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CONTEMPLAÇÃO

Diferentemente da Meditação, na Contemplação não é necessário esforço de pensamento ou de imaginação para conseguir-se a informação desejada. Este exercício consiste simplesmente em mantermos o objeto ante a visão mental e deixar que a alma dele nos fale. Repousando tranqüilamente num divã ou na cama - não de modo negativo, mas completamente alerta - esperamos a informação que virá com certeza, se já alcançamos o devido grau de desenvolvimento. Então a Forma do objeto parece desvanecer-se, passamos a ver unicamente a Vida em atividade. A Contemplação ensinar-nos-á tudo relativamente ao aspecto da Vida, assim como a Meditação nos ensinou tudo sobre a Forma.

Quando alcançamos esse estado, e pomos diante de nós, digamos, uma árvore na floresta, perdemos de vista a forma por completo e só veremos a Vida, que neste caso é o espírito-grupo. Descobrimos então, para nosso assombro, que o espírito-grupo da árvore inclui os diversos insetos que dela se alimentam. Assim, tanto o parasita quanto o tronco em que ele se prende são emanações do mesmo espírito-grupo, pois quanto mais subimos nos domínios do invisível menos formas separadas e distintas encontramos, e mais completamente a Vida Una predomina, e imprime no investigador a noção suprema de que não há senão Uma Vida - a Vida Universal de Deus, em Quem realmente "vivemos, nos movemos e temos o nosso ser". Os minerais, as plantas, os animais e o homem - todos sem exceção - são manifestações de Deus, e este fato fornece a verdadeira base da Fraternidade, uma fraternidade que inclui tudo, desde o átomo até o Sol, porque todos são emanações de Deus. Fracassaria o conceito de fraternidade que se baseasse noutro princípio qualquer, como o das distinções de classes, das afinidades de raça ou de ofício, etc.. O ocultista compreende claramente que a Vida Universal flui em tudo que existe.

ADORAÇÃO

Quando, por meio da Contemplação, se alcança esta altura, isto é, quando o aspirante compreende que de fato ele contempla Deus na vida que tudo compenetra, deve dar um passo ainda mais elevado e atingir a Adoração. Através deste exercício ele se une à fonte de todas as coisas, alcançando assim a maior altura possível de realização pelo homem, até que chegue o tempo em que essa união torna-se permanente, ao fim do Grande Dia de Manifestação.

É opinião do autor que nem as alturas da contemplação nem o passo final da Adoração podem ser alcançadas sem a ajuda de um Mestre. O aspirante nunca deve temer que, por falta de um Mestre, seu progresso seja retardado. Nem necessita preocupar-se em procurar um Mestre. Tudo o que precisa fazer é começar a aperfeiçoar-se, e continuar nesse trabalho diligente e persistentemente. Desse modo purificará seus veículos, que começarão a brilhar nos mundos internos. Este brilho não pode deixar de atrair a atenção dos Mestres, os quais sempre atentos a tais casos, estão ansiosos e contentes por ajudar aqueles que por seus sinceros esforços de purificação adquiriram o direito de receber ajuda. A humanidade está duramente necessitada de auxiliares que possam trabalhar nos mundos internos. Portanto, "buscai e achareis". Contudo, não se imagine que a procura consiste em andar passando de um Mestre para outro. "Procurar", no sentido da palavra, nada significa para este mundo tenebroso. Nós mesmos é que temos de acender a luz, - a luz que seguramente irradia dos veículos do aspirante diligente. Essa é a estrela que nos conduzirá ao Mestre, ou melhor, que conduzirá o Mestre até nós.

O tempo necessário para alcançar-se resultados por meio dos diversos exercícios varia de indivíduo para indivíduo, e depende da sua aplicação, grau de desenvolvimento e dos seus registros no Livro do Destino, pelo que não se pode estabelecer um tempo-padrão. Alguns, que já estão quase prontos, obtêm resultados em poucos dias ou semanas. Outros têm de trabalhar durante meses, anos e talvez durante uma vida inteira, sem obter resultados visíveis. Não obstante, os resultados são uma realidade, de modo que se o aspirante persistir fielmente obterá algum dia, nesta ou em futura vida, a recompensa de sua paciência e fidelidade: os Mundos internos abrir-se-ão aos seus olhos, tornando-se cidadão de reinos onde as oportunidades são imensamente maiores do que no Mundo Físico somente.

