Make your own free website on Tripod.com

 

NÃO A PAZ, MAS A ESPADA

Todas as Religiões de Raça são do Espírito Santo. Baseadas na lei, são insuficientes, porque produzem o pecado e acarretam a morte, a dor e a tristeza.

Todos os Espíritos de Raça sabem disso e compreendem que suas religiões são, tão somente, passos necessários para atingir algo melhor. Todas as Religiões de Raça, sem exceção, indicam Alguém que virá, o que demonstra a assertiva anterior. A religião dos persas indica a Mithras; a dos Caldeus, a Tammuz. Os antigos deuses do norte previam a aproximação da "Luz dos Deuses", quando Surt, o brilhante Sol-Espiritual viesse substituí-los e uma nova e mais formosa ordem se estabelecesse em "Gimle", a Terra regenerada.

Os egípcios esperavam a Horus, o Sol recém-nascido. Mithras e Tammuz são também simbolizados como órbitas solares e todos os templos principais eram construídos com frente para Leste, para que os raios do Sol nascente pudessem brilhar diretamente através das portas abertas. O templo de São Pedro, em Roma, foi assim edificado. Todos estes fatos demonstram que, geralmente, era sabido que Aquele que viria seria um Sol Espiritual, para salvar a humanidade das influências separatistas das Religiões de Raça.

Essas religiões eram passos necessários à humanidade a fim de prepará-la para a vinda de Cristo. O homem deve primeiramente cultivar um "eu", antes de poder ser desinteressado e compreender o aspecto superior da Fraternidade Universal, que exprime unidade de propósitos e interesses. Cristo lançou as primeiras bases da Fraternidade Universal em sua primeira vinda. Tal Fraternidade será coisa verdadeiramente realizada quando Ele voltar.

Como o princípio fundamental de toda Religião de Raça é a separação, que indica o engrandecimento próprio a expensas de outros homens e nações, é evidente que, levado às suas últimas conseqüências, esse princípio teria necessariamente uma tendência destrutiva e frustraria a evolução, a menos que a religião de raça fosse substituída por uma religião mais construtiva.

As religiões separatistas do Espírito Santo devem dar lugar à unificante religião do Filho, a Religião Cristã.

A lei deve ceder lugar ao Amor, e as raças e nações separadas devem unir-se numa Fraternidade Universal, tendo Cristo como Irmão Maior.

A Religião Cristã não teve ainda o tempo necessário para realizar esse grande objetivo. Até agora o homem está sob a influência do dominante Espírito de Raça. Os ideais do Cristianismo ainda são demasiado elevados para ele. O intelecto pode ver nesses ideais algumas belezas e facilmente admite que devemos amar os nossos inimigos, mas as paixões do corpo de desejos permanecem demasiado fortes. Sendo a lei do Espírito de Raça "olho por olho", o sentimento afirma: "vingar-me-hei". O coração pede Amor, mas o Corpo de Desejos anseia por vingança. O intelecto vê, em abstrato, a beleza de amar os nossos inimigos mas, nos casos concretos, alia-se aos sentimentos vingativos do corpo de desejos com a desculpa de fazer justiça, porque "o organismo social deve ser protegido".

É motivo de satisfação, não obstante, que a sociedade sinta desejo de criticar os métodos empregados. Os métodos corretivos e a misericórdia vão-se tornando cada vez mais preponderantes na administração das leis, como demonstrou a favorável acolhida feita a essa instituição moderna, os Tribunais para Menores. Podemos notar outras manifestações desta tendência na freqüência com que são suspensas as sentenças e deixados à prova prisioneiros convictos, e no espírito da humanidade que nos tempos atuais se usa para com os prisioneiros de guerra. É a vanguarda do sentimento de Fraternidade Universal que está fazendo sentir sua influência, lenta mas seguramente.

Embora o mundo esteja progredindo e, por exemplo, tenha sido fácil ao autor assegurar boa assistência às conferências feitas em diversas cidades que visitou (havendo jornais que lhe dedicou páginas inteiras e até primeiras páginas) enquanto se limitou a falar dos mundos superiores e dos estados post-mortem, pôde comprovar que tão logo era abordado o tema da Fraternidade Universal, seus artigos passavam sempre para o cesto de papéis.

