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 A LEI DA ASSIMILAÇÃO

Segundo a lei da assimilação uma partícula forma parte do nosso corpo quando, como espíritos, a dominamos e sujeitamos a nós mesmos. Nesse caso, recordemos que as forças ativas são principalmente os nossos "mortos", que entraram no "céu". Ali aprendem a construir corpos para usá-los aqui, porém trabalham de acordo com certas leis que não está em seu poder modificar. Em toda partícula de alimento há vida. Antes de podermos encorporá-la pela assimilação, é necessário que a dominemos e a sujeitemos. Em caso contrário, não poderia haver harmonia no corpo, cada parte agiria independentemente, como acontece quando, pela morte, a vida coordenadora se retira do corpo. Esse é o processo de desintegração, precisamente o oposto da assimilação. Quanto mais individualizada está a partícula que se há de assimilar, tanto maior energia é necessária para digeri-la e tanto menos tempo permanecerá, procurando logo alguma saída para libertar-se.

Os seres humanos não estão organizados de maneira a viver de minerais sólidos. Ao ingerirmos uma substância puramente mineral, o sal, por exemplo, passa através do corpo deixando muito pouco atrás. Porém, o pouco que deixa é de natureza perigosa. Se os minerais pudessem ser empregados pelo homem como alimento seriam ideais por terem pouca estabilidade e ser necessária pouca energia para dominá-los e subjugá-los à vida do corpo. Comeríamos muito menos e menor número de vezes do que agora fazemos. Algum dia, os laboratórios fornecerão alimentos químicos de tal qualidade que se tornarão superiores a quaisquer outros, além da vantagem de estarem sempre frescos. O alimentos obtido de plantas superiores e, sobretudo dos animais, reino superior ao vegetal, é positivamente nauseabundo, por causa da rapidez da desintegração. Esse processo resulta dos esforços das partículas para livrarem-se do conjunto.

O reino vegetal, o próximo superior ao mineral, tem organização capaz de assimilar os compostos dos minerais da Terra. O homem e os animais podem decompor as plantas e assimilar e nutrir-se dos seus compostos químicos, tendo em vista que o reino vegetal, que tem consciência de sono sem sonhos, não oferece resistência alguma à assimilação. É necessária pouca energia para assimilar suas partículas, e como tem muito pouca individualidade própria, a vida que se anima não procura escapar-se de nosso corpo tão rapidamente como as dos alimentos derivados de formas mais desenvolvidas.

A força obtida de uma dieta de vegetais ou de frutos permanece mais do que a derivada de uma dieta de carne. Não é necessário ingerir com tanta freqüência quantidades de alimento vegetal. Proporcionalmente, este alimento fornece mais energia porque, para assimilá-lo, é necessário menor energia.

O alimento obtido de corpos animais compõe-se de particular trabalhadas e interpenetradas por um corpo de desejos individual, e individualizadas. Esta individualização é muito maior que a das partículas vegetais. No animal, cada célula constitui-se numa alma celular individual compenetrada pelas paixões, e desejos do animal. É necessária uma energia considerável, primeiramente para dominá-la e, depois, para poder ser assimilada. Mas nunca fica completamente incorporada ao corpo como os constituintes duma planta, que não tem tendências individuais tão fortes. Resultado: o carnívoro necessita de quantidade maior de alimento que o frutívoro e tem de comer mais freqüentemente. Ainda mais: a luta interna das partículas da carne provoca desgaste e destruição maior do corpo, o que torna o carnívoro menos ativo e menos paciente do que o vegetariano, como tem sido demonstrado em provas realizadas pelos partidários de um e do outro regime.

Portanto, se a carne obtida dos herbívoros é um alimento tão instável, é evidente que seríamos obrigados a consumir quantidades enormes de alimento caso ingeríssemos a carne dos animais carnívoros, que têm as células ainda mais individualizadas. Ocuparíamos a maior parte do nosso tempo comendo e, todavia, estaríamos sempre extenuados e famintos. É o que se pode ver no lobo e no abutre, cuja magreza e fome são proverbiais. Os canibais comem carne humana, mas só em largos intervalos e como guloseima. O homem não faz alimentação exclusivamente de carne. Por isso, sua carne não é completamente igual à de um animal carnívoro. Não obstante, a fome dos canibais é também proverbial.