Daí em diante - desperto ou adormecido, através de tudo que o homem chama vida e de tudo o que chama morte - sua consciência será ininterrupta. Levará uma vida de consciência contínua, beneficiando-se de todas as condições que permitem um avanço mais rápido para posições cada vez mais elevadas, e emprega-la-á na elevação da humanidade.

 

CAPÍTULO XVIII

 CONSTITUIÇÃO DA TERRA  E ERUPÇÕES VULCÂNICAS

 

Mesmo entre os cientistas ocultistas, a investigação da misteriosa constituição da Terra é considerada um problema dos mais difíceis. Todo cientista ocultista sabe que é muito mais fácil investigar detalhada e profundamente o Mundo do Desejo e a Região do Pensamento Concreto e trazer os resultados de tais investigações ao Mundo Físico, do que investigar completamente os segredos do nosso planeta físico. Para consegui-lo plenamente é preciso haver passado pelos nove Mistérios Menores e pela primeira das Grandes Iniciações.

Os cientistas modernos sabem muito pouco sobre esse assunto. No que se refere aos fenômenos sísmicos, muitas vezes modificam suas teorias porque descobrem constantemente razões que tornam insustentáveis as hipóteses anteriores. Investigaram com minucioso e admirável cuidado a crosta externa, mas só até uma insignificante profundidade. Quanto às erupções vulcânicas, eles tentam compreendê-las do mesmo modo que procuram compreender qualquer outra coisa, isto é, de maneira puramente mecânica, descrevendo o centro da Terra como uma fornalha em ignição e concluindo que as erupções vulcânicas são causadas pela entrada acidental de água e outras explicações semelhantes.

Em certo sentido suas teorias têm algum fundamento mas, como sempre, negligenciam as causas espirituais, que para o ocultista são as únicas reais. Para este o mundo está longe de ser uma coisa "morta". Pelo contrário, qualquer recanto e fenda é compenetrado pelo espírito, o fermento que causa as mudanças tanto dentro como sobre o planeta.

As diferentes espécies de quartzos, os metais, a disposição das várias camadas, tudo tem um significado muito maior do que aquilo que o investigador materialista jamais foi capaz de compreender. Para o cientista ocultista, o modo em que estes materiais estão dispostos é sumamente significativo. Neste assunto, como em outro qualquer, a ciência oculta está para a ciência moderna assim como a fisiologia está para a anatomia.

A anatomia indica minuciosamente a posição de cada osso, músculo, ligamento, nervo etc.; suas posições relativas uns aos outros; e assim por diante; porém, não dá indicação alguma sobre o funcionamento das diferentes partes que compõem o corpo. A fisiologia, por sua vez, indica não somente a posição e estrutura de todas as partes do corpo, mas também sua função no corpo.

Conhecer os diversos estratos da Terra e as posições relativas dos planetas no firmamento, e não conhecer seu emprego e significado na vida e sua finalidade no Cosmos, é tão inútil quanto apenas conhecer as posições dos ossos, músculos, nervos etc., e não compreender as funções que desempenham na economia do corpo.

O NÚMERO DA BESTA

Ante a visão do clarividente treinado, do Iniciado nos vários graus dos Mistérios, a Terra apresenta-se composta de camadas, à semelhança de uma cebola, cada camada ou estrato cobrindo outra. Há nove estratos e um núcleo central, dez no total. Tais estratos são revelados ao Iniciado gradualmente, um estrato em cada iniciação, de modo que, ao final das nove Iniciações menores domina todas as camadas mas ainda não tem acesso aos segredos do núcleo central.

