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A QUEDA DO HOMEM

Ainda sobre a análise do Gênese, podemos juntar mais algumas palavras sobre "a Queda", à base do Cristianismo popular. Se não tivesse havido queda não haveria necessidade de "plano de salvação".

Quando em meados da Época Lemúrica se efetuou a separação dos sexos (na qual trabalharam Jeová e seus Anjos), o Ego começou a agir ligeiramente em seu corpo denso, criando órgãos internos. Naquele tempo, o homem não tinha plena consciência de vigília, tal como possui hoje mas, com metade da força sexual, construiu o cérebro para expressão de pensamento, na forma já indicada. Estava mais desperto no Mundo Espiritual do que no Físico, mal podia ver seu corpo e era inconsciente do ato de propagação. A afirmação da Bíblia de que Jeová adormeceu o homem, nesse ato é correta. Não havia nem dor nem perturbação alguma relacionada com o parto. Sua obscura consciência do ambiente não o inteirava, ao morrer, da perda do corpo nem, ao renascer, da entrada noutro corpo denso.

Recorde-se: os Espíritos Lucíferos eram uma parte da humanidade do Período Lunar, os atrasados da onda de vida dos Anjos. Eram demasiado avançados para tomarem um corpo denso físico mas, necessitando de um "órgão interno" para aquisição de conhecimento, podiam trabalhar através de um cérebro físico, coisa fora do poder dos Anjos ou de Jeová.

Esses espíritos entraram na coluna espinhal e no cérebro e falaram à mulher, cuja imaginação, conforme já se explicou, tinha sido despertada pelas práticas da Raça Lemúrica. Sendo a consciência predominantemente interna, pictória, e porque tinham entrado em seu cérebro por meio da medula espinhal serpentina, a mulher viu aqueles espíritos como serpentes.

No preparo da mulher estava incluído assistir e observar as perigosas lutas e feitos dos homens que se exercitavam no desenvolvimento da vontade. Muito freqüentemente os corpos morriam nas lutas.

A mulher surpreendia-se ao ver essas coisas tão raras e tinha obscura consciência de que algo estranho acontecia. Embora consciente dos espíritos que perdiam seus corpos, a imperfeita percepção do Mundo Físico não lhe dava poder para revelar aos amigos que seus corpos físicos tinham sido destruídos.

Os Espíritos Lucíferos resolveram o problema "abrindo-lhe os olhos". Fizeram-na ciente dos corpos, o seu e o do homem, e ensinaram-na como podiam conquistar a morte, criando novos corpos. A morte não poderia mais dominá-los porque, como Jeová, teriam o poder de criar à vontade.

Assim, Lúcifer abriu os olhos da mulher, e ela, vendo, ajudou o homem a abrir os seus. Desta maneira, de forma real, se bem que obscura, começaram a "conhecer" ou a perceber-se uns aos outros e também ao Mundo Físico. Fizeram-se conscientes da morte e da dor, aprendendo a diferenciar o homem interno da roupagem que usava e renovada em cada vez que era preciso dar um novo passo na evolução. O homem deixou de ser um autômato. Converteu-se num ser que podia pensar livremente, à custa de sua imunidade à dor, às enfermidades e à morte.

Interpretar o comer do fruto como um símbolo do ato gerador não é uma idéia absurda, como demonstra a declaração de Jeová (que não é um capricho, mas a declaração formal das conseqüências que adviriam do ato): morreriam e a mulher teria seus filhos com dor e sofrimento. Jeová sabia que o homem, agora com a atenção fixada em sua roupagem física, perceberia a morte, e que, não tendo ainda sabedoria para refrear as paixões e regular a relação sexual pelas posições dos planetas, o abuso da função produziria o parto com dor.

Para comentadores da Bíblia sempre tem sido um enigma relacionar o comer de uma fruta com o nascimento de uma criança. A solução é bem fácil quando se compreende que o comer a fruta simboliza o ato gerador, ato pelo qual o homem se converte em algo "semelhante a Deus", conhece sua espécie e capacita-se para gerar novos seres.

