para proteger aquela região.

 

Foi para um bem que esta faculdade nos foi tirada. Não por maldade, ou para que o homem sofresse aflições e dores, mas porque somente através de existências ou vidas repetidas em corpos inferiores podemos aprender a construir para nós um veículo adequado e bastante perfeito para ser imortalizado. Gradualmente, o homem saiu de sua condição etérea até alcançar sua condição sólida atual. Naquela época, podia viver em condições etéreas facilmente, como podemos viver hoje em dia nos três elementos do Mundo Físico. Na sua última etapa etérea, estava em contato interno com as correntes de vida que agora contactamos inconscientemente. Podia, então, centralizar em seu corpo a energia solar, absorvendo-a de uma maneira distinta da que emprega atualmente. Essa faculdade foi sendo retirada gradualmente à medida que ia entrando na etapa sólida atual.

 

Nosso corpo que é composto de éter é chamado de corpo vital nas Escolas de Mistérios do Ocidente pois, como já vimos, o éter é a via de ingresso da força vital, proveniente do Sol, e o campo de ação da natureza que promove as atividades de assimilação, crescimento e propagação.

 

Este veículo é a contraparte exata de nosso corpo visível, molécula por molécula, órgão por órgão, com uma exceção , da qual falaremos mais tarde. Porém, é um pouco maior e se estende além da periferia de nosso corpo denso cerca de uma polegada e meia.

 

O baço é a entrada particular das forças que vitalizam o corpo. Na contraparte etérea desse órgão, a energia solar se transmuta em um fluido vital de cor rosa pálido. Daí se estende por todo o sistema nervoso e, uma vez cumprido o seu trabalho no corpo, sai, irradiando torrentes de luz que se eriçam parecidas com os pelos do porco espinho.

 

Durante o dia, o corpo vital especializa o fluido solar incolor que nos rodeia, através do órgão a que chamamos baço. Essa força vital permeia todo o organismo e os clarividentes a vêem como um fluido de cor rosa pálido, pois foi transmutada ao entrar no corpo físico. Flui por todos os nervos e, quando os centros cerebrais a enviam em quantidades particularmente grandes, aciona os músculos governados pelos nervos.

 

Durante o estado de vigília, há uma guerra constante entre o corpo vital e o corpo de desejos. Os desejos e os impulsos do corpo de desejos golpeiam continuamente o corpo denso, obrigando-o à ação, sem olhar o dano que lhe possa ocasionar, sempre que seja satisfeito o desejo. É o corpo de desejos que incita o alcoólatra a encher-se de álcool para que a combustão química acelere as vibrações do corpo denso a um diapasão que fará dele um instrumento dócil a todo impulso desenfreado, gastando assim a energia acumulada com imprudente prodigalidade. O corpo vital, por outro lado, não tem outro interesse a não ser a conservação do corpo denso. Através do baço, especializa a energia solar incolor, que preenche o espaço, e, por meio de um processo químico misterioso, transforma-a em fluido vital de um lindíssimo rosa-pálido, enviando-o, então, por todos os nervos e fibras do corpo. O corpo vital está sempre tratando de economizar a energia que acumulou no corpo denso e, portanto, está constantemente reparando os tecidos que foram destruídos pelos impactos do desenfreado corpo de desejos.

 

Quatro cores do corpo vital são indescritíveis, mas a quinta - que fica no meio das cinco é similar ao matiz da flor de pessegueiro recém aberta. Esta é realmente a cor do corpo vital.

 

O corpo denso e vital do homem estão em ordem, mas seus veículos superiores são ainda de forma ovóide.

 

Já foi demonstrado pela ciência que os átomos de nosso corpo denso estão mudando constantemente, de tal maneira que todo o material que atualmente compõe nosso veículo terá desaparecido em uns poucos anos. No entanto, é de conhecimento comum que as cicatrizes e outras manchas se conservem desde a infância à velhice. A razão disto é que os átomos etéreos prismáticos que compõem nosso corpo vital permanecem inalterados do berço ao túmulo.

 

Eles estão sempre nas mesmas posições relativas, isto é, os átomos etéreos prismáticos que fazem vibrar os átomos dos dedos dos pés ou das mãos não mudam de situação e não emigram para as mãos, pernas ou outras partes do corpo, senão que permanecem exatamente no mesmo lugar em que foram colocados no princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica em uma impressão similar no átomos etéreos prismáticos. A nova substância física que se modela sobre eles continua então tomando a forma e a textura similares aos que tinha originalmente.

 

Estas observações se aplicam exclusivamente aos átomos prismáticos que correspondem aos sólidos e aos líquidos no Mundo Físico porque assumem certa forma definida que conservam. Porém, além disso, na atual etapa da Evolução, cada ser humano tem certa quantidade de éteres luminoso e refletor, que são os veículos da percepção sensorial e da memória, entremesclados no seu corpo vital. Poderíamos dizer que o éter luminoso corresponde aos gases do Mundo Físico; talvez, a melhor descrição que poderíamos dar ao éter refletor é a de chamá-lo hiper-etéreo. É uma substância vácua, de cor azulada, que se parece, por seu matiz, com o centro azul de uma chama de gás. Apresenta-se transparente e parece revelar tudo o que está em seu interior, mas, na realidade, oculta todos os segredos da natureza e da humanidade. Nele se encontra um registro da Memória da Natureza.

 

Os éteres luminoso e refletor são de característica exatamente oposta à dos átomos etéreos prismáticos e estacionários. São voláteis e migratórios. Seja qual for a quantidade que o homem possua desses éteres, sempre são a frutificação das experiências da vida. Dentro do corpo, misturam-se com o sangue, e quando vão crescendo pelo serviço e sacrifício na escola da vida, de modo que já não podem ficar contidos dentro do corpo, pode-se observá-los fora deste como um corpo anímico matizado de ouro e azul. O azul é o que mostra o tipo mais elevado de espiritualidade, por ser o menor em volume e pode comparar-se ao núcleo azul da chama de gás, enquanto que a cor dourada forma a parte maior e corresponderia à parte de luz amarela que rodeia o núcleo azul da citada chama de gás. A cor azul não aparece fora do corpo, salvo nas pessoas de extraordinária santidade e somente o amarelo é geralmente observado. Na hora da morte, esta parte do corpo vital se grava no corpo de desejos, com o panorama da vida que contém. Então, imprime-se no átomo semente a quintessência de toda nossa experiência na vida, como consciência ou virtude, que é o que nos induzirá a evitar o mal e a realizar o bem nas próximas vidas.

 

Quando analisamos o ser humano, vemos que os quatro éteres são dinamicamente ativos no altamente organizado corpo vital. Graças às atividades do éter químico, o homem é capaz de assimilar os elementos e crescer; as forças que trabalham no éter de vida permitem-no propagar sua espécie; as forças do éter luminoso provêem o corpo denso com calor, trabalham sobre o sistema nervoso e sobre os músculos, abrindo assim as portas de comunicação com o mundo externo por meio dos sentidos; e o éter refletor permite ao Espírito governar seus veículos por meio do pensamento. Este éter também guarda as experiências passadas como memória.

 

O corpo vital da planta, do animal e do homem se estende além da periferia do corpo denso, como acontece com a Região Etérea, que nada mais é do que o corpo vital do planeta, que se estende além da sua parte densa, mostrando uma vez mais a veracidade do axioma hermético: "assim como é acima, é abaixo". A extensão do corpo vital do homem além do corpo físico é mais ou menos de uma polegada e meia. A parte que está fora do corpo denso é muito luminosa e tem uma cor parecida com a de uma flor de pessegueiro recém aberta. É vista freqüentemente por pessoas que possuem alguma clarividência involuntária. O autor, falando com essas pessoas, notou que geralmente elas não estão cientes de que vêem algo incomum e não sabem o que se passa diante de sua visão.

 

O corpo denso é construído na matriz deste corpo vital, durante a vida pré-natal e com uma única exceção, é a cópia exata, molécula por molécula, do corpo vital. Assim como as linhas de força na água são os condutores para a formação dos cristais de gelo, assim também as linhas de força no corpo vital determinam a forma do corpo denso. Através da vida toda, o corpo vital é o construtor e restaurador das formas densas. Se assim não fosse, se o coração etéreo não restaurasse o coração físico, logo este se romperia sob a tensão contínua com que o sobrecarregamos. Todos os abusos a que submetemos o corpo denso fazem o corpo vital reagir, no que está em seu poder, e ele esta permanentemente lutando contra a morte do corpo denso.

 

A exceção anteriormente mencionada é que o corpo vital do homem é feminino ou negativo, enquanto que o da mulher é masculino ou positivo. Neste fato, temos a chave de numerosos problemas intrincados da vida. A mulher dá saída a suas emoções pela polaridade indicada, porque seu corpo vital positivo gera um excesso de sangue e a obriga a trabalhar sob uma pressão interna enorme, que romperia o corpo físico se não houvesse uma válvula de segurança, o fluxo periódico, e outra válvula, que são as lágrimas, e que limitam a pressão em ocasiões especiais, pois as lágrimas são realmente uma "hemorragia branca".

 

O homem pode ter e tem emoções tão fortes quanto as das mulheres, porém, geralmente, pode suprimi-las sem lágrimas, porque seu corpo vital negativo não gera mais sangue do que pode dominar com facilidade.

 

De modo contrário ao que sucede com os veículos superiores da humanidade, o corpo vital não abandona regularmente o corpo denso até a morte deste último. Então, as forças químicas do corpo denso já não estão mais sob o domínio da vida evolucionante. Elas prosseguem com seu trabalho para restituir a matéria à sua condição primitiva, desintegrando-a e tornando-a apta para a formação de outros corpos na economia da natureza. A desintegração é, pois, devida à atividade das forças planetárias no éter químico.

 

A textura do corpo vital pode comparar-se, até certo ponto, com uma dessas figuras formadas por centenas de peças de madeira entrecruzadas e que apresentam inumeráveis pontos ao observador. O corpo vital também apresenta milhões de pontos ao observador. Estes pontos entram nos centros ocos dos átomos densos e, ao imbuir-lhes força vital, vibram muito mais intensamente que os minerais da terra que não foram ainda acelerados e vivificados.

 

Quando uma pessoa se afoga , ou cai de uma grande altura, ou fica congelada, o corpo vital abandona o corpo denso, cujos átomos ficam temporariamente inertes em conseqüência, mas, quando volta a si, os "pontos" tornam a penetrar nos átomos densos. A inércia dos átomos faz com que resistam um pouco a voltar a vibrar como antes, e esta é a causa dessa sensação de intensa dor e formigamento que se nota em tais ocasiões.

 

Há certos casos em que parte do corpo vital deixa o corpo denso, como acontece quando uma mão fica dormente, por exemplo. Então, a mão etérea do corpo vital pode ser vista flutuando sobre o braço denso, como uma luva, e os pontos produzem uma sensação especial de formigamento quando ela entra novamente na mão física. Em alguns casos de hipnose, a cabeça do corpo vital se divide e fica pendurada do lado de fora da cabeça densa, a metade cai sobre cada ombro, ou permanece em torno do pescoço como a gola de um suéter. A ausência de formigamento ao despertar em tais casos é devida a que, durante a hipnose, parte do corpo vital da vítima foi substituída pela do hipnotizador.

 

Os átomos dos éteres químico e de vida reunidos em torno do núcleo do átomo semente, localizado no plexo solar, têm uma forma prismática. Estão todos situados de tal maneira que, quando a energia solar entra no corpo pelo baço, o raio que se refrata é vermelho. Esta é a cor do aspecto criador da Trindade, ou seja, Jeová, o Espírito Santo, regente da Lua, o planeta da fecundação. Por conseguinte, o fluido vital do Sol, que penetra no corpo humano pelo baço, se tinge com uma ligeira cor rosada, que muitas vezes os videntes podem observar circulando pelos nervos como se fosse a eletricidade passando pelos condutores de uma instalação elétrica. Assim carregados, os éteres químico e de vida são vias de assimilação, que preservam o indivíduo, e de fecundação, que perpetuam a raça.

 

Durante a vida, cada átomo prismático penetra um átomo físico e o faz vibrar. Para se fazer uma idéia desta combinação, podemos imaginar uma cesta de arame, em forma de pêra, que tivesse paredes de arame curvado espiralmente que fosse de um pólo a outro obliquamente. Este é o átomo físico cuja forma é muito parecida com a nossa Terra, e o átomo prismático vital está inserido de cima para baixo, a partir do topo, que é mais amplo e que corresponderia ao pólo norte de nossa Terra.

 

Assim, a ponta do prisma penetra o átomo físico no ponto mais estreito que corresponde ao pólo sul de nossa terra e todo o conjunto parece com um pião que gira e bamboleia enquanto vibra intensamente. É desta maneira que nosso corpo se enche de vida e é capaz de se mover. (É digno de nota que nossa Terra está compenetrada, de maneira similar, por um corpo cósmico de éter e as manifestações da natureza que chamamos de Aurora Boreal e Aurora Austral são correntes etéreas que circundam a Terra do pólo ao Equador como fazem as correntes do átomo físico).

 

Os éteres luminoso e refletor são as avenidas da consciência e da memória. No indivíduo comum, encontram-se um tanto atenuados e não tomaram ainda uma forma definida. Interpenetram o átomo da mesma forma que o ar interpenetra uma esponja e formam algo assim como uma ligeira atmosfera áurica por fora de cada átomo.

 

Se tivéssemos dito que o corpo vital está formado de prismas ao invés de pontos, teria sido mais exato, pois é pela refração através destes diminutos primas que o fluido solar incolor se transforma em rosáceo, como foi indicado por outros escritores além do autor.

 

Foram feitos outros descobrimentos novos e importantes, por exemplo: agora sabemos que nasce um cordão prateado novo a cada renascimento e que uma parte dele brota do átomo-semente do corpo de desejos no grande vórtice do fígado; que a outra parte nasce do átomo-semente do corpo denso no coração, que as duas partes se unem com o átomo-semente do corpo vital no plexo solar e que esta união dos veículos superiores e inferiores produz o despertar do feto. O desenvolvimento posterior do cordão entre o coração e o plexo solar durante os primeiros sete anos tem uma importante relação com o mistério da infância, assim como o seu desenvolvimento mais amplo do fígado ao plexo solar, que tem lugar no segundo período setenário da vida da criança, contribui para a adolescência.

 

A realização total do cordão prateado marca o final da vida infantil e, desde tal momento, a energia solar, que entra pelo baço e se tinge pela refração através do átomo-semente prismático do corpo vital situado no plexo solar, começa a dar um colorido individual e distinto à aura que observamos nos adultos.

Assim como o éter leva à placa sensível da câmara escura da máquina fotográfica uma impressão fiel da paisagem em torno em seus menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim também o éter contido no ar que respiramos leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo ao nosso redor e não somente das coisas materiais, como também das condições que existem em cada momento em nossa aura. O mais fugaz pensamento, sentimento ou emoção se transmite aos pulmões onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do corpo vital porque é o agente que leva alimento a todas as partes do corpo e é também o veículo direto do Ego. As imagens que contém se imprimem sobre os átomos negativos do corpo vital para servir como árbitros do destino do homem no estado post-mortem.

 

Em muitas mulheres, nas quais o corpo vital é positivo e nas pessoas mais evoluídas de ambos os sexos, cujos corpos vitais estão sensibilizados por uma vida pura e santa, pela oração e concentração, esta memória supraconsciente, inerente ao Espírito de Vida, está, até certo ponto, além da necessidade de envolver-se em matéria mental ou de desejos para compelir à ação . Nem sempre necessita correr o risco de ver-se subjugada e até submetida pelo processo de raciocínio. Algumas vezes, em forma de intuição ou de ensinamento interno, imprime-se diretamente sobre o éter refletor do corpo vital. Quanto mais dispostos nos encontremos para reconhecer e seguir seus ditados, tanto mais amiúde falará, para nosso eterno benefício.

 

Por suas atividades durante as horas de vigília, o corpo de desejos e a mente estão constantemente destruindo o veículo denso. Cada pensamento e movimento destrói tecidos. Por outro lado, o corpo vital se dedica totalmente a restaurar a harmonia e a reconstruir o que outros veículos estão destruindo. No entanto, não é capaz de sempre resistir completamente aos poderosos impactos dos impulsos e dos pensamentos. Gradualmente, vai perdendo terreno e, por último, chega um momento em que sofre um colapso. Seus "pontos" enrugam-se, por assim dizer. O fluido vital cessa de circular pelos nervos em quantidade necessária; o corpo se torna sonolento; o Pensador se encontra tolhido por sua sonolência e se vê obrigado a sair dele, elevando-se o corpo de desejos consigo. Esta saída dos veículos superiores deixa o corpo denso interpenetrado pelo corpo vital no estado a que chamamos sono.

 

Como um sábio general, o Ego segue uma conduta análoga. Não começa sua campanha adquirindo domínio sobre uma das glândulas, pois estas são expressões do corpo vital, nem seria possível adquirir domínio sobre os músculos voluntários porque estão muito bem defendidos pelo inimigo. Essa parte do sistema muscular involuntário que está sob o domínio do sistema nervoso simpático seria também inútil para esse objetivo. O Ego deve conseguir um contato mais direto com o sistema nervoso cérebro-espinhal. Para fazer isso e assegurar uma base de operações no mesmo campo inimigo, ele deve controlar um músculo que é involuntário e que não obstante está relacionado com o sistema nervoso voluntário. Este músculo é o coração.

 

O sangue é a expressão mais elevada do corpo vital porque nutre todo o organismo físico. É também, em certo sentido, o veículo da memória subconsciente, e está em contato com a Memória da Natureza, situada na divisão mais elevada da Região Etérea. O sangue carrega as imagens da vida dos antepassados aos descendentes durante gerações quando é um sangue comum como o que se produz pela endogamia.

 

O amor e a unidade no Mundo do Espírito de Vida encontra sua contraparte ilusória na Região Etérea, à qual estamos relacionados pelo corpo vital, sendo este último o que produz o amor e a união sexual. O Espírito de Vida tem seu assento primeiramente no corpo pituitário e secundariamente no coração, por onde passa o sangue que nutre os músculos.

 

Olhando o assunto do ponto de vista oculto, toda consciência no Mundo Físico é o resultado da guerra constante entre os corpos de desejo e vital.

 

A tendência do corpo vital é a de abrandar e construir. Sua expressão principal é o sangue e as glândulas, bem como o sistema nervoso simpático, havendo obtido ingresso na fortaleza do corpo de desejos ( sistemas muscular e nervoso voluntários) quando começou a converter o coração em músculo voluntário.

 

Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na sutil substância da Região do Pensamento Abstrato que especializamos dentro da periferia de nossa aura individual. Dali obtemos as impressões que nos produz o mundo externo sobre o corpo vital através dos sentidos, junto com os sentimentos e emoções gerados por eles no corpo de desejos e refletidos na mente.

 

Todas as coisas estão em constante vibração. As vibrações dos objetos que nos rodeiam nos alcançam constantemente e levam, a nossos sentidos, o conhecimento do mundo externo. As vibrações do éter atuam sobre nossos olhos de maneira a que possamos ver e as vibrações do ar transmitem os sons a nossos ouvidos.

 

O sol trabalha no corpo vital e é a força que desperta a vida e luta contra as forças lunares relacionadas com a morte.

 

Assim como nas águas de um lago as árvores aparecem invertidas, parecendo que a folhagem se acha no mais profundo da água, assim também o aspecto mais elevado do Espírito ( Espírito Divino) encontra sua contraparte no mais inferior dos três corpos ( corpo denso). O Espírito imediatamente inferior ( Espírito de Vida) se reflete no corpo imediatamente superior ( corpo vital). O terceiro Espírito ( Espírito Humano) e seu reflexo, o terceiro corpo (corpo de desejos), aparece como o mais próximo de todos ao espelho refletor, que é a mente, correspondendo esta à superfície do lago, o meio refletor de nossa analogia.

 

Assim como os corpos vital e de desejos planetários interpenetram a matéria densa da Terra, assim também os corpos vital e de desejos interpenetram o corpo denso da planta, do animal e do homem.

 

Um corpo vital de éter compenetra o corpo visível, como o éter permeia todas as outras formas, com a exceção de que os seres humanos especializam uma quantidade maior de éter universal do que as outras formas. Este corpo etéreo é o instrumento que usamos para especializar a energia vital do Sol.

 

O corpo vital, que finalmente se transforma e se espiritualiza convertendo-se em alma, é de polaridade oposta. Está formado, órgão por órgão, exatamente como o corpo denso com uma exceção, o que explica muitos fatos que de outra maneira seriam inexplicáveis. Como a mulher tem um corpo vital positivo, ela amadurece antes que o homem, e as partes do corpo que têm certa semelhança com as plantas, como o cabelo, crescem mais e são mais exuberantes. Naturalmente, um corpo vital positivo gera mais sangue do que um corpo vital negativo, como o que possui o homem, daí que exista na mulher uma pressão sangüínea maior, da qual tem necessidade de se livrar mediante o fluxo mensal, produzindo-se, ao cessar na menopausa, uma espécie de segundo crescimento na mulher a qual adquire os caracteres que chamamos "matrona".

 

Os impulsos do corpo de desejos empurram o sangue através de todo o sistema com diferentes graus de velocidade, de acordo com a força das emoções. Como a mulher tem um excesso de sangue, ela atua sob uma pressão muito mais elevada que o homem, e, se bem que esta pressão diminua durante o fluxo mensal, há momentos em que necessita de uma válvula de escape extra: são as lágrimas femininas que, em realidade, constituem uma hemorragia branca, que age como uma válvula de segurança para remover o fluido excessivo. O homem, ainda que seja capaz de sentir emoções talvez tão fortes quanto a mulher, não é tão propenso às lágrimas porque não tem mais sangue do que pode utilizar normalmente.

 

Em conseqüência de sua polarização positiva na Região Etérea do Mundo Físico, o campo de ação da mulher tem sido a casa e a igreja, onde está rodeada de amor e paz, enquanto que o homem atua na luta dos fortes para que sobreviva o mais apto, uma luta sem quartel no denso Mundo Físico, onde seu corpo é positivo.

 

Desta forma, a mulher foi a precursora da cultura, sendo a primeira a desenvolver a idéia de uma "vida boa", e graças a isso ela se tornou um expoente muito estimado entre os antigos e tem estado nobremente na vanguarda desde então. Como todos os Egos encarnam alternadamente como homens ou como mulheres, não há, na verdade, proeminência alguma. É simplesmente que os que encarnam num corpo denso do sexo feminino têm um corpo vital positivo e são, portanto, mais sensíveis às coisas espirituais do que quando o corpo vital é negativo como o do varão.

 

A mulher tem um corpo vital positivo e portanto está em contato intuitivo com as vibrações espirituais do universo. Ela tem mais ideais elevados e uma imaginação mais fértil que o homem. Em conseqüência, ela se interessa por todas as coisas que ajudam o desenvolvimento moral da raça. E, hoje em dia, é somente pelo crescimento moral e espiritual que a humanidade pode se adiantar e a mulher é, realmente, fator primordial na evolução. Seria de muito proveito para as raças se a mulher obtivesse direitos iguais aos dos homens, pois somente então podemos esperar ver executadas as reformas que propugnam a união da humanidade. Se, por analogia, olharmos dentro de uma casa, veremos que a mulher é o pilar central, em torno da qual se agrupam o marido e os filhos. De acordo com suas aptidões e habilidades, ela faz a casa à sua imagem e nota-se sua influência aglutinadora, pois é ela quem mantém a harmonia e a paz do lar. O pai pode abandonar a casa, seja por falecimento ou de outra maneira; os filhos também podem ir-se, mas enquanto a mãe está, o lar permanece. No entanto, quando a morte leva a mãe, tudo se desmorona.

 

Já dissemos, anteriormente, que o corpo vital é a contraparte exata do corpo denso, com uma única exceção: é de sexo oposto, ou melhor dito, de polaridade oposta. Como sabemos que o corpo vital nutre o veículo denso, podemos compreender que o sangue é sua mais alta expressão visível e também que um corpo vital positivo deve gerar mais sangue que um corpo negativo. A mulher, fisicamente negativa, tem um corpo vital positivo, daí gerar um excesso de sangue que é aliviado pelo fluxo periódico. Está também mais propensa às lágrimas, uma hemorragia branca, que o homem, cujo corpo vital negativo não gera mais sangue do que pode normalmente utilizar. Portanto, não necessita ter as saídas que aliviam a mulher do excesso de sangue.

 

Os Anjos, a humanidade do Período Lunar, trabalham no homem, no animal e na planta, pois no Período Lunar, o universo era de consistência etérea e os corpos vitais dos três reinos acima citados estão compostos por esta substância. Os Anjos são, portanto, verdadeiros auxiliares para as funções vitais tais como a assimilação, o crescimento e a propagação e em seu trabalho com a humanidade, são espíritos familiares. São eles que aumentam a família, multiplicam os ganhos e dão boa colheita nos campos.

 

Desde os tempos antigos, os Anjos lunares se colocaram particularmente a cargo dos corpos vitais aquáticos e úmidos formados pelos quatros éteres, cuidando da propagação e alimentação das espécies, enquanto que a atividade intensa dos Espíritos Lucíferes se desenvolvia nos secos e ígneos corpos de desejos. A função do corpo vital é construir e sustentar o corpo denso, enquanto que a do corpo de desejos é a destruição dos tecidos. Deste modo, há uma guerra constante entre o corpo vital e o de desejos, e esta guerra nos céus ocasiona nossa consciência física na Terra.

 

Por mais estranho que possa parecer nossa afirmação, é verdade que a grande maioria da humanidade está parcialmente dormida a maior parte do tempo, não obstante seus corpos físicos pareçam estar sumariamente ocupados, trabalhando ativamente. Sob condições ordinárias, o corpo de desejos da grande maioria é a parte mais desperta do complexo homem, o qual vive quase completamente de emoções e sentimentos, mas raramente pensa no problema da existência além daquilo que necessita para sobreviver. A maioria destes seres provavelmente nunca pensou seriamente nos três grandes problemas da vida: De onde viemos? Por que estamos aqui? Aonde vamos? Seus corpos vitais estão trabalhando para reparar os destroços feitos pelo corpo de desejos no corpo físico e subministrando a vitalidade que será logo malgastada na gratificação de seus desejos e emoções.

 

Este combate intenso entre o corpo vital e o de desejos é que gera a consciência no Mundo Físico e faz homens e mulheres tão ativos que, do ponto de vista do Mundo Físico, nossa afirmação de que eles estão parcialmente dormidos parece ser uma mentira. No entanto, examinando todos os fatos, chegamos à conclusão de que é assim e podemos acrescentar que este estado de coisas está de acordo com os desígnios das Grandes Hierarquias que estão a cargo de nossa evolução.

 

Essa destruição efetua-se constantemente e não é possível salvaguardar-se de todos esses destruidores, nem essa é a intenção. Se o corpo vital tivesse um poder ininterrupto, construiria cada vez mais, usando toda a energia com esse propósito. Não haveria consciência ou pensamento algum. A consciência se desenvolve porque o corpo de desejos restringe e endurece as partes internas.

O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o mundo da matéria e assim se desenvolveu o corpo denso, como contraparte do Espírito Divino, seguido do corpo vital, réplica do Espírito de Vida e logo o corpo de desejos, imagem do Espírito Humano. Finalmente, formou-se o elo da mente entre o tríplice Espírito e o tríplice corpo. Este foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde termina a involução do Espírito na matéria e começa o processo evolutivo, através do qual a sua libertação se inicia. A involução envolve a cristalização do Espírito em corpos, porém, a evolução depende da dissolução dos corpos, a extração da substância anímica desses corpos e a alquímica amalgamação da alma com o Espírito.

 

Há vários meios para demonstrar a realidade e a existência do corpo vital. Em primeiro lugar, existe uma máquina fotográfica. Talvez se possa encontrar entre os espíritas de sua cidade um capaz de tirar fotografia dos espíritos. Embora existam truques bem conhecidos dos fotógrafos para produzir retratos falsos, foi provado que, sob condições onde a fraude é impossível, foram tiradas fotos de pessoas que já haviam morrido. Estas pessoas puderam envolver-se em éter, matéria com a qual o corpo vital é construído e que é visível para a lente fotográfica. Com o próprio autor aconteceu uma vez ser fotografado quando viajava em seu corpo vital de Los Angeles a São Pedro para despedir-se de um amigo a bordo de um navio a vapor. Coincidentemente, ele estava entre aquele amigo e a máquina fotográfica de outro amigo que, naquele momento, fotografava o barco e a semelhança foi tanta que muitos o reconheceram.