Em termos antigos esses nove passos são chamados "Mistérios Menores". Levam o neófito conscientemente através de toda a sua evolução passada, ou seja, através de todas as atividades de sua existência involuntária, de modo que ele se torna capaz de compreender os meios e o significado da obra que efetuou inconscientemente. Mostra-se-lhe como a constituição nônupla (o tríplice corpo, a tríplice alma e o tríplice espírito) veio à existência; como as grandes Hierarquias Criadoras trabalharam sobre o Espírito Virginal, despertando nele o Ego e ajudando-o a formar o corpo; também o trabalho que ele mesmo efetuou para do tríplice corpo, extrair tanto da tríplice alma, como a que atualmente possui. Seguindo os nove estratos, é conduzido através dos nove graus que constituem os Mistérios Menores, um grau por vez.

O número nove é o número raiz do nosso presente estágio de evolução. Em nosso sistema tem um significado que nenhum outro número possui. É o número de Adão, a vida que começou sua evolução como Homem e que alcançou o estado humano durante o Período Terrestre. Em hebraico, assim como em grego não há algarismos, porque cada letra exprime um valor numérico. Em hebraico, "Adão" é proferido "ADM". O valor de "A" é 1; o de "D", 4; e o de "M", 40. Se somarmos esses algarismos 1+4+4+0=9, teremos o número de Adão, ou humanidade.

Se saltarmos do livro Gênese, que trata da criação do homem em remotíssimo passado, para o Livro da Revelação, que trata de sua futura realização, veremos que o número da Besta que o oculta é 666. Somando esses algarismos 6+6+6 = 18, e 1+8 = 9, teremos novamente o número da humanidade, em si mesma a causa de todo mal que obstrui seu próprio progresso. Mais ainda: o número dos que se salvarão, diz-se é de 144.000. Somando-se como antes 1+4+4+000 = 9, temos outra vez o número da humanidade, mostrando, praticamente, que ela será salva em sua totalidade, já que é insignificante a quantidade dos incapazes de progredir em nossa evolução atual. Mesmo os poucos que fracassam não estarão perdidos, mas progredirão num esquema evolutivo futuro.

A consciência do mineral e do vegetal é realmente inconsciência. O primeiro vislumbre de consciência começa no reino animal. Vimos também que, consoante a mais moderna classificação, há treze graus no reino animal: três classes de radiados; três classes de moluscos; três classes de articulados; e quatro classes de vertebrados.

Se considerarmos o homem comum como um grau em si mesmo, e recordarmos que há treze Iniciações desde o homem até Deus, ou desde o tempo em que começou a capacitar-se para se converter em uma Inteligência Criadora Consciente de Si, teremos de novo o mesmo número nove:

13 + 1 + 13 = 27; 2 + 7 = 9.

O número 9 está também oculto na idade de Cristo Jesus, 33: 3 x 3=9, e de maneira análoga nos 33 graus da Maçonaria. Nos tempos antigos a Maçonaria era um sistema de Iniciação dos Mistérios Menores, os quais, como vimos, têm nove graus, ainda que os iniciados freqüentemente os escrevessem 33. Por análogas razões existe o 18º grau dos Rosacruzes, o qual não é mais que um "véu" para o não iniciado, porque nunca há mais do que nove graus nos Mistérios menores. Os Maçons de hoje conservam muito pouco dos rituais ocultos contidos em seus graus.

Temos também os nove meses da gestação, durante os quais é construído o eficiente corpo atual. Há também nove perfurações no corpo: dois olhos, duas narinas, dois ouvidos, uma boca e dois orifícios inferiores.

Quando em seu avanço o homem passa pelas nove Iniciações menores conseguindo assim penetrar em todos os estratos da Terra, precisa ainda ter acesso ao núcleo central. Este se abre para ele mediante a primeira das quatro Grandes Iniciações, na qual aprende a conhecer o mistério da mente, essa parte do seu ser iniciada na Terra. Quando pronto para a primeira grande Iniciação, sua mente já foi desenvolvida a um grau que todos os homens alcançarão no final do Período Terrestre. Nessa Iniciação dá-se-lhe a chave do próximo estágio, e todo o trabalho que depois disso ele efetua, será o mesmo que a humanidade em geral efetuará no Período de Júpiter. Isto não nos diz respeito atualmente.