Na última parte da Época Lemúrica, quando o homem se arrogou o direito de praticar sem peias o ato gerador, foi sua poderosa vontade que lhe permitiu realizá-lo. "Comendo da árvore do conhecimento" quando quisesse, capacitou-se para livremente criar um novo corpo ao perder o antigo veículo.

Geralmente, a morte é considerada algo temível. Se o homem também tivesse "comido da árvore da Vida" teria aprendido o segredo de vitalizar perpetuamente seu corpo, o que teria sido ainda pior. Nossos corpos atuais não são perfeitos mas os desses tempos antiqüíssimos eram excessivamente primitivos. Por isso, foi bem fundada a medida quando as Hierarquias Criadoras impediram o homem de "comer da árvore da vida", impedindo de renovar o corpo vital. Se o tivesse conseguido ter-se-ia feito imortal mas não poderia mais progredir. A evolução do Ego depende da evolução dos seus veículos. Se não pudesse obter novos e mais perfeitos veículos por meio de sucessivas mortes e renascimentos, ter-se-ia estagnado. É máxima oculta: quanto mais freqüentemente morremos, melhor poderemos viver. Cada nascimento proporciona uma nova oportunidade.

Como vimos, o homem obteve o conhecimento por via cerebral, com o concomitante egoísmo, à custa do poder de criar sozinho, e a vontade livre à custa da dor e da morte. Quando aprender a empregar a inteligência para o bem da humanidade, adquirirá poder espiritual sobre a vida, e guiar-se-á por um conhecimento inato muito superior à atual consciência manifestada por via cerebral, tão superior a esta como a sua consciência de hoje é superior à consciência animal.

A queda na geração foi necessária à construção do cérebro, que é um meio indireto de adquirir conhecimento. Será sucedido pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza. Então, sem cooperação alguma, o homem poderá utilizar esta Sabedoria na geração de novos corpos. A laringe falará novamente a "Palavra perdida", ou "Fiar Criador", outrora empregada pelos antigos lemurianos sob a direção dos grandes Instrutores, para criar vegetais e animais.

Será um criador de verdade e não na forma relativa e convencional do presente. Empregando a palavra apropriada ou a fórmula mágica poderá criar um novo corpo.

Tudo que se manifestou durante a curva descendente da involução subsiste até alcançar o ponto correspondente do arco ascendente da evolução. Os atuais órgãos de geração degenerarão e atrofiar-se-ão. Os órgãos femininos foram os primeiros a existir como unidade separada. De acordo com a lei que diz que "o primeiro será o último", serão os órgãos femininos os últimos a atrofiar-se. Os órgãos masculinos começaram a diferenciar-se depois e, já agora, começam a separar-se do corpo. O diagrama 13 ilustrará este ponto. 

TERCEIRA PARTE

FUTURO DESENVOLVIMENTO E INICIAÇÃO DO HOMEM

Capítulo XV - Cristo e Sua Missão

Evolução da Religião

 

DIAGRAMA - Os Sete Dias da Criação

As duas partes anteriores desta obra familiarizaram-nos com o plano pelo qual o atual mundo externo veio à existência e o homem desenvolveu o complicado organismo que o relaciona com as condições exteriores. Em parte, também estudamos a Religião da Raça Judaica.

Consideremos, agora, a maior e divina medida tomada para salvação da humanidade, o Cristianismo, a Religião Universal do futuro.

É um fato notável que o homem e suas religiões têm evoluído paralelamente, em estágios iguais. A religião mais primitiva de qualquer raça é tão selvagem como o povo por ela governado. Conforme o povo se civiliza, a religião torna-se mais humana, harmoniza-se com mais elevados ideais.