Se a carne de herbívoro fosse a essência do melhor que há nas plantas, a carne dos carnívoros, logicamente, seria a quinta-essência. A carne dos lobos e dos abutres, muito mais desejável, seria o creme dos cremes. Como sabemos não é assim. Pelo contrário, quanto mais nos aproximarmos do reino vegetal tanto mais energia obteremos do nosso alimento. Se a carne dos animais carnívoros fosse aquele creme, seria muito procurada pelos outros animais de presa, mas exemplos tais como "cão comer cão" são raríssimos na Natureza.

VIVEI E DEIXAI VIVER

A primeira lei da ciência oculta é "não matarás". O aspirante à vida superior deve ter isto muito em conta. Não podendo criar sequer uma partícula de barro, não temos o direito de destruir nem a forma mais insignificante. Todas as formas são expressões da Vida Una, da Vida de Deus. Não temos o direito de destruir a Forma, pela qual a Vida está adquirindo experiência, e obrigá-la a construir um novo veículo.

Ella Wheeler Wilcox, com a verdadeira compaixão de todas as almas avançadas, defende esta máxima ocultista, nas seguintes e formosíssimas palavras:

Eu sou a voz dos que não falam,
Por mim falarão os que são mudos.
Minha voz ressoará nos ouvidos do mundo
Até o cansaço, até que escutem e saibam
Os erros que cometem com os débeis
Que não podem falar.

O mesmo poder formou o pardal,
O homem e o rei.
O Deus do Todo deu uma
Chispa anímica a todos
Os seres de pêlo e pluma.

Eu sou o guardião dos meus irmãos;
Lutarei sua batalha e farei
A defesa do animal e da ave,
Até que o mundo faça
As coisas como se deve.

Objeta-se algumas vezes que também arrebatamos a vida dos vegetais e frutas que comemos. Objeção baseada numa imperfeita compreensão dos fatos. Quando a fruta está madura, já realizou o seu propósito: agir como matriz da semente. Se não é aproveitada, apodrece e perde-se. Além disso, destinada a servir de alimento ao animal e ao homem, ao cair no solo fértil proporciona à semente oportunidade de germinar. O óvulo e o sêmen dos seres humanos são estéreis sem o átomo-semente do Ego reencarnante e sem a matriz do corpo vital. Assim também, qualquer ovo ou semente, isolados, são desprovidos de vida. Mas se lhe são proporcionadas as condições necessárias de incubação, a vida do espírito-grupo neles penetra aproveitando a oportunidade para garantir a produção de um corpo denso. Se esmagamos ou cozinhamos o ovo ou a semente, ou não lhe são proporcionadas as condições necessárias para a vida, a oportunidade se perde. Isto é tudo.

Já sabemos que, no estado atual da nossa jornada evolutiva, matar é um mal. O homem protege e ama aos animais conforme seus gostos e interesses egoístas, (desde que não interfiram em seus direitos). A lei protege até os gatos e cães contra a crueldade desenfreada. Salvo no esporte, a mais desenfreada e covarde de todas as nossas crueldades contra o reino animal, sempre se matam os animais para ganhar dinheiro. Porém os devotos do esporte matam as indefesas criaturas só com o objetivo de obter prestígio, falso prestígio, de sus proezas cinergéticas. É muito difícil compreender como certas pessoas que parecem sãs e carinhosas possam durante um momento, abandonar seus sentimentos humanitários e saciar uma selvagem sede de sangue, matando para satisfazer sua luxúria sanguinária e gozar da destruição. Certamente, isto é um retrocesso aos instintos mais inferiores e selvagens. Não pode nunca dignificar um homem e muito menos dar-lhe foros de "superior", ainda que tal prática seja defendida pelas nações mais poderosas e, em outros sentidos, humanas.