Em geral, o mundo não gosta de considerar coisas que julga "demasiado" altruístas. Deve haver uma razão para isso. Não considera norma de conduta natural a que não ofereça uma oportunidade de "conseguir alguma coisa dos seus semelhantes". As empresas comerciais são planejadas e conduzidas segundo este princípio. Ante a mente desses que estão escravizados ao desejo de acumular riquezas inúteis, a idéia da Fraternidade Universal evoca as terríveis visões da abolição do capitalismo e sua inevitável conseqüência, a exploração dos demais, e enfim, o fatal naufrágio dos "interesses de negócios". A palavra "escravizados" descreve exatamente a condição. De acordo com a Bíblia, o homem deveria ter domínio sobre o mundo mas, nas grande maioria dos casos, o inverso é a verdade: o mundo é que tem domínio sobre o homem. Cada homem que tenha interesses próprios admitirá, em momentos de lucidez, que as posses constituem uma fonte inesgotável de aborrecimentos, que se vê constantemente obrigado a traçar planos para conservar seus bens, ou pelo menos cuidar deles para evitar perdê-los, pois sabe "por dura experiência" que os outros estão sempre procurando tomá-los. O homem é escravo de tudo aquilo que, por inconsciente ironia, chama de "minhas posses" quando, em realidade, são elas que o possuem. Bem disse o Sábio de Concord: "São as coisas que vão montadas e cavalgam sobre a humanidade".

Este estado resulta das Religiões de Raça e seus sistemas de leis; por isso, todas elas assinalam "Aquele que deve vir". A Religião Cristã é a única que não espera Aquele que deve vir, mas sim Aquele que deve voltar. Sua volta se fará quando a Igreja se liberte do Estado. A Igreja, especialmente na Europa, está atrelada ao carro do Estado. Os ministros de Igreja encontram-se coibidos por considerações econômicas, não se atrevem a proclamar as verdades que seus estudos lhes têm revelados.

Recentemente, um viajante assistiu, em uma igreja de Copenhague (Dinamarca), a uma cerimônia de confirmação. Naquele país, a Igreja está sob o domínio do Estado e todos os seus ministros estão sob o poder temporal. Os fiéis nada têm a dizer sobre o assunto. Podem freqüentar a igreja ou não, como queiram, mas são obrigados a pagar as taxas que sustentam a instituição.

Além de efetuar os ofícios sob a direção do Estado, o pastor da igreja visitada era condecorado com várias ordens conferidas pelo rei. O brilho das faixas oficiais era um silencioso mas eloqüente testemunho da grande escravidão a que está submetida a Igreja pelo Estado. Durante a cerimônia, o pastor rogou pelo rei e pelos legisladores, para que estes pudessem reger o país sabiamente.

Enquanto existirem reis e legisladores, essa oração será muito apropriada, mas foi muito chocante ouvi-lo exclamar ao final: "...e, o Todo-Poderoso Deus, protege e fortifica nosso exército e armada".

Uma oração semelhante só demonstra claramente que o Deus adorado é o Deus da Tribo ou Nacional, o Espírito de Raça. O último ato de Cristo-Jesus foi arrancar a espada das mãos do amigo que queria protegê-lo, todavia, Ele disse que não tinha vindo para trazer a paz, mas uma espada. Disse-o porque previa os mares de sangue que as nações "cristãs" militantes provocariam, em conseqüência da má interpretação dos seus ensinamentos. Seus elevados ideais não podiam ser imediatamente alcançados pela humanidade. São terríveis os assassínios nas guerras e outras atrocidades semelhantes, mas são também potentes ilustrações daquilo que o Amor há de abolir.

É aparente a contradição entre as palavras de Cristo-Jesus ( "Eu não venho trazer a paz, mas uma espada" ) e as palavras do cântico celestial que anunciava o nascimento de Jesus: "Paz na Terra, e boa vontade entre os homens".

É a mesma contradição aparente que existe entre as palavras e os atos de uma mulher que diz: "vou limpar toda a casa e arrumá-la". E começa a tirar os tapetes, a empilhar as cadeiras, etc., produzindo uma desordem geral na casa anteriormente em ordem. Quem observasse unicamente este aspecto, poderia exclamar justificadamente: "está pondo as coisas piores do que antes". Mas, quando compreender o propósito do trabalho, compreenderá também a momentânea desordem, sabendo que a casa ficará, depois, em melhores condições.