Disto, os materialistas deduziram que a religião nunca teve uma origem superior ao próprio homem. As investigações históricas das eras primitivas deram-lhes a convicção de que o progresso do homem "civiliza" seu Deus e o modela à própria imagem.

É um raciocínio defeituoso. Não considera que o homem não é um corpo mas um espírito interno, um Ego que utiliza o corpo com crescente facilidade conforme evolui.

Não há dúvida alguma: a lei para o corpo é a "sobrevivência do mais apto". Mas, para o Espírito a Lei de evolução pede "Sacrifício". Enquanto o homem acreditar que a "força é um direito", a Forma prosperará, far-se-á forte, e derrubará todos os obstáculos sem a menor consideração pelos demais. Se o corpo fosse tudo, tal maneira de viver seria a única possível. Além disso, incapaz de sentir a menor consideração pelos outros, resistiria pela a qualquer tentativa de usurpação do que considerasse seus direitos: o direito do mais forte, o único tipo de justiça condizente com a lei da "sobrevivência dos mais aptos". Para coisa alguma teria em conta os demais. Seria absolutamente insensível a qualquer força externa que tentasse levá-lo a executar um ato contrário à satisfação de um momentâneo prazer.

É claro e manifesto: quando o homem se inclina para uma diretriz de conduta mais elevada no trato com os demais, o impulso deve vir de dentro, de uma fonte não idêntica à do corpo. Do contrário não lutaria contra este, para fazer prevalecer esse impulso sobre os interesses mais óbvios do corpo. Além disso, essa força tem que ser mais forte que a do corpo, para triunfar e sobrepor-se aos desejos, impelindo ao sacrifício em benefício dos fisicamente mais débeis.

Que tal força existe ninguém poderá negar. E chegou a tal estado de desenvolvimento que, em vez de considerarmos a debilidade física um meio de tornar a vítima presa fácil e proveitosa, reconhecemos nessa mesma debilidade uma boa razão para proteger o débil. O egoísmo vai sendo corroído lenta mais seguramente pelo Altruísmo.

A Natureza é muito segura na realização dos seus propósitos. O processo é lento mas o progresso é ordenado e certo. Como um fermento, essa força Altruística está trabalhando no peito de todos os homens. Transforma o selvagem em civilizado e, com o decorrer do tempo, o transformará num Deus.

Por meios materiais não se pode compreender perfeitamente o que é verdadeiramente espiritual, mas uma ilustração facilitará esse entendimento.

Quando fazemos vibrar um de dois diapasões afinados exatamente no mesmo tom, o som induzirá a mesma vibração no outro. Este vibrará fracamente, a princípio mas, continuando a golpear o primeiro, o segundo diapasão emitirá um som cada vez mais alto, até atingir um volume de som igual ao primeiro. Isto ocorre mesmo com os diapasões a vários pés de distância. Ainda que um deles esteja encerrado numa caixa de cristal, o som penetra através do vidro e faz o instrumento emitir um som igual.

As invisíveis vibrações sonoras têm grande poder sobre a matéria concreta. Podem destruir ou criar. Se colocarmos uma pequena quantidade de pó finíssimo sobre a placa de cristal plana e passarmos um arco de violino pela borda da placa, as vibrações produzidas farão o pó assumir belas formas geométricas. A voz humana também é capaz de produzir tais figuras, e sempre a mesma figura para o mesmo som.

Toquemos uma nota depois de outra em um instrumento musical, um piano por exemplo, ou preferivelmente, um violino, em que se obtêm mais gradações de sons. Encontra-se um som que produz no ouvinte uma vibração clara e distinta na parte inferior da cabeça. Toda vez que se toque a nota, sente-se nesse lugar a mesma vibração. Essa nota ou som é a "nota-chave" da pessoa a quem afeta. Se é tocada lenta e docemente, descansa e repousa o corpo, tonifica os nervos e restaura a saúde. Se, ao contrário, é tocada forte e prolongadamente, matará a pessoa com a mesma certeza que um tiro.