Depois de sua primeira Grande Iniciação ele é um Adepto. A segunda, terceira e quarta das Iniciações pertencem a estágios de desenvolvimento que a humanidade comum alcançará nos Períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano.

Essas treze Iniciações são representadas simbolicamente por Cristo e seus doze apóstolos. Judas Iscariotes representa as traidoras tendências da natureza inferior do neófito. O amado João é a Iniciação de Vênus, e Cristo em Si Mesmo simboliza o Divino Iniciado do Período de Vulcano.

Nas diversas escolas de ciência oculta diferem os ritos iniciáticos, como também o que dizem sobre o número de Iniciações, mas isto é apenas uma questão de classificação. Observe-se que as vagas descrições que podem ser dadas tornam-se ainda mais vagas à medida que se sobe mais. Ainda que se fale de sete ou mais graus, já da sexta Iniciação quase nada é dito, e absolutamente nada das que estão para além. A razão disto advém de outra divisão: os seis graus de "Preparação" e as quatro Iniciações, que ao final do Período Terrestre conduzem o candidato ao Adeptado. Portanto, sempre deverá haver mais três, caso a filosofia da escola ou sociedade vá tão longe. O autor porém não conhece ninguém, além dos Rosacruzes, que tenha algo a dizer sobre os três Períodos que precederam o Período Terrestre, a não ser a simples afirmação de que esses períodos existiram. Mas nem são postos em relação muito definida com a nossa atual fase de existência. De maneira análoga, outros ensinamentos ocultos afirmam simplesmente que haverá mais três esquemas evolutivos, porém não fornecem pormenores. Claro, nessas circunstâncias, as três últimas Iniciações não são mencionadas.

O Diagrama 18 dá uma idéia da disposição dos estratos terrestres, omitindo informações sobre o núcleo central para mostrar mais claramente a formação de correntes em forma de lemniscata no nono estrato. No Diagrama os estratos são representados como se tivessem igual espessura, mas em realidade uns são muito mais delgados do que outros. Começando pelo mais externo, aparecem na seguinte ordem:

1 - Terra Mineral: E a crosta pétrea da Terra, com que lida a Geologia no tanto que lhe tem sido possível penetrá-la.

2 - Estrato Fluídico: A matéria deste estrato é mais fluídica que a da crosta exterior, mas não é líquida e sim parecida a uma pasta espessa. Tendo a propriedade da expansão, como a de um gás excessivamente explosivo, é mantida em seu lugar pela enorme pressão da crosta externa de modo que, se esta fosse removida, todo o estrato fluídico desapareceria no espaço com uma tremenda explosão. Esses estratos correspondem às Regiões Químicas e Etérica do Mundo Físico.

3 - Estrato Vaporoso: Nos primeiro e segundo estratos não há realmente vida consciente. Já neste existe uma corrente de vida que flui e pulsa continuamente, como no Mundo do Desejo que rodeia e interpenetra nossa Terra.

4-Estrato Aquoso: Neste estrato estão as possibilidades germinais de tudo quanto existe na superfície da Terra. Aqui estão as forças arquetípicas que se ocultam atrás dos espíritos-grupo, como também as forças arquetípicas dos minerais, porque esta é a expressão física direta da Região do Pensamento Concreto.

5 - Estrato Germinal: Os cientistas materialistas têm sido frustrados em seus esforços para descobrir a origem da vida, como surgiram coisas viventes de matéria antes morta.

Na realidade, e de acordo a explicação oculta da evolução, a questão deveria ser como se originaram as coisas "mortas". A vida existia antes das formas mortas. Ela construiu seus corpos de substância vaporosa e sutil, muito antes de se condensar na crosta sólida da Terra. Só quando a Vida abandona as formas, podem estas se cristalizar, tornando-se duras e mortas.

O carvão nada mais é do que corpo vegetal cristalizado. Os corais são também produtos da cristalização de formas animais. A vida abandona as formas e as formas morrem. A vida nunca penetra numa forma para despertá-la à vida. A vida sai das formas e as formas morrem. Foi assim que surgiram as coisas mortas".

Neste quinto estrato existe a fonte primordial da vida, da qual brotou o impulso que construiu todas as formas da Terra. Corresponde à Região do Pensamento Abstrato.