Analogamente, devemos ter presente que o tempo transcorrido desde a vinda de Cristo-Jesus não é mais do que um momento, quando comparado com um só Dia de Manifestação. Aprendemos a conhecer, como Whitman, "a amplitude do tempo", e a olhar além das passadas e presentes crueldades e dos zelos das seitas em guerra, a caminho da Fraternidade Universal. Esta marcará o grande novo passo do progresso humano em sua larga e gloriosa jornada desde o barro até Deus, desde o protoplasma até a consciente unidade com o Pai, esse

. . . distante e divino acontecimento,

Para o qual se move a criação inteira.

O pastor anteriormente mencionado, ao receber os fiéis na igreja disse-lhes, durante a cerimônia, que Jesus-Cristo eram um indivíduo composto: Jesus era a parte humana mortal, enquanto Cristo era o Espírito imortal e divino. Se o assunto fosse discutido, cremos, ele não sustentaria a afirmação, apesar de ter anunciado um fato oculto.

A ESTRELA DE BELÉM

A unificante influência de Cristo foi simbolizada na formosa lenda da adoração dos três reis magos ou "sábios do Oriente", tão maravilhosamente descrita pelo General Lew Wallace, em sua encantadora história "Ben Hur".

Os três sábios, Gaspar, Melchior e Baltazar, representam as raças branca, amarela e negra, e simbolizam os povos da Europa, Ásia e África guiados pela Estrela ao Salvador do Mundo, diante de Quem "todo joelho se dobraria" e a Quem "toda língua louvaria", Aquele que uniria todas as nações debaixo da bandeira da Paz e da boa vontade. Aquele que levaria os homens a "converter suas lanças em arados e suas espadas em foices".

Diz-se que a Estrela de Belém apareceu ao nascer Jesus e guiou os três sábios para o Salvador.

Muito se especulou acerca da natureza dessa estrela. A maioria dos homens de ciência materialista tem declarado que ela não passa de um mito, enquanto para outros, se fosse algo mais do que um mito, seria a simples "coincidência" de dois sóis mortos que, ao chocarem-se teria produzido uma explosão. Não obstante, todo místico conhece a "Estrela", sim, e a "Cruz" também, não somente como símbolos relacionados com a vida de Jesus e de Cristo-Jesus, mas também através de suas experiências pessoais. Paulo disse: "até que o Cristo nasça de vós"; e o místico Angelus Silesius escreveu:

Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém,

Se não nasce dentro de ti, tua alma segue extraviada.

Olharás em vão a cruz do Gólgota,

Enquanto ela não se erguer dentro de ti mesmo.

Ricardo Wagner mostrou seu conhecimento intuitivo de artista quando, à pergunta de Parsifal: Quem é o Graal? - responde Gurnemanz:

Não podemos dizer-te;

Porém se foste guiado por Ele,

Não te será oculta a verdade.

... Nenhum caminho conduz até Ele

E procurá-Lo é inútil,

Salvo se Ele mesmo for o Guia.

Sob a "antiga dispensação" o caminho da Iniciação não estava aberto senão para poucos escolhidos. Alguns podiam procurar o caminho, mas só os guiados ao Templo pelos Hierofantes podiam encontrar a entrada. Antes da vinda de Cristo, não havia convite algum semelhante ao atual: "Todo aquele que queira pode vir".

No momento em que o sangue fluiu no Gólgota "o véu do Templo rasgou-se" (por razões que agora serão explicadas) e, daí para diante, quem procura sua admissão, encontra-a.

Nos Templos de Mistérios, os Hierofantes ensinavam aos discípulos que no Sol há uma força espiritual além de energia física. Esta última, a dos raios solares, é o princípio fecundante da Natureza. Produz o crescimento das plantas, sustenta e conserva os reinos animal e humano. É uma energia construtora, fonte de toda força física. Alcança mais elevada expressão em meados do verão, quando os dias são maiores e mais curtas as noites, porque os raios solares caem diretamente sobre o hemisfério norte. Nesse tempo, as forças espirituais são mais inativas.

Pelo contrário, em dezembro, durante as longas noites de inverno, a força física solar está adormecida e as forças espirituais alcançam seu grau máximo de intensidade (No hemisfério norte)

A noite entre 24 e 25 de dezembro é, em todo o ano, a Noite Santa por excelência. O signo zodiacal da imaculada Virgem Celestial está sobre o horizonte oriental à meia-noite, e o Sol do ano novo nasce e começa sua jornada do ponto mais austral, em direção ao hemisfério norte, para (fisicamente) salvar essa parte da humanidade da obscuridade e da fome inevitáveis, caso permanecesse sempre abaixo do Equador.