Recordemos o que acabamos de dizer sobre a música e o som, e relacionemo-lo com o problema do despertamento e fortalecimento da força interna do Altruísmo. Talvez possamos compreender melhor o assunto.

Em primeiro lugar, note-se, os dois diapasões estavam afinados no mesmo tom. Não fora assim, poderíamos golpear um deles até rompê-lo que o outro permaneceria mudo. Fixemos isto claramente: a vibração pode ser induzida em outro diapasão mas só por um do mesmo tom. De modo semelhante, qualquer coisa ou ser só pode ser afetado, como foi dito, pela nota-chave que lhe é particular.

Sabemos que aquela força altruística existe; sabemos que tem menor expressão num povo pouco civilizado do que num de elevado padrão social; e que falta quase totalmente nas raças inferiores. Logicamente, conclui-se que em tempo recuado, faltava por completo. Desta conclusão surge a pergunta: que ou quem a induziu?

Sem dúvida, a personalidade material nada tem a ver com ela. Essa parte da natureza humana sente-se até mais à vontade sem a despertada força altruística. Logo, o homem devia possuir latente essa força do Altruísmo, dentro de si. De outra maneira não a poderia ter despertado. Ainda mais, deve ter sido despertada por uma força da mesma espécie – uma força similar que já estivesse ativa – tal como a do primeiro diapasão que, "depois" que foi tocado, induziu a vibração no segundo.

Além disso, as vibrações do segundo diapasão tornavam-se cada vez mais fortes sob os contínuos golpes dados no primeiro, e a caixa de cristal que encerrava o segundo não era obstáculo algum à indução do som. Assim também, sob a continuidade do impacto do amor de Deus, dentro do homem desperta-se e aumenta a potência da força de igual natureza, o Altruísmo.

Portanto, é razoável e lógico admitir que, primeiramente, foi necessário dar ao homem uma religião apropriada à sua ignorância. Teria sido inútil ter-lhe falado, nesse estado, de um Deus todo amor e ternura. Consideraria esses atributos uma debilidade. Não se poderia esperar que reverenciasse um Deus possuidor de qualidades para ele desprezíveis. O Deus a quem reverenciaria seria um Deus forte, um Deus temível, um Deus que tivesse o raio, o trovão e o poder para fulminar.

Primeiramente, o homem viu-se impelido a temer a Deus. Para seu próprio bem espiritual, foram-lhe dadas religiões que tinham como base o látego do medo.

Depois, em segundo grau, foi induzido a certa classe de desinteresse que o coagiu a dar parte dos seus melhores bens como sacrifício. Isto foi conseguido pelo Deus de Raça ou Tribo, um Deus zeloso que exigia a mais estrita reverência e obediência, além do sacrifício dos bens que o homem ciosamente apreciava. Contudo, esse Deus de Raça era um amigo todo poderoso, ajudava os homens em suas batalhas, e devolvia-lhes multiplicados os carneiros e cereais que lhe eram sacrificados. O homem não chegara ainda ao estado de compreender que todas as criaturas são semelhantes, mas o Deus de Tribo ensinou-lhe a tratar benevolamente seus irmãos de Tribo e a fazer leis eqüitativas e amplas para os homens da mesma raça.

Não imaginemos que estes progressivos passos do homem primitivo foram dados facilmente, sem rebeliões ou desobediências. Deve ter havido muitos fracassos e retrocessos sabendo como, até nossos dias, o egoísmo está enraizado na natureza inferior.

Na Bíblia judaica podemos encontrar bons exemplos de como o homem se esqueceu dos seus deveres e de como o Espírito de Tribo o encaminhou, persistentemente, uma e outra vez. Só os extensos sofrimentos ditados pelo Espírito de Raça é que foram suficientemente capazes de encaminhá-lo dentro da lei, essa lei que tão poucas pessoas aprenderam a conhecer e a obedecer.