6 - Estrato Ígneo: Por estranho que pareça este estrato possui sensações. O prazer e a dor, a simpatia e a antipatia produzem aqui seu efeito sobre a Terra. Geralmente se supõe que a Terra, em nenhuma circunstância, pode ter qualquer sensação. Contudo, quando o cientista ocultista observa colher o grão maduro, cortar as flores ou, no outono, colher as frutas das árvores, sabe do prazer experimentado pela Terra. É semelhante ao prazer que a vaca sente quando seus úberes cheios são aliviados pelo bezerro sugador. A Terra experimenta o deleite de nutrir sua progênie de Formas, e esse deleite culmina no tempo da colheita.

Por outro lado, quando se arrancam as plantas pela raiz, fica patente ao cientista-ocultista que a Terra sente dor. Por tal razão, ele não come alimentos vegetais que cresçam debaixo da Terra. Em primeiro lugar, porque são plenos de força terrestre e carentes de força solar; segundo, por terem sido extraídos com as raízes, são venenosos. A única exceção a esta regra é a batata, porque em seus primórdios crescia na superfície da terra, e só em tempos relativamente recentes começou a crescer debaixo do solo. Os ocultistas fazem o possível para alimentar seus corpos com os frutos que crescem ao Sol, pois estes contêm mais força solar, e sua colheita não causa sofrimento algum à Terra.

Poder-se-ia supor que os trabalhos nas minas produzem dor à Terra. Pelo contrário, toda desintegração da crosta dura produz uma sensação de alívio, e toda solidificação é fonte de dor. Quando uma torrente de chuva lava a encosta da montanha, arrastando a terra para os vales, a terra sente-se mais aliviada. Aonde a matéria desintegrada se deposita de novo, como no baixio que se forma na foz de um grande rio, produz-se uma correspondente sensação de opressão.

Assim como a sensação, nos animais e no homem, é devida a seus corpos vitais separados, assim as sensações da Terra são especialmente ativas no sexto estrato, que corresponde ao Mundo do Espírito de Vida. Para compreender-se o prazer que ela experimenta quando se quebra uma rocha e a dor que lhe produzem as solidificações, devemos recordar que a Terra é o corpo denso de um Grande Espírito, o qual, para fornecer-nos um meio em que pudéssemos viver e obter experiência, teve de cristalizar seu corpo até à condição de solidez atual.

Contudo, na medida em que a evolução prossiga e o homem aprenda as lições correspondentes aos extremos de concretização, a Terra tornar-se-á mais branda e seu espírito libertar-se-á cada vez mais. Foi isto o que Paulo quis significar quando disse que toda a criação geme e sofre, esperando o dia da libertação.

7 - Estrato Refletor: Esta camada da Terra corresponde ao Mundo do Espírito Divino. Para aqueles que não estão familiarizados com o que na Ciência Oculta se conhece como "Os Sete Segredos Indizíveis", ou que não tenham pelo menos um vislumbre de sua importância, as propriedades deste estrato parecerão particularmente absurdas e grotescas. Nele, todas as forças que conhecemos como "Leis da Natureza" existem como forças morais, ou melhor, imorais. No princípio da existência consciente do homem, essas forças eram piores do que agora. Mas tudo indica que tais forças melhoram com o progresso moral da humanidade, e que qualquer falha moral tem certa tendência a desencadear essas forças da Natureza produzindo devastações sobre a Terra, enquanto a busca de elevados ideais torna-as menos inimigas do homem.

Por conseguinte, as forças deste estrato são, em qualquer época, um reflexo exato do estado moral da humanidade. Do ponto de vista oculto, a "mão de Deus" que se abateu sobre Sodoma e Gomorra não é uma tola superstição pois, tão certo como há uma responsabilidade individual ante a Lei de Conseqüência que traz a cada pessoa o justo resultado de suas ações, sejam boas ou más, assim também existe uma responsabilidade coletiva ou nacional, que atrai sobre os grupos humanos resultados equivalentes aos atos efetuados em conjunto. As forças da natureza são, em geral, os agentes de tal justiça retribuidora, causando inundações ou terremotos a um grupo, ou a benéfica formação de óleos ou carvões a outro, de acordo com os seus merecimentos.