À meia-noite de 24 de dezembro, para os povos do hemisfério norte, onde nasceram todas as religiões atuais, o Sol está diretamente abaixo da Terra e as influências espirituais são fortíssimas.

Em tal momento, nessa noite, aos que desejassem, pela primeira vez, dar um passo na Iniciação, seria muitíssimo mais fácil porem-se em contato consciente com o Sol Espiritual.

Por esse motivo, nos antigos templos, os discípulos preparados para a Iniciação eram levados pelas mãos do Hierofantes dos Mistérios e, por meio de cerimônias que se realizavam no Templo, eram elevados a um estado de exaltação, no qual transcendiam toda condição física. A Terra tornava-se transparente à sua visão espiritual e eles viam o Sol da meia-noite: a "Estrela"! Não era o Sol físico, seu salvador físico, o que viam com os seus olhos espirituais, mas o Espírito do Sol, o Cristo, seu Salvador Espiritual.

Essa Estrela que brilhou na Santa Noite e ainda brilha para o místico na obscuridade da noite. Quando o ruído cessa e a confusão da atividade física se aquieta, então ele entra em seu interior e procura o caminho que conduz ao Reino da Paz. A brilhante Estrela está sempre ali para guiá-lo e sua alma ouve a canção profética: "Paz na terra e boa vontade entre os homens".

Paz e boa vontade a todos, sem exceção, não excluindo nem os inimigos. É de admirar que custe muito a educar a humanidade para este tão elevado tipo de moral? Há algum meio melhor para demonstrar a beleza e a necessidade da paz, da boa vontade e do amor do que compará-los com o estado atual de guerras, egoísmos e ódios?

Quanto mais forte é a luz, tanto mais profunda é a sombra que projeta. Quanto mais altos os ideais, mais claramente podemos ver nossos defeitos.

Lamentavelmente, em nosso presente estado de desenvolvimento, a humanidade só pode aprender por meio de duríssimas experiências. Apegada à raça, tem de sentir-se absolutamente egoísta, para que possa provar as amarguras que lhe produz o egoísmo alheio, assim como é preciso conhecer a enfermidade para reconhecer-se quanto vale a saúde.

A religião impropriamente chamada Cristã tem sido a mais sangrenta que se conhece, sem excetuar o Maometanismo que, a esse respeito, é muito parecido com o nosso mal praticado cristianismo. Nos campos de batalha e durante a Inquisição, cometeram-se atrocidades inqualificáveis em nome do doce e meigo Nazareno. A espada e o vinho, isto é, a cruz e o cálice da comunhão pervertidos, foram os meios de que se valeram as poderosas nações chamadas cristãs para dominar os povos pagãos e as nações mais débeis que professavam a mesma fé que os seus conquistadores. O mais ligeiro exame da história greco-latina ou das raças teuto-anglo-saxônicas corroborará amplamente essa afirmação.

Enquanto o homem esteve plenamente sob o governo das religiões de raça de cada nação, cada uma destas era um conjunto unido. Os interesses individuais subordinavam-se voluntariamente aos interesses da comunidade. Todos estavam "na lei". Todos eram, em primeiro lugar, membros de suas respectivas tribos e, secundariamente indivíduos.

Nos tempo presentes, há tendência para ir ao outro extremo, exaltando-se o "eu" sobre tudo o mais. O resultado é evidente nos problemas econômicos e industriais, surgidos em todas as nações, cujos problemas clamam por pronta solução.

O estado de desenvolvimento em que o homem sinta-se uma unidade absolutamente separada, um Ego que segue seu caminho independentemente, é condição necessária. A unidade nacional, de tribo ou de família, precisa ser desfeita para que a Fraternidade Universal possa ser um fato. O regime do paternalismo foi já amplamente sucedido pelo reinado do Individualismo. Agora, conforme a civilização avança, estamos aprendendo o que este último tem de mau. O desordenado método de distribuir os produtos do trabalho, a avidez de uns poucos e a exploração de muitos, todos esses crimes sociais produzem o enfraquecimento, as depressões econômicas e perturbações nas classes trabalhadoras, destruindo a paz interna. A guerra industrial dos nossos dias é muito pior e mais destrutiva do que as guerras militares entre as nações.