Avançados há que necessitam de algo mais elevado. Quando são suficientemente numerosos, a evolução dá um novo passo. A evolução apresenta gradações diversas. Em certo tempo dos últimos dois mil anos, os mais avançados da humanidade estavam aptos para mais esforço e aprender a viver bem a vida, dentro de uma religião que assegurasse uma recompensa futura, um estado de existência em que deviam ter fé.

Foi um grande e trabalhoso passo. Era fácil levar uma ovelha ou novilho ao templo e oferecê-lo em sacrifício. Ao levar os primeiros frutos de suas colheitas, de suas vinhas, de suas hortas, sabia que teria ainda mais e que o Deus da Tribo voltaria a encher seus depósitos abundantemente. Agora, neste novo passo, já não era questão de sacrificar os bens. Pediu-se-lhe que ele próprio se sacrificasse. Não num único supremo sacrifício, como o de um mártir, o que teria sido comparativamente fácil, mas que, dia a dia, de manhã à noite, agisse misericordiosamente com todos. Diva desprender-se do egoísmo e amar o próximo, como tinha amado a si mesmo. Outrossim, não lhe era prometida nenhuma recompensa visível e imediata, devia ter fé numa felicidade futura.

Será de admirar que o povo ache difícil realizar este elevado ideal de agir bem continuamente? É coisa duplamente difícil porque exige que se relegue completamente o próprio interesse, e pede-se-lhe sacrifício sem positiva garantia de recompensa. É grato constatarmos a prática do altruísmo e quanto este, para dignificação da humanidade, vem aumentando. A sabedoria dos Guias, conhecendo a fragilidade do homem, a tendência a unir-se com os instintos egoístas do corpo e os perigos de despotismo diante de tal norma de conduta, deram outro impulso benéfico, ao incorporarem na nova religião a doutrina do perdão dos pecados.

Esta doutrina é desprezada por alguns filósofos muito avançados que têm a lei de "Conseqüência" como suprema lei. Se acaso o leitor está de acordo com eles, rogamos que aguarde a explicação que adiante se dará, demonstrando que ambas formam parte do esquema de melhoramento e aperfeiçoamento. Por agora, basta dizer que esta doutrina de reconciliação dá, às almas fervorosas, força necessária para lutar, apesar dos repetidos fracassos, e para conseguir a subjugação da natureza inferior. Recordemos que, pelas razões já indicadas, ao falarmos das Leis de Renascimento e Conseqüência, a humanidade ocidental nada conhecia praticamente dessas leis. Tendo diante de si um ideal tão grande como o de Cristo, e crendo não ter mais do que curto número de anos de vida para realizar tão elevado grau de desenvolvimento, não teria sido a maior crueldade imaginável deixar a humanidade sem essa ajuda? O grande sacrifício do Calvário, se bem que tenha servido para outros propósitos que serão indicados, converteu-se na âncora de Esperança para todas as almas fervorosas esforçando-se por realizar o impossível: efetuar numa única e curta vida a perfeição exigida pela religião Cristã. 

JESUS E CRISTO-JESUS

Para obter ligeiro vislumbre do grande Mistério do Gólgota e compreender a Missão de Cristo como fundador da Religião Universal do futuro, é necessário conhecer primeiramente a natureza exata dessa missão. Incidentalmente, conheceremos a natureza de Jeová, a cabeça das religiões de raça, como o Taoismo, Budismo, Induísmo, Judaísmo, etc., e a identidade do "Pai", a quem Cristo, em tempo próprio, entregará o reino.

No credo cristão encontra-se esta sentença: "Jesus-Cristo, o unigênito Filho de Deus". Para a generalidade dos homens, estas palavras reportam-se a certa pessoa, aparecida na Palestina há uns dois mil anos, de Quem se fala como Jesus-Cristo, - um indivíduo somente, "o unigênito Filho de Deus".