8 - Estrato Atômico: É o nome dado pelos Rosacruzes ao oitavo estrato da Terra, a expressão do Mundo dos Espíritos Virginais. Parece ter a propriedade de multiplicar as coisas que nele estão, porém, isto se aplica somente às coisas já formadas definitivamente. Uma peça informe de madeira ou uma pedra bruta não tem existência ali, mas qualquer coisa já modelada ou que tenha vida e forma, tal como uma flor ou uma pintura, é multiplicada nesse estrato em grau surpreendente.

9 - Expressão Material do Espírito Terrestre: Aqui existem correntes em forma lemniscata, intimamente relacionadas com o cérebro, o coração e os órgãos sexuais da raça humana. Corresponde ao Mundo de Deus.

10 - Centro do Ser do Espírito Terrestre: Nada mais pode ser dito presentemente a respeito, salvo que é a semente primeira e última de tudo quanto existe tanto dentro como sobre a Terra, e corresponde ao Absoluto.

Do sexto estrato, o ígneo, até a superfície da Terra, há certo número de orifícios em diferentes lugares. Seus terminais na superfície são chamados "crateras vulcânicas". Quando as forças da Natureza do sétimo estrato são desencadeadas de modo a poderem se expressar através de uma erupção vulcânica, elas ativam o estrato ígneo (o sexto), e então a agitação se exterioriza através da cratera. A maior parte do material é tomada da substância do segundo estrato, por ser este a contraparte mais densa do sexto estrato, assim como o corpo vital, o segundo veículo do homem, é a contraparte mais densa do Espírito de Vida, o sexto princípio. Este estrato fluídico, com sua qualidade expansiva e sumamente explosiva, assegura um suprimento ilimitado de material no local da erupção. O contato com a atmosfera exterior endurece a parte que não se volatiliza no espaço, formando a lava e a poeira vulcânicas. E da mesma maneira que o sangue ao fluir de uma ferida coagula-se e estanca, assim também a lava, ao final da erupção, cerra o caminho às partes internas da Terra.

Como é fácil deduzir-se do fato, a imoralidade refletida e as tendências anti-espirituais da humanidade é que despertam a atividade destruidora das forças da Natureza no sétimo estrato. Portanto, geralmente são as pessoas dissolutas e degeneradas que sucumbem nessas catástrofes. Essas pessoas, juntamente com outras cujo destino auto-gerado sob a Lei da Conseqüência, por várias razões implica em morte violenta, são conduzidas desde os mais diversos recantos por forças sobre-humanas até o lugar onde deve ocorrer a erupção. Para aquele que pensa, as erupções vulcânicas do Vesúvio, por exemplo, servem para corroborar a afirmação acima.

A lista dessas erupções durante os últimos 2.000 anos mostra que sua freqüência tem aumentado em proporção direta ao crescimento do materialismo. Especialmente nos últimos sessenta anos, na razão em que a ciência materialista cresceu em sua arrogância na absoluta e ampla negação das coisas espirituais, aumentaram em freqüência as erupções vulcânicas. Enquanto nos primeiros mil anos depois de Cristo houve apenas seis erupções, as últimas cinco tiveram lugar num período de 51 anos, como veremos.

A primeira erupção da Era Cristã, no ano 79 D.C., destruiu as cidades de Herculano e Pompéia, em que pereceu Plínio, o Velho. As outras erupções tiveram lugar nos anos de 203,472,512, 652, 982, 1036, 1158, 1500, 1631, 1737, 1794, 1822, 1855, 1872, 1885, 1891 e 1906.

Nos primeiros mil anos ocorreram seis erupções; nos seguintes mil anos aconteceram doze, ocorrendo as últimas cinco num período de 51 anos, como dissemos anteriormente.