O CORAÇÃO É UMA ANOMALIA

Nenhuma lição é de valor real como princípio ativo de vida se a sua verdade for aprendida superficialmente. Deverá ser assimilada através do coração, pela aspiração e pela amargura. A lição principal que, por este modo, o homem deve aprender é: o que não beneficia a todos não beneficia realmente a ninguém.

Durante cerca de dois mil anos temos concordado, de boca apenas, em agir e dirigir a vida segundo a máxima: "respondei ao mal com o bem". O coração pede benevolência e amor. Mas a Razão pede beligerância e medidas punitivas, se não como vingança, pelo menos como meio de prevenir uma repetição de hostilidades. Este divórcio entre o coração e a cabeça impede o crescimento do verdadeiro sentimento de Fraternidade Universal e a adoração dos ensinamentos de Cristo, o Senhor do Amor.

A mente é o foco através do qual o Ego percebe o mundo material. Como instrumento para aquisição do conhecimento é inestimável nesse domínio. Porém, ao arrogar-se o papel de ditador da conduta do homem para com os semelhantes, a mente está em caso análogo ao das lentes do telescópio que, focalizadas para o Sol, dissessem ao astrônomo: "estamos mal enfocadas, não estamos bem de frente ao Sol, não cremos que seja bom focalizar o Sol, preferimos que focalizeis a Júpiter. Os raios do Sol esquentam-nos demasiadamente e podem danificar-nos".

Se o astrônomo, empregando sua vontade, focaliza o telescópio a seu talante, como que dizendo às lentes para se ocuparem na transmissão dos raios que recebem, deixando para ele os resultados, o trabalho efetuar-se-á devidamente. Porém, se o mecanismo do telescópio estivesse ligado às lentes e elas tivessem uma vontade mais forte, o astrônomo ver-se-ia seriamente coibido e, tendo de lutar para manter o instrumento em boa forma, inevitavelmente as imagens sairiam confusas, fracas, imprecisas ou sem valor.

Assim acontece com o Ego. Trabalha com um tríplice corpo que governa, ou deveria governar através da mente mas, triste é dizê-lo, este corpo, tem uma vontade própria, é ajudado quase sempre pela mente, e frustra os propósitos do Ego.

Esta antagônica "vontade inferior" é expressão da parte superior do corpo de desejos. Quando se deu a divisão do Sol, na Época Lemúrica, e a Terra, que incluía a Lua, se separou, a parte mais avançada da humanidade nascente experimentou no corpo de desejos uma divisão em duas partes, a superior e a inferior. O resto da humanidade sofreu divisão semelhante na primeira parte da Época Atlante.

A parte superior do corpo de desejos converteu-se numa espécie de alma-animal. Construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, dominando por esse meio a parte inferior do tríplice corpo, até que o elo de ligação, a mente, foi agregado. Então, a mente uniu-se a essa alma-animal fazendo-se co-regente.

Portanto, a mente está limitada pelos desejos, submersa na egoísta natureza inferior, o que torna difícil ao espírito o governo do corpo. O foco, a mente, que deveria aliar-se à natureza superior, está unida à natureza inferior, escrava do desejo.

As religiões de raça e suas leis foram dadas para emancipar o intelecto do desejo. O "temor a Deus" foi posto contra os "desejos da carne", mas não bastava para conseguir o domínio do corpo e garantir sua cooperação voluntária. Foi necessário que o espírito encontrasse no corpo outro ponto de apoio, que não estivesse sob o domínio do corpo de desejos. Não nos músculos porque são expressões do corpo de desejos, e formam um caminho direto até o ponto principal onde a mente traidora está unida ao desejo e reina suprema.

Se os Estados Unidos estivesse em guerra com a França não desembarcaria suas tropas na Inglaterra, esperando dominar a França, mas desembarcariam os soldados diretamente na França, para que lutassem ali.

Assim, o Ego, como sábio general, segue uma conduta semelhante. Não começa sua campanha adquirindo domínio sobre alguma das glândulas, porque estas são expressões do corpo vital. É-lhe impossível adquirir domínio sobre os músculos voluntários, muito bem defendidos pelo inimigo. A parte involuntária do sistema muscular, sob a direção do sistema nervoso simpático, seria também inútil para esse objetivo.