Não seria mais belo o homem assumir seu papel de amigo e protetor do fraco? A quem não agrada visitar o Central Park de Nova York, acariciar e dar de comer às centenas de esquilos que correm de um a outro lado, na certeza de que não serão molestados? Quem não se alegra ao ver o letreiro que diz: "Serão mortos os cães que forem apanhados caçando esquilos"? Isto é duro para os cães, sem dúvida, mas evidencia o crescente sentimento favorecedor e protetor do débil contra a força irracional e egoísta do forte. Nada diz o letreiro dos prejuízos que os homens pudessem causar aos esquilos, o que seria inadmissível. Tão grande é a confiança dos pequeninos e alegres animaizinhos na bondade do homem que este não a violaria.

A ORAÇÃO DO SENHOR

Voltamos a considerar as ajudas espirituais no progresso humano, podemos comparar a Oração do Senhor (Pai Nosso) como uma fórmula abstrata ao melhoramento e purificação de todos os veículos do homem. O cuidado a prestar ao corpo denso está expresso nas palavras: "o pão nosso de cada dia dai-nos hoje".

A oração que se refere às necessidades do corpo vital é: "perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores".

O corpo vital é a sede da memória. Nele estão arquivadas subconscientemente as lembranças de todos os acontecimentos passados, bons ou maus, isto é, tanto a injúria como os benefícios feitos ou recebidos. Lembremos que, ao morrer, as recordações da vida são tomadas desses arquivos imediatamente depois de abandonar-se o corpo denso e que todos os sofrimentos da existência "post mortem" são resultado dos acontecimentos aí registrados como imagens.

Se pela oração contínua obtemos o perdão ou esquecimento das injúrias que tenhamos praticado e procuramos prestar toda compensação possível, purificamos nossos corpos vitais. Esquecer e perdoar àqueles que agiram mal contra nós elimina todos os maus sentimentos e salva-nos dos sofrimentos "post mortem". Além disso, prepara o caminho para a Fraternidade Universal, que depende mui especialmente da vitória do corpo vital sobre o corpo de desejos. As idéias de vingança são impressas pelo corpo de desejos, em forma de memória, sobre o corpo vital. A vitória sobre isso é indicada por um temperamento equânime em meio dos incômodos e sofrimentos da vida. O aspirante deve cultivar o domínio próprio, porque tem ação benéfica sobre os dois corpos. A Oração do Senhor exerce o mesmo efeito porque ao fazer-nos ver que estamos injuriando os outros voltamo-nos para nós mesmos e resolvemo-nos a descobrir as causas. Uma dessas causas é a perda do domínio próprio, originada no corpo de desejos.

Ao desencarnar, a maioria dos homens deixa a vida física com o mesmo temperamento que trouxe ao nascer. O aspirante deve conquistar, sistematicamente, todos os arrebatamentos do corpo de desejos e assumir o próprio domínio. Isto efetua-se pela concentração sobre elevados ideais, que vigoriza o corpo vital. É um meio muito mais eficaz do que as orações da igreja. O ocultista cientista prefere empregar a concentração à oração porque a primeira realiza-se com o auxílio da mente, que é fria e insensível, enquanto a oração, geralmente, é ditada pela emoção. Feita com devoção pura e impessoal, dirigida a elevados ideais, a oração é muito superior à fria concentração. Aliás, nunca poderá ser fria, porque voa para Divindade sobre as asas do Amor, a exaltação do místico.

A oração para o corpo de desejos é: "Não nos deixeis cair em tentação". O desejo, o grande tentador da humanidade, é o grande incentivo para a ação. É bom quando cumpre os propósitos do espírito, mas quando se inclina para algo degradante, para algo que rebaixa a Natureza, certamente devemos rogar para não cair em tentação.