É um grande erro. Nessa sentença são caracterizados três Seres bem distintos e diferentes. É de maior importância que o estudante compreenda claramente a natureza exata desses três Grandes e Exaltados Seres, enormemente diferentes em glória, mas que merecem nossa mais profunda e devotada adoração.

Rogamos ao estudante que observe o diagrama 6. Notará que "O Único Gerado" (o "Verbo" de que fala João) é o segundo aspecto do Ser Supremo.

Unicamente este "Verbo" foi "engendrado por Seu Pai (o primeiro aspecto) antes de todos os Mundos". "Sem Ele nada do que foi feito se fez", nem mesmo o terceiro aspecto do Ser Supremo, que procede dos dois aspectos anteriores. Portanto, o "único engendrado" é o exaltado Ser que está além de todo o Universo, salvo unicamente o aspecto-Poder d'Aquele que O criou.

O primeiro aspecto do Ser Supremo concebe ou imagina o Universo antes do começo da manifestação ativa, incluindo os milhões de sistemas solares e as grandes Hierarquias que habitam os seis planos cósmicos de existência além do sétimo, o campo da nossa evolução (veja-se o diagrama 6). Esta Força também dissolve tudo o que se tem cristalizado sem mais possibilidade de ulterior crescimento. Quando chega o final da manifestação ativa, ela reabsorve em Si mesma tudo que existe, até o alvorecer de outro novo Período de Manifestação.

O segundo aspecto do Ser Supremo manifesta-se na matéria como forças de atração e coesão, dando-lhe a capacidade de combinar-se em várias classes de formas. Esse é o Verbo, o "Fiat Criador". Modela a Substância-Raiz-Cósmica primordial de modo semelhante ao que produz as figuras geométricas por meio de vibrações musicais, como antes se indicou, o mesmo som originando sempre as mesmas figuras. Assim, o grande e primordial "Verbo" trouxe a existência, em sutilíssima matéria todos os diferentes mundos e sua miríades de formas que, desde esse tempo, foram copiadas e trabalhadas em pormenores pelas inúmeras Hierarquias Criadoras.

Entretanto, o "Verbo" não podia fazer isso antes do terceiro aspecto do Ser Supremo preparar e despertar do seu estado normal de inércia a Substância-Raiz-Cósmica, pondo os inumeráveis átomos inseparáveis a girar em seus eixos, colocando esses eixos em diferentes ângulos uns em relação aos outros, e dando a cada estrutura atômica diferente "grau de vibração".

Os diferentes ângulos de inclinação dos eixos e as intensidades vibratórias permitem à Substância-Raiz-Cósmica formar diferentes combinações. Tais combinações constituem a base dos sete grandes Planos Cósmicos. Havendo em cada um desses planos diferentes inclinações dos eixos e diferentes intensidades vibratórias, as condições e combinações de cada um dos planos são diferentes das de qualquer outro, em conseqüência da atividade do "Único Engendrado".

Segundo o diagrama 14:

O "Pai" é o mais elevado Iniciado da humanidade do Período de Saturno. À humanidade ordinária daquele Período pertenciam os que são agora os Senhores da Mente.

O "Filho" (Cristo) é o mais elevado Iniciado do Período Lunar. À humanidade comum desse Período pertenciam os que agora os Anjos.

Esse diagrama mostra também quais os veículos dessas diferentes ordens de Seres. Comparando com o diagrama 8, ver-se-á que seus corpos ou veículos (indicados por retângulos em negro no diagrama 14) correspondem aos Globos do período em que foram humanos. É sempre assim, pelo menos no relativo às humanidades ordinárias. Ao fim do período em que uma onda de vida se individualiza em seres humanos, esses seres retém corpos correspondentes aos globos nos quais funcionaram.