 

Além disso, temos o fenômeno dos cachorros que seguem certas pessoas pelo cheiro de sua roupa usada a qual está impregnada de éter do corpo vital, éter que se estende mais ou menos uma polegada e meia além do corpo denso. Portanto, a cada passo que damos, este fluido invisível e radiante penetra a Terra. No entanto, comprovou-se que cães de caça que estavam perseguindo um criminoso em fuga ficaram desnorteados e perderam a pista quando o fugitivo calçou patins e continuou sua fuga sobre o gelo. Os patins o elevaram acima do solo e, então, o corpo vital, que se estendia por baixo de seus pés, não pôde impregnar o gelo e, então, ficando sem pista, os cachorros não puderam descobri-lo. Resultados similares foram obtidos com uma pessoa que usou pernas de pau para se afastar do lugar de seu crime.

 

Temos também o caso do magnetizador que extrai de seu paciente as partes enfermas do corpo vital, as quais são substituídas por éter renovado, permitindo, assim, às forças vitais circular pelo órgão físico enfermo, efetuando-se a cura. Se o magnetizador não tiver cuidado de tirar de si o fluido etéreo escuro e gelatinoso, isto é, os miasmas humanos que extraiu e absorvê-lo em seu próprio corpo, então ficará enfermo. Se não houvesse aquele fluido invisível, o fenômeno da cura do enfermo e da enfermidade do magnetizador não se produziria.

 

Finalmente, poderíamos dizer que, se se reúnem as condições necessárias e não falta a decisão, existe uma possibilidade muito grande para que uma grande quantidade de gente veja por si mesma o corpo vital. É mais fácil nos países do Sul onde os defuntos são enterrados logo após seu falecimento. Deve-se escolher um dia que seja o mais próximo da Lua Cheia. Então, deve-se ler os avisos fúnebres nos jornais e ir ao cemitério na noite que se segue ao funeral de alguém falecido nas últimas vinte e quatro horas. Provavelmente, veremos sobre o túmulo, oscilando ao clarão da lua, a forma membranácea do corpo vital que fica neste lugar e se desintegra sincronicamente com o corpo dentro da sepultura. O clarividente pode ver esta forma em qualquer momento, mas somente na primeira noite depois do funeral ela está bastante densa para ser visível à pessoa comum. Se a forma não aparece logo, pode-se andar em volta do túmulo, olhando fixamente de diferentes ângulos. Então, você conseguirá a prova ocular mais convincente.

 

Embora a ciência não tenha observado este corpo vital humano diretamente, em várias ocasiões ela postulou sua existência como necessária para explicar certos problemas da vida. Suas radiações foram captadas por vários cientistas em diferentes condições e em épocas distintas. Blondot e Charpentier chamaram a essas radiações raios N, nome dado por terem sido observados na cidade de Nantes. Outros as chamaram de "Fluido Ódico". Investigadores científicos, que conduziram pesquisas sobre fenômenos psíquicos, fotografaram o corpo vital quando era extraído através do baço por espíritos materializadores. Dr. Hotz, por exemplo, obteve duas fotografias de uma materialização, graças ao médium alemão Minna-Demmler. Sobre uma delas, vê-se uma nuvem de éter sem forma saindo do lado esquerdo do médium. A segunda foto, tirada uns instantes mais tarde, mostra o espírito já materializado, de pé ao lado do médium. Outras fotografias tiradas do médium italiano Eusapio Palladino por cientistas mostram uma nuvem luminosa flutuando sobre seu lado esquerdo.


 

Capítulo II

 

Na Saúde e na Doença

 

O corpo vital tem um papel importante na saúde e na enfermidade. Ele é afetado por amputações, acidentes, anestésicos, afogamentos, choque, arrependimentos e remorsos. Quando não está em posição concêntrica com relação aos outros veículos do Ego, pode resultar em insanidade ou idiotice.

 

Se estamos atentos à higiene e à dieta, o corpo denso é principalmente o mais beneficiado, porém, ao mesmo tempo, produz-se também um efeito sobre os corpos vital e de desejos, porque quanto mais puros e melhores forem os alimentos empregados na construção do corpo denso, as partículas ficam envoltas em éter planetário e matéria de desejos mais puros. Desta forma, as partes planetárias dos corpos vitais e de desejos se tornam mais puros. Se se dedica atenção unicamente à higiene e ao alimento, os corpos vitais e de desejos individuais poderão permanecer quase tão impuros como antes, mas, no entanto, será mais fácil colocar-se em contato com o bem do que se tivessem sido empregados alimentos grosseiros.

Por outro lado, se apesar dos desgostos, cultivar-se um caráter equânime e também interesses literários e artísticos, o corpo vital produzirá uma impressão de delicadeza e de refinamento nos assuntos físicos e engendrará sentimentos e emoções mais nobres no corpo de desejos.

O cultivo das emoções também exerce uma reação sobre os outros veículos e ajuda a melhorá-los.

As tendências positivas e construtivas do corpo vital – veículo do amor – não se prestam facilmente à observação. No entanto, pôde-se comprovar que o contentamento aumenta a vida de cada ser que o cultiva. Portando, podemos dizer sem medo de enganar-nos que a criança concebida num ambiente de harmonia e amor tem melhores possibilidades na vida do que aquela que foi concebida num ambiente de paixão, bebida e descontentamento.

O corpo vital nasce mais ou menos aos sete anos, isto é, na época da segunda dentição da criança.

Há problemas muito importantes que devem e podem ser tratados somente durante certos períodos da infância e os pais devem saber quais são. Ainda que os órgãos já estejam formados quando a criatura nasce, as linhas de crescimento se determinam durante os sete primeiros anos e, se não estão bem delineadas, uma criança sadia pode converter-se em um homem ou mulher enferma.

Em tudo o que vive, o corpo vital irradia torrentes de luz da força que ele despendeu na construção do corpo denso. No estado de saúde, estas irradiações afastam todos os venenos do corpo e o mantêm limpo. Condições similares prevalecem no corpo vital da Terra, sendo este o veículo de Cristo. As forças venenosas e destrutivas geradas por nossas paixões são afastadas pelas forças vitais de Cristo, porém, cada pensamento ou ato maléfico traz para Ele uma porção de dor que se torna parte da Sua Coroa de Espinhos – dizemos coroa porque sempre se considera a cabeça como assento da consciência. Devemos nos conscientizar de que cada má ação que praticamos, por menor que seja, tem um efeito sobre Cristo, como já foi citado, e acrescenta outro espinho de sofrimento em sua coroa.

Não podemos assimilar minerais, pois eles não possuem um corpo vital e, portanto, o homem não pode elevar as vibrações dos minerais ao seu grau de intensidade. As plantas têm um corpo vital, mas não são conscientes de si mesmas, portanto são assimiladas facilmente e permanecem no corpo mais tempo que as células dos alimentos animais compenetradas por um corpo de desejos. Os corpos dos animais vibram intensamente e, portanto, necessita-se de muita energia para assimilar suas células que se escapam rapidamente. Daí que a dieta carnívora exige que a pessoa se alimente mais freqüentemente.

A enfermidade aparece primeiramente no corpo de desejos e no vital; eles ficam mais tênues em sua textura e não especializam o fluido vitalizador na mesma proporção, como acontece no estado de saúde. Então o corpo denso cai enfermo. Quando o doente se recupera, os veículos superiores denotam melhora antes que a saúde se manifeste no Mundo Físico.

Quando um vidente examina uma pessoa que está para ficar doente, nota que o corpo vital está atenuando-se e, quando fica tão tênue que já não pode sustentar o corpo denso, este começa a manifestar sinal de enfermidade. Por outro lado, um pouco antes da recuperação física, o corpo vital, pouco a pouco, fica mais denso em sua estrutura e logo começa o período de convalescença.

Durante a enfermidade, o corpo vital especializa muito pouca energia solar. Então, por um período, o corpo visível parece alimentar-se do corpo vital e, assim, este veículo fica mais transparente e mais tênue, ao mesmo tempo em que o corpo visível demonstra sinais de extenuação. As radiações eliminadoras faltam quase completamente durante a enfermidade e, portanto, as complicações são freqüentes.

O homem, tendo um corpo físico positivo, possui um corpo vital negativo. Portanto, não pode resistir à enfermidade tão bem como a mulher, que tem um corpo físico negativo, mas seu corpo vital é positivo. Esta é a razão pela qual a mulher pode suportar tantas enfermidades que matariam um homem que tivesse o dobro de seu peso e aparentasse ter muito mais vitalidade. A mulher sofre mais intensamente que o homem, porém, suporta a dor com mais coragem. Quando ela começa a se recuperar, seu corpo vital polarizado positivamente parece chupar a energia solar, como se tivesse milhões de bocas. Ele se incha e começa quase que imediatamente a irradiar as torrentes de luz tão características da saúde e, como resultado, o corpo físico se recupera rapidamente.

Por outro lado, quando um homem se debilitou muito por causa de uma enfermidade, uma vez passada a crise, seu corpo vital polarizado negativamente se parece com uma esponja. Absorverá toda a energia solar que possa, mas sem a avidez que caracteriza o corpo vital da mulher. Em conseqüência, demora-se largo tempo no umbral da morte, mas como é mais fácil desistir do que lutar, sucumbe mais freqüentemente que a mulher.

Olhando uma pessoa enferma com a visão espiritual, nota-se que o corpo vital está muito debilitado e atenuado, em proporção aos desgastes feitos pela enfermidade. Não se vêem mais as irradiações em linhas retas como quando o corpo é são, e sim emanações débeis que se encurvam formando redemoinhos e espirais em torno do corpo denso. A coloração não é rosado-purpúreo, como deveria ser, senão cinzento-opaco na maioria das partes do corpo, e a região particularmente enferma está envolta em algo que se parece uma massa negra gelatinosa. Isto é, como poderíamos chamar, a vibração da enfermidade, e, quando o enfermo recebe o tratamento magnético, esta venenosa massa negra é absorvida pelas mãos do curador. Quando ele a arremessa de si com um vigoroso movimento, a massa cai no chão e, se o paciente passar por esse lugar, vai absorvê-la. Portanto, o autor sempre teve o costume de jogar estes miasmas pela janela ou numa lareira, onde se queimam, e então não podem fazer mal.

Enquanto um órgão está enfermo, sempre gera esta massa venenosa que flutua a seu redor e impede as correntes do corpo vital de penetrar nele. O trabalho do magnetizador consiste simplesmente em limpar o órgão enfermo e, assim, abrir caminho para o fluxo das correntes de vida e saúde. O alívio geralmente é só temporário, pois o órgão enfermo e debilitado continua gerando os miasmas venenosos, e então, em seguida, se necessita de outra "limpeza" por parte do magnetizador. Este estado de coisas subsiste até que as correntes vitais se fortalecem o bastante para vencer e jogar fora os eflúvios daninhos, e limpar o órgão por seus próprios esforços. Então, a saúde retorna.

O osteopata vê a enfermidade de outro ângulo e manipula os nervos que são as avenidas das correntes vitais. Estas massagens fortalecem as correntes e dispersam os miasmas que estão se formando na parte enferma do corpo. No entanto, geralmente, requer uma série de tratamentos da parte do osteopata antes que a saúde seja restaurada, pois o miasma venenoso obstrui outra vez os nervos pouco tempo depois das massagens. Portanto, na opinião do autor, embora ele não tenha experimentado, o melhor seria a combinação dos dois métodos: abrir caminho para as correntes nos nervos e fortalecê-los por meio de tratamentos osteopáticos, extraindo, ao mesmo tempo, os miasmas envenenados por tratamentos magnéticos e tendo o cuidado de queimá-los ou jogá-los fora. Estes dois métodos combinados poderiam facilitar extraordinariamente o tratamento da doença.

O baço é a entrada das forças solares, mas a transmutação da energia solar em um fluido ligeiramente rosado acontece no plexo solar, onde o átomo-semente prismático do corpo vital se localiza.

Com relação ao que ocorre quando o baço foi removido, devemos recordar que o corpo físico acomoda-se da melhor maneira possível às condições alteradas. Se uma ferida em determinada parte do corpo impossibilita o sangue de fluir por vasos normais, ele encontra outra rede de veias pelas quais possa realizar seu circuito. Porém, um órgão nunca se atrofia enquanto possa servir a um propósito útil. O mesmo acontece com o corpo vital formado de éteres. Quando um membro foi amputado, a parte etérea do mesmo já não é necessária na economia do corpo e gradualmente se dissolve. Porém, no caso de um órgão como o baço, em que a contraparte etérea tem uma função importante como porta de acesso das energias solares, naturalmente não se produz semelhante desintegração.

Também, deve ser lembrado que, quando uma enfermidade no veículo físico se manifesta, a parte correspondente do corpo vital se debilitou e atenuou previamente, ficou doente e foi sua a impossibilidade de suprir a quantidade necessária de energia vital que provocou a manifestação dos sintomas físicos da doença. Inversamente, quando a saúde retorna, o corpo vital é o primeiro que se restabelece, e esta convalescença logo se manifesta no corpo denso. Portanto, se o baço físico fica enfermo, é evidente que a contraparte etérea não está bem e então é muito duvidoso que a extração do órgão seja útil. No entanto, se é feita, o corpo tratará de acomodar-se às novas condições e a contraparte etérea do baço continuará funcionando como antes.

A tendência natural do corpo de desejos é endurecer e consolidar tudo quanto se põe em contato com ele. O pensamento materialista acentua esta tendência de tal modo que, geralmente, produz como resultado, em vidas futuras, a horrenda enfermidade chamada tuberculose, que é um endurecimento dos pulmões os quais devem ser brandos e elásticos. Ocorre, algumas vezes, que o corpo de desejos comprime o corpo vital, de modo que este não pode contrarrestar o processo de endurecimento e, então, temos a tuberculose galopante. Em alguns casos, o materialismo torna o corpo de desejos frágil, por assim dizer, e, então, ele não pode realizar devidamente seu trabalho de endurecimento do corpo denso e, como resultado, produz o raquitismo ou enfraquecimento ósseo. Vemos, portanto, os perigos que corremos ao manter tendências materialistas que dão origem ao endurecimento das partes brandas do corpo, como na tuberculose, ou o enfraquecimento das partes duras, ósseas, como no raquitismo. Naturalmente, nem todos os casos de tuberculose demonstram que a pessoa foi um materialista em vida anterior, porém, os ensinamentos das ciências ocultas afirmam que esse resultado geralmente é produzido pelo materialismo.

No caso da pessoa que está preparada para receber a iniciação, a aceleração das vibrações é maior do que para o homem ou mulher comuns. Portanto, não requer exercícios para acelerar esta vibração, mas necessita de determinados exercícios espirituais, ajustados individualmente para ele, que farão com que se adiante em seu próprio caminho.

Se essa pessoa, neste período crítico, se encontrasse com um indivíduo que, por maldade ou ignorância, lhe desse exercícios respiratórios que o interessado cumprisse fielmente com a esperança de obter resultados rápidos, esses resultados seriam obtidos, mas não da maneira que ele buscava. A vibração dos átomos do corpo, em um período muito curto, teria acelerado de tal maneira que pareceria como se estivesse caminhando sobre o ar. Também poderia produzir-se uma indevida separação do corpo vital com o denso, o que traria a tuberculose ou insanidade como resultado.

Quando anestésicos são usados, o corpo vital é expulso parcialmente do corpo físico, junto com os demais veículos e, se a aplicação é demasiadamente forte, produz-se a morte. O mesmo fenômeno pode ser observado no caso dos médiuns materializadores. Na verdade, a diferença entre um médium dessa classe e um homem ou mulher comum é que, nestes últimos, o corpo vital e o corpo denso estão, no atual estado de evolução, estreitamente interligados, enquanto que no médium esta relação é débil. Não foi sempre assim, e virá um tempo em que o corpo vital poderá abandonar normalmente o corpo físico, o que, no presente, não acontece. Quando um médium permite que seu corpo vital seja usado por entidades do Mundo do Desejo que querem materializar-se, o corpo vital sai pelo lado esquerdo através do baço que é sua "porta" particular. Então, as forças vitais não podem fluir no organismo, como geralmente o fazem, e o médium fica exausto, e alguns deles se vêem obrigados a fazer uso de estimulantes, o que, com o tempo, faz com que se convertam em alcoólatras incuráveis.

A força vital do Sol que nos rodeia como um fluido incolor é absorvida pelo corpo vital por meio da contraparte etérea do baço, onde sofre uma curiosa transformação de cor. Fica rosa pálido e circula pelos nervos através de todo o corpo denso. Com relação aos nervos, é o que a eletricidade é para o telégrafo. Ainda que haja fios, aparelhos e telegrafistas, se falta a eletricidade, não se pode enviar as mensagens. O Ego, o cérebro e o sistema nervoso podem estar em perfeita ordem, mas se faltar a força vital que possa levar as mensagens do Ego através dos nervos e dos músculos, o corpo denso permanecerá inerte. Isto é precisamente o que acontece quando uma parte do corpo se paralisa. O corpo vital fica doente e a força vitalizadora já não pode mais fluir. Em tais casos, como na maioria das enfermidades, a perturbação é dos veículos invisíveis e sutis. O reconhecimento consciente ou inconsciente deste fato faz com que os médicos mais afamados empreguem a sugestão que trabalha sobre os veículos superiores como um auxiliar da medicina. Quanto mais fé e esperança possa o médico imbuir em seu paciente, tanto mais rápido se desvanecerá a enfermidade, dando lugar a uma perfeita saúde.

Durante a saúde, o corpo vital especializa uma superabundância de força vital a qual, depois de passar pelo corpo denso, se irradia em linhas retas em todas as direções desde a sua periferia, como os raios de um círculo irradiam desde o centro; porém, em casos de enfermidade, quando o corpo vital se atenua, não pode absorver a mesma quantidade de força e, além disso, o corpo denso dela se alimenta. Então, as linhas de fluido vital que se exteriorizam curvam-se e caem, mostrando a falta de força ou a debilidade que se produziu. No estado de saúde, estas irradiações expulsam os germes e micróbios inimigos da saúde do corpo denso, mas na enfermidade, quando a força vitalizadora é débil, essas emanações não eliminam tão facilmente os germes nocivos. Portanto, o perigo de contrair uma enfermidade é muito maior quando as forças vitais são escassas do que quando se está com saúde perfeita.

Nos casos em que se amputam partes do corpo, o éter planetário é o único que acompanha a parte separada. O corpo vital e o corpo denso se desintegram sincronicamente depois da morte e o mesmo acontece com a contraparte etérea do membro ou parte amputada. Ela irá gradualmente se desintegrando na medida em que a parte densa se decompõe, porém, nesse meio tempo, o fato de que o homem possui o membro etéreo, faz com que ele afirme sentir os dedos e também dor neles. Existe uma certa relação entre o membro amputado e a parte etérea, independente da distância. Sabe-se de um caso em que um homem sentiu uma forte dor, como se tivesse cravado um prego na perna que fôra amputada, dor que persistiu até que o membro foi exumado e soube-se que tinham cravado um prego quando o encaixotaram para enterrá-lo. O prego foi removido e a dor instantaneamente cessou. De acordo com este fato, estão todos os casos em que as pessoas sofrem dores no membro amputado durante dois ou três anos depois da operação. Depois a dor passa. Isto é devido a que a enfermidade ainda permanece na parte etérea do membro amputado, porém, quando a parte densa amputada se desintegra, desintegra-se também a etérea e a dor cessa.

É de conhecimento geral entre aqueles que auxiliam os acidentados que eles não sofrem tanto na hora do acidente quanto sofrem depois; isto é devido a que o corpo vital está são no momento do acidente e, portanto, todo o efeito do acidente só será sentido quando este veículo se atenuar e não estiver mais em condições de ajudar os processos vitais. Assim, vemos que se produzem mudanças no éter do ser humano e, de acordo com o axioma místico, "como é acima, é abaixo" e vice-versa, produzem-se também mudanças no éter planetário que constitui o corpo vital do Espírito da Terra. Assim como a recordação consciente dos últimos acontecimentos que são, por algum tempo, muito vivos no ser humano se desvanecem pouco a pouco, assim também o registro etéreo, que é o aspecto inferior da Memória da Natureza, vai apagando-se.

Quando um corpo adquire certa velocidade em sua caída, os éteres superiores abandonam o corpo físico, deixando a pessoa acidentada insensível. Quando o corpo atinge o chão, ele fica muito machucado, porém, a pessoa pode recobrar a consciência quando o éter se organizar outra vez. Então, começa a sofrer as conseqüências físicas da caída. Se a queda continua depois que os éteres superiores saíram do corpo, a crescente velocidade da queda acaba por desalojar também os éteres inferiores e o cordão prateado é tudo o que fica ligado ao corpo material. Este cordão se rompe ao se produzir o impacto contra o chão e o átomo-semente passa, então, ao ponto de ruptura, onde se mantém na forma usual.

Com base nestes fatos, chegamos à conclusão de que é a pressão atmosférica normal que mantém o corpo etéreo dentro do corpo físico. Quando nos movemos com uma velocidade anormal, a pressão fica suspensa em algumas partes do corpo, formando-se assim um vazio parcial, resultando que os éteres abandonam o corpo e penetram nesse vazio. Os dois éteres superiores, que estão menos aderidos, são os primeiros que desaparecem e deixam a pessoa inconsciente depois de haver produzido, como em um relâmpago, o panorama de sua vida. Então, se a queda continua aumentando a pressão aérea diante do corpo e o vazio atrás, os éteres inferiores mais apegados ao corpo também são impulsionados para o exterior e então o corpo está realmente morto antes de chegar ao solo.

Examinando certo número de pessoas em estado de saúde normal, descobrimos que cada um dos átomos prismáticos que compõem os éteres inferiores irradiavam de si linhas de força que faziam girar o átomo físico, no qual estavam inseridos, dotando todo o corpo com vida. A irradiação de todas estas unidades de força está em direção à periferia do corpo, e constitui o que se denomina "Fluido Ódico", embora também designado com outros nomes. Quando a pressão atmosférica exterior diminui nas grandes altitudes, manifesta-se certo nervosismo, porque a força etérea é impelida de dentro para fora, sem controle, e, se o ser humano não pudesse conter esse fluxo de energia solar ao menos parcialmente por um esforço da vontade, ninguém poderia viver nestes lugares.

Agora chegamos ao ponto crucial de nossa explicação. O éter é uma matéria física e, enquanto homens feridos no campo de batalha por pequenas armas de fogo possam às vezes caminhar um pouco atordoados, mas conscientes, as terríveis detonações dos grandes canhões empregados em grande escala têm o efeito de dar volta aos átomos prismáticos e destroçar a envoltura áurica formada pelos éteres luminoso e refletor, éteres que constituem a base da percepção sensorial e da memória. Até que com o tempo tudo volte ao normal, o homem fica em estado de choque e em coma, condição que pode demorar semanas. Sob semelhantes condições, a substância sutil etérea não se presta à formação de imagens da vida passada, pois está congelada até certo grau.

Quando uma pessoa se asfixia ou se afoga, ela se sente muito tranqüila e sossegada depois da primeira luta, embora se dê conta, em certa medida, do perigo. O corpo vital sai antes da ruptura do cordão prateado e, portanto, conserva a capacidade de atrair materiais do Mundo Físico. Por isso, houve casos de pessoas mortas por asfixia ou afogamento, que apareceram a seus parentes a milhares de quilômetros de distância, talvez só por um instante, porém, pareciam estar vivos. Talvez tenha sido o desejo que sentiram por muito tempo de ver seus seres queridos e voltar até eles, e o fato de que estavam agora livres de suas cadeias corporais, que os transportou ali imediatamente nas asas do desejo. Ao chegar onde queriam, o corpo vital atraiu quantidade suficiente de partículas da atmosfera para se fazer visível ao ser querido. Porém, talvez nesse momento, rompeu-se o cordão prateado, o corpo vital entrou em colapso e, então, a visão desapareceu.

Não é raro que se vejam fantasmas de seres vivos. Tudo o que é necessário é que o corpo físico esteja num sono muito profundo ou inconsciente, como normalmente ocorre quando uma pessoa está perto do umbral da morte. Pode ser que esteja se afogando ou que esteja sob o choque de uma queda de um cavalo, de um carro, ou condições similares ou que haja recebido um golpe na cabeça ou que esteja muito enferma sobre o leito, muito enfraquecida e extenuada, perto da morte. Então, a maior parte do éter que constitui o corpo vital pode ser extraída do corpo físico, deixando este em estado de transe, estado que não se prolonga mais que alguns minutos, mas, como a distância não é uma barreira nos mundos invisíveis, então o desejo da pessoa assim momentaneamente liberado pode levá-la ao fim do mundo, para aparecer ao ser querido a milhares de quilômetros do lugar onde seu corpo jaz.

É muito mais fácil para o Espírito do caso anterior se materializar do que para os que já abandonaram seu corpo ao morrer, porque os primeiros têm o cordão prateado ainda intacto, subsistindo assim a conexão com o átomo-semente no coração.

Exercícios respiratórios indiscriminados não produzem o desdobramento, senão que tendem a desconectar o corpo vital do denso. E, desta maneira, em alguns casos, as conexões entre os centros dos sentidos etéreos e as células cerebrais se rompem, ou se estiram, resultando na loucura. Em outros casos, a desconexão se verifica entre os éteres vital e químico e, como o éter de vida é o material básico da assimilação e a avenida para a especialização da energia solar, essa ruptura produz a tuberculose. Unicamente mediante os exercícios apropriados se verifica a separação requerida. Quando a pureza de vida levou a força sexual não usada, gerada no éter de vida, ao coração, esta força serve para manter a limitada circulação sangüínea necessária durante o sono. Desta maneira, as funções físicas e o desenvolvimento espiritual correm juntos, seguindo linhas harmoniosas.

O autor esteve muito receoso com relação às conseqüências que a guerra poderia trazer quanto ao firme entrelaçamento dos corpos de desejo e vital, dando assim vida a legiões de monstros para aflição das gerações futuras. Porém, agora está muito satisfeito em poder dizer que não devemos ter este tipo de temor. Somente quando as pessoas são premeditadamente maliciosas ou vingativas, e persistentemente abrigam um desejo e um propósito de desforra, se esses pensamentos e sentimentos são fomentados e mantidos, eles endurecem o corpo vital e o relacionam mais estreitamente com o corpo de desejos. Sabemos, das lembranças da grande guerra, que nas fileiras dos exércitos não havia mais sentimentos de ódio de um para o outro e que os inimigos conversavam como amigos quando, por casualidade, se encontravam em condições propícias. Assim, embora a guerra seja responsável pela terrível mortalidade atual e será a causa de uma deplorável mortalidade infantil no futuro, não será culpada com relação aos terríveis males gerados pela obsessão e os crimes instigados por corpos de pecado demoníacos.

Embora as desordens mentais, quando são congênitas, tenham por causa geral o abuso da função criadora em vidas passadas, existe pelo menos uma exceção notável a esta regra, mencionada no Conceito Rosacruz do Cosmos, e em outros escritos, que é a seguinte: quando um Espírito, que tem uma vida especialmente dura diante de si, desce para renascer e, ao entrar na matriz sente ou percebe o panorama da vida que vai começar e considera essa existência demasiadamente terrível para ser suportada, às vezes, tenta escapar da escola da vida. Naquele momento, os Anjos do Destino ou seus agentes já tinham feito a conexão necessária entre o corpo vital e os centros sensoriais no cérebro do feto em formação, por isso, o esforço do Espírito para escapar da matriz de sua mãe é frustrado, mas o arranco, que o Ego dá, desajusta a conexão entre os centros sensoriais físicos e etéreos, de modo que o corpo vital não fica concêntrico com o físico, fazendo com que a cabeça etérea saia do crânio físico. Então, é impossível que o Espírito possa usar seu veículo denso, encontrando-se atado a um corpo sem mente que não pode utilizar e a encarnação fica praticamente perdida.