Do número total de 18 erupções, as nove primeiras ocorreram na assim chamada "Idade das Trevas", isto é, nos 1.600 anos, durante o qual o Mundo Ocidental foi dominado pelos comumente chamados "Bárbaros" pela Igreja Romana. As restantes sucederam-se nos últimos trezentos anos, durante os quais o advento e desenvolvimento da ciência moderna, com suas tendências materialistas, quase apagou os últimos vestígios de espiritualidade, de modo particular na última metade do Século XIX. Portanto, as erupções deste período compreendem quase um terço do número total das ocorridas em nossa Era.

Para contrabalançar essa influência desmoralizadora, por todo aquele tempo os Irmãos Maiores, em seu constante trabalho pelo bem da humanidade, difundiram muitos ensinamentos ocultos. Pensou-se que oferecendo esses conhecimentos e educando os poucos que ainda queriam recebê-los, seria possível deter a maré de materialismo a qual, caso contrário, poderia produzir conseqüências muito sérias aos seus partidários. Com efeito, tendo estes negado durante tanto tempo a existência espiritual, poderão não ser capazes de manter seu equilíbrio ao perceberem que, embora tendo sido privados do corpo denso pela morte, continuam mais vivos do que nunca. Tais pessoas podem ter de suportar um destino demasiado triste para ser contemplado com equanimidade. Uma das causas da terrível "peste branca", (a tuberculose), é este materialismo, talvez não reconhecível na presente encarnação mas resultado de crenças e afirmações materialísticas anteriores.

Falávamos da morte de Plínio, o Velho, quando da destruição de Pompéja. É interessante seguir o destino de tal cientista, não tanto pelo indivíduo em si mas para compreendermos como o cientista ocultista lê a Memória da Natureza, de como as coisas nela se imprimem e os efeitos das características passadas sobre nossas tendências atuais.

Quando um homem morre, seu corpo denso desintegra-se, mas a soma total de suas forças podem ser encontradas no sétimo Estrato da Terra, ou Refletor, o qual se constitui num repositório em que, como forças, as formas passadas são armazenadas. Assim, conhecendo-se o tempo em que ocorreu a morte de um homem, é possível encontrar sua forma nesse repositório se ali o procurarmos. E não somente está ali armazenada, mas é também multiplicada pelo oitavo, ou Estrato Atômico, de modo que qualquer tipo pode ser reproduzido e modificado por outros e empregado repetidas vezes para a formação de outros corpos. Por conseguinte, as tendências cerebrais de um homem tal como Plínio, o Velho, podem ter-se reproduzido milhares de anos depois, e ser em parte a causa da atual colheita de cientistas materialistas.

Resta ainda muito a aprender e desaprender, para os atuais cientistas materialistas. Ainda que lutem até o último limite contra o que, escarnecendo, qualificam de "idéias ilusórias" dos cientistas ocultistas, estão sendo obrigados a reconhecer suas verdades, a admiti-las uma a uma. É só uma questão de tempo, o serem forçados a aceitá-las todas.

Mesmer, enviado pelos Irmãos Maiores, foi mais do que ridicularizado. Mas quando os materialistas, trocando o nome da força por ele descoberta, chamaram-na de "hipnotismo" ao invés de "mesmerismo", tornou-se "científica imediatamente.

Há vinte anos a senhora Blavatsky, fidelíssima discípula dos Mestres Orientais, disse que a Terra tinha um terceiro movimento além dos dois que produzem o dia, a noite, e as estações. Indicou também que a inclinação do eixo da Terra é causado por um movimento que, a seu tempo, levará o pólo norte para onde atualmente está o equador, e mais tarde ainda o levará ao lugar ocupado agora pelo pólo sul. Isto, afirmou ela, era conhecido pelos antigos egípcios, e referiu-se ao famoso planisfério de Dendera, onde se encontram registradas essas três revoluções. Tais afirmações juntamente com toda a sua insuperável obra "A Doutrina Secreta", foram escarnecidas.