O Amor, a Fortuna, o Poder, a Fama! Eis os quatro grandes motivos de toda ação humana. O desejo de alguma ou várias destas coisas é o motivo por que o homem faz ou deixa de fazer algo. Os grandes Guias da humanidade agiram sabiamente quando lhe deram tais incentivos para a ação, a fim de obter experiências e aprender. O aspirante deve continuar usando-os como motivos de ação, firmemente, mas deve transmutá-los em algo superior. Por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor egoísta que busca a posse de outro corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundados em egoísticas razões pessoais.

O amor a que se deve aspirar é unicamente o da alma, que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.

A Fortuna pela qual se deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.

O Poder que se deve desejar é o que atua melhorando a humanidade.

A Fama a que se deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.

A oração para a mente é: "Livrai-nos do mal". Como vimos, a mente é a ligação entre as naturezas superior e inferior. Admite-se que os animais sigam os seus desejos sem nenhuma restrição. Nisso nada há de bom nem de mau porque lhes falta a mente, a faculdade de discernir. Os meios de proteção empregados para com os animais que roubam e matam são muito diferentes do empregado em relação aos seres humanos que fazem tais coisas. Mesmo quando um homem de mente anormal faz isso não se considera da mesma forma que ao animal. Agiu mal, mas porque não sabia o que fazia é isolado.

O homem conheceu o bem e o mal quando seus olhos mentais se abriram. Aquele que realiza a ligação da mente ao Eu superior permanentemente, é pessoa de elevado entendimento. Se, pelo contrário, a mente está ligada à natureza emocional inferior, a pessoa tem mentalidade inferior.

Por tais razões, a oração para a mente traduz a aspiração de nos libertarmos das experiência resultantes da aliança da mente com o corpo de desejos e de tudo quanto tal aliança origina.

No aspirante à vida superior, a união entre as naturezas superior e inferior é realizada pela Meditação sobre assuntos elevados, pela Contemplação que consolida essa união e, depois, pela Adoração que, transcendendo os estados anteriores, eleva o espírito ao Trono.

No "Pai Nosso" geralmente usado na igreja, a adoração está colocada em primeiro lugar, o que tem por fim alcançar a exaltação espiritual necessária para proferir uma petição que represente as necessidades dos veículos inferiores.

Cada aspecto do tríplice espírito, começando pelo inferior, expressa adoração ao aspecto correspondente da Divindade. Quando os três aspectos do espírito estão colocados ante o Trono da Graça, cada um emite uma oração apropriada às necessidades da sua contraparte material. No fim os três unem-se para proferir a oração da mente.

O Espírito Humano se eleva à sua contraparte, o Espírito Santo (Jeová), dizendo: "Santificado seja o Vosso Nome". O Espírito de Vida reverencia-se ante sua contraparte, o Filho (Cristo), dizendo: "Venha a nós o Vosso Reino".

O Espírito Divino ajoelha-se ante sua contraparte, o Pai, e diz: "Seja feita a Vossa Vontade...".

Então, o mais elevado, o Espírito Divino, pede ao mais elevado aspecto da Divindade, o Pai, para a sua contraparte, o corpo denso: "O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje".

O próximo aspecto, em elevação, o Espírito de Vida, roga ao Filho, pela sua contraparte em natureza inferior, o corpo vital: "Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores".

O aspecto inferior do espírito, o Espírito-Humano, dirige o seu pedido ao aspecto mais inferior da Divindade para o mais elevado do tríplice corpo, o de desejos: "Não nos deixeis cair em tentação".

Por último, os três aspectos do tríplice espírito juntam-se para a mais importante das orações, o pedido pela mente, dizendo em uníssono: "Livrai-nos do mal".

A introdução, "Pai nosso que estais no Céu" é somente um indicativo de direção. A adição: "Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém" não foi dada por Cristo, mas é muito apropriada como adoração final do tríplice espírito por encerrar a diretriz correta para a Divindade.

O diagrama 16 ilustra a explicação antecedente de forma fácil e simples, mostrando a relação entre as diferentes orações, em suas respectivas cores e os veículos correspondentes.