Também acontecem casos que, mais tarde, na vida, um grande choque faz com que o Espírito tente escapar com os veículos invisíveis, resultando uma torção similar nos centros sensoriais do cérebro, causando desequilíbrio na expressão mental. Nós todos tivemos uma impressão parecida quando suportamos um grande susto: uma sensação como se algo tentasse escapar do corpo físico, isto é, os corpos vitais e de desejos que são tão rápidos em sua ação, que mesmo um trem expresso parece com uma lesma quando comparado, vêem e sentem o perigo antes que o medo haja sido transmitido ao comparativamente inerte corpo físico, no qual estão ancorados, e que os impede de escapar em condições normais.

A insanidade é sempre causada pela ruptura na cadeia de veículos entre o Ego e o corpo físico. Esta ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o corpo vital ou entre o corpo vital e o de desejos, ou entre o corpo de desejos e a mente ou entre a mente e o Ego. Além disso, a ruptura pode ser completa ou somente parcial.

Quando a ruptura se produz entre os centros cerebrais e o corpo vital, ou entre este e o corpo de desejos, temos os casos de idiotismo. Quando a ruptura é entre o corpo de desejos e a mente, então predomina o violento e impulsivo corpo de desejos e se apresenta o caso dos maníacos desvairados. Quando a ruptura é entre o Ego e a mente, a mente é que governa os demais veículos e este é o caso dos maníacos astutos que podem enganar seus guardiães, fazendo-os crer que são completamente inofensivos, enquanto tramam algum plano diabólico e malicioso. Então, podem demonstrar subitamente sua mentalidade insana e causam uma terrível catástrofe.

Existe uma causa de insanidade que convém explicar, porque, muitas vezes, é possível evitá-la. Quando o Ego regressa do mundo invisível para um novo renascimento, lhe são mostradas as diversas encarnações possíveis. Então, ele contempla sua próxima vida em suas grandes linhas e acontecimentos gerais, como se fosse uma fita cinematográfica passando diante de seus olhos. Geralmente, neste momento, ele pode escolher entre as diferentes vidas. Ele vê as lições que tem de aprender, o destino que criou por si mesmo em vidas passadas e que partes deste destino pode liquidar em cada uma das reencarnações que lhe são oferecidas. Então, faz sua escolha e logo é guiado pelos agentes dos Anjos do Destino para o país e a família em que terá que viver em sua próxima existência.

Esta visão panorâmica lhe é apresentada no Terceiro Céu, onde o Ego está despido de seus veículos e se sente espiritualmente por cima de toda sórdida consideração material. É muitíssimo mais sábio do que logo parece ser na Terra, onde se encontra cegado pela carne numa medida quase inconcebível. Mais tarde, quando a concepção já aconteceu e o Ego penetra na matriz da mãe em torno do décimo oitavo dia depois da concepção, põe-se em contato com o molde etéreo de seu novo corpo físico que foi formado pelos Anjos do Destino para estruturar o cérebro que dará ao Ego as tendências necessárias para a elaboração e liquidação de seu destino.

Ali, o Ego vê novamente os quadros panorâmicos de sua próxima vida, da mesma forma que a pessoa que se afoga vê o panorama de sua vida passada em um relâmpago. Nesse tempo, o Ego já está parcialmente cego com relação a sua natureza espiritual, de modo que sua próxima encarnação pode lhe parecer muito dura e, às vezes, tenta retroceder e não entrar na matriz, estabelecendo as conexões cerebrais adequadas. Pode tentar escapar em seguida e então, ao invés de os corpos denso e vital ficarem concêntricos, o corpo vital, formado do éter, pode ficar parcialmente fora do crânio físico. Nesse caso, a conexão entre os centros sensoriais do corpo vital e do corpo denso fica desajustada e o resultado é o idiotismo, a epilepsia, a doença de San Vito ou outras afecções nervosas congênitas.

A insanidade é a ruptura na cadeia de veículos entre o Ego e o corpo físico. Essa desconexão pode ocorrer entre o Ego e a mente, entre a mente e o corpo de desejos, entre os corpos de desejos e o vital e também entre este último e o corpo denso. Se a ruptura de produziu entre o corpo denso e o vital, ou entre o corpo vital e o de desejos, o Ego estará perfeitamente são no Mundo do Desejo imediatamente após sua morte, porque já terá descartado os dois corpos afligidos.

Quando a ruptura ocorre entre o corpo de desejos e a mente, o corpo de desejos está ainda desenfreado depois da morte e é causa de muitas calamidades durante sua existência no Mundo do Desejo. O Ego, evidentemente nunca está insano. O que parece insanidade provém do fato de que o Ego não tem nenhum domínio sobre seus veículos; o pior caso é, sem dúvida, quando a mente está afetada e o Ego está atado à personalidade por muito tempo até que os veículos se desintegrem.

Vimos que, no estado de vigília, os corpos denso e vital estão rodeados e interpenetrados por uma nuvem ovóide formada pelo corpo de desejos e a mente. Todos esse veículos são concêntricos e formam como se fossem elos de uma corrente. É a interpolação de um com o outro, de maneira que os centros sensoriais se ajustem corretamente, o que permite que o Ego manipule este complexo organismo e efetue, de uma maneira ordenada, os processos vitais a que chamamos de razão, palavra e ação. Se existe um desajuste em alguma parte, o Ego está obstruído em sua manifestação. Este equilíbrio perfeito é a saúde, o oposto da enfermidade.

A enfermidade tem várias formas e uma é a insanidade que também é de diferentes tipos. Quando a conexão entre os centros sensoriais do corpo denso e do corpo vital é oblíqua e quando, às vezes, a cabeça do corpo vital eleva-se acima da cabeça do corpo denso ao invés de ficar concêntrica, o corpo vital está fora de ajuste com os veículos superiores e com o corpo denso. Então, nós temos um idiota dócil. Quando os corpos denso e vital estão ajustados, mas a ruptura está entre o corpo vital e o de desejos, a situação é a mesma, mas quando a ruptura é entre o corpo de desejos e a mente, nós temos o maníaco delirante que é mais ingovernável que um animal selvagem, pois este último é controlado pelo Espírito Grupo, e neste caso, todas as tendências animais são seguidas cegamente.

Enquanto muito poucos defendem o abuso da função criadora, muitas pessoas que seguem os preceitos espirituais em outras coisas ainda acham que a indulgência freqüente do desejo de prazer sexual não faz mal. Alguns acham que é tão necessário quanto o exercício de uma função orgânica. Isto é errado por duas razões: a primeira é que cada ato criador requer uma quantidade de força que queima tecido o qual deve ser reabastecido por uma quantidade extra de comida. Isto reforça e aumenta o éter químico; a segunda, como a força propagadora trabalha através do éter de vida, este elemento do corpo vital é também aumentado a cada indulgência. Conseqüentemente, os dois éteres inferiores, enviando a força criadora para baixo para a gratificação de nosso desejo por prazer, aderem-se mais aos dois éteres superiores que formam o corpo alma, e essa aderência se torna maior e mais poderosa à medida que o tempo passa. Como a evolução de nossas forças anímicas e a faculdade de viajar em nossos veículos mais sutis depende da separação entre os éteres inferiores e o corpo alma, é evidente que frustramos o objetivo que temos em mente e retardamos o desenvolvimento pela indulgência da natureza inferior.

Nos preparativos para o Renascimento, assim que o corpo vital é colocado, o Ego renascente, com sua envoltura em forma de sino, paira constantemente perto de sua futura mãe. Ela, sozinha, trabalha sobre o novo corpo denso nos primeiros dezoito a vinte e um dias depois da fertilização e, então, o Ego entra no corpo da mãe, dirigindo sua envoltura para baixo e envolvendo o feto. A abertura na parte de baixo fecha-se e o Ego é uma vez mais encarcerado em seu corpo denso.

O momento da entrada no ventre da mãe é de grande importância na vida, pois, quando o Ego renascente primeiro contata a matriz do corpo vital, ele vê outra vez o panorama da vida que foi impresso pelos Anjos do Destino na referida matriz para dar a ele as tendências necessárias para trabalhar o destino maduro que deve ser liquidado na vida que se vai iniciar.

Neste momento, o Ego está tão cego pelo véu da matéria que não distingue o benefício final da mesma maneira imparcial quando fez sua escolha na Região do Pensamento Abstrato e, quando uma vida particularmente dura se revela diante de sua visão no momento em que ele está entrando no ventre da mãe, acontece às vezes que ele fica tão apavorado que tenta escapar. A conexão não pode ser cortada, no entanto, mas pode ser forçada, de modo que, ao invés de ficar concêntrica a cabeça do corpo vital pode ficar acima da cabeça do corpo denso. Então, nós temos um idiota congênito.

Assim como um vampiro suga o éter do corpo vital de sua vítima e se alimenta dele, assim também repetidos pensamentos de arrependimento e remorso se transformam em um elemental de desejo que age como um vampiro e suga a vida da pobre alma que lhe deu forma e, como semelhante atrai semelhante, ele fomenta a continuidade deste hábito de arrependimento mórbido.

Se nos permitimos arrependimentos e remorsos durante as horas de vigília como certas pessoas o fazem, estamos sobrepujando o Purgatório, pois embora o tempo que passamos lá seja gasto na erradicação do mal, a consciência surge de cada imagem na medida em que é arrancada pela força de repulsão. Lá, por causa da ligação do corpo de desejos com o corpo vital, estamos habilitados a dar vida a uma imagem em nossa memória quantas vezes desejamos e, enquanto o corpo de desejos é gradualmente dissolvido no Purgatório pela purgação do panorama da vida, uma certa quantidade foi acrescentada quando nós estávamos vivendo no Mundo Físico, tomando o lugar daquela matéria que foi expulsa pelo remorso. Concluindo, remorso e arrependimento quando continuamente repetidos em nosso interior têm o mesmo efeito sobre o corpo de desejos que os banhos excessivos sobre o corpo vital. Ambos os veículos ficam exauridos por limpeza excessiva, e, por esta razão, é perigoso para a saúde moral e espiritual permitir sentimentos de arrependimento e remorso indiscriminadamente, assim como é fatal para o bem estar físico tomar banhos demais. O discernimento deve prevalecer em ambos os casos.

Assim como a força latente na pólvora e em substâncias explosivas afins podem ser usadas para promover os melhores objetivos da civilização, ou os mais selvagens atos de barbarismo, assim também esta emoção de remorso pode ser mal usada de modo a causar dano e obstáculo ao Ego ao invés de ajuda. Quando nos remoemos diariamente e a toda hora, nós estamos despendendo um grande poder que pode ser usado para a mais nobre finalidade da vida, pois o constante arrependimento afeta o corpo de desejos de maneira similar a dos banhos excessivos do corpo físico A água tem uma grande afinidade pelo éter e o absorve vorazmente. Quando tomamos banho em condições normais, ele remove uma grande quantidade de éter venenoso e miasmático de nosso corpo vital, no caso de ficarmos de molho um espaço de tempo razoável. Depois de um banho, o corpo vital fica, de certa forma, atenuado e conseqüentemente nos dá uma sensação de fraqueza, mas se estamos em boa forma e não ficamos no banho muito tempo, a deficiência é logo reparada pela corrente do força que flui para dentro do corpo através do baço. Quando o influxo de éter fresco substituiu a substância envenenada carregada pela água, sentimos renovado vigor que atribuímos ao banho, embora não soubéssemos nada do que foi dito anteriormente.

Porém, quando uma pessoa que não está em sua perfeita saúde tem o hábito de tomar banhos diários, duas ou três vezes, um excesso de éter é retirado do corpo vital. O suprimento que entra pelo baço é também diminuído por causa da perda de vibração do átomo-semente localizado no plexo solar e do enfraquecimento do corpo vital. Daí ser impossível para tais pessoas recuperarem-se entre tais freqüentes e repetidos esgotamentos e, como conseqüência, a saúde do corpo denso sofre; elas perdem força continuamente e podem se tornar inválidas.


 

Capítulo III

 

No Sono e nos Sonhos

 

O corpo vital é tão ativo nas horas de sono quanto nas horas de vigília e pode ser influenciado pelo poder da sugestão. O sono pode ser induzido pela hipnose.

 

Nós temos, em nosso corpo, dois sistemas nervosos, o voluntário e o involuntário. O primeiro é influenciado diretamente pelo corpo de desejos e controla os movimentos do corpo e sua tendência é quebrar e destruir, só parcialmente restringido em sua tarefa cruel pela mente. O sistema involuntário tem seu campo de ação específico no corpo vital. Ele governa os órgãos digestivos e respiratórios que reconstroem e restauram o corpo denso.

É esta guerra entre o corpo vital e o corpo de desejos que produz consciência no Mundo Físico, mas se a mente não agisse como um freio sobre o corpo de desejos, nossas horas de vigília seriam muito curtas e também nossa vida, pois o corpo vital seria logo esgotado em seu trabalho beneficente pelo imprudente corpo de desejos, como está evidenciado na exaustão que segue um ataque de nervos, pois a raiva é uma situação em que o homem "perde o controle e o corpo de desejos reina livremente".

Apesar de todos os seus esforços, o corpo vital, pouco a pouco, perde terreno com o passar do dia, os tecidos envenenados e deteriorados se acumulam e impedem o fluxo do fluido vital e seus movimentos tornam-se cada vez mais lentos. Como conseqüência, o corpo visível mostra sinais de exaustão. Finalmente, o corpo vital sofre um colapso, o fluido vital cessa de fluir nos nervos em quantidade suficiente para manter o equilíbrio do corpo denso e este rende-se inconsciente e, portanto, inadequado para ser usado pelo Espírito. É o sono.

O mesmo acontece com o templo do Ego, nosso corpo denso, quando fica exausto. É então necessário que o Ego, a mente e o corpo de desejos se afastem e dêem amplos poderes ao corpo vital para que ele possa restaurar o tônus do corpo denso e, então, quando o corpo denso vai dormir, há uma separação. O Ego e a mente, envolvidos pelo corpo de desejos, se separam do corpo vital e do corpo denso, estes dois permanecendo na cama, enquanto os veículos superiores pairam sobre ou perto do corpo dormido.

O processo de restauração começa agora. Numa luta no Mundo Físico, os ferimentos nunca são de um só lado; o vencedor também tem algumas lesões. Quanto mais violenta é a luta e mais nivelados são os combatentes, mais lesões sofre cada um.

Assim acontece com o corpo vital e o de desejos; o corpo de desejos vence sempre, embora sua vitória seja sempre uma derrota, pois ele é forçado a deixar o campo de batalha, e o prêmio, o corpo denso, nas mãos do derrotado corpo vital, retirando-se para reparar sua própria harmonia despedaçada.

Quando o Espírito se afasta do corpo que dorme, ele entra no mar de força e harmonia chamado Mundo do Desejo. Lá ele repassa as cenas do dia em ordem inversa, dos efeitos para as causas, colocando em ordem o emaranhado do dia, formando imagens verdadeiras para substituir as impressões erradas devido à limitação da vida no corpo denso e, assim que as harmonias do Mundo do Desejo o permeiam e a sabedoria e a verdade substituem o erro, ele readquire seu ritmo e tom. O tempo necessário para a restauração varia de acordo com o dia, se foi ilusório, impulsivo ou extenuante.

Então, e só então, o trabalho de restauração dos veículos deixados na cama começa, e o corpo de desejos, restaurado, começa a reavivar o corpo vital bombeando energia rítmica dentro dele, e este, por sua vez, começa a trabalhar sobre o corpo denso, eliminando os produtos deteriorados, principalmente por meio do sistema nervoso simpático. Como resultado, o corpo denso fica restaurado e repleto de vida. O corpo de desejos, a mente e o Ego entram nele pela manhã, fazendo com que ele acorde.

No entanto, às vezes, acontece que nós ficamos tão absorvidos e interessados nas atividades de nossa existência mundana que, mesmo depois que o corpo vital entrou em colapso e deixou o corpo denso inconsciente, nós não conseguimos nos libertar para que o trabalho de restauração se inicie. O corpo de desejos fica aderido, é retirado talvez só parcialmente pelo Ego e começa a ruminar os acontecimentos do dia naquela posição.

Durante o estado de vigília, quando o Ego está funcionando conscientemente no Mundo Físico, seus diferentes veículos são concêntricos – ocupam o mesmo espaço – mas à noite, quando o corpo se deita para dormir, a separação acontece. O Ego, vestido pela mente e pelo corpo de desejos, libera-se do corpo denso e do corpo vital que foram deixados na cama. Os veículos superiores pairam acima e perto. Eles estão conectados com os veículos inferiores pelo cordão prateado, um cordão fino e brilhante que tem a forma de dois números seis, com uma extremidade ligada ao átomo semente no coração e outra no vórtice central do corpo de desejos.

Durante o sono, o Ego também sai do corpo denso, mas o corpo vital permanece e o cordão prateado fica intacto.

O Mundo do Desejo é um oceano de sabedoria e harmonia. Quando os veículos inferiores adormecem, o Ego leva a mente e o corpo de desejos para o Mundo do Desejo. Lá, o primeiro cuidado do Ego é a restauração do ritmo e da harmonia da mente e do corpo de desejos. Esta restauração é realizada gradativamente enquanto as vibrações harmoniosas do Mundo do Desejo fluem através destes veículos. Há uma essência no Mundo do Desejo que corresponde ao fluido que permeia o corpo denso por meio do corpo vital. Os veículos superiores, por assim dizer, embebem-se neste elixir de vida. Quando fortalecidos, eles começam o trabalho sobre o corpo vital que foi deixado com o corpo denso. Então, o corpo vital começa a especializar a energia solar mais uma vez, reconstruindo o corpo denso, usando particularmente o éter químico como meio no processo de restauração.

No estado de vigília, os diferentes veículos do Ego – mente, corpo de desejos, corpo vital e corpo denso – são todos concêntricos. Eles ocupam o mesmo espaço e o Ego se manifesta no Mundo Físico. Mas, à noite, durante o sono sem sonhos, o Ego revestido pelo corpo de desejos e pela mente, se retira, deixando o corpo físico e o vital sobre a cama, não havendo conexão entre os veículos superiores e os inferiores, salvo por um fino e brilhante cordão chamado de cordão prateado. Acontece, no entanto, que, às vezes, o Ego trabalhou tanto no Mundo Físico e o corpo de desejos ficou tão agitado que ele se recusa a deixar os veículos inferiores e só se retira parcialmente ou pela metade. Então, a conexão entre os centros sensoriais do corpo de desejos e os do cérebro físico ficam rompidos parcialmente. O Ego percebe as visões e as cenas do Mundo do Desejo que são extremamente fantásticas e ilusórias e elas são transmitidas aos centros cerebrais sem serem conectadas pela razão. Daí resultam todos os sonhos tolos e fantásticos que temos.

Acontece, no entanto, que, às vezes, o corpo de desejos não se retira completamente e, assim, parte dele permanece conectado ao corpo vital, o veículo de percepção sensorial e memória. O resultado é que a restauração é realizada somente em parte e as cenas e ações do Mundo do Desejo são trazidas para a consciência física como sonhos. Naturalmente, a maioria dos sonhos é confusa porque o eixo da percepção está distorcido por causa da relação imperfeita de um corpo com o outro. A memória é também confusa pela relação incongruente dos veículos e, como resultado da perda da força restauradora, o sono cheio de sonhos não é reparador e o corpo se sente cansado ao acordar.

O corpo vital, pode-se dizer que é formado de pontos que se estendem em todas as direções, para dentro, para fora, para cima e para baixo, através de todo o corpo, e cada pequeno ponto passa através do centro de um dos átomos químicos, fazendo-o vibrar mais intensamente que sua velocidade natural. Este corpo vital interpenetra o corpo denso do nascimento à morte em todas as situações exceto quando, por exemplo, a circulação do sangue pára num certo ponto, como quando descansamos a mão sobre a extremidade de uma mesa por algum tempo e ela "adormece", por assim dizer. Então, se formos clarividentes, poderemos ver a mão etérea do corpo vital pendurada sob a mão visível como se fosse uma luva, e os átomos químicos da mão recaída em seu natural e lento grau de vibração. Quando batemos na mão fazendo com que "acorde", por assim dizer, a sensação peculiar de formigamento que temos é causada pelos pontos do corpo vital que, então, entram novamente nos átomos dormidos da mão, iniciando uma vibração renovada.

O corpo vital deixa o corpo denso de modo semelhante a quando uma pessoa está morrendo. Afogados que foram ressuscitados experimentam uma intensa agonia causada pela entrada desses pontos que eles sentem como um formigamento.

Durante o dia, quando o fluido solar está sendo absorvido pelo homem em grande quantidade, estes pontos do corpo vital são estendidos ou expandidos, por assim dizer, pelo fluido vital, mas à medida que o dia passa e os venenos da deteriorização obstruem o corpo físico cada vez mais, o fluido vital flui menos rapidamente; à noite, chega a hora em que os pontos no corpo vital não conseguem um suprimento completo do fluído vital, eles murcham e os átomos do corpo movem-se mais vagarosamente em conseqüência. Então o Ego sente o corpo pesado e cansado. Finalmente, chega a hora em que, por assim dizer, o corpo vital entra em colapso e as vibrações dos átomos densos se tornam tão vagarosas que o Ego não pode mais mover o corpo. É forçado a retirar-se para que o veículo possa se recuperar. Então dizemos que o corpo foi dormir.

O sono não é um estado inativo, no entanto; se fosse, não haveria diferença de manhã e nenhum poder de restauração durante o mesmo. A própria palavra restauração implica em atividade.

Quando um edifício ficou dilapidado após uso constante e é necessário renová-lo e restaurá-lo, os moradores têm que se mudar para dar aos trabalhadores liberdade de ação. Por razões semelhantes, o Ego sai da sua moradia à noite. Assim como os operários trabalham no prédio para que fique adequado à reocupação, assim também, o Ego tem que trabalhar sua moradia antes que ela esteja pronta para ser reocupada. E este trabalho é feito por nós durante a noite, embora não estejamos conscientes dele nas nossas horas de vigília. É esta atividade que remove o veneno do sistema e, como resultado, o corpo está restaurado e vigoroso de manhã quando o Ego entra na hora do despertar.

Depende da maneira pela qual usamos nosso corpo denso durante o dia, o tempo que o corpo de desejos necessita para realizar o trabalho de restauração do ritmo do corpo vital e do corpo denso. Se usamos nosso corpo estenuantemente durante o dia, naturalmente as desarmonias serão proeminentes e o corpo de desejos levará a maior parte da noite para restaurar a harmonia e o ritmo. Em conseqüência, o homem estará atado ao seu corpo dia e noite. Mas quando ele aprende a agir inteligentemente, controla sua energia durante o dia e não gasta sua força com palavras e ações desnecessárias, quando ele começa a dominar seu temperamento e pára com a desarmonia proveniente de observações incorretas, o corpo de desejos não fica ocupado durante todo o sono restaurando o corpo denso. Uma parte da noite pode ser usada para trabalhar fora. Se os centros sensoriais do corpo de desejos estão suficientemente desenvolvidos, como acontece com a maioria das pessoas inteligentes, o homem pode soltar as amarras e penetrar o Mundo do Desejo. Ele percebe as cenas, embora não se lembre delas até que tenha efetuado a separação entre a parte superior e a inferior do corpo vital, como foi previamente explicado.

No sono natural, o Ego, revestido pela mente e pelo corpo de desejos, se retira do corpo físico e geralmente paira sobre o corpo, ou pelo menos permanece perto dele, conectado pelo cordão prateado, enquanto o corpo vital e o corpo denso estão descansando sobre a cama.

É então possível influenciar a pessoa, instilando no seu cérebro pensamentos e idéias que desejamos comunicar. No entanto, não podemos fazer com que ela faça qualquer coisa ou nutra qualquer idéia exceto aquela que está de acordo com seu temperamento. É impossível dar ordens para que ela faça algo e forçar obediência, como acontece quando alguém foi tirado de seu estado consciente pelos passes de um hipnotizador, pois é o cérebro que move os músculos; e, durante o sono natural, seu cérebro está interpenetrado por seu próprio corpo vital e ele está em perfeito controle de si mesmo, enquanto que durante o sono hipnótico, os passes do hipnotizador afastam o éter do seu cérebro, em direção aos ombros da vítima; esse éter fica em volta do pescoço, lembrando a gola de um suéter. O cérebro denso é, então, aberto ao éter do corpo vital do hipnotizador, que substitui o éter do próprio dono. Conseqüentemente, no sono hipnótico, a vítima não tem escolha quanto às idéias que tem, ou aos movimentos que faz com seu corpo, enquanto que, no sono comum, a pessoa é sempre um agente livre. De fato, este método de sugestão durante o sono é algo que as mães acharão extremamente benéfico no tratamento de crianças teimosas, pois se a mãe se sentar perto da cama da criança que dorme, segurar sua mão, conversar com ela como se ela estivesse acordada, instilar em seu cérebro idéias que gostaria que ela tivesse, ela verá que no estado de vigília muitas destas idéias criarão raízes. Também, ao lidar com uma pessoa que é doente ou viciada em bebida, se a mãe, enfermeira ou outra pessoa usar este método, será possível instilar esperança, cura e recuperação futura ou ajudar no seu autocontrole.

Este método pode, naturalmente, ser usado para o mal, mas não podemos deixar de publicá-lo, já que acreditamos que o bem que pode ser feito deste modo irá compensar mais do que os poucos casos em que pessoas de má índole possam usar o método com propósito errado.

Do ponto de vista de uma só vida, os métodos, como, por exemplo, aqueles empregados pelos curadores do movimento de Immanuel, são indubitavelmente produtores de um imenso benefício. O paciente, sentado numa cadeira, é posto para dormir e, lá, ele recebe certas "sugestões", como são chamadas. Ele levanta e está curado de seu mau hábito. Se foi um alcoólatra, ele se torna um cidadão respeitável que se preocupa com sua esposa e família e, sob esse aspecto, o benefício é inegável.

Porém, olhando mais profundamente pela ótica do ocultista, que vê essa vida como sendo uma em muitas, e observando o efeito que isso tem sobre os veículos invisíveis do homem, o caso é completamente diferente. Quando um homem entra num sono hipnótico, o hipnotizado faz passes sobre ele que têm o efeito de expelir o éter da cabeça do seu corpo denso e substituí-lo pelo do hipnotizador. O homem fica então sob total domínio do outro. Não tem vontade própria e, por isso, as chamadas "sugestões" são na realidade comandos que a vítima não tem outra escolha senão obedecer. Além disso, quando o hipnotizador retira seu éter e acorda a vítima, é incapaz de remover todo o éter que ele colocou nela. Similarmente, assim como uma partícula do magnetismo infundida. num dínamo elétrico antes de ser ligado pela primeira vez permanece como magnetismo residual para ativar os campos do dínamo toda vez que ele é ligado, assim também lá permanece uma partícula do éter do corpo vital do hipnotizador na medula oblongata da vítima, que é um bastão que o hipnotizador mantém sobre ela toda sua vida, e é devido a este fato que as sugestões a serem executadas num período subseqüente ao despertar da vítima são invariavelmente seguidas.


 

Capítulo IV

 

Na Morte e nos Mundos Invisíveis

 

Na hora da morte, há uma separação no corpo vital e a parte superior entra nos mundos invisíveis. Seu átomo-semente é retido pelo Ego ao passar pelos mundos celeste para ser usado como um núcleo para o corpo vital de um futuro renascimento.

  

Esta vida na Terra dura até que o ciclo de acontecimentos prenunciados na roda do destino, o horóscopo, tenha se completado. E quando o Espírito de novo alcança o reino de Samael, o Anjo da Morte, a mística oitava casa, o cordão prateado se rompe e o Espírito retorna a Deus, até que a aurora de outro dia na Escola da Terra o chame a um novo nascimento para que adquira mais conhecimento nas artes e ofícios da construção do templo.

Por meio da morte, foi possível para os Anjos ensinar a humanidade, entre a morte e um novo nascimento, a construir um corpo gradualmente melhor. Tivesse o homem aprendido, num passado longínquo, a renovar seu corpo vital como foi ensinado a gerar um veículo denso à sua vontade, então a morte teria sido de fato uma impossibilidade e o homem teria se tornado imortal como os deuses. Porém, ele teria imortalizado suas imperfeições e o progresso teria sido impossível. É a renovação deste corpo vital que está expressa na Bíblia como "comer da Árvore da Vida". Quando o homem recebeu esclarecimento relativo à procriação, ele era um ser espiritual cujos olhos não estavam ainda cegos pelo mundo material e podia ter aprendido o segredo da vitalização de seu corpo segundo sua vontade, conseqüentemente frustando a evolução. Daí vemos que a morte, quando ela vem naturalmente, não é uma maldição, mas nossa maior e melhor amiga, pois ela nos livra de um instrumento com o qual não mais podemos aprender; ela nos tira de um ambiente que não nos serve mais para que possamos aprender a construir um corpo melhor em um ambiente de maior amplitude no qual poderemos fazer mais progresso em direção à meta da perfeição.