Por outra parte, os Iniciados desenvolvem veículos superiores, para eles mesmos. Deixam de usar os veículos inferiores quando obtém a capacidade de empregar um veículo novo e superior. Ordinariamente, o veículo inferior de um Arcanjo é o corpo de desejos. Cristo, o mais alto Iniciado do Período Solar, emprega geralmente o Espírito de Vida como veículo inferior. Funciona tão conscientemente no Mundo do Espírito de Vida como nós no Mundo Físico. Rogamos ao estudante que note de modo particular este ponto porque o Mundo do Espírito de Vida é o primeiro Mundo Universal, conforme explicamos no primeiro capítulo, sobre os Mundos. Nesse mundo cessa a diferenciação e começa a manifestar-se a unidade, pelo menos quanto ao nosso sistema solar.

Cristo tem o poder de construir e funcionar num veículo tão inferior como o corpo de desejos, o veículo usado pelos Arcanjos, mas não pode descer mais. O significado disso será agora examinado.

Jesus pertence à nossa humanidade. Estudando o homem Jesus na Memória da Natureza, podemos segui-lo em suas vidas anteriores. Nelas viveu sob diversas circunstâncias, sob vários nomes, em diferentes encarnações, do mesmo modo que outro qualquer ser humano. Isto não sucede com o Ser Cristo. No Seu caso só pode encontrar-se uma única encarnação.

Todavia, não se imagine que Jesus tenha sido um indivíduo comum. Era de mente singularmente pura, muito superior à grande maioria da nossa presente humanidade. Esteve percorrendo o Caminho da Santidade através de muitas vidas, preparando-se para a maior honra que poderia ter recebido um ser humano.

Sua mãe, a Virgem Maria, era também da mais elevada pureza humana, por isso foi escolhida para ser a mãe de Jesus. O pai, José, era um elevado Iniciado, capaz de realizar o ato de fecundação como um sacramento, sem nenhum desejo ou paixão pessoal.

Em conseqüência, o formoso, puro e amoroso espírito conhecido pelo nome de Jesus de Nazaré veio ao mundo num corpo puro e sem paixões. Este corpo era o melhor, o mais perfeito que se podia produzir na Terra. A tarefa de Jesus nesta encarnação, era cuidar e desenvolver o seu corpo até o maior grau de eficiência possível para o grande propósito a que devia servir.

Jesus de Nazaré nasceu mais ou menos no tempo indicado pela História, e não no ano 105 antes de Cristo, conforme indicam algumas obras ocultistas. O nome Jesus era comum no Oriente. Um iniciado chamado Jesus viveu no ano 105 A.C. e obteve a iniciação egípcia. Não foi Jesus de Nazaré, com quem estamos a relacionar-nos.

O indivíduo que mais tarde se encarnou sob o nome de Christian Rosenkreuz, já estava em grau de evolução muito elevado quando nasceu Jesus de Nazaré. Está encarnado, atualmente. Seu testemunho, assim como o resultado das investigações diretas de outros rosacruzes, concordam em que o nascimento de Jesus de Nazaré teve lugar no princípio da Era Cristã, na data que geralmente se atribui.

Jesus foi educado pelos Essênios e alcançou um elevado grau de desenvolvimento espiritual durante os trinta anos de uso do seu corpo.

Podemos dizer, num parêntese, que os Essênios constituíam uma terceira seita na Palestina, além das duas mencionadas no Novo Testamento, os Fariseus e os Saduceus. Os Essênios formavam uma ordem extremamente devota, muito diferente da dos saduceus materialistas, e completamente oposta aos hipócritas e vaidosos fariseus. Evitavam toda menção de si e de seus métodos de estudo e de adoração. Este particular explica por que nada se sabe deles nem são mencionados no Novo Testamento.

É lei do Cosmos: por mais elevado que seja, nenhum ser pode funcionar em qualquer mundo sem um veículo construído do material desse mundo (Ver os diagramas 8 e 14). Por esse motivo, o corpo de desejos era o veículo mais baixo do grupo de espíritos que alcançaram o estado humano no Período Solar.