 

 O VOTO DE CASTIDADE

A perversão sexual, ou erotomania, comprova a afirmação dos ocultistas de que uma parte da força sexual constrói o cérebro: O erotómano converte-se em idiota, incapaz de pensar, porque exterioriza não somente a parte negativa ou positiva da força sexual (seja homem ou mulher), empregada normalmente pelos órgãos sexuais para a geração, mas exterioriza também parte da força que, dirigida ao cérebro, organiza-lo-ia e tornaria apto a pensar. Daí, as deficiências mentais que apresenta.

Se a pessoa se dedica a pensamentos espirituais, a tendência para empregar a força sexual na propagação é muito pequena. Qualquer parte dela que não use pode ser transformada em força espiritual. Por esta razão, em certo grau de desenvolvimento, o Iniciado faz o voto de celibato. Não é uma resolução fácil de tomar nem pode ser feita à ligeira por qualquer pessoa que deseje desenvolver-se espiritualmente. Muitos homens imaturos para a vida superior, encadearam-se quando se sujeitaram a uma vida ascética. Tais pessoas são tão perigosas para a comunidade como os erotómanos imbecis.

No estado atual da evolução humana, a função sexual é o meio pelo qual são formados os corpos usados pelo espírito para obter experiência. Geralmente, as pessoas mais prolíficas e que seguem os impulsos geradores sem reserva, são de categoria inferior. As entidades em via de renascimento dificilmente encontram ambientes que permitam desenvolver suas faculdades de forma a beneficiarem-se e a beneficiarem a humanidade. Muitas pessoas das classes ricas poderiam oferecer condições mais favoráveis, mas em geral têm poucos filhos ou nenhum. Não porque vivam uma vida sexualmente abstênica, mas por razões completamente egoístas, para maior comodidade e para poderem entregar-se à paixão sexual ilimitadamente, sem arcar com as dificuldades da família. Entre as classes médias, as famílias também são limitadas, mas nestas as razões são predominantemente econômicas. Procuram educar um ou dois filhos, dando-lhes vantagens que não poderiam proporcionar-lhes se tivessem quatro ou cinco.

Dessa maneira anormal, o homem exercita a prerrogativa divina de produzir a desordem na Natureza. Os Egos a ponto de renascer têm de aproveitar-se das oportunidades que se apresentam, às vezes sob condições desfavoráveis. Outros que não podem renascer nessas circunstâncias, esperam até apresentar-se ocasião mais favorável. Através dos nossos atos afetamo-nos uns aos outros e, deste modo, os pecados dos pais caem sobre os filhos, porque assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo no homem. O mau uso ou abuso desse poder é um pecado que não se pode perdoar; deve expiar-se, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força criadora é santa.

Os aspirantes à vida superior, ansiosos por viver uma nobre vida espiritual, muitas vezes olham a função sexual com horror, por causa das misérias que o seu abuso tem trazido à humanidade. Nem querem ver o que consideram uma impureza, esquecendo-se de que homens como eles (que deram boas condições aos seus veículos por meio de alimentação apropriada e saudável, de elevados e bondosos pensamentos e de vida espiritual) são, precisamente, os que estão em melhores condições para gerar corpos densos apropriados às necessidades de desenvolvimento das entidades que os esperam para renascer. Todos os ocultistas sabem que, atualmente, muitos Egos elevados não podem renascer, em prejuízo da raça, por não encontrarem pais suficientemente puros para proporcionar-lhes os veículos físicos convenientes.

A função sexual tem seu lugar na economia do mundo. Quando empregada devidamente, fornece corpos, fortes e cheios de saúde que o homem necessita para o seu desenvolvimento. Não há maior bênção para o Ego. Quando, inversamente, dela se abusa, não há maior desgraça, converte-se num manancial de todos os males, a verdadeira herança da carne.

É uma grande verdade que "nenhum homem vive somente para si". As nossas palavras e ações afetam constantemente os outros. Se agirmos retamente, podemos ajudar ou prejudicar vidas mas se descuidamos nossos deveres podemos frustrá-las. Primeiramente, dos que estão em imediato contato conosco; depois, dos habitantes da Terra e, talvez ainda, outras além.