Durante a vida, o colapso do corpo vital à noite limita nossa visão do mundo em torno de nós, e nos perdemos na inconsciência do sono. Quando o corpo vital sofre um colapso logo após a morte e o panorama da vida está terminado, nós também perdemos a consciência por um tempo que varia de acordo com o indivíduo. Uma escuridão parece cair sobre o Espírito. Então, após algum tempo, ele acorda e começa indistintamente a perceber a luz do outro mundo, e só se acostuma às novas condições gradualmente. É uma experiência parecida com aquela que temos quando saímos de um quarto escuro para a luz do Sol, que nos cega com seu brilho, até que as pupilas de nossos olhos se contraem de modo a admitir a quantidade de luz suportável por nosso organismo.

Quando um homem passa pela morte, ele leva consigo a mente, o corpo de desejos e o corpo vital, sendo este último o armazém das cenas de sua vida passada. E, durante três dias e meio após a morte, estas cenas são gravadas no corpo de desejos para formar a base de sua vida no Purgatório e no Primeiro Céu, onde o mal é expurgado e o bem assimilado. A experiência da vida em si é esquecida, assim como esquecemos o processo de aprender a escrever, mas retemos a faculdade. Assim, o extrato cumulativo de todas as suas experiências, tanto das vidas passadas e das existências anteriores no Purgatório e nos vários céus, são retidas pelo homem e formam seu patrimônio no próximo nascimento. As dores que ele suportou falam-lhe como a voz da consciência, e o bem que ele fez lhe dá um caráter cada vez mais altruísta.

Não importa por quantos anos possamos evitar que o Espírito efetue sua passagem, pois, finalmente, chega a hora em que nenhum estimulante pode manter o corpo vivo e o último suspiro é dado. Então, o cordão prateado, do qual fala a Bíblia, que mantém os veículos superiores e inferiores juntos, rompe-se repentinamente no coração e faz com que este órgão pare. Sua ruptura liberta o corpo vital e ele, com o corpo de desejos e a mente, flutua sobre o corpo visível por um tempo que vai de um a três dias e meio, enquanto o Espírito está ocupado em rever a vida passada, uma parte excessivamente importante de sua experiência post-mortem. Desta recapitulação depende toda sua existência desde a morte até um novo nascimento .

Todos os povos antigos, tanto no Oriente como no Ocidente, sabiam muito sobre nascimento e morte, o que foi esquecido nos tempos modernos, porque uma segunda visão prevalecia entre eles naquela época. Até o presente (época em que o livro foi escrito), por exemplo, muitos camponeses na Noruega afirmam possuir a capacidade de ver o Espírito saindo do corpo na morte, como uma nuvem branca e fina que é, naturalmente, o corpo vital; e o ensinamento Rosacruz que afirma que os mortos pairam em volta de sua morada terrena por algum tempo depois da morte, adotam um corpo luminoso e são penosamente afligidos pela dor de seus entes queridos, foi um conhecimento comum entre os antigos que viviam no Norte. Quando o falecido Rei Helge da Dinamarca se materializou para aliviar a dor de sua esposa, e ela exclamou angustiada: "O orvalho da morte banhou teu corpo guerreiro", ele respondeu:

És tu, Sigruna,
A única causa
De que Helge seja banhado
Pelo orvalho da tristeza.
Não queres pôr fim a teu pesar
Nem as amargas lágrimas secar.
Cada lágrima ensangüentada
Cai em meu peito gelada
Elas não me deixam descansar.

Quando a autora de "O Ministério dos Anjos" tinha seus dezoito anos, uma amiga chamada Maggie, de repente, ficou muito doente e morreu em seus braços. Imediatamente depois que seu coração parou de bater, ela diz, "E vi, distintamente, algo semelhante à fumaça ou vapor que sobe de uma chaleira, na qual a água está fervendo, ascender de seu corpo. A emanação subiu só até uma certa altura e lá tomou a forma de minha amiga que tinha acabado de falecer. Esta forma, indefinida a princípio, gradualmente se transformou até se tornar nítida e revestida por uma roupagem que parecia uma nuvem branco-perolada, em baixo da qual os contornos da pessoa eram distintamente visíveis. A face era a da minha amiga, mas glorificada sem nenhum traço de espasmo da dor que tinha se apoderado dela momentos antes de sua morte".

Isto é exatamente o que temos ensinado: no momento da morte, quando o cordão prateado se rompe no coração, o corpo vital se retira através das suturas do crânio e paira alguns centímetros acima do corpo.

Quando um Espírito está se desprendendo do corpo, ele leva com ele o corpo de desejos, a mente e o corpo vital, e este é, naquela hora, o armazém das cenas da vida que termina. Estas cenas são então gravadas no corpo de desejos durante três dias e meio imediatamente após a morte. Então, o corpo de desejos transforma-se no árbitro do destino do homem no Purgatório e no Primeiro Céu. Os sofrimentos causados pela purgação do mal e a alegria causada pela contemplação do bem são levados para a próxima vida como consciência, para deterem o homem da perpetuação dos erros das vidas anteriores e induzi-lo a fazer o que causou alegria na vida anterior de modo mais abundante.

No momento da morte, quando o átomo-semente do coração que contém toda a experiência da vida passada em uma imagem panorâmica, se rompe, o Espírito deixa seu corpo físico, levando consigo os corpos mais sutis. Ele paira sobre o corpo denso que agora está morto, como se diz comumente, por um tempo que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante do tempo é a força do corpo vital, veículo que constitui o corpo-alma de que a Bíblia fala. Há então uma reprodução pictórica da vida, um panorama em ordem inversa, da morte ao nascimento, e as cenas são gravadas sobre corpo de desejos por meio do éter refletor neste corpo vital. Durante este período, a consciência do Espírito está concentrada no corpo vital, ou pelo menos deveria estar, e não tem, por isso, nenhum sentimento a respeito. As cenas que são impressão sobre o veículo do sentimento e da emoção, o corpo de desejos, são a base do subseqüente sofrimento da vida no Purgatório pelas más ações, e de satisfação no Primeiro Céu, devido ao que foi feito de bom na vida que passou.

Estes foram os principais fatos que o autor foi capaz de observar, pessoalmente, sobre a morte no período em que os Ensinamentos lhe foram dados e quando ele foi apresentado, por ajuda do Mestre, às reproduções panorâmicas da vida de pessoas que estavam passando pelo portal da morte; investigações de anos mais tarde revelaram o fato adicional de que há um outro processo em andamento durante estes dias importantes que seguem o da morte.

Uma separação acontece no corpo vital, semelhante àquela do processo de Iniciação. Grande parte deste veículo, que pode ser chamado de "alma", une-se com os veículos superiores e é a base da consciência nos mundos invisíveis depois da morte. A parte inferior, que é descartada, volta ao corpo físico e flutua sobre o túmulo, na maioria dos casos, como está declarado no Conceito Rosacruz do Cosmos. Esta separação no corpo vital não é a mesma em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter da pessoa que se vai. Em casos extremos, esta divisão é muito diferente do normal. Este ponto importante foi descoberto em muitos casos de suposta obsessão que foram investigados pela Sede Central. De fato, foram estes casos que desenvolveram as extensas e estarrecedoras descobertas reveladas por nossas mais recentes pesquisas sobre a natureza da obsessão, que pessoas que apelaram para nós estavam sofrendo. Como era esperado, naturalmente, a divisão nestes casos mostrava uma preponderância do mal, e esforços foram então feitos para descobrir se não havia também uma outra classe de pessoas onde uma divisão diferente, com preponderância de bem, acontece. É um prazer registrar que isto realmente acontecia e, depois de pesar os fatos descobertos, comparando um com outro, o que segue parece ser a correta descrição das condições e suas razões:

O corpo vital tem o objetivo de construir o físico toda vez que nossos desejos e emoções o destroem. É a luta entre o corpo vital e o de desejos que produz consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, de forma que o corpo brando da criança se torna rijo e encolhido na idade avançada, seguido pela morte. A moralidade ou imoralidade de nossos desejos e emoções age de maneira similar no corpo vital. Quando a devoção a elevados ideais é a mola mestra da ação, quando se permite que a natureza devocional se expresse livremente e freqüentemente por muitos anos e, particularmente, quando isto foi acompanhado pelos exercícios científicos dados aos Probacionistas na Fraternidade Rosacruz, a quantidade de éter químico e de vida gradualmente diminui, enquanto que os apetites carnais se desvanecem e uma quantidade aumentada de éter luminoso e refletor toma o lugar deles. Como conseqüência, a saúde física não é tão boa entre aqueles que seguem o caminho superior, como entre aqueles cuja indulgência com a natureza inferior atrai os éteres químico e de vida numa proporção tal que os leva à parcial ou total exclusão dos dois éteres superiores.

Várias conseqüências muito importantes conectadas com a morte seguem este fato. Como é o éter químico que acimenta as moléculas do corpo em seus lugares e as mantém lá durante a vida, quando somente uma mínima parte deste éter está presente, a desintegração do veículo físico depois da morte é muito rápida.

Na morte, a separação acontece. O átomo-semente é retirado do ápice do coração pelo saturnino nervo pneumogástrico através dos ventrículos e pelo crânio (Gólgota); todos os átomos do corpo vital são liberados da cruz do corpo denso pelo mesmo movimento espiral que desatarracha cada átomo prismático de éter de sua envoltura física.

Este processo se desenvolve com maior ou menor violência de acordo com a causa da morte. Uma pessoa de idade, cuja vitalidade foi vagarosamente diminuindo, pode dormir e acordar no outro lado do véu sem a menor consciência de como a mudança acontece; uma pessoa devota e religiosa, que se preparou pela prece e meditação sobre o além, também será capaz de fazer uma passagem fácil; pessoas que morrem congeladas encontram o que o autor acredita ser a mais fácil maneira de morrer por acidente, sendo que o afogamento é a segunda melhor situação.

Porém, quando uma pessoa é jovem e saudável, especialmente se tem uma maneira de pensar materialista ou não religiosa, o átomo etéreo prismático está tão fortemente entrelaçado pelo átomo físico que um puxão considerável é necessário para separar o corpo vital. Quando a separação entre o corpo físico e os veículos superiores foi concluída e a pessoa está morta, como normalmente se diz, os éteres luminoso e refletor se separam do átomo prismático. É esta matéria, como está explicado no Conceito Rosacruz do Cosmos, que é modelada em imagens da última vida e gravada no corpo de desejos, que então começa a fazer sentir tudo o que houve de sofrimento ou de prazer na vida. A parte do corpo vital composta pelos átomos prismáticos químico e de vida então retornam ao corpo físico, pairando acima da sepultura e desintegrando-se sincronicamente com ele.

Os veículos superiores – corpo vital, de desejos e mente – são vistos deixando o corpo denso com um movimento em espiral, levando com eles a alma de um átomo denso. Não o átomo em si, mas as forças que trabalharam através dele. Os resultados das experiências passadas por meio do corpo denso durante a vida que terminou foram impressas neste átomo específico. Enquanto todos os outros átomos do corpo denso se renovaram de tempos em tempos, este átomo é permanente. Permanece estável não só durante uma vida, mas foi parte de todos os corpos densos usados pelo Ego. Ele é retirado na morte só para despertar na aurora de uma outra vida física para servir outra vez como núcleo em torno do qual é construído o novo corpo denso a ser usado pelo mesmo Ego. É, por isso, chamado de átomo-semente. Durante a vida, o átomo-semente está situado no ventrículo esquerdo do coração, perto do ápice. Na morte, ele sobe ao cérebro, passando pelo nervo pneumogástrico, deixando o corpo denso juntamente com os veículos superiores, pelo caminho das suturas entre os ossos parietal e occipital.

Quando os veículos superiores deixam o corpo denso, eles ficam ainda conectados por um fino, brilhante e prateado cordão em forma muito parecida a dois seis invertidos, um na vertical e outro na horizontal, conectados nas extremidades do gancho.

Uma extremidade se liga ao coração por meio do átomo-semente, e é a ruptura deste átomo que faz parar o coração. O cordão não se rompe até que o panorama da vida, contido no corpo vital, tenha sido revisto.

Deve-se tomar cuidado, no entanto, para não cremar ou embalsamar o corpo até pelo menos três dias após a morte, pois enquanto o corpo vital está com os veículos superiores e eles estão ainda conectados com o corpo denso por meio do cordão prateado, qualquer exame post-mortem ou ferimento praticado no corpo denso será sentido de certo modo pelo morto. A cremação deve ser particularmente evitada nos três primeiros dias depois da morte porque tende a desintegrar o corpo vital, o qual deve permanecer intacto até que o panorama da última tenha sido gravado no corpo de desejos.

O cordão prateado se rompe no ponto em que os dois seis se unem, metade permanecendo com o corpo denso e a outra metade com os veículos superiores. No momento em que o cordão se rompe, o corpo denso está morto.

No início do ano de 1906 o Dr. Mc Dougall fez uma série de experiências no Hospital Geral de Massachusetts para determinar, se possível, se alguma coisa invisível deixava o corpo por ocasião da morte. Para este fim, ele construiu uma balança capaz de registrar diferenças de um décimo de uma onça (*).

A pessoa agonizante e sua cama foram colocadas numa das plataformas da balança que foi equilibrada por pesos colocados na plataforma oposta. No exato momento em que a pessoa deu seu último suspiro, a plataforma que continha os pesos, subitamente e surpreendentemente, desceu, elevando a cama e o corpo, mostrando que algo invisível, mas tendo peso, tinha deixado o corpo. Logo após, os jornais de todo o país anunciaram em brilhantes manchetes que o Dr. Mc Dougall tinha "pesado a alma".

O ocultismo aclama com alegria as descobertas da ciência moderna quando elas invariavelmente corroboram com o que a ciência oculta vem ensinando há muito tempo. As experiências do Dr. Mc Dougall mostraram conclusivamente que algo oculto para a visão comum deixou o corpo na hora da morte, como os clarividentes treinados têm visto e tem sido afirmado em palestras e literatura muitos anos antes da descoberta do Dr. Mc Gougall.

Mas esta "coisa" invisível não é a alma. Há uma grande diferença. Os repórteres tiraram conclusões erradas quando afirmaram que os cientistas tinham "pesado a alma". A alma pertence aos planos superiores e não pode nunca ser pesada em balanças físicas, embora eles tenham registrado variações de um milionésimo de um grão em vez de um décimo de uma onça (*) (medida de peso inglesa equivalente a 28,349 g.)

Foi o corpo vital que os cientistas pesaram. Ele é formado pelos quatro éteres que pertencem ao Mundo Físico.

Como vimos, uma quantidade de éter é adicionada ao éter que envolve as partículas do corpo humano e é confinada lá durante a vida física, aumentando em pequeno grau o peso do corpo denso

da planta, do animal e do homem. Na morte, ele escapa, daí a diminuição do peso notada pelo Dr. Mc Dougall quando as pessoas que ele observou expiraram.

Esta característica da vida após a morte é similar à que acontece quando alguém está se afogando ou caindo de grande altura. Nestes casos, o corpo vital também deixa o corpo denso e o homem vê sua vida num relance porque ele perde a consciência simultaneamente. É evidente que o cordão prateado não está rompido ou ele não voltaria à vida.

Quando a força do corpo vital atingiu seu limite, ele entra em colapso da forma descrita quando estávamos considerando o fenômeno do sono. Durante a vida física, quando o Ego controla seus veículos, este colapso interrompe com as horas de vigília; depois da morte, o colapso do corpo vital conclui o panorama da vida e força o homem a entrar no Mundo do Desejo. O cordão prateado se rompe no ponto em que os seis se unem e a mesma divisão que se processa durante o sono é feita, mas com uma importante diferença, a de que embora o corpo vital retorne ao corpo denso, ele não mais o interpreta, mas simplesmente paira sobre ele. Ele permanece flutuando sobre o túmulo, desintegrando-se sincronicamente com o veículo denso. Daí, para o clarividente treinado ser o cemitério uma visão repugnante e, se mais pessoas pudessem ver, pouco seria preciso para induzir as mesmas a mudar o método não higiênico de acomodar os mortos para o método mais racional da cremação, que retorna os elementos à sua condição primordial sem as desagradáveis características inerentes ao processo de desintegração lenta.

O processo de abandono do corpo vital é muito parecido ao do corpo denso. As forças vitais de um átomo são levadas para serem usadas como núcleo do corpo vital do futuro renascimento. Assim, quando entra no Mundo do Desejo, o homem tem os átomos-semente dos corpos denso e vital além de seu corpo de desejos e da mente.

Quando uma pessoa morre, parece que seu corpo vital se avoluma; ela tem a sensação de crescer em imensas proporções. Esta impressão não é devida ao fato de que o corpo cresça realmente, mas de que as faculdades de percepção recebam tantas impressões de várias fontes, tudo parecendo estar perto e à mão.

Quando o homem morre e perde seus corpos denso e vital, a situação é a mesma de quando alguém dorme. O corpo de desejos, como foi explicado, não tem órgãos prontos para serem usados. É agora transformado de um ovóide para uma figura que se parece com o corpo denso que ele abandonou. Podemos facilmente compreender que deve haver um intervalo de inconsciência parecida com o sono e, então, o homem acorda no Mundo do Desejo. No entanto, freqüentemente acontece que estas pessoas ficam incapazes de entender o que lhe aconteceu por um longo período. Não compreendem que morreram. Elas sabem que são capazes de se mover e de pensar. É às vezes, muito difícil fazê-las acreditar que estão verdadeiramente "mortas". Elas sabem que algo está diferente, mas não são capazes de entender o que é.

Quando o momento que marca o fim da vida no Mundo Físico chega, a utilidade do corpo denso termina e o Ego retira-se pela cabeça, levando consigo a mente e o corpo de desejos, como acontece todas as noites durante o sono; mas, agora, o corpo vital está inútil e se retira também, e quando o "cordão prateado" que uniu os veículos superiores com os inferiores se rompe, não pode ser reparado.

Lembramos que o corpo vital é composto de éter, sobreposto ao corpo denso da planta, animal e do homem durante a vida. Éter é matéria física e, por isso, tem peso. A única razão pela qual os cientistas não podem pesá-lo é porque são incapazes de juntar uma quantidade e colocá-lo numa balança. Mas quando ele deixa o corpo denso na morte, uma diminuição de peso acontece, mostrando que algo que tinha peso, embora invisível, deixou o corpo denso naquele momento.

O "cordão prateado" que une os veículos superiores e os inferiores termina no átomo-semente no coração. Quando a vida material finda de maneira natural, as forças do átomo-semente se desprendem, passam pelo nervo pneumogástrico atrás da cabeça e ao longo do cordão prateado, junto com os veículos superiores. É a ruptura no coração que marca a morte física, mas o cordão prateado não se rompe em certos casos por vários dias.

Na palestra nº 3, dissemos que o corpo vital é o armazém das memórias consciente e inconsciente; sobre o corpo vital, todos os atos e experiências da vida que passou são gravados indelevelmente como uma paisagem sobre uma placa fotográfica exposta. Quando o Ego se retira do corpo denso, toda a vida registrada na memória é exposta aos olhos da mente. É o afrouxamento parcial do corpo vital que faz com que uma pessoa que está se afogando veja sua vida, mas só de relance, precedendo a inconsciência; o cordão prateado permanece intacto, ou não haveria volta à vida. No caso do Espírito passando pela morte, o movimento é mais lento; o homem é um espectador enquanto as imagens se sucedem na ordem inversa, da morte para o nascimento, de modo que ele vê primeiro os acontecimentos anteriores à morte e então os anos da vida adulta se desenrolam; juventude e infância seguem até terminar no nascimento. O homem, no entanto, não tem nenhum sentimento a respeito. O objetivo é meramente gravar o panorama no corpo de desejos, que é o assento do sentimento, e, dessa gravação, o sentimento será extraído quando o Ego entrar no Mundo do Desejo, mas podemos notar aqui que a intensidade do sentimento depende do tempo consumido no processo de gravação e da atenção dada a isso pelo homem. Se ele não for incomodado por longo período por barulho ou histeria, uma profunda e clara impressão será feita sobre o corpo de desejos. Ele sentirá o mal que fez mais agudamente no Purgatório e suas boas qualidades serão abundantemente reforçadas no Céu e, embora a experiência seja esquecida na vida futura, os sentimentos permanecerão como uma "voz silenciosa". Quando os sentimentos penetram profundamente no corpo de desejos de um Ego, esta voz não falará com palavras vagas ou incertas. Isso, o impelirá, sem dúvida, forçando-o a desistir daquilo que causou sofrimento na vida anterior e compelindo-o a ceder ao que é bom. Por isso, o panorama passa em ordem inversa de modo que o Ego primeiro vê os efeitos e depois as respectivas causas.

No que diz respeito ao que determina a duração do panorama, lembramos que foi o colapso do corpo vital que forçou os veículos superiores a se retirarem; assim, depois da morte, quando o corpo vital entra em colapso, o Ego tem que se retirar e então o panorama chega ao fim. A duração do panorama depende, por isso, do tempo que a pessoa possa permanecer desperta. Algumas pessoas podem ficar despertas só umas poucas horas, outras agüentam alguns dias dependendo da força de seu corpo vital.

Quando o Ego deixa o corpo vital, este gravita de volta ao corpo denso, pairando acima do túmulo, desintegrando-se com o corpo denso e é realmente uma visão repugnante ao clarividente atravessar um cemitério e observar todos aqueles corpos vitais, cujo estado de decomposição claramente indicam o estado de deteriorização do que está na sepultura. Se houvesse mais clarividentes, a incineração seria logo adotada como medida de proteção aos nossos sentimentos, além das razões higiênicas.

Nossas últimas investigações indicam que, quando um homem espiritualiza seus veículos, a constituição do corpo vital, formado de éter, é transformada. No homem comum há sempre uma preponderância dos dois éteres inferiores – o éter químico e o de vida – que têm a ver com a construção e a propagação do corpo físico, e um mínimo de éter luminoso e refletor, que têm relação com a percepção sensorial e com as elevadas qualidades espirituais. Após a morte, o corpo do homem comum é colocado no túmulo e o corpo vital paira cerca de dois pés (60 cm) acima do túmulo, gradualmente se desintegrando. O corpo denso se desintegra simultaneamente. No entanto, quando dizemos que ele se deteriora, realmente queremos dizer que ele se torna mais vivo do que era quando o homem o habitava, pois cada pequena molécula se encarrega agora de uma vida individual separada. Ela começa a se associar com suas vizinhas e a unidade de uma vida individual é substituída por uma comunidade de muitas vidas.

Portanto, falamos de tais cadáveres em decomposição como estando vivos e cheios de vermes. Quanto mais denso e grosseiro este veículo for, mais tempo ele precisará para se decompor, porque o corpo vital pairando acima dele tem um domínio magnético tenaz que mantém as moléculas densas controladas. Os dois éteres superiores vibram numa freqüência muito mais rápida que os inferiores e, quando um homem, com pensamentos espirituais, reuniu em torno dele um grande volume deste éter que compõe seu corpo vital, as vibrações do corpo denso também se tornam mais intensas. Conseqüentemente, quando um homem deixa seu corpo na morte, há pouco ou nada do corpo vital deixado para trás para manter os componentes do corpo físico sob controle. A desintegração é, portanto, muito rápida. Isto não pode ser facilmente provado porque muito poucas pessoas são suficientemente espiritualizadas para que a diferença seja notada, mas você deve se lembrar de que na Bíblia está escrito que certos personagens foram trasladados. O corpo de Moisés era tão vibrante que brilhava e não foi encontrado, etc.

Estes foram casos em que o corpo rapidamente retornou aos elementos e, quando o corpo de Cristo foi colocado no túmulo, sua desintegração foi quase instantânea.

No entanto, enquanto o arquétipo do corpo físico persiste, ele se esforça em atrair para si matéria física que ele modela de acordo com a forma do corpo vital. Assim é difícil para o Auxiliar Invisível que sai de seu corpo abster-se de se materializar. No momento em que ele relaxa a sua vontade de manter longe de si todos os impedimentos físicos, matéria da atmosfera que o circunda se adere a ele, como as limalhas do ferro são atraídas para o ímã, e ele se torna visível e tangível quanto desejar. Conseqüentemente, ele é capaz de realizar um trabalho físico onde for necessário, não importa que esteja milhares de milhas longe de seu corpo. Por outro lado, o que realmente provoca a morte é o colapso do arquétipo do corpo denso. Portanto, os Espíritos que fazem a passagem desta vida terrena são incapazes de se materializar, salvo através de um médium quando eles extraem seu corpo vital, revestem-se com ele e, então, atraem as substâncias necessárias para fazê-los visíveis para os espectadores.

Durante a vida e no estado de consciência de vigília, os veículos do Ego estão todos juntos e concêntricos, mas, na morte o Ego, revestido pela mente e pelo corpo de desejos, retira-se do corpo denso e, como as funções vitais estão no fim, o corpo vital é também retirado do corpo denso, deixando-o inanimado sobre a cama. Um pequeno átomo no coração é retirado e o resto do corpo se desintegra a seu tempo. Mas, neste momento, há um processo extremamente importante se realizando e os que velam o Espírito que se vai devem ser muito cuidadosos para que a máxima quietude reine lá e em toda a casa, pois as imagens da vida que passou e que estão armazenadas no corpo vital estão passando diante dos olhos do Espírito numa lenta e ordenada progressão, em ordem inversa, desde a morte até o nascimento. Este panorama da vida dura de algumas horas até três dias e meio. O tempo depende da força do corpo vital, o que determina quanto tempo um homem pode ficar desperto sob o mais severo estresse. Algumas pessoas podem trabalhar cinqüenta, sessenta ou setenta horas antes de caírem exaustos, enquanto outras são capazes de ficar despertas somente algumas poucas horas. A razão pela qual é importante que deva haver silêncio na casa durante os três dias e meio imediatamente seguintes à morte é: durante este tempo, o panorama da vida está sendo gravado no corpo de desejos, que será o veículo enquanto o homem permanecer no Purgatório e no Primeiro Céu, onde ele irá colher o bem e o mal que semeou, de acordo com suas ações praticadas quando estava em seu corpo físico.

Quando a vida está cheia de acontecimentos e o corpo vital do homem está forte, mais tempo será dedicado à esta gravação do que sob condições em que o corpo vital é fraco, mas durante todo este tempo o corpo denso está conectado com os veículos superiores pelo cordão prateado e qualquer ferimento no corpo denso é sentido de certa forma pelo Espírito; assim, embalsamamento, exames post-mortem e cremação são todos sentidos. Portanto, eles devem ser evitados durante os três dias e meio depois da morte, pois quando o panorama foi completamente gravado no corpo de desejos, então o cordão prateado se rompe, o corpo vital gravita de volta ao corpo denso e não há mais conexão com o Espírito que está livre para ir para sua vida superior.

Quando o corpo é enterrado, o corpo vital se desintegra vagarosamente junto com o corpo denso de forma que, por exemplo, quando um braço se desintegra, o braço etéreo do corpo vital que paira sobre o túmulo também desaparece, e assim acontece com todo o corpo até que o último vestígio desapareça. Mas, quando a cremação é feita, o corpo vital se desintegra imediatamente e também as imagens armazenadas da vida que terminou. Estas imagens são gravadas no corpo de desejos e formam a base da vida no Purgatório e no Primeiro Céu; se elas forem destruídas pela cremação efetuada antes que três dias e meio tenham passado, será uma grande calamidade para o Espírito. A menos que uma ajuda seja dada, o Espírito não poderá manter o corpo vital íntegro. E isto é parte do trabalho que é feito pelos Auxiliares Invisíveis a favor da humanidade. Às vezes, eles são ajudados pelos Espíritos da Natureza e outros indicados pelas Hierarquias Criadoras ou líderes da humanidade. Há também uma perda quando a pessoa é cremada antes que o cordão prateado se rompa naturalmente, a impressão sobre o corpo de desejos não é tão profunda quanto deveria ser e isto tem um efeito sobre as vidas futuras, pois quanto mais profundas sejam as impressões da vida que passou sobre o corpo de desejos, mais agudo será o sofrimento no Purgatório pelo mal cometido e mais forte será o prazer no Primeiro Céu resultante do bem que foi praticado em vida. É o sofrimento e o prazer de nossas vidas passadas que criam o que chamamos de consciência, de forma que, se deixamos de sofrer, perdemos a noção que nos impedirá, nas vidas futuras, de cometer os mesmos erros repetidamente. Por isso, os efeitos negativos da cremação prematura são incalculáveis.