O Ego tem de conquistar um contato mais direto com o sistema nervoso cérebro-espinhal. Nesse sentido, para conseguir uma base de operações no próprio campo inimigo, deve dominar um músculo que seja involuntário e que, ao mesmo tempo, esteja relacionado com o sistema nervoso voluntário, mas não sob sua direção. Esse músculo é o coração.

Já falamos anteriormente das duas classes de músculos: voluntários e involuntários. Estes últimos têm suas fibras em sentido longitudinal, e são relacionados com as funções que estão fora do domínio da vontade, como a digestão, a respiração, a excreção, etc. Ordinariamente, não podemos dominar a circulação. Em condições normais, a quantidade de batidas do coração é fixa.

Os músculos voluntários, como os das mãos e dos braços, são dominados pela vontade, por meio do sistema nervoso voluntário. Suas fibras estão dispostas longitudinalmente cruzando-se com estrias transversais.

Estas particularidades são exatas para todos os músculos menos para o coração. É um músculo involuntário mas, para confusão dos fisiólogos, o coração é também estriado, como se fosse um músculo voluntário. É o único órgão do corpo que exibe essa peculiaridade, porém, como esfinge, recusará dar aos cientistas materialistas uma resposta que resolva o enigma.

O ocultista pode encontrar facilmente a resposta na Memória da Natureza. Nessa fonte vê que o coração, quando o Ego procurou, pela primeira vez, firmar-se aí, era estriado apenas longitudinalmente, tal como qualquer outro músculo involuntário. À medida que o Ego foi adquirindo domínio sobre o coração, foram-se desenvolvendo gradualmente as fibras transversais. Não são nem tão numerosas nem tão definidas como as dos músculos que estão debaixo do pleno domínio do corpo de desejos mas, conforme os princípio altruísticos do amor e da fraternidade se vigorizem e gradualmente sobrepassem a razão, baseada no desejo, essas estrias transversais serão mais numerosas e estruturadas.

Como indicamos anteriormente, o átomo-semente do corpo denso está situado no coração e abandona-o quando a morte ocorre. A obra ativa do Ego está no sangue.

Com exceção dos pulmões, o coração é o único órgão do corpo através do qual passa todo o sangue em cada ciclo.

O sangue é a expressão mais elevada do corpo vital, porque nutre todo o organismo físico. Em certo sentido, é também o veículo da memória subconsciente e está em contato com a Memória da Natureza, situada na divisão mais elevada da Região Etérica. O sangue leva as recordações da vida dos antecessores aos descendentes durante gerações, quando é um sangue comum, como acontece na endogamia.

Na cabeça há três pontos que são o assento particular de cada um dos três aspectos do espírito (veja-se o diagrama 17). O segundo e terceiro aspectos têm outros pontos de sustentação secundários.

O corpo de desejos é expressão deturpada do Ego. Manifesta em "egoísmo" o que é a "individualidade" do Espírito. A individualidade não procura o seu em detrimento dos demais, enquanto o egoísta procura tudo possuir sem ter em conta os demais. O assento do Espírito Humano é, primariamente, a glândula pineal e secundariamente, o cérebro, ou antes, o sistema nervoso cérebro-espinhal, que domina os músculos voluntários.

O amor e a unidade do Mundo do Espírito de Vida encontram sua contraparte ilusória na Região Etérica, com a qual estamos relacionados pelo corpo vital, o originador do amor sexual e da união sexual. O Espírito de Vida assenta, primariamente, no corpo pituitário e, secundariamente, no coração, o regente do sangue que nutre os músculos.

O inativo Espírito Divino - O Observador Silencioso - encontra sua expressão material no passivo, inerte e insensível esqueleto do corpo denso, o obediente instrumento dos outros corpos. Não tem o poder de atuar por iniciativa própria e tem sua fortaleza no impenetrável ponto da raiz do nariz.

Em pura realidade, o espírito é um só, porém, observado do Mundo Físico, o Ego refrata-se em três aspectos que se expressam da forma indicada.

O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, hora após hora, durante toda a vida, grava os acontecimentos nos átomos-sementes, enquanto permanecem frescos. Prepara um arquivo fidelíssimo da vida que, depois, na existência post-mortem, se imprimirá indelevelmente na alma. O coração está permanentemente em estreito contato com o Espírito de Vida, o espírito do amor e da unidade, o que o torna o foco do amor altruísta.