Ninguém tem o direito de procurar a vida superior sem ter cumprido antes seus deveres para com a família, o país e a raça humana. Deixar tudo de lado, egoisticamente, e viver unicamente para o próprio desenvolvimento espiritual é tão repreensível como desinteressar-se absolutamente pela vida espiritual. Antes, é ainda pior. Quem cumpre seus deveres na vida ordinária da melhor maneira que pode, dedicando-se ao bem-estar dos que de si dependem, está cultivando a faculdade fundamental, o dever. E, certamente, avançará tanto que despertará à chamada da vida superior. Apoiado no dever anteriormente cumprido, encontrará grande auxílio nesse trabalho. O homem que deliberadamente volta as costas aos deveres atuais para dedicar-se à vida espiritual, com certeza será coagido a voltar ao caminho do dever, do qual se afastou equivocadamente. Não poderá escapar sem que tenha aprendido a lição.

Certas tribos da Índia fazem muito boa divisão de sua vida: os primeiros 20 anos são dedicados à educação; dos 20 aos 40 dedicam-se à criação da família, o resto do tempo é aplicado no desenvolvimento espiritual, sem nenhum cuidado físico que incomode ou distraia a mente. Durante o primeiro período a criança é mantida por seus pais. No segundo, o homem, além de sustentar a família, cuida dos pais, enquanto eles estão dedicando sua atenção às coisas elevadas e, durante o resto da vida, é mantido por seus filhos.

É um método muito bom, completamente satisfatório para um povo que, totalmente, do berço ao túmulo, sente necessidades espirituais. Aliás, em tal extensão que equivocadamente descuidam o desenvolvimento material, salvo quando se vêem impelidos pelo látego da necessidade. Os filhos sustentam carinhosamente os pais, seguros de que, por sua vez, serão sustentados pelos seus filhos e poderão dedicar-se por completo à vida superior, depois de terem cumprido seus deveres para com o seu país e a humanidade. No mundo ocidental, onde as necessidades espirituais não são sentidas e o homem corrente se desenvolve só materialmente, tal norma de vida seria impossível de realizar-se.

A aspiração espiritual precisa ser amadurecida pelo tempo e só chega quando se obtém as condições particulares sob as quais devemos procurar satisfazê-la. É preciso suportar qualquer dever que pareça uma restrição. Se o cuidado da família impede alguém de consagrar-se inteiramente àquilo que deseja, não seria justificado que o aspirante descuidasse seus deveres, dedicando todo seu tempo e energia a propósitos espirituais.

Deve-se fazer esforços para satisfazer tais aspirações, mas de modo a não interferirem com os deveres da família.

Se o desejo de castidade nasce numa pessoa que mantém relações matrimoniais com outra, as obrigações de tais relação não podem ser esquecidas. Seria um grave erro viver castamente debaixo de tais circunstância, procurando fugir do apropriado cumprimento do dever. A respeito deste dever há uma linha de conduta para os aspirantes à vida superior, diferente da do homem comum.

Para a maioria da humanidade, o matrimônio é como que a aprovação de uma licença para a gratificação dos seus desejos sexuais. Talvez seja assim aos olhos das leis humanas mas à luz da verdadeira Lei não, porque nenhuma lei feita pelos homens pode reger este assunto. A ciência oculta afirma que a função sexual nunca deve ser exercida para gratificar os sentidos, mas somente para a propagação. Portanto, é justo que o aspirante à vida superior se negue ao ato com seu cônjuge, a menos que seu objetivo seja conseguir um filho. Mesmo assim, devem ambos gozar perfeita saúde física, moral e mental. Em caso contrário, a união produziria um corpo débil ou degenerado.

Sendo cada pessoa dona do próprio corpo, é responsável, ante a lei de Conseqüência, por qualquer mau uso resultante do abandono do corpo a outrem, por fraqueza da vontade.