Um fenômeno similar ao panorama da vida geralmente acontece quando uma pessoa está se afogando. Pessoas que voltaram à vida dizem que viram sua vida toda num relance. Isto é porque, sob tais condições, o corpo vital se afasta do corpo denso. Naturalmente, não há ruptura do cordão prateado, ou a vida não poderia ser restaurada. Nos casos de afogamento, a pessoa se torna inconsciente, enquanto que, na revisão post-mortem, a consciência continua até que o corpo vital entra em colapso da mesma maneira como acontece quando vamos dormir. Então, a consciência cessa por um momento e o panorama está terminado.

Portanto, o tempo ocupado pelo panorama também varia de pessoa para pessoa; depende de que o corpo vital esteja forte e saudável, ou tenha se tornado fino e definhado por doença prolongada. Quando mais tempo for gasto na revisão e mais silencioso e cheio de paz for o ambiente, mais profunda será a gravação que é feita no corpo de desejos.

Como já foi dito, isto tem um efeito importante e incalculável, pois então o sofrimento que o Espírito experimentará no Purgatório, devido aos maus hábitos e más ações, será mais profundo do que se ele tivesse só uma impressão superficial, e, numa vida futura, a voz silenciosa da consciência o avisará mais insistentemente contra os erros que causaram sofrimento no passado.

Desde quando o mundo existe, nunca houve tanto sofrimento universal quanto no presente (1914). E, além disso, não devemos esquecer que estamos armazenando para nós mesmos uma grande quantidade de sofrimento futuro, pois, como foi explicado na literatura Rosacruz, é impossível para estas pessoas que são agora tão cruéis e de repente são afastadas de seu corpo, reverem sua vida que passou porque a gravação do panorama da vida não se processa como deveria. Portanto, estes Egos não colherão o fruto de sua presente existência como deveriam fazê-lo no Purgatório e no Primeiro Céu. Eles voltarão em vida futura com esta experiência a menos e será necessário, para que possam recuperar o que perderam, morrer na infância de modo a terem seu novo corpo de desejos e vital impressos com a essência de sua vida presente.

Vimos que, quando o Ego terminou seu dia na escola da vida, a Força centrífuga de Repulsão expulsou seu corpo denso na morte e depois seu corpo vital que é o próximo em densidade. Depois, no Purgatório, a matéria de desejo mais densa acumulada pelo Ego como roupagem pelos seus desejos mais inferiores é purgada por esta força centrífuga. Nos planos mais elevados, só a Força de Atração domina e mantém o bem com ação centrípeta que tende a atrair tudo da periferia para o centro.

No Segundo Céu, tudo o que o corpo vital e o Espírito de Vida trabalhou, transformou, espiritualizou, e portanto salvou da decomposição a que o resto do corpo vital está sujeito, será amalgamado com o Espírito de Vida para garantir um corpo vital e um temperamento melhor nas vidas seguintes.

Quando o Ego, em sua peregrinação através dos mundos invisíveis, chega ao ponto em que alcança o Terceiro Céu, depois de descartar o corpo denso na morte, o corpo vital logo depois, o corpo de desejos ao deixar o Purgatório e o Primeiro Céu e, finalmente, antes de deixar o Segundo Céu, ele também deixa o revestimento da mente para trás e, então, entra no Terceiro Céu completamente livre de empecilhos. Todos os veículos descartados se desintegram, só o Espírito persiste, banhando-se no grande reservatório de força espiritual a que chamamos de Terceiro Céu a fim de se fortalecer para o próximo renascimento na Terra.

O corpo vital é composto de quatro éteres. Os dois éteres inferiores são avenidas de crescimento e propagação. No corpo vital de uma pessoa cuja preocupação principal é a vida física, que vive inteiramente para o prazer sensual, estes dois éteres predominam, enquanto que numa pessoa que é bastante indiferente à satisfação material e procura avançar espiritualmente, os dois éteres superiores formam a parte mais volumosa do corpo vital. Eles são o que Paulo chama de soma psuchicon ou corpo-alma que permanece com o homem durante suas experiências no Purgatório e no Primeiro Céu onde a essência da vida é extraída. Este extrato é a alma cujas principais qualidades são consciência e virtude. A consciência é o fruto dos erros das vidas passadas que, no futuro, guiará o Espírito corretamente e o ensinará como evitar passos errados semelhantes. Virtude é a essência de tudo o que foi bom nas vidas anteriores e age como um incentivo para manter o Espírito se esforçando ardentemente no caminho da aspiração. No Terceiro Céu a virtude é amalgamada e se torna parte do Espírito. Conseqüentemente, no curso de suas vidas, o homem se torna mais espiritualizado e as qualidades anímicas, consciência e virtude, tornam-se mais fortemente operantes guiando os princípios de conduta.

Porém, há pessoas de natureza tão inferior que levam uma vida de vícios e práticas degeneradas, uma vida brutal, tendo prazer em produzir sofrimento. Às vezes, elas cultivam as artes ocultas por propósitos de maldade para que possam ter mais poder sobre suas vítimas. Então, sua perversidade e práticas imorais resultam em um endurecimento do corpo vital.

Em tais casos extremos, quando a natureza animal foi predominante, onde não houve expressão de alma na última vida terrena, a divisão no corpo vital a que nos referimos antes não acontece na morte, pois não há linha divisória. Neste caso, se o corpo vital pudesse gravitar de volta ao corpo denso e lá gradualmente se desintegrar, o efeito da vida demoníaca não seria tão grande, mas, infelizmente, há, nestes casos, um entrelaçamento do corpo vital e do corpo de desejos que evita a separação. Vimos que, quando um homem vive mais sua natureza superior, seus veículos espirituais são alimentados em detrimento dos inferiores. Inversamente, quando sua consciência está centrada nos veículos inferiores, ele os fortalece imensamente. Deve-se compreender que a vida do corpo de desejos não termina pela partida do Espírito; ele tem uma vida residual e consciência. O corpo vital é também capaz de sentir de certo modo por alguns dias depois da morte nos casos comuns (daí o sofrimento causado pelo embalsamamento, exames post-mortem, etc, imediatamente depois da morte), mas quando uma vida inferior o endureceu e o alimentou com grande força, ele tem um tenaz apelo à vida e uma habilidade de se alimentar de odores e bebidas. Às vezes, como um parasita, ele age como um vampiro em pessoas com as quais entra em contato.

Estes seres, são, portanto, uma das grandes ameaças à sociedade. Eles já mandaram incontáveis vítimas para a prisão, destruíram lares e causaram uma quantidade inimaginável de infelicidade. Sempre abandonam suas vítimas quando elas são apanhadas pelas garras da lei. Regozijam-se com o sofrimento e a desgraça de suas vítimas, sendo isso uma parte de seu esquema diabólico. Há outras classes de seres que de deleitam em fazer-se passar por "anjos" nas sessões espíritas. Eles também encontram vítimas lá e ensinam-lhes práticas imorais. O chamado "Poltergeist" , que se diverte quebrando pratos, levantando mesas, fazendo voar chapéus sobre as cabeças de um público que vibra com estas brincadeiras, está também incluído neste grupo. A força e a densidade do corpo vital de tais seres facilitam mais as manifestações físicas do que naqueles que entram no Mundo do Desejo; de fato, o corpo vital deste grupo de Espíritos é tão denso que eles são quase físicos e tem sido um mistério para o autor que pessoas que são incorporadas por tais entidades não as possam ver. Fossem elas descobertas, a visão de suas faces demoníacas e zombeteiras apagariam a ilusão de que são anjos.

Toda vez que morre uma pessoa que abrigou malícia e ódio em seu coração, estes sentimentos entrelaçam o corpo vital e o de desejos, e ela se transforma numa ameaça mais séria para a comunidade do que se pode imaginar.

Espíritos apegados à Terra são atraídos para as regiões inferiores do Mundo do Desejo que interpenetram o éter e estão em constante contato com pessoas encarnadas mais favoráveis a ajudá-los em seus desejos maléficos. Em geral, eles ficam apegados à Terra por 50, 60 ou 75 anos, mas casos extremos foram encontrados em que tais seres permaneceram por séculos. Segundo o que o autor foi capaz de pesquisar até o presente, parece que não há limite para o que possam fazer ou por quanto tempo permanecerão. Porém, eles estão amontoando para si próprios uma terrível carga de pecado da qual não escaparão sem sofrer, pois o corpo vital reflete e grava profundamente no corpo de desejos todas as suas más ações. E quando finalmente entrarem na existência purgatorial, encontrarão a retribuição que merecem. Este sofrimento é naturalmente longo, na proporção ao tempo em que eles continuaram suas práticas nefastas depois da morte do corpo denso – outra prova de que "Embora os moinhos de Deus moam vagarosamente, eles não deixam nada sem moer".

A nuvem vermelha do ódio (1a. Guerra Mundial) está se desvanecendo, o véu negro do desespero se foi, não há explosões vulcânicas de paixão nem nos vivos nem nos mortos, mas de acordo com os sinais dos tempos que o autor é capaz de ler na aura das nações, há um propósito definido de levar o processo até o fim. Mesmo nos lares privados de muitos membros, isto parece ser válido. Há uma intensa saudade dos amigos que estão no além, mas não há ódio pelo adversário na Terra. Esta saudade é compartilhada pelos amigos no mundo invisível e muitos estão penetrando o véu, pois a intensidade da sua saudade está despertando nos "mortos" o poder de se manifestar, atraindo o éter e o gás que freqüentemente é tirado do corpo vital de um amigo "sensível", da mesma forma como os Espíritos que se materializam usam o corpo vital de um médium incorporador. Assim, os olhos cegos pelas lágrimas são freqüentemente abertos por um coração terno, de modo que pessoas queridas, agora no mundo do espírito, encontram-se outra vez face a face, coração a coração. Este é o método que a Natureza usa para cultivar o sexto sentido que, finalmente, capacita todos saber que o homem é um Espírito imortal e a continuidade da vida é uma realidade na natureza.

Em toda morte, as lágrimas derramadas servem para dissolver o véu que esconde o mundo invisível de nossa contemplação saudosa. O sentimento de profunda saudade e a dor na partida de pessoas que se amam, tanto as que ficam como as que se vão, estão rasgando o véu e, num dia não muito distante, o efeito acumulado de tudo isto revelará o fato de que a morte não existe, e que aqueles que passaram além deste véu estão mais vivos do que nós. A potência destas lágrimas, desta dor e desta saudade não é igual em todos os casos. Os efeitos diferem muito, de acordo com o despertar do corpo vital de pessoas por atos de altruísmo e serviço, e de acordo com a máxima de que todo desenvolvimento ao longo das linhas espirituais começa no corpo vital. Ele é a base e nenhuma estrutura pode ser construída sem que esta fundação tenha sido colocada.


 

Capítulo V

 

A Caminho do Renascimento

 

Quando um Ego está no caminho para o seu renascimento o átomo semente do corpo vital reune novo material. A polaridade deste material determina seu sexo na próxima vida.

 

O átomo semente do corpo vital é o próximo a entrar em atividade, mas o seu processo de formação não é tão simples como no caso no caso da mente e do corpo de desejos, pois é preciso lembrar que estes veículos estavam comparativamente não organizados, enquanto que o corpo vital e o corpo denso são mais organizados e muito complexos. O material de quantidade e qualidade determinadas, é atraído de mesma maneira e sob a obediência da mesma lei como no caso dos corpos superiores, mas a construção do novo corpo e sua colocação no ambiente adequado são feitas por quatro grandes Seres de incomensurável sabedoria, que são os Anjos do Destino, os "Senhores do Destino". Eles impressionam o eter refletor do corpo vital de tal maneira que nele se refletem os quadros da próxima vida. Ele (o corpo vital) é construído pelos habitantes do mundo celestial e os espíritos elementais de tal modo a formar um tipo particular de cérebro. Mas note que, o Ego que retorna, ele próprio, incorpora então a quintessência de seus corpos vitais anteriores e além disso ainda realiza um pequeno trabalho original. Isso é feito de modo que na próxima vida possa haver lugar para expressão original e individual, não predeterminada por ações passadas.

O corpo vital, tendo sido moldado pelos Senhores do Destino, dará forma ao corpo denso, órgão por órgão. A matriz ou molde é então colocada no útero da futura mãe. O átomo semente do corpo denso está na cabeça triangular de um dos espermatozoides no semem do pai. Só isso torna a fertilização possível e aqui está a explicação para o fato de tantas vezes as uniões sexuais serem infrutíferas. Os componentes químicos do fluído seminal e dos óvulos são os mesmos todo o tempo e se fossem só esses os requisitos, a explicação do fenômeno da infertilidade, se procurada só no mundo material visível, não seria encontrada. Quando compreendemos que assim como as moléculas d' água se congelam segundo as linhas de força na água e se manifestam como cristais de gêlo em vez de se congelarem numa massa homogênia, torna-se evidente, portanto, como seria o caso se não existissem as linhas de força previamente à coagulação, não poderia assim existir a construção do corpo denso enquanto não houvesse um corpo vital no qual se construir o material; além do mais precisa haver um átomo semente para o corpo denso agir como padrão de qualidade e quantidade do material que será moldado naquele corpo denso. Também, no atual estágio do desenvolvimento nunca há total harmonia nos materiais do corpo, porque aquele que a tivesse seria um corpo perfeito, porém a desarmonia não pode ser tão grande a ponto de ser destruidora do organismo. Uma vez realizada a impregnação do óvulo, o corpo de desejos da mãe trabalha sobre ele de dezoito a vinte-e-um dias, o Ego permanece fora em seu invólucro do corpo de desejos e da mente, embora sempre em estreito contato com a mãe. Após a expiração desse tempo o Ego entra no corpo da mãe. Os veículos em forma de sino dirigem-se para sobre a cabeça do corpo vital e o sino fecha-se em baixo. Dessa hora em diante o Ego paira sobre o seu futuro instrumento até o nascimento da criança e a nova vida terrena do Ego, que retorna, começa.

Acha-se escrito no Conceito Rosacruz do Cosmos que o corpo vital da mulher é positivo e que o corpo vital do homem é negativo. Quando os agentes dos Anjos do Destino estão assistindo um Ego que vai renascer, o tipo do sexo já foi determinado, tanto pela lei de alternação como por uma modificação dessa lei por circunstâncias específicas na vida individual do Espírito, e o Ego é então ajudado a captar para si quantidade suficiente de diferentes tipos de éteres exigidos pelo seu desenvolvimento. Esses materiais são de uma certa polaridade, seja positiva ou negativa. Quando a matriz feita apenas de átomos etéricos positivos é colocada no útero da futura mãe, estes átomos irão infalivelmente atrair para si átomos físicos negativos, e o corpo resultante da criança, torna-se, em consequência, feminino. Se, de outro modo, a matriz que for colocada no útero da mãe for composta de átomos etéricos negativos, irá atrair os átomos densos positivos e o resultado é que os órgãos sexuais masculinos são mais desenvolvidos e portanto o sexo é masculino. A vida, como a eletricidade, necessita ambas expressões positiva e negativa, de outro modo não pode-se manifestar.

Quando o Ego no seu caminho para renascer passa pela Região do Pensamento Concreto, o Mundo de Desejo, e a Região Etérica, ele atrai uma certa quantidade de material de cada uma delas. A qualidade desse material é determinada pelo átomo semente, pelo princípio de que semelhante atrai semelhante. A quantidade depende da quantidade de matéria requerida pelo arquétipo por nós mesmos construído no Segundo Céu. Da quantidade dos átomos etéricos prismáticos que são apropriados para um certo Espírito, os Anjos do Destino e seus agentes constroem uma forma etérica que é então colocada no útero da mãe e gradualmente revestida com matéria física que depois forma o corpo visível do recém-nascido.

O cordão prateado que cresceu do átomo semente do corpo denso (localizado no coração) desde a concepção, é preso à parte que brotou do vórtice central do corpo de desejos, (localizado no fígado), e quando o cordão prateado é preso pelo átomo semente ao corpo vital, (localizado no plexo solar), o Espírito morre para a vida no mundo supersensível e anima o corpo que vai usar em sua futura vida na Terra.


 

Capítulo VI

 

As crianças.

 

O corpo vital de uma criança ao nascer não se acha organizado. Daí, até aproximadamente a idade de sete anos, quando o corpo vital individual nasce, ela se abastece do corpo vital macrocósmico.

 

No período logo após o nascimento os diferentes veículos se interpenetram entre si, como, em exemplo anterior, a areia penetra na esponja e a água penetra tanto a areia quanto a esponja. Mas, embora eles estejam todos presentes, como na vida adulta, acham-se meramente presentes. Nenhuma de suas faculdades positivas acham-se presentes. O corpo vital não pode usar as forças que operam pelo polo positivo dos éteres. A assimilação, que trabalha pelo polo positivo do éter químico, é muito delicada durante a infância, e o que dela existe é devido ao corpo vital macrocósmico, cujos éteres atuam como um útero para o corpo vital da criança até aos sete anos, amadurecendo gradualmente durante esse período. A faculdade de propagação, que funciona pelo polo positivo do éter de vida, também está latente. O aquecimento do corpo, que é efetuado através do polo positivo do éter luminoso, e a circulação sanguínea são devidos ao corpo vital macrocósmico, os éteres agindo na criança e desenvolvendo-a lentamente até o ponto em que ela possa controlar por si mesma essas funções. As forças operando pelo polo negativo dos éteres são sem dúvida as mais ativas. A excreção de sólidos efetuada pelo polo negativo do éter químico (correspondendo à sub-divisão sólida da Região Química), é muito desenfreada, como é também a excreção de fluidos, que é executada pelo polo negativo do éter de vida (correspondendo à Segunda ou divisão fluida da Região Química). O sentido passivo da percepção, que é devido às forças negativas do éter de luz, é também excessivamente proeminente. A criança é muito impressionável e é "toda olhos e ouvidos".

Embora o corpo vital de uma criança esteja ainda comparativamente não organizado pela ocasião do nascimento, o éter que deverá ser usado para o seu completamente, está dentro da aura pronto para ser assimilado; e se alguém a sua volta acontecer de estar fraco ou anêmico, um vampiro inconsciente, ele ou ela retira do armazenamento não assimilado de éter do recém nascido muito mais facilmente do que do de um adulto cujo corpo vital está totalmente organizado. Naturalmente a pessoa fraca retira mais facilmente éter que está negativamente polarizado, como no corpo de um bêbê do sexo masculino, do que éter positivo de uma menina recém-nascida....Massagem do baço e estímulo dos nervos esplênicos, cuidadosa e conservadoramente praticada irá ajudar a contraparte etérea deste órgão em suas atividades de especialização da energia solar da qual os processos vitais são tão dependentes quanto os pulmões são de ar.

Normalmente pensamos que quando uma criança nasce, ela nasce e isso é tudo; mas, assim como durante, o período de gestação o corpo denso acha-se protegido do impacto do mundo externo por estar situado dentro do útero protetor da mãe até chegar à maturidade suficiente para enfrentar as condições externas, assim também estão o corpo vital, o corpo de desejos e a mente, num estado de gestação e nascem em ocasiões posteriores porque eles ainda não têm atrás de si uma evolução tão longa quanto a do corpo denso e, portanto, para eles chegarem a um estado suficiente de maturidade para tornarem-se individualizados, leva mais tempo. O corpo vital nasce no sétimo ano, quando o período de excessivo crescimento marca a sua vinda.

Apenas uma pequena porção do éter adequada para um determinado Ego é então usada e o corpo vital remanescente da criança, ou melhor o material do qual esse veículo será feito fica então fora do corpo denso. Por esse motivo, o corpo vital de uma criança projeta-se para muito além da periferia do corpo denso do que o do adulto. Durante o período de crescimento esse armazenamento de átomos de éter é retirado para vitalizar os crescimentos dentro do corpo até que ao atingir a idade adulta, o corpo vital se projeta apenas de uma a uma-e-meia polegada além da periferia do corpo denso.

Do primeiro ao sétimo ano o corpo vital cresce e vagorosamente amadurece dentro do útero do corpo vital macrocósmico e devido à superior sabedoria desse veículo do macrocósmico, o corpo da criança é mais roliço e bem construído que posteriormente na vida.

Enquanto o corpo vital macrocósmico guiar o crescimento do corpo da criança ela é resguardada dos perigos que mais tarde a ameaçam quando a insensato corpo vital individual descontrola desenfreado. Isso acontece no sétimo ano quando tem início o perigoso período de excessivo crescimento que continua pelos próximos sete anos. Durante esse período o corpo de desejos macrocósmico realiza a função de útero para o corpo de desejos individual.

Tivesse o corpo vital preponderância contínua e irrestrita no reino humano, como tem no vegetal, o homem cresceria a um tamanho enorme. Houve ocasião, num passado distante, em que o homem tinha a constituição semelhante a de um vegetal, e possuía apenas o corpo denso e o corpo vital. As tradições da mitologia e folclore em todo o mundo, com respeito a existência de gigantes em tempos remotos, são absolutamente verdadeiros, porque então os homens eram tão altos quanto as árvores, e pelos mesmos motivos.

O corpo vital da planta constrói folha após folha, levando o tronco a ficar cada vez mais alto. Não fôsse pelo corpo de desejos macrocósmico, o crescimento continuaria assim indefinidamente mas o corpo de desejos macrocósmico interfere num ponto determinado e restringe a continuação do crescimento. A força não mais necessária para o crescimento fica disponível então para outros propósitos e é usada para construir a flor e a semente. De igual modo o corpo vital do homem quando o corpo denso fica sob sua preponderância, após os sete anos, faz o corpo denso crescer muito rapidamente, mas por volta dos quatorze anos o corpo de desejos individual nasce do útero do corpo de desejos macrocósmico e fica então livre para trabalhar sobre o corpo denso. O crescimento excessivo é então restringido e a força anteriormente usada para este propósito torna-se disponível para a propagação, para que a planta humana floresça e se multiplique. Portanto o nascimento do corpo de desejos pessoal marca o período da puberdade. Desse período em diante é sentida a atração pelo sexo oposto sendo especialmente ativa e desenfreada no terceiro período septenário da vida: dos quatorze aos vinte-e-um anos, porque a mente controladora ainda não nasceu. Vale lembrar que a assimilação e o crescimento dependem das forças operando pelo polo positivo do éter químico do corpo vital. Este é libertado no sétimo ano, junto com o equilíbrio do corpo vital. Só o éter químico está totalmente maduro por essa época; as outras partes necessitam de mais amadurecimento. No décimo quarto ano o éter de vida do corpo vital, que tem a ver com a propagação, acha-se completamente amadurecido. Durante o período dos sete aos quatorze anos de idade a excessiva assimilação armazenou uma quantidade de força que vai para ao órgãos sexuais e está pronta na ocasião em que o corpo de desejos é libertado.

Por volta do sétimo ano o corpo vital da criança alcançou suficiente perfeição para lhe permitir receber impactos do mundo exterior. Ela perde sua camada protetora de éter, e começa uma vida livre. E agora tem início a época em que o educador pode trabalhar sobre o corpo vital e ajuda-lo na formação da memória, da consciência, dos bons hábitos e de um temperamento harmonioso.

Autoridade e Discipulado são os lemas dessa época, quando a criança deve aprender o significado das coisas. Na primeira fase ela aprende como as coisas são, mas não deve ser incomodada sobre os seus significados, exceto naquilo que ela capta por livre vontade; mas na segunda fase, dos sete aos quatorze anos, é essencial que a criança aprenda o significado das coisas, mas deverá aprender a apanhá-las sob a autoridade dos pais e professores, memorizando as explicações, em vez de raciocinando por elas mesmas, pois raciocínio pertence a um desenvolvimento posterior, e pois deve fazê-lo de livre vontade, com proveito. É prejudicial nessa fase força-la a pensar.

Não se deve imaginar, entretanto, que quando o pequeno corpo de uma criança nasceu, está completo o processo do nascimento. O denso corpo físico tem a evolução mais longa, e como um sapateiro que trabalhou no seu ofício por muitos enos é mais especializado que um aprendiz e pode fazer melhores sapatos, e mais rápido, assim também o Espírito que construiu muitos corpos físicos os produz com mais rapidez, mas o corpo vital é uma aquisição mais tardia do ser humano. Portanto não estamos tão especializados na construção deste veículo. Consequentemente demora mais construí-lo a partir de materiais não consumidos na confecção do revestimento do arquétipo, e assim o corpo vital não nasce antes do sétimo ano.

Quando o corpo vital nasce na idade de sete anos, um período de crescimento tem início e um novo lema, ou uma relação preferencial, é estabelecida entre os pais e a criança. Isso tem que ser expresso em duas palavras Autoridade e Discipulado. Nesse período à criança é ensinada certas lições que a faz Ter fé na autoridade de seus educadores, quer em casa ou na escola, e como a memória é uma faculdade do corpo vital ele pode agora memorizar o que aprendeu.

É portanto eminentemente suscetível ao aprendizado, particularmente porque ela é sem preconceito às opiniões preconcebidas que são um obstáculo para que muitos de nós aceitem novos pontos de vista. No final desse segundo período, por cerca dos doze aos quatorze anos, o corpo vital está tão bem desenvolvido que a puberdade é alcançada.

As crianças que morrem antes dos sete anos só nascem no que diz respeito ao corpo físico e ao corpo vital e não são responsáveis ante a Lei de Conseqüência. Mesmo depois dos doze ou quatorze anos o corpo de desejos acha-se em processo de gestação, como será melhor explicado noutra ocasião. E, como o que ainda não despertou, não pode morrer, apenas os corpos denso e vital entram em decomposição quando uma criança morre. Ela retém seu corpo de desejos e a mente para o próximo nascimento. Portanto ela não percorre todo o caminho que o Ego normalmente faz num ciclo de vida, mas apenas ascende ao Primeiro Céu para aprender lições necessárias, e depois de esperar de um a vinte anos ela renasce, freqüentemente na mesma família como um filho mais novo.


 

PARTE III – O CORPO VITAL DOS ANIMAIS E DAS PLANTAS

 

Capítulo I

 

Natureza e Funções

 

Os animais e as plantas também possuem um corpo vital. Embora esse veículo falte ao mineral, a desintegração de duras rochas, etc, afeta o corpo vital da Terra.

 

Quando consideramos a planta, o animal e o homem em relação à Região Etérica notamos que cada um tem um corpo vital separado além de serem penetrados pelo éter planetário que forma a Região Etérica. Há entretanto, uma diferença entre os corpos vitais das plantas e os corpos vitais do animal e do homem. No corpo vital da planta só os éteres químico e de vida estão completamente ativos. Por isso a planta pode crescer pela ação do éter químico e propagar suas espécies através da atividade do éter de vida do corpo vital separado que ela possue. O éter luminoso acha-se presente, mas está parcialmente latente ou adormecido e o éter refletor está faltando. Então é evidente que as faculdades de percepção sensorial e memória, que são as qualidades desses éteres, não podem ser expressadas pelo reino vegetal.

Dirigindo nossa atenção para o corpo vital do animal vemos que nele os éteres químico, vital e luminoso acham-se dinamicamente ativos. Portanto o animal tem as faculdades de assimilação e crescimento, proporcionadas pelas atividades do éter químico e a faculdade de propagação através do éter de vida, sendo estas de igual modo que nas plantas. Além disso, em relação à ação do terceiro éter, o luminoso, ele tem a faculdade de gerar calor interior e gerar o sentido da percepção. O quarto éter, entretanto, acha-se inativo no animal, por isso ele não pode pensar nem possuir memória. O que aparece como tal, mais tarde será mostrado ser de uma natureza diferente.

O Ego separado está definitivamente segregado dentro do Espírito Universal na Região do Pensamento Abstrato. Isso demonstra que só o homem possui a cadeia completa de veículos correlacionando-o a todas as divisões dos três mundos. Ao animal falta um elo da cadeia: a mente; à planta faltam dois elos: a mente e o corpo de desejos; e ao mineral faltam três elos na cadeia de veículos necessários para que funcione de modo autoconsciente no Mundo Físico: a mente, e os corpos vital e de desejos.