Após as imagens passarem ao Mundo do Espírito de Vida, em que se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não voltam através dos lentos sentidos físicos mas diretamente através do quarto éter contido no ar que respiramos. No Mundo do Espírito de Vida, o espírito pode ver muito mais claramente do que nos mundos mais densos. Nesse elevado plano que lhe é próprio, está em contato com a Sabedoria Cósmica e, em qualquer situação, sabendo imediatamente o que há de fazer, envia sua mensagem de guia e de ação ao coração. Este logo a retransmite ao cérebro por meio do nervo pneumogástrico. Assim se formam as "primeiras impressões", os impulsos intuitivos, sempre bons porque emanam diretamente da fonte cósmica de Sabedoria e Amor.

Isto é tão instantâneo que o coração tem tempo de efetuá-lo antes da razão, mais lenta, poder, por assim dizer, "considerar a situação". Crê-se que o homem pensa em seu coração e é certo, porque "assim ele é". O homem, inerentemente, em qualquer aspecto, é um espírito virginal, bom, nobre, verdadeiro. Tudo o que não é bom pertence à natureza inferior, o ilusório reflexo do Ego. O espírito virginal sempre está dando sábios conselhos. Se pudéssemos seguir os impulsos do coração, o primeiro pensamento, a Fraternidade Universal seria realizada agora mesmo.

Mas precisamente neste ponto, começam as complicações. Depois do bom conselho dado pela primeira impressão, começa o raciocínio e, na maioria dos casos, o cérebro domina o coração. O telescópio controla o próprio foco e aponta para onde quer, sem atender ao astrônomo. A mente e o corpo de desejos frustam os desígnios do espírito e tomam a direção, mas, como carecem da sabedoria do Espírito do Espírito, tanto o espírito como o corpo sofrem as consequências.

Os fisiólogos notam que certas áreas do cérebro estão dedicadas a determinadas atividades mentais. Os frenólogos levaram esse ramo da ciência ainda mais além. Sabe-se também que o pensamento destrói o tecido nervoso e que este desgaste do corpo, como qualquer outro, é restaurado pelo sangue. Quando o coração se converter em músculo voluntário, a circulação do sangue ficará completamente sob o domínio do unificante Espírito de Vida, o Espírito do Amor. Então, terá o poder de impedir que o sangue flua a essas partes do cérebro dedicadas a propósitos egoístas. Esses centros mentais irão atrofiando-se gradualmente. Por outro lado, ser-lhe-á possível ativar o sangue quando as elaborações mentais foram altruístas, o que restaurará e vigorizará esses centros. A natureza passional será conquistada e, pelo Amor, a mente será emancipada da escravidão do desejo. Só emancipando-se completamente pelo Amor, o homem poderá elevar-se além da lei e converter-se, ele mesmo, numa lei. Tendo-se conquistado a si, conquistará então todo o mundo.

As estrias transversais do coração podem formar-se mediante certos exercícios de treinamento oculto. Alguns desses exercícios são perigosos e devem ser levados a cabo unicamente sob a direção de um instrutor competente. É nosso desejo que nenhum leitor desta obra se deixe enganar por impostores habilidosos e desejosos de atrair discípulos. Para evitar esse engano voltamos a repetir, mui seriamente: nenhum verdadeiro ocultista se gaba, anuncia seus poderes ocultos, nem vende lições a tanto cada uma ou a tanto o curso, ou consentirá jamais em fazer exibições. Realiza seu trabalho com a maior discrição possível e somente com o propósito de ajudar legitimamente os demais, sem pensar nunca em si mesmo.

Como dissemos no princípio deste capítulo, todas as pessoas desejosas de obter o conhecimento superior podem ter a mais absoluta confiança: se verdadeiramente o buscam, encontrarão aberto o caminho que a ele conduz. Cristo mesmo preparou o caminho para "quem o deseje". Ele ajudará e abençoará a todo o verdadeiro investigador que deseje trabalhar pela Fraternidade Universal.

 

DIAGRAMA 15 - Os Sete Dias da Criação e as Quatro Grandes Iniciações

 

O MISTÉRIO DO GÓLGOTA

CRC-INDICE

BIBLIOTECA ONLINE

MAPA DO SITE