Contemplando o assunto à luz do precedente, do ponto de vista da ciência oculta, as pessoas de corpo e mente saudáveis têm o dever, e ao mesmo tempo o privilégio (que deve ser exercitado com gratidão pela oportunidade) de criar veículos para as entidades, tanto quanto seja compatível com a saúde e com a capacidade de assistência. Com indicamos, os aspirantes à vida superior têm especialmente essa obrigação, porque a purificação produzida em seus corpos qualifica-os, mais do que a humanidade comum, para gerar veículos puros. Assim procedendo concedem veículos apropriados a entidades elevadas. Ao facilitarem a esses Egos oportunidades de renascerem e exercerem sua necessária influência, ajudam à humanidade.

Empregando a força sexual do modo indicado, a função terá lugar muito poucas vezes na vida e, praticamente, toda a força sexual poderá ser empregada para fins espirituais. Não é o uso mas o abuso que produz todas as perturbações e que interfere com a vida espiritual. Não há necessidade alguma de abandonar a vida superior quando não se possa ser casto, nem é necessário ser estritamente casto para passar pelas iniciações menores.

O voto de absoluta castidade relaciona-se unicamente com as Grandes Iniciações. Mesmo nestas, um só ato de fecundação pode ser necessário alguma vez, como um sacrifício, como aconteceu quando se preparou o corpo para Cristo.

Pode-se acrescentar, também, que é pior estar sofrendo o abrasador desejo e pensando constantemente e vividamente na gratificação dos sentidos do que viver a vida matrimonial com moderação. Cristo ensinou que os pensamentos impuros são maus e talvez piores do que os atos impuros, porque os pensamentos podem ser repetidos indefinidamente, enquanto os atos têm sempre algum limite.

O aspirante à vida superior só pode triunfar na medida da subjugação da natureza inferior. Contudo, deve guardar-se muito bem para não ir de um extremo ao outro.

 O CORPO PITUITÁRIO E A GLÂNDULA PINEAL

No cérebro, aproximadamente na posição indicada pelo diagrama 17, há dois pequenos órgãos chamados corpo pituitário e glândula pineal. A ciência médica não sabe quase nada a seu respeito nem de outras glândulas do corpo.

A ciência chama à glândula pineal "terceiro olho atrofiado". Nenhum daqueles órgãos está se atrofiando. Isto é um manancial de perplexidades para os cientistas. A Natureza nada conserva inútil. Em todo o corpo encontramos órgãos em desenvolvimento ou em atrofia. Sendo estes assim como marcos milenares no caminho seguido pelo homem até o seu estado atual de desenvolvimento, indicando futuros aperfeiçoamentos e desenvolvimentos. Por exemplo, os músculos que os animais empregam para mover a orelha existem também no homem. Muito poucas pessoas podem movê-los, estão atrofiando. O coração pertence à classe dos que indicam desenvolvimento futuro. Como já indicamos, está a converter-se num músculo voluntário.

O corpo pituitário e a glândula pineal pertencem a outra classe de órgãos, que atualmente não degeneram nem se desenvolvem: estão adormecidos.

Num passado remoto, o homem estava em contato com os mundos "internos", e esses órgãos eram o meio de ingresso. Estavam relacionados com o sistema nervoso simpático ou involuntário. No Período Lunar, última parte da Época lemúrica e primeira da Atlante, o homem via os mundos internos. As imagens apresentavam-se-lhe completamente independentes da sua vontade. Os centros dos sentidos do corpo de desejos giravam em direção contrária à dos ponteiros de um relógio (seguindo negativamente o movimento da Terra, que gira em torno do eixo, nesse direção) como atualmente os dos médiuns. Na maioria dos homens esses centros são inativos, mas o desenvolvimento apropriado pô-los-á em movimento, na mesma direção em que giram os ponteiros de um relógio, com se explicou anteriormente. Essa é a parte difícil no desenvolvimento da clarividência positiva.