Quando um animal está para nascer, o Espírito Grupo, ajudado pelos espíritos da natureza e os Anjos, moldam o corpo vital do animal que vai nascer, que é então depositado no útero da mãe e os átomos sementes são depositados no semem do macho; então ocorre a gestação e um animal nasce. Sem a presença do átomo semente e a matriz do corpo vital, o corpo denso do animal não pode ser formado. Condições similares governam a fecundação no caso de um ovo, ou de uma semente. Eles são como o óvulo da Fêmea: eles são inúmeras oportunidades. Se um ovo é colocado numa incubadora ou sob uma galinha, o Espírito Grupo envia a vida indispensável, aceitando a oportunidade de corporificação. Se uma semente é jogada no solo, é também fertilizada quando as condições adequadas forem conseguidas para o seu desenvolvimento, nunca antes. Quando um ovo é quebrado ou cozido ou de algum modo desqualificado para a sua designação primordial, ou quando uma semente é armazenada por anos talvez, não há vida, e consequentemente não agimos mal ao usarmos estes produtos como alimento. É até um benefício para as plantas quando os seus frutos maduros são arrancados, porque assim eles deixam de retirar desnecessáriamente a seiva da árvore.

O animal ainda não possui Espírito "individual", mas possue o chamado Espírito Grupo, que passa informação a todos os membros de uma espécie. Os animais em separado têm três corpos: um denso, um vital e um de desejos; mas não têm um elo da cadeia: a mente. Em consequência os animais normalmente não pensam, mas do mesmo modo que "induzimos" eletricidade num fio colocando-o junto a outro que se acha carregado, assim de forma análoga, quando em contato com o homem, algo semelhante ao pensamento está sendo "induzido" nos animais domésticos superiores como o cachorro, o cavalo e o elefante. Os outros animais obedecem ao estímulo ( ao que chamamos de instinto) do Espírito Grupo animal. Eles não vêm os objetos claramente delineados como o homem. Nas espécieis inferiores, a consciência animal se expressa cada vez mais numa "consciência - pictórica" interna, semelhante ao estado de sono do homem, exceto que seus quadros não são confusos mas transmitem perfeitamente para o animal os estímulos do Espírito-Grupo.

O Espírito animal atingiu na sua descida apenas o Mundo de Desejo. Ainda não evoluiu ao ponto de poder "entrar" num corpo denso. Por esse motivo o animal não tem um Espírito individual mas um Espírito Grupo, que o dirige de fora. O animal tem o corpo denso, o corpo vital, o corpo de desejos, mas o Espírito Grupo que o dirige está de fora. O corpo vital e o corpo de desejos de um animal não se acham inteiramente dentro do corpo denso, especialmente no que se diz respeito à cabeça. Por exemplo, a cabeça etérea de um cavalo se projeta bem além e acima da cabeça do corpo denso. Quando, como acontece em casos raros, a cabeça etérea de um cavalo entra na cabeça do corpo denso, esse cavalo pode aprender a ler, contar, e resolver exemplos de aritmética elementar. Essa peculiaridade é também devida ao fato de que cavalos, cães, gatos e outros animais domesticados sentem o Mundo do Desejo, embora nem sempre percebendo a diferença entre este e o Mundo Físico. O cavalo se assustará com a visão de uma figura invisível para o cocheiro; um gato fará movimentos de se esfregar em pernas invisíveis. O gato vê o espírito, entretanto, sem perceber que não existem pernas densas disponíveis para o atrito. O cão, mais esperto que o gato, e o cavalo, freqüentemente perceberá que há algo que ele não compreende na aparência de um dono morto cujas mãos ele não pode lamber. Vai latir num lamento e retirar-se para um canto com seu rabo entre as pernas.

Dr. Mc Dougall também pesou em suas balanças animais morrendo. Nesse caso não houve diminuição, embora um dos animais fôsse um enorme cão São Bernardo. Isso foi feito para demonstrar que os animais não possuem almas. Pouco tempo depois, entretanto, o Professor La V. Turning, chefe do Departamento de Ciência da Escola Politécnica de Los Angeles, fez experiências com ratos e gatinhos que ele encarcerou em vidros hermeticamente fechados. Suas balanças eram as mais sensíveis conseguidas e foram colocadas dentro de uma caixa de vidro da qual foi removida toda a umidade. Descobriu-se que todos os animais estudados perderam peso ao morrer. Um rato bem grande pesando 12,886 gramas, subitamente perdeu 3,1 miligramas ao morrer.

Um gatinho usado em outra experiência perdeu cem miligramas quando estava morrendo e no suspiro final subitamente perdeu mais sessenta miligramas. Após isso ele perdeu pêso lentamente, devido à evaporação.

Então os ensinamentos da ciência oculta no que se refere ao fato dos animais possuirem corpos vitais, estavam também comprovados quando balanças bem sensíveis eram usadas e no caso em que balanças menos sensíveis não acusaram diminuição no pêso do cão São Bernardo prova que os corpos vitais dos animais são proporcionalmente mais leves que no homem.

Os Anjos são particularmente ativos nos corpos vitais das plantas, porque o sopro de vida vivificando este reino começou sua evolução no Período Lunar, quando os Anjos eram humanos, e trabalhavam com as plantas como hoje trabalhamos com os nossos minerais. Há portanto uma afinidade específica entre os Anjos e o Espírito Grupo das plantas. Assim podemos explicar a enorme assimilação, crescimento e fecundidade das plantas. O homem também ficou enorme na Segunda Época, ou Hiperbórica, quando os Anjos tiveram então responsabilidade especial. Assim é com a criança em sua segunda setenária época de vida por que é quando os Anjos têm total influência, e no final dessa época, aos quatorze, a criança alcança a puberdade e está apta a reproduzir sua espécie; também devido ao trabalho dos Anjos.

Eles foram os modelos que extraíram de si mesmos o material denso para formar os corpos das plantas atuais e também as formas das plantas do passado, que estão incrustadas nas camadas geológicas de nosso Globo Terrestre.

Essas formas etéreas vegetais foram ajudadas em suas formações quando o calor veio do exterior, após a separação da Terra do Sol e da Lua. Esse calor deu-lhes a força vital para extrairem para elas próprias a substância mais densa.

O corpo vital é o princípio mais importante da planta é ele que faz a planta crescer caule e folhas em sucessão alternada, fazendo a planta crescer mais e mais; mas não há variedade, a planta segue repetindo o tempo todo. Caule, folha e galho - sempre a mesma coisa.

As plantas têm apenas um corpo denso e um corpo vital; daí não poderem sentir nem pensar. Elas não têm corpo de desejos nem mente, e assim um maior distanciamento existe entre a planta e seu Espírito Grupo do que entre o animal e seu Espírito Grupo; daí a consciência das plantas ser correspondentemente mais fraca, assemelhando-se ao nosso estado de sono sem sonho.

O mineral possui apenas o corpo denso. Faltam-lhe três ligações para conectá-lo com seu Espírito Grupo. Portanto ele é inerte e sua inconsciência assemelha-se à do corpo denso humano no estado de "transe" quando o Espírito humano, o Ego, passou correspondentemente além dele.

Como conclusão, notemos que os três mundos no qual vivemos não acham-se separados pelo espaço. Estão todos por aí, como a luz e a cor, encravados na matéria física; como as linhas de clivagem no mineral. Se deixarmos congelar um prato de água, e examiná-lo num microscópio, veremos os cristais de gêlo divididos uns dos outros por linhas. Elas estavam presentes na água embora sem serem vistas como linhas de força, invisíveis até que condições adequadas fizeram-nas aparecer. Então um mundo acha-se encerrado no próximo-superior, sem ser visto por nós até provermos as condições apropriadas; mas quando nos tivermos adaptados, a Natureza, que está sempre pronta a nos revelar suas maravilhas, expressa ardente alegria por todos aqueles que, como auxiliares na evolução, dessa forma alcançam a cidadania nos reinos invisíveis.

Como vimos na Conferência no. 3, as plantas têm um corpo denso e um corpo vital, que as capacitam a executar os seus trabalhos; suas consciências vimos também, eram tão profundas como somos sem sonhos. Assim é fácil para o Ego dominar as células vegetais e subjugá-las por longo tempo; daí o grande poder nutritivo dos vegetais.

Para funcionar em qualquer dos mundos e expressar as qualidades peculiares a cada um, precisamos primeiro possuir um veículo feito do material de cada mundo. Para funcionarmos no denso Mundo Físico precisamos possuir um corpo denso adaptado ao nosso meio ambiente. De outro modo seriamos fantasmas, como comumente são chamados e invisíveis para a maioria dos seres físicos. Portanto temos primeiro que ter um corpo vital para que possamos expressar vida, crescimento ou exteriorizar as demais qualidades da Região Etérea.

Quando examinamos os quatro reinos em relação à Região Etérica, vemos que o mineral não possui um corpo vital separado, e logo constatamos a razão dele não poder crescer, propagar-se ou mostrar vida consciente.

Como uma hipótese necessária para justificar outros fatos conhecidos, a ciência material sustenta que no sólido mais denso, assim como no gás mais rarefeito e tênue, não há dois átomos que se toquem; que há um invólucro de éter em cada átomo; e que os átomos no universo flutuam num oceano de éter. (N.T. –Esse conceito de éter prevaleceu na ciência oficial no início do século XX.).

Assim como a sensação nos animais e no homem é devida a seus corpos vitais serem separados, assim também a sensibilidade da Terra é particularmente ativa em sua sexta camada, que corresponde ao Mundo do Espírito de Vida. Para compreender o prazer que ela sente quando a rocha dura é desintegrada por processos de mineração, e a dor quando jazidas se acumulam, precisamos lembrar que a Terra é o corpo denso de um Grande Espírito, e para nos fornecer um ambiente no qual possamos viver e adquirir experiências, ela teve que cristalizar seu corpo na atual condição sólida.

O corpo vital da planta é composto por apenas dois éteres mais densos: o éter químico e o éter de vida, que possibilitam à planta crescer e propagar-se, mas faltam-lhe, os dois éteres superiores: o éter luminoso e o éter refletor. Por isso ela não tem sensação ou memória do que se passa à sua volta. Por esse motivo, a amputação de um ramo não será sentido pela planta, e no caso do rochedo que é dinamitado, só o éter químico acha-se presente, por isso os cristais nada sentem. Ainda estaria errado inferir que não há sentimento em ambos os casos; já que plantas e minerais não possuem veículos individuais de sentido, eles acham-se envoltos e interpenetrados pelos éteres e o Mundo do Desejo do planeta, e o Espírito Planetário sente tudo pelo mesmo princípio de que nosso dedo não pode sentir, por não possuir corpo de desejos individual, mas nós, os Espíritos internos que habitamos o corpo, sentimos qualquer corte sofrido pelo dedo. 


 

PARTE IV – A RELAÇÃO DO CORPO VITALCOM O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL

 

Capítulo I

 

Um Fator Importante

 

Para progredir espiritualmente, o homem precisa desenvolver mais ainda o seu corpo vital.

 

Estamos agora nos preparando para a rápida aproximação da Era de Aquário com seu grande desenvolvimento intelectual e espiritual. Isso requer um despertar do adormecido corpo vital, cuja palavra-chave é repetição.

O Ego tem vários instrumentos: um corpo denso, um corpo vital, um corpo de desejos, e u'a mente. Estas são as suas ferramentas e da qualidade e condição delas depende o quanto para mais ou para menos o Ego poderá realizar seu trabalho de colher experiência em cada vida. Se os instrumentos são pobres e apáticos vai haver pouco crescimento espiritual e a vida será improdutiva, no que diz respeito ao Espirito.

A vida superior (iniciação) não se inicia, entretanto, até que o trabalho no corpo vital tenha início. O meio usado para dar início a essa atividade é o amor, ou melhor, o altruismo. A palavra Amor tem sido tão deturpada que não tem mais o significado requerido aqui.

A segunda ajuda que agora a humanidade possui é a Religião do Filho, a religião Cristã, cujo objetivo é a união com o Cristo pela purificação e o controle do corpo vital.

Enquanto os veículos invisíveis, especialmente o corpo vital, estiverem adormecidos, o homem poderá seguir numa carreira materialista; mas uma vez que esses veículos sejam despertados e provem do pão da vida, é como o corpo físico, fica sujeito à fome, fome da alma, e seus anseios não serão negados a não ser após uma luta extremamente dura.

Tem sido dito aqui que a humanidade, pelo menos a maior parte dela, está trabalhando hoje em dia sobre seus corpos de desejos, e tentando refrear seus desejos através da lei. Quando o desenvolvimento oculto ocorrer, quando o homem tornar-se um pioneiro, será no corpo vital que se irá trabalhar. O corpo vital é particular e peculiarmente desenvolvido pela repetição.

É necessário educar e trabalhar o corpo vital de tal modo que ele possa ser usado em vôos da alma. Este veículo, como sabemos, é composto de quatro éteres. É através deste corpo que manipulamos o mais denso de todos os nossos veículos, o corpo físico, o qual normalmente imaginamos ser o homem completo. Os éteres químico e de vida formam u'a matriz para os nossos corpos físicos. Cada molécula do corpo físico acha-se encerrada numa rêde de éter que o permeia e o impregna de vida.

Através desses éteres as funções corporais, tais como respiração, etc., são executadas e a densidade e consistência dessas matrizes de eter determinam o estado de saúde. Mas a parte do corpo vital formada pelos dois éteres superiores, o éter luminoso e o éter refletor, é a que podemos chamar de corpo alma; quer dizer, ela é a que está mais intimamente ligada ao corpo de desejos e a mente e também a mais receptiva ao toque do Espírito do que acha-se a parte formada pelos dois éteres inferiores. O corpo alma é o veículo do intelecto, e responsável por tudo que faz do homem, um homem. Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., são devidos ao trabalho do Espírito nesses dois éteres superiores, que tornam-se mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e hábitos. Outro sim, do mesmo modo que o corpo denso assimila partículas de alimento e assim adquire carne, os dois éteres superiores assimilam nosso bem agir durante a vida e assim crescem em volume também.

De acordo com nossos feitos nessa vida atual aumentamos ou diminuimos desse modo a bagagem que trouxemos ao nascer. Se nascemos com um bom caracter, expresso nesses dois éteres superiores, não nos será fácil mudá-lo porque o corpo vital tornou-se muito, muito firme durante os miríades de anos em que o desenvolvemos. Por outro lado, se fomos frouxos, negligentes e indulgentes em relação aos hábitos que consideramos maus, se formamos um mau caracter em vidas anteriores, aí vai ser difícil superá-los porque isso estabeleceu a natureza do corpo vital, e anos de constante esforço serão precisos para mudar sua estrutura. É por isso que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico tem início no corpo vital.

Cada vez que prestamos serviço a alguém nós aumentamos o brilho de nosso corpo alma que são construídos de éter. É o éter de Cristo que atualmente movimenta o nosso globo, e é bom lembrar que desejamos um dia trabalhar pela Sua libertação, precisamos num número suficiente desenvolver nossos corpos alma ao ponto em que eles possam fazer a terra flutuar. Então poderemos carregar Seu fardo e libertá-Lo da dor da existência física.

Além do fato de que a Escola Oriental de Ocultismo baseia seus ensinamentos no Hinduismo, enquanto que a Escola de Sabedoria Ocidental esposa o Cristianismo, a religião do Ocidente, há uma grande, fundamental, irreconciliável discrepância entre os ensinamentos dos modernos representantes do Este e o dos Rosacruzes. De acordo com a versão do Ocultismo Oriental o corpo vital, que é chamado Linga Sharira , é comparativamente pouco importante, por ser ele incapaz de se desenvolver como um veículo de consciência. Serve somente como um canal para a força solar "prama", e como uma ligação entre o corpo físico e o corpo de desejos, que é chamado Kama Rupa, e também de "corpo astral". Este, eles dizem, é o veículo do Auxiliar Invisível.

A Escola da Sabedoria Ocidental ensina como sua máxima fundamental que todo desenvolvimento oculto começa com o corpo vital, e o autor, como seu representante público tem estado, por esse motivo, muito ocupado desde o início do nosso movimento tentando reunir e disseminar o conhecimento sobre os quatro éteres e o corpo vital. Muita informação foi dada no Conceito Rosacruz e nos livros que o sucederam, mas as lições e cartas mensais transmitem os resultados de nossas atuais pesquisas. Estamos constantemente exibindo este corpo vital ( vital em um duplo sentido) para as mentes dos estudantes para que aprendendo e pensando sobre ele assim como lendo e observando os "agradáveis pequenos sermões" que usamos para veicular essa informação, eles possam consciente e inconscientemente, tecer o Dourado Manto Nupcial. Advertiremos a todos que estudem essas lições cuidadosamente ano após ano; pode haver muito refugo, mas há ouro entre elas.

Temos aqui a descrição de como os estigmatas ou perfurações foram produzidas no Herói do Evangelho, embora as localizações não estejam perfeitamente descritas, e o processo esteja representando em forma de narrativa diferindo amplamente da maneira pela qual esses fatos realmente ocorreram. Mas deparamos aqui com um mistério que deve continuar secreto para o profano, embora os fatos místicos fundamentais estejam claros como o dia para aqueles que tem o conhecimento. O corpo físico não é de modo algum o homem verdadeiro. Tangível, sólido e pulsante de vida como o vemos, é realmente a parte mais morta do ser humano, cristalizado numa matriz de veículos superiores que são invisíveis à nossa visão física comum. Se colocamos uma bacia com água numa temperatura de congelamento, a água em pouco tempo vira gelo, e quando examinamos o gelo, descobrimos que é feito de inúmeros pequenos cristais em variadas formas geométricas e linhas de demarcação. Há linhas etéreas de forças que estão presentes na água antes dela congelar.

Assim como a água endureceu e moldou-se entre essas linhas, assim também os nossos corpos físicos congelaram e solidificaram em meio às linhas etéricas de força de nosso invisível corpo vital, que está assim no curso normal da vida, indissoluvelmente vinculado ao corpo físico, acordado ou adormecido, até que a morte traga a dissolução dessa amarra. Mas como a iniciação acarreta a libertação do homem real do corpo do pecado e da morte de modo a que ele possa se elevar às esferas mais sutis e retornar ao corpo se desejar, é óbvio que antes que isso aconteça, antes que o propósito da iniciação seja alcançado, o tenaz entrelaçamento entre o corpo físico e o veículo etéreo que é muito forte e rígido na humanidade comum, tem que ser dissolvido. Como eles estão mais fortemente unidos nas palmas das mãos, nos arcos dos pés, e na cabeça, as escolas ocultas concentram seus esforços em romper a conexão nesses três pontos, e produzir os estigmatas de modo invisível.

A Maçonaria Esotérica, que é apenas a capa da Ordem Mística formada pelos Filhos de Caim, tem nos tempos modernos atraído o elemento masculino e seus veículos físicos positivamente polarizados, e os educado na indústria e nas funções de Estado, controlando assim o desenvolvimento material do mundo. Os filhos de Seth, que constituem o clero, têm lançado seus encantos sobre os corpos vitais positivos do elemento feminino para dominarem o desenvolvimento espiritual. E, enquanto que os filhos de Caim, trabalhando através da Franco-Maçonaria e movimentos congêneres, tem brigado abertamente pelo poder temporal, o clero tem brigado estenuantemente e talvez de modo mais efetivo sub-repticiamente para reter seu domínio sobre o desenvolvimento espiritual do elemento feminino.

À medida que a humanidade avança na evolução, o corpo vital se torna mais permanentemente polarizado de maneira positiva, dando a ambos os sexos u'a maior aspiração de espiritualidade e embora mudemos do masculino para o feminino, em encarnações alternativas, a polaridade positiva do corpo vital está se tornando mais pronunciada independente do sexo. Isso explica a crescente tendência ao Altruismo que ainda está vindo à luz pelo sofrimento vinculado à grande guerra que estamos lutando agora (1918), pois todos concordam que as nações estão buscando obter uma paz duradoura onde as espadas possam ser transformadas em relhas de arado, e as lanças em podões.

Sabemos que nosso corpo denso gravita na direção do centro da Terra, portanto uma mudança precisa acontecer; além disso Paulo nos diz que carne e sangue não podem herdar o Reino dos Céus. Mas ele também chama a atenção de que temos um soma psuchicon (traduzido incorretamente por corpo natural), um corpo alma, e este é feito de éter, o qual é mais leve que o ar e porisso capaz de levitar. Isto é o Manto Dourado de Bodas, a Pedra Filosofal, ou a Pedra da Vida, mencionado em algumas filosofias antigas como a Alma de Diamante, por sua luminosidade, brilho e resplendor - uma gema de valor incalculável. Era também chamado de corpo astral pelos alquimistas medievais, por causa da habilidade por ele conferida ao que o possuía de poder transpor as regiões estreladas. Mas não se deve confundi-lo com o corpo de desejos que alguns pseudo-ocultistas modernos erroneamente chamam de corpo astral. Esse veículo, o corpo alma, irá posteriormente ser desenvolvido pelo total da humanidade, mas durante a mudança da Época Áriana para as condições etéreas da Nossa Galiléia, haverá pioneiros que antecederão seus irmãos assim como os Semitas Originais foram os precursores durante a mudança da Época Atlântica para a Ariana. Cristo mencionou esse grupo em Mateus, Capítulo XI, vers.12, quando disse: "O Reino dos Céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dêle". Esta não é uma tradução correta. Deveria ser, "O Reino dos Céus foi invadido" (em grego está biaxetai) ´e os invasores apoderaram-se dele". Os homens e as mulheres já aprenderam através de uma vida santa e útil a abandonar o corpo de carne e sangue, intermitente ou permanentemente, e a caminhar nos céus com pés alados, atentos aos trabalhos do seu Senhor, vestidos pelo manto etéreo de bodas da nova dispensação.

Repetição é a palavra-chave do corpo vital e o extrato do corpo vital é a Alma Intelectual, que é o alimento do Espírito de Vida, o verdadeiro Princípio Crístico no homem. Como o trabalho particular do Mundo Ocidental é desenvolver esse Princípio Crístico, para formar o Cristo interno que poderá brilhar através da escuridão material de atualmente, é absolutamente essencial à reiteração de idéias.

Um impacto muito pequeno é feito sobre o corpo vital quando idéias e ideais nele penetram através do invólucro da aura, mas o que ele recebe de estudos, sermões, conferências ou leituras é de natureza mais duradoura, e muitos impactos na mesma direção criam impressões poderosas para o bem ou para o mal segundo sua natureza.

Não podem ser obtidas informações dos Anjos; eles trabalham com o corpo denso, mas não diretamente; eles usam o corpo vital como transmissor, e não podem se fazer compreendidos por seres que raciocinam por meio de um cérebro. Eles obtém conhecimento sem raciocinar, pois irradiam todo o seu amor em sua obra e a sabedoria cósmica flui de volta. O homem também cria através do amor, mas seu amor é egoísta; ele ama por que deseja cooperação na reprodução; pois ele usa apenas metade de sua força criadora em procriação, a outra metade ele guarda egoisticamente para construir seu próprio órgão de raciocínio, o cérebro, e também usa essa metade de forma egoísta para pensar, porque deseja conhecimento. Por conseguinte ele tem que trabalhar e raciocinar para obter sabedoria, mas com o tempo ele atingirá um estágio muito mais elevado que os Anjos ou Arcanjos. Terá então superado a necessidade dos órgãos de procriação inferiores; ele criará através da laringe, e será capaz de "fazer da palavra, carne".

A razão é o produto do egoísmo. É criada pela mente recebida pelos "Poderes das trevas, num cérebro construído pelo egoísmo, guardando metade da força sexual, e impelido pelos Lucíferes egoístas, pois ela é "o fruto da serpente", e embora transmutada em sabedoria através da dor e o sofrimento, ela precisa dar lugar a algo mais elevado: a intuição, que significa ensinamento brotado de dentro. Esta é uma faculdade espiritual, também presente em todos os Espíritos, que embora funcionando no momento presente tanto em homens como em mulheres, se expressa de maneira mais marcante nos encarnados em corpos femininos, pois neles a contraparte do Espírito de Vida, o corpo vital, é masculino e positivo. Intuição, a faculdade do Espírito de Vida, pode portanto ser chamada apropriadamente de "semente da mulher", de onde todas as tendências altruísticas brotam, e por meio da qual todas as nações estão sendo lentamente mas firmemente trazidas juntas numa Fraternidade Universal do amor, não importando a raça, o sexo ou a cor.

O que é agora o corpo físico foi o primeiro veículo adquirido pelo homem como uma forma de pensamento; tem passado por um imenso período de evolução e organização até Ter se tornando no esplendido instrumento que é agora, servindo-o tão bem aqui; mas é resistente, rígido e difícil de ser trabalhado. O veículo adquirido em seguida foi o corpo vital, que também passou por um longo período de desenvolvimento e foi condensado à consistência de éter. O terceiro veículo, o corpo de desejos, foi comparativamente adquirido mais recentemente e acha-se num estado comparativo de fluxo. Por fim, vem a mente, que é apenas como uma nuvem sem forma, não merecendo ser chamada de veículo, sendo ainda apenas uma ligação entre os três veículos do homem e o Espírito.

Esses três veículos, o corpo físico, o corpo vital e o corpo de desejos, juntos com o vínculo da mente, são as ferramentas do Espírito em sua evolução, e, contrariamente à idéia comum, a habilidade do Espírito para investigar os reinos superiores não depende dos mais sutís desses corpos tanto quanto do mais denso. A prova dessa afirmação não está muito longe do alcance de qualquer um, e certamente, alguém que já tenha tentado seriamente, já obteve essa prova por si mesmo. Senão ele vai tê-la dentro em breve simplesmente mudando as condições de sua mente. Digamos que uma pessoa adquiriu certos hábitos de pensamento dos quais ela não goste. Talvez, após uma experiência religiosa, ela descubra que apesar de toda a sua vontade, esses hábitos de pensamento não vão abandoná-la. Mas, se ela decide limpar sua mente de maneira que ela só tenha puros e bons pensamentos, ela pode fazer isso simplesmente se recusando a admitir pensamentos impuros. Ela vai descobrir que após uma ou duas semanas sua mente está notadamente mais limpa que no começo de seu esforço; que sua mente guarda de preferência os pensamentos religiosos que a pessoa vem buscando gerar em sua mente. Até a mente mais anormalmente degenerada pode ser totalmente limpa dentro de poucos meses. Isto é conhecimento verdadeiro para os muitos que já o tentaram, e alguém que queira e for suficientemente persistente pode passar pela mesma experiência e apreciar u'a mente limpa em bem pouco tempo.

A parte do corpo vital que tenha sido trabalhada pelo Espírito de Vida, converte-se na Alma Intelectual, e esta constrói o Espírito de Vida, porque aquele aspecto do tríplice Espírito tem sua contraparte no corpo vital.

Na vida comum muitas pessoas vivem para comer, elas bebem, gratificam a paixão sexual de modo desenfreado, e se descontrolam à menor provocação. Embora aparentemente essas pessoas possam ser bem "respeitáveis", elas estão, quase todos os dias de suas vidas, causando uma confusão quase que ilimitada em sua estrutura. Todo o período que passam dormindo é gasto pelos corpos de desejos e vital na reparação do dano causado durante o dia, não sobrando, de nenhum modo, tempo para o trabalho exterior. Mas se o indivíduo começa a sentir a necessidade de uma vida superior, controla a força sexual e o temperamento, e cultiva uma disposição serena, assim menos perturbação é causada nos veículos durante as horas que passa acordado; consequentemente menos tempo é requerido durante o sono, para reparar os danos. Assim torna-se possível deixar o corpo denso por longos períodos durante as horas de sono, e funcionar nos mundos internos nos veículos superiores. Como o corpo de desejos e a mente não se acham ainda organizados, eles não são de utilidade como veículos separados da consciência. Nem pode o corpo vital deixar o corpo denso, pois isso causaria a morte. É evidente que medidas precisam ser tomadas para se proporcionar um veículo organizado, que seja fluído e construído de modo a preencher as necessidades do Ego nos mundos internos, como assim faz o corpo denso no Mundo Físico.