Há poucos anos atrás um astrônomo, Sr. G. E. Sutcliffe, de Bombaim, descobriu e demonstrou matematicamente que Laplace havia se equivocado em seus cálculos. Seu descobrimento e a retificação do dito erro, confirmaram por demonstrações matemáticas a existência do terceiro movimento da Terra, conforme revelado pela senhora Blavatsky. Isto explica o fato estranho de se encontrarem plantas tropicais e fósseis nas regiões polares, pois tal movimento produziria necessariamente, a seu tempo, períodos tropicais e glaciais em todas as partes da Terra, correspondentes às mudanças de posição em relação ao Sol. O Sr. Sutcliffe enviou sua carta e as demonstrações a "Nature", mas essa revista recusou-se a publicá-las. Quando o autor tornou público sua descoberta por meio de um folheto, levantou-se contra ele uma tremenda onda de protestos. Acontece que o Sr. Sutcliffe era um profundo e reconhecido estudante de "A Doutrina Secreta". Isto explica a recepção hostil e as conseqüências inevitáveis, que teve a sua descoberta.

Mais tarde, todavia, um francês que não era astrônomo mas sim mecânico, construiu um aparelho que demonstrava ampla possibilidade da existência de tal movimento. O aparelho foi exibido na "Louisiana Purchase Exhibition", de Saint Louis, e foi aprovado calorosamente por M. Camille Flammarion como digno de investigação. Aqui já se via algo "concreto", algo mecânico, e o editor do "The Monist", ainda que descrevesse o inventor como um homem que trabalhava sob "místicas ilusões" (por acreditar que os antigos egípcios conheciam esse terceiro movimento), esqueceu magnanimamente o fato e disse que isso não lhe tinha feito perder a fé na teoria de M. Beziau. Publicou então um esclarecimento e um ensaio de M. Beziau, em que descrevia o movimento e seus efeitos sobre a superfície da Terra, em termos análogos aos empregados pela senhora Blavatsky e o Sr.Sutcliffe. Como M. Beziau não estava incluído categoricamente no rol dos ocultistas, sua descoberta pôde ser aceita.

Podemos citar muitos exemplos de ensinamentos ocultos que mais tarde foram corroborados pela ciência. Um deles é a teoria atômica, defendida nas filosofias gregas e depois em "A Doutrina Secreta", mas só "descoberta" em 1897 pelo professor Thomson.

Na inestimável obra de A. P. Sinnett - "'The Growth of the Soul" publicada em 1896, o autor afirmava que há dois planetas além da órbita de Netuno, dos quais, acreditava ele, só um seria descoberto pelos astrônomos modernos. Em "Nature" de agosto de 1906, Professor Barnard afirmava que, por meio de um refrator Lick de 36 polegadas, havia descoberto dito planeta em 1892. Nada de mais nisso, entretanto ele esperou catorze anos para anunciar sua descoberta! Não pretendemos levantar nenhuma questão sobre o assunto. O importante é que o planeta existe, e que o livro do Sr. Sinnett anunciava-o dez anos antes de o Professor Barnard reivindicar a prioridade da sua descoberta. É provável que anunciar a descoberta de um novo planeta antes de 1906 pudesse ter perturbado alguma teoria popularmente aceita!

Há muitas teorias semelhantes. A teoria de Copérnico não é de todo exata, assim como há muitos fatos que a elogiada Teoria Nebular por si só não explica. Tycho Brahe, o famoso astrônomo dinamarquês, recusou-se a aceitar a teoria de Copérnico. Tinha muito boas razões para ser fiel à teoria de Ptolomeu, pois, como dizia, através desta os movimentos dos planetas são vistos corretamente, enquanto que pela teoria de Copérnico é necessário empregar-se uma tabela de correções. O sistema de Ptolomeu é correto do ponto de vista do Mundo do Desejo e tem aspectos que são necessários no Mundo Físico.

Para muitos, as afirmações feitas nas páginas anteriores podem ser consideradas fantásticas. Que seja assim. Tempo virá em que todos os homens possuirão os conhecimentos aqui oferecidos. Este livro destina-se aos poucos que, tendo libertado suas mentes dos grilhões da ciência e da religião ortodoxa, estão prontos a aceitá-lo, até que provem estar ele errado.

 

CAPÍTULO XIX - CHRISTIAN ROSENKREUZ E A ORDEM DOS ROSACRUZES

VERDADES ANTIGAS EM ROUPAGENS NOVAS

 

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