O desenvolvimento da mediunidade é muito mais fácil; é simples revivificação da função negativa que possuía o homem no antiquíssimo passado, pela qual o mundo externo refletia-se nele e cuja função era retida pela endogamia. Nos atuais médiuns essa faculdade é intermitente. Sem razão alguma aparente podem "ver" umas vezes e outras não. Ocasionalmente, o intenso desejo do interessado permite ao médium pôr-se em contato com a fonte de informação que procura e nessas ocasiões vê corretamente. Mas, nem sempre se porta honestamente. Tendo de pagar despesas de aluguel e outras, quando lhe falta o poder (sobre o qual não tem o menor domínio consciente) recorre à fraude e diz qualquer absurdo que lhe ocorra para satisfazer o cliente e não perder o dinheiro, desacreditando aquilo que noutras ocasiões realmente viu.

O aspirante à verdadeira visão e discernimento espiritual deve, antes de tudo, dar provas de desinteresse. O clarividente idôneo não tem "dias livres" nem, de nenhum modo, é como um espelho negativo, dependente dos reflexos que de qualquer forma o possam atingir. Em qualquer momento, pode olhar e ver os pensamentos e planos dos demais, sempre que dirija sua atenção especialmente para isso.

É fácil de compreender o grande perigo que traria à sociedade o uso indiscriminado desse poder, se estivesse em mãos de qualquer indivíduo, visto que por meio dele, podem ser lidos os mais secretos pensamentos. O Iniciado, pelo voto mais solene, obriga-se a não empregar jamais esse poder para servir seus interesses individuais, sequer em grau mínimo, nem para salvar-se de qualquer dor ou tormento. Pode dar de comer a cinco mil pessoas, se o deseja, mas não pode converter uma pedra em pão para aplacar a própria fome. Pode curar os outros da paralisia ou da lepra, mas não pode usar a Lei do Universo para curar suas próprias feridas mortais. Está ligado a um voto de absoluto desinteresse e, por isso, é sempre certo que o Iniciado, ainda que possa salvar os outros, não pode salvar-se.

O clarividente educado, o que realmente tem algo a dar, não aceitará jamais nenhum donativo ou qualquer compensação para exercer sua faculdade. Mas, dará e dará desinteressadamente, tudo o que considere necessário ou compatível com o destino gerado ante a lei de Consequência pela pessoa a quem vá ajudar.

Usa-se a clarividência desenvolvida para investigar os fatos ocultos. É a única que serve realmente para esse objetivo. Portanto, o estudante deve sentir um desejo santo e desinteressado de ajudar a humanidade e não um desejo de satisfazer uma tola curiosidade. Enquanto esse desejo superior não exista, não se pode fazer progresso algum em direção à clarividência positiva.

Nas idades transcorridas desde a Época Lemúrica, a humanidade construiu gradualmente o sistema nervoso cérebro-espinhal, o qual está sob o controle da vontade. Na última parte da Época Atlante, o sistema já estava tão desenvolvido que foi possível ao Ego tomar posse plena do corpo denso. Isto, como já foi descrito, efetuou-se quando o ponto do corpo vital se pôs em correspondência com o ponto da raiz do nariz do corpo denso. O espírito interno despertou para o Mundo Físico, e a maior parte da humanidade perdeu a consciência dos mundos internos.

Desde esse tempo, a conexão entre a glândula pineal, o corpo pituitário e o sistema nervoso cérebro-espinhal foi se realizando lentamente e já quase está completa.

Para voltar a obter o contato com os mundos internos tudo se resume em despertar de novo o corpo pituitário e a glândula pineal. Quando isto se realizar o homem possuirá novamente a faculdade de perceber os mundos superiores, porém em mais alto grau do que antes, porque estará em conexão com o sistema nervoso voluntário e, portanto, sob o domínio da vontade. Essa faculdade de percepção abrir-lhe-á todas as fontes do conhecimento. Comparados com este meios de adquirir conhecimento, todos os demais métodos de investigação não são mais do que brinquedos de crianças.

O despertar desses órgãos efetua-se por meio da educação ou treinamento esotérico, que agora descreveremos, tanto quanto se possa fazer publicamente.

TREINAMENTO ESOTÉRICO

 

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