O corpo vital é um veículo tão organizado que se de algum modo puder vir a ser separado do corpo denso, sem provocar a morte, o problema poderá ser resolvido. Além disso, o corpo vital é a base da memória, sem a qual seria impossível trazer de volta à nossa consciência física as lembranças das experiências supra-físicas e delas obter, assim, total benefício.

Lembremos que os Hierofantes dos antigos Mistérios dos Templos segregaram algumas pessoas em castas e tribos como os Bramanes e Levitas, com o propósito de fornecer corpos para o uso desses Egos que já estavam avançados o bastante para a Iniciação. Isso foi feito de tal modo que o corpo vital ficou separado em duas partes, como eram os corpos de desejos de toda a humanidade no princípio do Período Terrestre. Quando o Hierofante tirou os alunos para fora de seus corpos, ele deixou uma parte do corpo vital, correspondente ao primeiro e segundo éteres, para exercer as funções puramente animais (elas são as únicas ativas durante o sono), o aluno levou consigo um veículo capaz de percepção, por causa de sua conexão com os centros sensoriais do corpo denso; e também capaz de memória. Ele possuía essas capacidades porque era composto pelo terceiro e quarto éteres, que são os meios de percepção sensorial e memória.

Essa é, de fato, a parte do corpo vital que o aspirante retém vida após vida, e imortaliza como a Alma Intelectual.

Desde que Cristo veio e "levou embora o pecado do mundo" (não o individual), purificando o corpo de desejos de nosso planeta, a conexão entre todos os corpos densos e vitais dos humanos tem se afrouxado de tal maneira que, pelo treinamento, eles são capazes de separação como acima descrita. Portanto a Iniciação é possível a todos.

A parte mais sutil do corpo de desejos, que constitui a Alma Emocional, é capaz de separação na maioria das pessoas ( de fato, elas possuíam esta capacidade antes mesmo da vinda de Cristo) É então quando, pela concentração e o uso da fórmula apropriada, as partes mais sutís dos veículos terem sido segregadas para uso durante o sono, ou em qualquer outra ocasião, as partes inferiores dos corpos de desejos e vital são ainda deixadas para executar o processo de restauração no veículo denso, uma parte meramente animal.

Esta parte do corpo vital que se retira é altamente organizada, como vimos. Ela é uma perfeita contra parte do corpo denso. O corpo de desejos e a mente, não sendo organizados, são de uso apenas por estarem conectados com o corpo denso altamente organizado. Quando estão separados dele são apenas pobres instrumentos. Portanto, antes que o homem possa retirar-se do corpo denso, os centros sensoriais do corpo de desejos precisam ser acordados.

O aspirante à vida superior cultiva a faculdade de se absorver, quando desejar, qualquer assunto de sua escolha, ou melhor não a um assunto normalmente, mas a um simples objeto, que ele imagine. Então, quando as condições apropriadas ou o ponto de absorção tenham sido alcançados com seus sentidos completamente serenos, ele concentra seu pensamento sobre os diferentes centros sensoriais do corpo de desejos e eles começam a girar.

Deveríamos ser muito agradecidos pelo instrumento material que temos, pois é o mais útil de todos os nossos veículos. Enquanto que é perfeitamente verdade que nosso corpo físico é o mais inferior de nossos veículos, é também um fato que esse veículo é o mais completo de nossos instrumentos, e sem ele os demais veículos seriam de pouco uso para nós no momento. Pois enquanto que este esplendidamente bem organizado instrumento nos possibilita enfrentar mil e uma condições na terra, nossos veículos superiores acham-se praticamente não organizados. O corpo vital é formado órgão a órgão como o nosso corpo denso, mas até estar treinado pelos exercícios esotéricos ele não é um instrumento adequado para funcionar sozinho. O corpo de desejos tem apenas um certo número de centros sensoriais que não são realmente ativos na grande maioria das pessoas, e quanto à mente, ela é uma nuvem sem forma para a grande maioria. No momento devemos ter como objetivo espiritualizar o instrumento físico, e deveríamos compreender que temos que treinar nosso veículos superiores antes que possam ser de utilidade. Para o maior número de pessoas isso vai levar muito, muito tempo. Portanto, o melhor é cumprirmos com as obrigações que estão ao nosso alcance. Assim apressamos o dia em que estaremos capacitados a usar os veículos superiores, pois esse dia depende de nós.

Todos nós nos tornamos muito mais impregnados de materialismo mais do que percebemos, e isso é um obstáculo em nossa conquista. Como estudantes da filosofia transcendental nos acostumamos a considerar a vida individual e intermitente num corpo etéreo como uma conquista possível para poucos, mas o total da humanidade poderá viver permanentemente por toda uma época no ar! Verdadeiramente, isso me faz prender o fôlego quando percebo que a Bíblia significa exatamente o que diz quando afirma que encontraremos o Senhor no ar e com Ele ficaremos por toda essa Época.

Quando o Cristianismo tiver completamente espiritualizado o corpo vital, um degrau ainda mais alto será a Religião do Pai, que como o mais alto Iniciado do Período de Saturno vai ajudar o homem a espiritualizar o corpo denso que foi iniciado no Período de Saturno. Então até a fraternidade será ultrapassada; não haverá nem eu nem vós, pois todos serão Unos em Deus conscientemente, e o homem terá se emancipado pela ajuda dos Anjos, Arcanjos e Poderes superiores.


 

Capítulo II

 

O Efeito das Orações, Rituais e Exercícios

 

Orações, rituais e exercícios são importantes na espiritualização do corpo vital.

 

Se, pelas orações freqüentes, obtivermos o perdão pelas injúrias que fizemos aos outros e se fizermos toda reparação possível, purificando nossos corpos vitais perdoando aqueles que erraram contra nós, e eliminarmos todo mau sentimento, nos livraremos de muitos infortúnios postmortem, além de prepararmos o lugar para a Irmandade Universal, que depende em particular da vitória do corpo vital sôbre o corpo de desejos. Em forma de memória, o corpo de desejos impressiona no corpo vital a idéia de vingança. Um temperamento sereno diante dos vários aborrecimentos da vida diária significa vitória, por isso o aspirante deve procurar controlar o seu temperamento , pois isso inclui trabalho em ambos os corpos. O Padre Nosso inclui isso também, pois quando vemos que estamos fazendo alguém sofrer, nós observamos e procuramos encontrar a causa. Perda de controle é uma dessas causas com origem no corpo de desejos.

Muitas pessoas abandonam a vida física com o mesmo temperamento que trouxeram, mas o aspirante tem que sistematicamente subjugar todas as tentativas do corpo de desejos de assumir o comando. Isso pode ser feito concentrando-se em ideais elevados, que fortalecem o corpo vital, sendo muito mais eficaz que as orações comuns da Igreja. Os cientistas ocultos usam concentração em vez da oração, porque aquela está acompanhada da ajuda da mente, que é fria e sem sentimento, enquanto que a oração é normalmente ditada pela emoção. Quando ditada por uma devoção pura e altruista a elevados ideais, a oração é muito superior a uma fria concentração. A oração nunca pode ser fria e sim deve apoiar-se nas asas do Amor para levar os eflúvios do místico para a Divindade.

O Espírito de Vida, na oração do Pai Nosso, roga à sua contraparte, o Filho, pela sua contraparte na natureza inferior, o corpo vital: "Perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido".

A oração que trata das necessidades do corpo vital é "Perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido".

O corpo vital é o assento da memória. Nela estão armazenados os registros subconscientes de todos os acontecimentos passados de nossa vida, bons ou maus, incluindo todos os sofrimentos infligidos ou sofridos, e os benefícios recebidos, ou os dados. Lembramos que o registro da vida é feito a partir dessas imagens logo após a saída do corpo denso por ocasião da morte, e que todos os sofrimentos da existência post-mortem são os resultados dos acontecimentos registrados nessas imagens.

O corpo vital sendo o depósito do panorama de nossas vidas, nossos próprios pecados e os erros que sofremos nas mãos dos outros lá estão gravados, daí que a Quinta oração, "Perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos quem nos tenha ofendido", anuncia as necessidades do corpo vital. Ressalta-se que essa oração ensina a doutrina da remissão dos pecados nas palavras, perdoa-nos , e a Lei de Conseqüência nas palavras, assim como perdoamos, fazendo da nossa própria atitude para com os outros a medida de nossa emancipação.

Esse (A Oração Rosacruz) é o modelo de oração que eleva, que enobrece o homem, e quanto mais o homem ou a mulher cultive essa atitude mental, e alimente essas elevadas aspirações, mais ele ou ela estará elevando os dois éteres superiores para fora do corpo vital. As igrejas dizem, "ore, ore, ore", e elas estão bem em sintonia com o ensinamento oculto, pois desse modo o corpo vital está sendo trabalhado pela constante repetição das elevadas aspirações.

É desse modo que age tudo aquilo que tem corpo vital; então quando queremos atuar sobre o corpo vital devemos fazê-lo pelo método da repetição. Temos os quatro éteres presentes no corpo vital, e os dois éteres inferiores cuidam das funções físicas, como nos lembramos em particular da conferência sobre Visão e Introvisão Espiritual. Vimos nela que os dois éteres superiores tinham que ser levados conosco quando queríamos funcionar nos mundos superiores; e é esse repetido impacto que torna a divisão entre os dois éteres inferiores e os dois superiores possível. É nesse aspecto que as igrejas são ainda fatores do desenvolvimento espiritual, porque elas dizem aos devotos que eles têm que orar sem cessar. Mas não devemos orar de modo egoísta, temos que orar altruisticamente, e em harmonia com o Bem Universal. Quando rezamos para chover e nosso vizinho reza pela estiagem, tem que prevalecer o caos, se as orações forem atendidas. Nem devemos supor que seja para se negociar com Deus, como parece ser a concepção daqueles que bradam mais alto nas reuniões de oração. Existe uma certa atitude espiritual a ser alcançada que o místico conhece muito bem quando ele entra em seus aposentos.

A lei é um freio para a natureza de desejos, mas quando o progresso oculto ou melhor dizendo, o espiritual é almejado, a espiritualização do corpo vital deve ser também realizada. E isso é conseguido através da arte da religião, em impactos repetidos com freqüência, pois a nota chave do corpo vital é repetição, como podemos ver observando as plantas que possuem apenas um corpo denso e um corpo vital. Seus galhos e folhas seguem uns aos outros em sucessão contínua; as plantas fazem-nos crescer alternadamente. Foi o corpo vital que construiu as vértebras da coluna espinhal dos homens uma após a outra em constante repetição. E a memória, por exemplo, que é uma das faculdades do corpo vital, é fortalecida e desenvolvida pela iteração e reiteração constantes.

Quando os Protestantes saíram da Igreja Católica eles em verdade deixaram muitos abusos para trás, mas também abandonaram quase tudo de valor. Eles abandonaram o ritual que todos deviam conhecer e compreender apesar da má enunciação por parte do padre. Conhecendo o ritual, o leigo poderia enviar seus pensamentos na mesma direção do pensamento do padre que tivesse lendo, e assim uma enorme quantidade de pensamentos espirituais idênticos seriam reunidos juntos e projetados sobre a comunidade para bem ou para mal.

Aqueles que vão a uma igreja Católica compreendendo o ritual são ainda hoje capazes de unir seus pensamentos em conclave espiritual e guardar na memória o que se passou. Então eles estão a todo momento adicionando um pouco mais à espiritualização de seus corpos vitais, enquanto que os membros da igreja Protestante foram afetados apenas em suas naturezas emocionais cujo efeito é logo perdido. A Bíblia nos diz para orarmos sem cessar, e muitos escarneceram dizendo que se Deus é omnisciente Ele sabe do que necessitamos sem orarmos, e se Ele não o é, provavelmente não é onipotente, e por esse motivo nossas orações não serão atendidas, sendo então inútil orar. Mas aquele mandamento foi estabelecido a partir do conhecimento da natureza do corpo vital, que necessita daquela repetição para que seja espiritualizado.

Antes de um ritual atingir seu efeito máximo, entretanto, aqueles que desse modo se destinam a crescer, precisam tornar-se afinados com ele. Isso envolve trabalho em seus corpos vitais enquanto esses veículos estão ainda em formação.

É assunto de conhecimento oculto que o nascimento é um feito quádruplo, e que o nascimento do corpo físico é apenas um passo no processo. O corpo vital também passa por um desenvolvimento análogo ao do crescimento intra-uterino do corpo denso. Ele nasce em torno do sétimo ano da vida. Durante os sete anos seguintes o corpo de desejos amadurece e nasce em torno do décimo quarto ano, quando se atinge a adolescência, e a mente nasce aos vinte e um quando tem início a idade adulta.

Esses fatos ocultos são bem conhecidos pela Hierarquia Católica, e enquanto os ministros Protestantes trabalham sobre a natureza emocional, que está sempre procurando algo novo e sensacional sem perceber a inutilidade da luta e o fato de que é esse seu veículo mais exuberante que leva as pessoas das igrejas em busca de algo novo e mais sensacional, a Hierarquia Católica ocultamente informada concentra seus esforços nas crianças. "Dê-nos as crianças até sete anos e serão nossas para sempre", eles dizem, e eles estão certos. Durante esses importantes sete anos eles impregnam os plásticos corpos vitais de que estão encarregados nesse propósito através da repetição. As orações repetidas, a duração e o tom dos vários cantos, e o incenso, tudo tem um poderoso efeito sobre o corpo vital em crescimento.

Então todos os esforços para elevar a humanidade trabalhando-se sobre o instável corpo de desejos, são e sempre serão inúteis. Isso foi reconhecido por todas as escolas ocultas em todos os tempos e elas têm portanto se dirigido para a mudança do corpo vital trabalhando com sua nota chave que é a repetição. Para esse propósito, elas escreveram vários rituais adequados à humanidade nos diferentes estágios de seu desenvolvimento e desse modo elas têm favorecido o crescimento anímico, lenta mas firmemente, sem se importar se o homem estava ou não ciente de estar sendo influenciado desse modo. O Antigo Templo de Mistério Atlante, do qual falamos no Tabernáculo do Deserto, tinha certos ritos prescritos no Monte pela divina hierarquia que foi seu Mestre particular. Alguns rituais eram realizados durante os dias úteis. Outros ritos eram usados no Sábado, e ainda outros nas épocas de lua nova e nos grandes festivais solares. Ninguém abaixo do mais alto sacerdote tinha poder de alterar o ritual sob pena de punição por morte.

Durante o sono as correntes do corpo de desejos fluem, e seus vórtices movem-se e giram com enorme rapidez. Mas logo que entra no corpo denso suas correntes e vórtices quase que são parados pela matéria densa e pelas correntes nervosas do corpo vital que levam e trazem as mensagens do cérebro. É o objetivo do exercício de retrospecção aquietar o corpo denso no mesmo grau de inércia e insensibilidade que prevalece durante o sono, embora o Espírito interno esteja perfeitamente desperto, alerta e consciente. Por isso estabelecemos uma condição onde os centros sensoriais do corpo de desejos podem começar a girar enquanto permanecem dentro do corpo denso.

Esses exercícios (concentração e retrospecção) serão improdutivos em resultados se não forem acompanhados por atos de amor, pois o amor será a nota-chave da idade que se aproxima assim como a lei é a norma atual. A intensa expressão da primeira qualidade aumenta a luminosidade fosforescente e a densidade dos éteres em nossos corpos vitais, as correntes de fogo rompem a ligação com o traje mortal e o homem, uma vez nascido da água ao emergir da Atlântida, agora nasce do espírito no reino de Deus. A força dinâmica de seu amor abriu um caminho para a terra do amor, e indescritível é o júbilo entre os que já se encontram quando chegam novos invasores, pois cada um que chega apressa a vinda do Senhor e o estabelecimento definitivo do Reino dos Céus.

É uma máxima mística que "todo desenvolvimento espiritual começa com o corpo vital". Esse corpo é o mais próximo ao corpo denso em densidade. Sua nota-chave é a repetição, e é o veículo dos hábitos sendo isso de certo modo difícil mudá-lo ou influenciá-lo, mas uma vez que a mudança tenha sido feita e um hábito adquirido pela repetição, seu desempenho torna-se automático de algum modo. Essa característica tanto é boa quanto má em relação à oração, pois a impressão gravada nos éteres desse veículo vai impelir o estudante a ser fiel à sua devoção em ocasiões estabelecidas, mesmo que ele tenha perdido o interesse no exercício e suas orações se tornado meras fórmulas. Se não fosse por essa tendência do corpo vital de formar hábitos, os aspirantes acordariam para o perigo logo que o verdadeiro amor começasse a diminuir e seria então mais fácil reparar a perda e permanecer no Caminho. Por esse motivo o aspirante deveria se examinar cuidadosamente de tempos em tempos para ver se ele ainda tem asas e poder com os quais sem hesitação e com firmeza possa se elevar ao Pai no Céu. As asas são em número de duas. Amor e Aspiração são seus nomes, e o poder irresistível que as impele é intensa ânsia. Sem esses e uma compreensão inteligente para direcionar a invocação, a oração é apenas um murmúrio; se realizada apropriadamente é o método mais poderoso de crescimento da alma.

Os átomos nos corpos dos menos evoluídos vibram num ritmo extremamente lento, e quando no decorrer do tempo, uma dessas pessoas se desenvolve ao ponto em que seja possível favorecê-la no caminho da realização, é necessário aumentar essa freqüência vibratória do átomo de modo que o corpo vital, que é o meio do crescimento oculto possa de algum modo ser liberado das forças enfraquecedoras do átomo físico. Esse resultado é obtido através de exercícios respiratórios, que com o tempo aceleram as vibrações do átomo, e possibilita o crescimento espiritual necessário para o indivíduo realizar-se.

Anos atrás, quando o autor se iniciou no Caminho e estava imbuído da impaciência comum aos buscadores ardentes do conhecimento ele leu sobre os exercícios respiratórios publicados por Swami Vivekananda e começou a seguir as instruções, e o resultado foi que depois de dois dias o corpo vital foi expulso do corpo físico. Isso produziu uma sensação de andar no ar de ser incapaz de pôr os pés no chão duro; o corpo todo parecia estar vibrando em enorme freqüência. O bom senso veio em seu auxílio. Os exercícios foram interrompidos, mas foram necessários duas semanas inteiras até a recuperação da condição normal de andar na chão com passo firma, e até o cessar das vibrações anormais.

O corpo vital é como um espelho, ou melhor, como a película de um filme; ele retrata as imagens do mundo externo segundo nossa faculdade de observação, e as idéias internas do Espírito que o habita segundo a clareza e o treino da mente. Devoção e discernimento, ou ainda emoção e intelecto, determinam a nossa atitude para com essas imagens, e sua ação equilibrada leva a um desenvolvimento harmonioso. Quando suficientemente desenvolvidos, eles inevitavelmente trazem à tona o processo de purificação. O homem compreenderá que para alcançar o objetivo ele precisa abandonar tudo o que entrava as rodas do progresso. Um bom mecânico almeja ter as melhores ferramentas e mantê-las em perfeita ordem, pois ele sabe o valor delas na execução de um bom trabalho. Nossos corpos são ferramentas do espírito e dependendo de como estejam desajustadas, impedem sua manifestação. O discernimento nos ensina o que está entravando o progresso e a devoção a uma vida superior ajuda a eliminar os hábitos os traços de caracter indesejáveis, suplantando o mero desejo.


 

Capítulo III

 

Iniciação Antiga

 

Em épocas antigas, certas cerimonias eram realizadas nos templos para a efetivação da separação do corpo vital.

 

Nos antigos Templos de Mistério as principais verdades ensinadas agora pela Fraternidade Rosacruz, com respeito ao corpo vital, eram dadas ao aspirante à iniciação. Ele aprendia que esse veículo era composto, de quatro éteres: o éter químico, que é necessário para a assimilação; o éter de vida, que promove o crescimento e a propagação; o éter luminoso, que é veículo da percepção pelos sentidos; e o éter refletor, que é o receptáculo da memória.

O aspirante era totalmente instruído nas funções dos dois éteres inferiores comparando-as com as dois superiores. Ele sabia que todas as funções do corpo exclusivamente animal dependiam da densidade dos dois éteres inferiores e que os dois éteres superiores compunham o corpo alma: o veículo do serviço no mundo invisível. Ele aspirava cultivar esse glorioso traje pela auto-abnegação, refreando as tendências da natureza inferior pela força de vontade, exatamente da maneira como fazemos hoje. Mas, alguns que eram superzelosos em progredir, não importasse como, esqueciam que é somente pelo serviço e o altruismo que o Manto Dourado de Bodas, composto pelos dois éteres superiores, cresce. Eles pensavam que a máxima oculta: "Ouro no crisol, escória no fogo; leve como o vento, cada vez mais elevado", significava apenas que conquanto a escória da natureza inferior fosse expelida, não importava como isso fosse feito. E eles raciocinavam que, como o eter químico é o agente da assimilação, poderia ser eliminado do corpo vital deixando faminto o corpo físico. Também pensavam que como o eter de vida é o caminho da propagação, eles poderiam, vivendo no celibato, anula-lo. Eles teriam apenas os dois éteres superiores, ou pelo menos estes estariam muito mais volumosos que os dois inferiores.

Para esse propósito eles praticavam todo tipo de austeridade que pudessem imaginar, incluindo o jejum entre outras. Por esse processo anti-natural o corpo perdia a saúde e tornava-se emaciado. A natureza passional, que buscava gratificação pelo exercício da função propagadora, era apaziguada pelo castigo. É verdade que desse modo horrível a natureza inferior parecia estar subjugada; e também é verdade que quando as funções físicas eram levadas a um fluxo muito baixo, visões ou melhor alucinações, eram a recompensa dessas pessoas; mas a verdadeira espiritualidade nunca foi atingida pela profanação ou destruição do "Templo de Deus", o corpo. E o jejum pode ser tão imoral quanto a gula.

Não há dúvida quanto ao poder da água benta preparada por uma personalidade forte e magnética. Ela incorpora ou absorve os eflúvios de seu corpo vital e a pessoa que a usa torna-se receptiva ao seu poder num grau compatível com sua sensibilidade. Consequentemente os lavabos de Bronze dos Templos de Mistério da Antiga Atlântida, onde a água era magnetizada pelas divinas Hierarquias de imensurável poder, eram um poderoso fator na tarefa de guiar as pessoas de acordo com os desejos desses poderes controladores. Então os padres viviam em perfeita submissão aos mandos e ditames de seus líderes espirituais invisíveis, e através deles as pessoas eram forçadas a obedecer cegamente. Requeria-se aos padres que lavassem pés e mãos antes de irem ao Tabernáculo adequado. Se essa ordem não fosse obedecida, a morte viria ligo em seguida para o padre que entrasse no Tabernáculo. Podemos dizer portanto que embora a palavra chave do Altar de Bronze fosse "justificação", a idéia central do lavabo de Bronze era "consagração".

Quando a morte chegou, o rosto de Moisés brilhou e o corpo de Buda iluminou-se. Ambos alcançaram o estágio em que o Espírito começa a brilhar de seu interior; então eles morreram.

O Espírito de Raça tratou certas seitas de modo especial, por exemplo os Levitas entre os Judeus, que foram especialmente destinados para o sacerdócio e eram agregados em volta dos templos. Eles eram especialmente educados para serem precursores e professores de seus irmãos. O sistema de acasalamento ou regulamento da vida sexual desses protegidos especiais produziu uma conexão mais frouxa entre o corpo vital e o corpo denso que era necessária para que ocorresse a iniciação e ajudasse o homem a progredir. Enquanto o Espírito de Raça trabalhou conosco estávamos sob a lei, estávamos apenas superando a influência do corpo de desejos. Portanto, Paulo está certo quando diz que a lei vai até Cristo, não até a vinda de Cristo 2000 anos atrás, mas "até Cristo se formar em você". Quando nos libertamos da escravidão do corpo de desejos e nos entregamos às vibrações do corpo vital, nos tornamos imbuídos pelo Espírito de Cristo. Somente então estaremos acima do conceito de nacionalidade, o princípio separatista. Então seremos capazes de sermos todos irmãos.

Quando Parsifal começou a ir com Gurnemauz ao Castelo do Graal, ele perguntou: "Quem é o Graal?" "Isso não podemos dizer, mas se vós tivésseis dele recebido as boas vindas, De vós a verdade não continuaria oculta. A busca só faz afastar-se dele, cada vez mais amplamente, Quando Ele próprio não é seu guia". Isso significa que nos tempos antigos, em época antes da vinda de Cristo, só alguns escolhidos poderiam seguir o caminho da iniciação. Ninguém poderia procurar o caminho, ninguém poderia ir além do ponto onde se encontrava o resto da humanidade, exceto alguns escolhidos, tais como os sacerdotes e os Levitas. Eles eram levados para os templos e lá se reuniam. De certo modo eles se casavam entre si. Alguns eram postos juntos com um propósito preconcebido, a saber, para que pudessem desenvolver a adequada frouxidão entre o corpo vital e o corpo denso necessária a iniciação. A separação tem que ocorrer para que possamos elevar os dois éteres superiores e deixar os outros dois. Isso não poderia ser feito com o comum da humanidade. Ela estava ainda muito subjugada ao corpo de desejos. Teve que esperar por uma ocasião posterior.

Como o éter é o veículo das forças criadoras vitais, e os Anjos são especialistas na construção do éter, podemos prontamente compreender que eles estão plenamente capacitados a serem guardiães das forças reprodutoras na planta, no animal e no homem. Por toda a Bíblia os encontramos assim empenhados: Dois Anjos vieram a Abraão e anunciaram o nascimento de Isaac, eles prometeram um filho para o homem que havia obedecido a Deus. Mais adiante esses mesmos Anjos destruíram Sodoma por causa do abuso das forças criadoras. Anjos anunciaram aos pais de Samuel e Sansão o nascimento desses gigantes de inteligência e força física. Para Isabel veio o Anjo (não um Arcanjo) Gabriel que anunciou o nascimento de João. Mais tarde ele apareceu também para Maria com a mensagem que ela havia sido escolhida para gerar Jesus.


 

Capítulo IV

 

Desenvolvimento Positivo e Negativo

 

O desenvolvimento espiritual pode ser positivo, como o dos Adeptos Iniciados e Auxiliares Invisíveis; ou negativo, como nos casos de mediunidade.

 

O corpo vital de cada Iniciado está sempre positivamente polarizado e isso o torna um instrumento mais receptivo às vibrações advindas do Espírito de Vida, cuja contra parte é o corpo vital.

Pergunta-se às vezes porque os Iniciados são sempre homens. Eles não o são; nos graus inferiores há muitas mulheres, mas quando um Iniciado está capacitado a escolher seu sexo, normalmente ele toma um corpo positivo masculino. A vida que o trouxe à iniciação espiritualizou o seu corpo vital e tornou-se positivo sob todas as condições, por isso ele possue um instrumento da mais alta eficiência.

Há mulheres Iniciadas, e algumas vezes até os Iniciados dos Grandes Mistérios assumem um corpo feminino por causa de um trabalho especial que desejam realizar. É verdade, porém, que aqueles que avançaram muito e por isso podem escolher a respeito do sexo, normalmente preferem um corpo masculino, e não está difícil de se saber por que. A mulher tem um corpo vital positivo mas um corpo denso negativo e, portanto, está de certa forma em desvantagem no mundo tal como atualmente organizado. Lutando pelos mais altos ideais e vivendo a vida superior, nós espiritualizamos o corpo vital e o transmutamos em alma que é sempre positiva, um poder utilizável independendo do sexo. E quando o Iniciado veste um corpo masculino também, ele é totalmente positivo no Mundo Físico e tem mais chance de progredir que se usando um veículo feminino.

Por isso quando alguém se alimenta de carne tem que se abastecer seu suprimento alimentar freqüentemente; tal alimento seria, portanto, inadequado na construção de um corpo que tem que esperar por um certo tempo para o Adepto nele entrar. Alimentação constando de legumes, frutas, nozes, principalmente quando maduros e frescos, é interpenetrada por grande quantidade do eter que compõe o corpo vital da planta. Esses são muito mais fáceis de serem subjugados e incorporados à constituição do corpo, de mais eles permanecem muito mais tempo lá antes que a célula vital individual possa se ajustar. Portanto o Adepto que deseje construir um corpo pronto para usar antes de deixar o antigo, naturalmente o constroi com legumes frescos, frutas e nozes, trazendo-os para seu corpo do qual faz uso diariamente, quando então tornam-se subjugados à sua vontade, uma parte de si mesmo.

No tocante ao efeito, sob o ponto de vista oculto, dessa polarização, podemos aprender muito com certos costumes das assim chamadas sociedades secretas. Como se sabe, tais organizações colocam sempre na porta um guarda com as instruções de vedar a entrada a todos que não souberem a senha e sinais adequados; que operam muito bem até onde estão envolvidos os que funcionam apenas em seus corpos físicos. Mas os assim chamados segredos dessas organizações não são de modo algum segredos para aqueles capazes de entrar em seus locais de reunião em seus corpos vitais. É assim também numa ordem esotérica verdadeira como, por exemplo a dos Rosacruzes. Não há um guarda de serviço à porta do Templo quando a Missa Mística da Meia-Noite se realiza todas as noites da semana. A porta está totalmente aberta para todos que aprenderam a pronunciar a palavra mágica de acesso. Mas essa não é uma senha falada, o iniciado que deseja participar deve saber como sintonizar seu corpo alma com o ritmo próprio de vibração sustentado naquela noite. Além disso, essa vibração difere nas diversas noites da semana por isso os que aprenderam a sintonizar-se com a vibração mantida na noite de Sábado quando o primeiro grau se reúne são efetivamente impedidos de entrar no templo com aqueles que se ocupam do trabalho no domingo, na segunda, na terça, etc., como qualquer pessoa comum seria.

Por isso que, ´A Senda da Preparação" precede "O caminho da Iniciação". Persistência, Devoção, Observação e Discernimento, são os meios de realização, pois por esses meios é sensibilizado o corpo vital. Pela persistência e devoção os éteres químico e de vida, tornam-se capazes de tomar conta das funções vitais, no corpo denso durante o sono. Uma separação acontece entre esses dois éteres e os dois superiores, o éter luminoso e o éter refletor. Quando os dois últimos estiverem suficientemente espiritualizados pela observação e discernimento, a simples fórmula dada pelo Mestre capacitará o discípulo a faze-los saírem com seus corpos superiores de acordo com a sua vontade. Ele estará então equipado com um veículo de percepção sensorial e memória. Qualquer que seja o conhecimento que ele possua no mundo material vai então estar disponível nos reinos espirituais, e ele trará de volta ao cérebro físico as memórias de sua experiência quando fora do corpo denso. Isso é necessário para que possa funcionar fora do corpo denso com plena consciência tanto do mundo físico como do Mundo do Desejo, pois o corpo de desejos não se acha ainda organizado, e se o corpo vital não deixasse sua impressão no corpo de desejos pela morte, não poderíamos ter consciência no Mundo do Desejo durante a existência post-mortem.

Há vários graus de visão espiritual. Um grau possibilita o homem a ver o éter ordinariamente invisível e os miríades de seres que habitam esse reino. Outras e superiores variantes dão-lhe a faculdade de ver o Mundo do Desejo e até o Mundo do Pensamento enquanto permanece no corpo físico.

Mas essas faculdades, embora de valor quando exercitadas sob total controle da vontade do homem, não são suficientes para a leitura da "Memória da Natureza" com acuidade absoluta. Para fazê-lo e fazer as investigações necessárias para que se possa compreender como a "Teia do Destino" é feita e desfeita, é necessário que se seja capaz de sair do corpo físico por vontade própria e funcionar fora dele nesse corpo alma do qual falamos, composto dos dois éteres superiores, investido também do corpo de desejos e da mente. Então o investigador acha-se em total posse de todas as suas faculdades, ele sabe o que sabia no Mundo Físico, e tem a habilidade de trazer de volta à consciência física o que ele aprendeu quando fora. Quando ele tiver essa habilidade ele precisará aprender a se equilibrar, a compreender o que ele vê fora, pois grave isso: não é o bastante poder sair do corpo para um outro mundo e ver o que há lá; por esse fato nós não nos tornamos mais omniscientes, do mesmo modo que não o somos para compreender para que tudo é usado e como tudo opera aqui no Mundo Físico, simplesmente porque vivemos aqui dia a dia, ano a ano. Requer-se estudo e dedicação para que se esteja completamente familiarizado com os fatos do mundo invisível assim como com os fatos do mundo em que estamos agora vivendo em nossos corpos físicos. Portanto o livro "Memória da Natureza", não é facilmente lido na primeira tentativa, nem na segunda, pois como uma criança leva tempo para aprender como ler nossos livros comuns, assim também, requer-se tempo e esforço para se decifrar esse maravilhoso pergaminho.

Aqueles que possuem a verdadeira espiritualidade não se sentem salvos um dia, no sétimo céu de êxtase, e no outro deprimidos e sentindo-se pecadores infelizes que jamais poderão ser perdoados; pois sua religião não esta baseada na natureza emocional que sente essas coisas, mas fundamenta-se no corpo vital que é o veículo da razão, estabelecido e persistente no caminho que um dia foi escolhido. Como novas formas são propagadas através do segundo éter do corpo vital, o Eu superior, o Cristo Interno, se forma através desse mesmo veículo de reprodução o corpo vital, em seus aspectos mais elevados, corporificados nos dois éteres superiores.

Mas como uma criança que nasce no mundo necessita ser nutrida, assim também o Cristo que nasceu no interior é um bebê e precisa ser alimentado até à maturidade. Como o corpo físico cresce pela assimilação continuada de matéria da Região Química, sólidos, líquidos e gases, assim também, enquanto o Cristo se desenvolve, os dois éteres superiores também crescem em volume e formam uma nuvem luminosa em volta do homem ou da mulher suficientemente perspicaz para direcionar sua face para o céu; o peregrino ficará investido de luz tão brilhante que ele caminhará na luz, verdadeiramente. Pelos exercícios dados na Escola Ocidental de Mistério dos Rosacruzes, torna-se com o tempo possível separar os dois éteres superiores, e o homem pode então sair de seu corpo físico, deixando-o por algum tempo investido e vitalizado apenas pelos éteres inferiores; ele é então o que chamamos de um Auxiliar Invisível.

Você se recordará que Cristo não deu a taça para a multidão mas para os Seus discípulos que eram Seus mensageiros e servos da Cruz. Atualmente os que bebem da taça da auto-abnegação, cuja força eles podem usar no serviço ao próximo, estão construindo um órgão (um órgão etéreo na garganta e na cabeça) junto com o corpo alma que é o Traje de Bodas. Estão aprendendo a usar esse órgão de um modo incipiente como Auxiliares Invisíveis quando se encontram fora de seus corpos à noite, que é quando são ensinados a pronunciar a palavra do poder que remove doenças e constrói tecidos saudáveis.

Há uma outra classe de pessoas que têm a conexão entre o corpo denso e o corpo vital um pouco débil, daí o éter de seus corpos vitais vibrar numa amplitude mais elevada que o da primeira classe mencionada. Essas pessoas são portanto, de certo modo, sensíveis ao mundo espiritual.

Essa classe de sensitivos pode ser sub-dividida. Alguns são fracos de caráter, dominados por outros de um modo negativo, como os médiuns, que são as vítimas dos Espíritos desencarnados desejosos de adquirir um corpo físico após haverem perdido os seus pela morte.

A outra classe de sensitivos têm forte caráter positivo, agindo sempre de dentro, de acordo com a sua vontade Eles podem se desenvolver em clarividentes treinados, e ser seus próprios mestres em vez de escravos de um Espírito desencarnado. Em alguns sensitivos de ambas as classes é possível extrair parte do eter que forma o corpo vital. Quando um Espírito desencarnado consegue uma pessoa dessa natureza, ele desenvolve o sensitivo num médium materializador. O homem que é capaz de extrair o seu próprio corpo vital pela sua vontade, torna-se um cidadão de dois mundos, livre e independente. Esses são comumente conhecidos como Auxiliares Invisíveis.

Nenhum Espírito pode trabalhar em qualquer mundo sem um veículo feito do material desse mundo. Para funcionar no Mundo Físico, para ir buscar e carregar, precisamos ter um corpo denso e um corpo vital; ambos são feitos de vários graus de matéria física: sólidos, líquidos, gases e éter. Podemos obter tais veículos de modo normal, por meio do útero para nascer, ou podemos extrair éter do corpo de um médium e temporariamente usá-lo para materialização, ou podemos usar a queima de incenso.

O vestígio do corpo vital de um hipnotista é também o armazém para se guardar ordens a serem obedecidas no futuro, envolvendo a execução de certo ato, em determinado dia, em determinada hora. Quando chega o momento o impulso solta-se como a mola de um despertador, e a última pode executar o comando, mesmo que seja para assassinar, embora não tenha a menor idéia de estar sendo influenciada por outrem. Portanto, o hipnotismo é o maior crime na terra e o maior perigo para a sociedade.

Argumenta-se às vezes que o hipnotismo poderia ser usado para o bem, para a cura do alcoolismo e outros vícios. Prontamente se admite que, visto apenas do ponto de vista material, isso parece ser verdade. Mas do ponto de vista da ciência oculta isso é bem diferente. Como todos os outros desejos, o forte desejo por bebidas alcoólicas reside no corpo de desejos, e é obrigação do Ego dominá-lo pelo poder da vontade. É por isso que estamos na chamada escola da vida, para ganharmos experiências. Nenhuma outra pessoa pode nos fazer crescer moralmente, do mesmo modo que ninguém pode digerir uma refeição por outrem. A Natureza não pode ser enganada; cada um tem que resolver seus próprios problemas, superar suas próprias faltas pela sua vontade própria. Se, portanto, um hipnotizador subjugar o corpo de desejos do alcoólatra, o Ego deste vai Ter que aprender sua lição numa vida futura, se ele morrer antes do hipnotizador. Mas se o hipnotizador morrer antes o homem irá inevitavelmente voltar a beber, porque então o parte do corpo vital do hipnotizador que controla o mau desejo em questão gravita de volta à sua origem, e a cura é anulada. O único modo definitivo para se dominar um vício é pela força de vontade própria.

O modo de agir do manipulador invisível é simplesmente o de impulsionar os veículos superiores para fora dos corpos inferiores do médio passivo, entrar e assumir o controle. Quando ele sai, também carrega parte do corpo vital do médium para usar como chave ou alavanca da próxima vez.

Quando um médium materializador é usado por Espíritos com o propósito de se mostrarem para uma platéia, eles primeiro extraem o corpo vital do médium, ou o máximo dele que ousarem, deixando o corpo denso no palco num péssimo e pobre estado. Isso é terrível para ser visto por pessoas não habituadas a tal fenômeno. Com esse corpo vital que, a propósito, tem sido fotografado por cientistas, já que a câmara é capaz de registrar raios que são invisíveis aos olhos, eles produzem prontamente o fenômeno desejado, por ser uma coisa viva que atrai matéria avidamente, desde que não tenha sucumbido da maneira que ocorre logo após a morte. Eles interpolam átomos físicos da atmosfera ambiente após construírem a matriz (molde) do corpo vital do médium, e desse modo moldam um corpo em qualquer forma que sirva para o Espírito se materializado assumir.

O corpo vital de um médium pode ser usado por qualquer número de Espíritos durante uma sessão, cada um se vestindo na substância plástica e preenchendo com átomos da atmosfera ambiente, ou mesmo tomando emprestado de pessoas na platéia que muitas vêzes sentem-se muito cansadas quando saem da sala da sessão.

No caso do médium materializador, podemos dizer que a influência é sempre maléfica. O Espírito que se materializa entra na vítima e depois retira o éter do corpo vital através do baço, pois a diferença entre o médium materializador e uma pessoa comum é o fato da conexão entre o corpo vital e o corpo denso ser naquele enormemente fraca, por isso ser possível retirar seu corpo vital em grande quantidade. O corpo vital é o veículo através do qual as correntes solares que nos dão vitalidade são especializadas. Sem o princípio vitalizador, o corpo do médium na ocasião da materialização, às vezes encolhe a quase a metade de seu tamanho normal; a carne torna-se flácida e a centelha de vida queima muito fraca. Quando termina a sessão e o corpo vital retoma o lugar, o médium é despertado com consciência normal. Então ele experimenta uma sensação da mais terrível exaustão e às vezes, infelizmente, lança mão da bebida para recuperar as forças vitais. Nesse caso, claro, a saúde logo será afetada e o médium se tornará uma ruína total. A mediunidade deve ser evitada a qualquer preço, pois além desse perigo para o instrumento há outras e ainda mais sérias considerações relacionadas com os corpos mais sutis, e particularmente com o estado post-mortem.

A grosso modo, pode-se dizer que a humanidade atual acha-se dividida em duas classes: daqueles nos quais a conexão entre o corpo vital e o corpo denso é muito estreita, e a outra classe em que a conexão é mais frouxa. A primeira classe é das pessoas comuns enganadas em assuntos materiais e ao mesmo tempo afastadas dos mundos espirituais. A última classe é a dos chamados sensitivos, que estão novamente divididos em duas classes. Uma classe é impulsionada pela vontade interior e é positiva. Desta classe vem o clarividente treinado e o Auxiliar Invisível. A outra classe é negativa e é receptiva à vontade dos outros. Desta classe são recrutados os médiuns.

Quando a conexão entre o corpo vital e o corpo denso do homem é um tanto frouxa, ele será sensitivo às vibrações espirituais e, se positivo, ele irá por sua própria vontade desenvolver suas faculdades espirituais, Ter uma vida espiritual, e na hora certa receber os ensinamentos necessários para tornar-se um clarividente treinado e um mestre de sua faculdade em todas as ocasiões, livre para exercitá-la ou não, como desejar.

Se uma pessoa tem essa pequena frouxidão entre os corpos vital e denso, e é de temperamento negativo, ela está propensa a se tornar uma presa de Espíritos desencarnados, como um médium. Quando a conexão entre os corpos vital e denso é muito frouxa, de modo que possa ser retirado, e o homem é positivo, ele pode tornar-se um Auxiliar Invisível, capaz de retirar os dois éteres superiores de seu corpo denso por sua vontade e usá-los como um veículo para a percepção sensorial e a memória. Ele pode então funcionar conscientemente no mundo espiritual e trazer de volta a lembrança de tudo que fez por lá, de modo que, por exemplo, quando ele deixa seu corpo à noite ele vive sua vida no mundo invisível num modo inteiramente consciente, tal como fazemos aqui quando acordamos pela manhã após dormirmos e realizamos nossas diversas obrigações no mundo visível. Quando a pessoa tem essa conexão frouxa entre o corpo vital e o corpo denso e é de temperamento negativo, os Espíritos que estão entre a terra e o plano invisível e procuram se manifestar aqui, podem retirar o corpo vital dela através do baço e temporariamente usar o éter de que é composto para materializar formas espirituais, retornando o éter para o médium depois de terminada a sessão.

São elementais que originam muitos dos fenômenos espiritualistas, quando mais inteligência é exibida do que poderia ser contabilizada pela ação das carapaças sem alma, particularmente durante as materializações. Embora as carapaças possam tomar parte, os fenômenos são sempre direcionados por um seu com inteligência. A diferença entre o médium materializador e uma pessoa comum é que a conexão entre o corpo denso e o corpo vital é mais frouxa no médium, de modo que do último uma parte do corpo vital pode ser retirada, e também alguns gases e até líquidos do corpo denso dos médiuns podem ser usados para formar os corpos das aparições. Essa retirada e o processo de vestir as carapaças é geralmente realizado pelo elemental que extrai o corpo vital do médium através do baço. De regra, o corpo do médium encolhe horrivelmente por isso. Quando o corpo denso é desse modo, privado de seu princípio vital, torna-se terrivelmente exausto, e infelizmente o médium com freqüência procura restaurar seu equilíbrio ingerindo forte bebida, tornando-se um real alcoólatra.

Deus é o Grande Arquiteto do Universo e os Iniciados das Escolas de Magia Branca são também arquitetos, construtores que usam a essência primordial em seu benéfico trabalho pela humanidade. Esses Auxiliares Invisíveis requerem um núcleo do corpo vital do paciente, que, como sabem os estudantes da Fraternidade Rosacruz, chegam a eles pelos eflúvios da mão que impregnam o papel quando o paciente faz o pedido para o serviço de saúde e cura. Com esse núcleo do corpo vital do paciente eles estão em condição de retirar matéria virgem para o que for preciso para restaurar a saúde reconstruindo e fortalecendo o organismo.

Os Magos Negros são espoliadores, atuando com ódio e malícia. Eles também precisam de um núcleo para suas operações abomináveis, e isso eles obtêm mais facilmente do corpo vital nas sessões espíritas ou hipnóticas, quando as pessoas sentam e relaxam, se colocam num estado negativo mental, deixam seus queixos caírem e deixar escoar suas individualidades por outras práticas mediúnicas diferentes. Até pessoas que não freqüentam tais lugares não estão imunes, pois há certos produtos do corpo vital que são difundidos de modo ignorante por todos e que podem ser usados de modo eficiente pelos Magos Negros. Os primeiros nessa categoria estão o cabelo e as unhas. Os seguidores das práticas vudu usam a placenta para propósitos malignos similares. Um homem particularmente mal, cujas práticas eram realizadas décadas passadas, obtinha o fluido vital dos meninos que ele usava para seus atos demoníacos. Até algo inocente como um copo d'água colocado próximo a certas partes do corpo da vítima em perspectiva, enquanto o Mago Negro conversa com ela, pode fazer absorver uma parte do corpo vital da vítima. Isso vai dar ao Mago Negro o núcleo necessário, ou ele pode ser obtido de uma peça de roupa da pessoa. A mesma emanação invisível contida na veste, que guia o cão farejador na trilha de certas pessoas, também vai guiar o mago, branco ou negro, para moradia dessa pessoa e fornecer ao mago a chave do sistema da pessoa através do qual o primeiro poderá ajudar ou ferir segundo sua inclinação para o bem ou para o mal.


 

PARTE V – O CORPO VITAL DE JESUS

 

Capítulo I

 

Como um Veículo para Cristo

 

O corpo vital de Jesus é superiormente desenvolvido e foi usado por Cristo durante Seus três anos de Ministério.

 

Sabemos que por ocasião da morte ou a qualquer momento que tivermos que deixar esse Mundo Físico, nós abandonamos nosso corpo denso e nosso corpo vital, por que eles pertencem ao Mundo Físico. Assim também Jesus, quando chegou à idade de trinta, quando havia aprontado seu instrumento para o Grande Ser usar, alegremente e de boa vontade, desfez-se dele. Ele o deixou por ocasião do Batismo como se houvesse saído por morte, para que Cristo pudesse entrar, e isso foi visto descendo sobre ele como uma pomba.

Cristo, como um Arcanjo tinha aprendido a construir o corpo de desejos como o veículo mais denso, mas o corpo vital e o corpo denso Ele nunca aprendeu a construir. Os Arcanjos tinham trabalhado com a humanidade de fora, antes, como fazem os Espíritos Grupo; mas isso não era suficiente. A ajuda teria que vir do interior. Isso foi possível pela combinação de Cristo e Jesus, e portanto é verdade, no mais elevado sentido, no sentido mais literal, quando Paulo diz: "Há apenas um mediador entre Deus e o homem. Cristo Jesus, o justo."

É uma de nossas ilusões pensar que o corpo que habitamos está vivo. A bem da verdade, isso não é assim. Pelo menos há apenas uma porção muito pequena desse corpo do qual possa-se realmente dizer que está vivo. Portanto essa nossa afirmação é praticamente verdade. A porção maior acha-se completamente adormecida se não, totalmente, morta. Este é um fato bem conhecido para a ciência, e quem quer que raciocine nos ensina assim. Isto ocorre porque nosso poder espiritual é tão fraco que não pode fornecer vida a esse veículo suficientemente. De certo modo falhamos assim em vitalizar o corpo, que se parece com uma pesada vestimenta de argila, que com muito esforço, temos que arrastar conosco, até que após alguns anos ele se cristalize a tal ponto que fica impossível para nós continuarmos mantendo o movimento vibratório. Somos então forçados a deixar o corpo e diz-se que ele morre. Um lento processo de desintegração tem lugar para fazer os átomos retornarem ao seu livre estado original.

Contraste-se então, esse estado de coisas com a condição em que um desses mesmos corpos terrenos seja possuído por um poderoso Espírito como o de Cristo. Você vai encontrar analogia com o caso de um homem sendo ressuscitado após afogamento. O corpo vital foi retirado, e as ações vibratórias dos átomos físicos quase que cessaram, se é que não pararam de todo. Então quando o corpo vital é novamente levado a entrar no corpo físico ele começa a estimular todos os átomos a agirem e vibrarem.

Isso faz com que o acordar dos átomos adormecidos provoque a sensação muito desagradável de formigamento descrita pelas pessoas ressuscitadas após afogamento, e essa sensação não para até que os átomos físicos tenham atingido um grau de vibração uma oitava abaixo que o do corpo vital. Então eles ficam insensíveis e nada sentem a não ser o que normalmente sentimos.

Veja agora o caso de Cristo entrando no corpo denso de Jesus. Neste os átomos estavam se movendo numa velocidade muito abaixo das forças vibratórias do Espírito Cristo. Consequentemente, tem que ocorrer uma aceleração, e durante os três anos de ministério. Essa marcante aceleração da vibração desses átomos teria despedaçado o corpo não fosse a poderosa vontade do Mestre Assistido pela habilidade dos Essênios em mantê-lo unido. Se as átomos estivessem adormecidos na hora em que Cristo deixou o corpo de Jesus, do modo em que acham-se adormecidos os átomos quando deixamos nossos corpos, um longo processo de purificação teria sido preciso para desintegrar o corpo. Eles achavam-se, entretanto, como se diz, altamente sensibilizados e despertos, e portanto foi impossível mantê-los unidos quando o Espírito se libertou. Em épocas futuras quando aprendermos a manter nossos corpos acordados não renovaremos os átomos e, por conseguinte, os corpos com tanta freqüência. Nem quando o fizermos, demoraremos tanto como agora para completar o processo de purificação. O túmulo não estando hermeticamente fechado não ofereceria obstrução à passagem dos átomos.

Isso (a rápida desintegração do corpo físico das pessoas espiritualizadas) o autor não pôde verificar por ser difícil encontrar homens de elevadas inclinações espirituais que tenham partido recentemente, mas parece que é assim, pelo fato registrado na Bíblia de que o corpo de Cristo não foi encontrado no túmulo quando o povo foi procurá-lo. Como dissemos antes a respeito desse assunto, Cristo espiritualizou o corpo de Jesus tão profundamente, tornou-o tão vibrante, que foi quase impossível manter as partículas no lugar durante o Seu Ministério. Esse foi um fato conhecido do escritor pelos ensinamentos dos Irmãos Maiores e pela investigação por ele feita sobre o assunto, na Memória da Natureza, mas a sustentação desse fato sobre o assunto da morte em geral e a existência post-mortem não eram conhecidos até recentemente.

Com a morte do corpo denso de Cristo Jesus, o átomo semente foi devolvido ao dono original, Jesus de Nazareth que, posteriormente, enquanto funcionava em um corpo vital que ele conseguiu temporariamente, ensinou os núcleos da nova fé deixada por Cristo. Jesus de Nazareth vem desde então guiando os ramos esotéricos que se espalharam por toda a Europa.

Com a morte do corpo denso de Jesus, os átomos sementes retornaram ao seu dono original. Durante o período de três anos entre o Batismo, quando ele deu seus veículos, e a Crucificação, que trouxe de volta os átomos sementes, Jesus reuniu um veículo de éter, como um Auxiliar Invisível reune matéria física sempre que necessário para materializar todo ou parte do corpo. Entre tanto, se o material não combinar com o átomo semente não poderá ser apropriado permanentemente. Se desintegra logo que o poder da vontade nele reunida é retirado, e isso foi, portanto apenas um paliativo. Quando o átomo semente do corpo vital retornou, um novo corpo se formou, e é naquele veículo que Jesus vem funcionando desde então, trabalhando com as igrejas.

Na 1ª Carta aos Tessalonicenses, 5:23, Paulo diz que o ser completo do homem consiste de Espírito, alma e corpo. Quando deixarmos o corpo denso finalmente como Cristo o fez, funcionaremos num corpo chamado soma psuchicon (corpo alma) no 1º Cor. 15:44. Este é o "corpo vital"em nossa literatura, um veículo feito de eter, capaz de levitar, e da mesma natureza do corpo que Cristo usou após a Crucificação. Esse veículo não está sujeito à morte do mesmo modo que o nosso corpo físico, e é eventualmente transmutado em Espírito como ensina a nossa literatura e como determinado no 1st Cor., 15th capítulo.

Vemos então que é uma propriedade do corpo vital atrair para si matéria física, e é muito mais fácil para quem deixa o corpo inconscientemente permitir que as partículas físicas fluam para seu corpo alma do que mantê-las afastadas. O corpo alma, claro, não está sujeito à morte, decomposição ou colapso. Portanto é fácil compreender que Cristo pode usar aquele veículo para atravessar as paredes da sala onde os Discípulos achavam-se reunidos e lá puxar para Si o material necessário para aparecer num veículo físico que se desintegrou no momento que Ele quis sair. Entretanto, é importante que se note que é a desintegração que exige esforço e não a atração da matéria física.

Nossos Irmãos Maiores puseram o corpo vital de Jesus num sarcófago de vidro para protegê-lo do olhar de curiosos ou profanos. Eles guardaram esse receptáculo numa caverna profunda na terra, onde os não iniciados não podem penetrar. Para segurança total, entretanto, vigilantes atentos mantém guarda constante de sua preciosa carga; pois se esse veículo fosse destruído, o único meio de Cristo sair seria eliminado, e Ele teria que permanecer prisioneiro na terra até que a Noite Cósmica decompusesse seus elementos químicos no caos. Assim a missão de Cristo como o Salvador teria falhado; Seu sofrimento seria prolongado enormemente, e nossa evolução seria grandemente retardada.

Cristo estava livre para escolher Seu veículo de entrada na Terra onde Ele acha-se confinado agora, mas uma vez que escolheu o veículo de Jesus, Ele acha-se pronto para sair da mesma maneira. Se esse veículo fosse destruído, Cristo teria que permanecer nas imediações até o Cáos dissolver a Terra. Isso seria uma grande calamidade, e portanto, o veículo por Ele usado uma vez é guardado com enorme zelo pelos Irmãos Maiores.

Enquanto isso Jesus esteve privado de todo o crescimento anímico adquirido durante seus trinta anos na terra antes do Batismo e contido no veículo dado a Cristo. Isso, foi e é um grande sacrifício feito para nós, mas como tudo que é feito para o bem, isso redundará numa maior glória no futuro. Esse veículo será usado por Cristo quando vier para estabelecer e realizar o Reino de Deus, e estará tão espiritualizado e glorificado que quando for novamente devolvido a Jesus na hora em que Cristo entregar o Reino para o Pai, ele será o mais fantástico de todos os veículos humanos.

Claro que, o Espírito da Terra não é para ser imaginado como sendo como o de um homem gigante ou tendo uma forma física diferente da Terra propriamente. O corpo vital de Jesus, no qual o Espírito de Cristo foi acomodado antes de seu atual ingresso na terra, tem a forma comum humana; acha-se preservado e é mostrado ao candidato num certo ponto de sua progressão. Algum dia num futuro distante irá novamente dar morada ao Espírito benevolente de Cristo quando de Sua volta do centro da terra, quando nos tivermos tornado etéreos, e quando Ele estiver pronto para subir a esferas superiores nos deixando para sermos ensinados pelo Pai, cuja religião será mais elevada que a religião Cristã.

Chegamos agora ao ponto que envolve uma importante lei cósmica que suporta vários fenômenos espirituais e que também sustenta o único ensinamento da Fraternidade Rosacruz ( e a Bíblia), que Cristo não vai retornar num corpo física mas num corpo vital. Isso também demonstra porque Ele precisa retornar.

Antes de A D 33 Jeová guiou de fora o nosso planeta em sua órbita e a humanidade no caminho da evolução. No Gólgota, Cristo entrou na Terra que ele agora orienta de seu interior, e continuará até que um número suficiente de seres de nossa humanidade tenha evoluído o poder anímico necessário para impelir pelo ar a terra e guiar nossos irmãos mais novos. Isso requer habilidade para viver em corpos vitais, capazes de levitação. O corpo vital de Jesus através do qual Cristo entrou na Terra é seu único caminho para retornar ao Sol. Consequentemente o Segundo Advento será no corpo vital de Jesus.

FIM

 

 

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