Cristo, um desses espíritos, era incapaz de construir para Si um corpo vital e um corpo denso. Podia ter trabalhado sobre a humanidade com um corpo de desejos, do modo que fizeram, como Espíritos de Raça, seus irmãos mais jovens, os Arcanjos. Jeová Lhe teria aberto o caminho para entrar no corpo denso do homem. Todas as religiões de raça foram religiões de leis, originadoras do pecado como conseqüência da desobediência a essas leis. Tais religiões estavam sob a direção de Jeová que, tendo por veículo inferior o Espírito Humano, está correlacionado ao Mundo do Pensamento Abstrato, onde se origina o separatismo, conducente ao benefício próprio. A unidade era impossível. Precisamente por esta razão, foi necessária a intervenção de Cristo que possuía como veículo inferior o unificante Espírito de Vida. Por tal motivo, devia aparecer como um homem entre os homens, devia entrar num corpo humano denso, porque unicamente de dentro é possível conquistar a Religião de Raça, que afeta o homem de fora.

Cristo não podia nascer num corpo denso. Não tendo nunca passado por uma evolução semelhante à do Período Terrestre, teria de adquirir, primeiramente, a capacidade de construir um corpo denso como o nosso. Porém, ainda que tivesse essa capacidade, seria inconveniente para um Ser tão elevado empregar energia na construção do corpo durante a vida ante-natal, a infância, a juventude, e levá-lo até a maturidade indispensável.

Ele deixara de empregar ordinariamente o Espírito Humano, o corpo mental e o de desejos, embora tivesse aprendido a construí-los no Período Solar e retivesse a capacidade de construí-los e de neles funcionar quando fosse necessário.

Cristo usou todos esses veículos próprios e só tomou de Jesus os corpos vital e denso. Quando Jesus atingiu trinta anos de idade, Cristo penetrou nesses corpos e empregou-os até o final de Sua Missão, no Gólgota. Depois da destruição do corpo denso, Cristo apareceu entre os discípulos em corpo vital, no qual funcionou ainda durante algum tempo. O corpo vital é o veículo que Ele empregará quando aparecer novamente. Nunca tomará outro corpo denso.

Com isto se relaciona o objetivo de todo exercitamente esotérico, de que falaremos mais tarde, que é trabalhar sobre o corpo vital, para construir o Espírito de Vida e acelerar seu desenvolvimento. Quando tratarmos da Iniciação, será possível dar outros pormenores. Agora não é possível dizer mais sobre o assunto. Este ponto já foi parcialmente tratado ao descrever os acontecimentos relativos à existência post-mortem. Rogamos ao estudante tenha em conta o seguinte: supõe-se que o homem, antes de entrar no esoterismo, já deve ter conquistado em grande extensão o seu corpo de desejos. O exercitamento esotérico e as primeiras iniciações são destinados a preparar o corpo vital, a fim de ser organizado o Espírito de Vida. Jesus, quando Cristo tomou o seu corpo, era um discípulo de grau elevado e, por conseguinte, seu Espírito de Vida estava em organizado. Vemos, portanto, que o veículo inferior em que funcionou Cristo e o melhor organizado dos veículos superiores de Jesus eram idênticos. Cristo, ao tomar os corpos vital e denso de Jesus, encontrou-se com uma série completa de veículos, desde o Mundo do Espírito de Vida até o Mundo Físico.

Jesus já alcançara as mais elevadas vibrações do Espírito de Vida e passou por várias iniciações para obter o necessário efeito sobre o corpo vital. O corpo vital de um homem comum ter-se-ia paralisado instantaneamente sob as intensíssimas vibrações do Grande Espírito que entrou no corpo de Jesus. Até este corpo, puríssimo e ultra-sensível como era, não podia suportar durante muitos anos os tremendos impactos vibratórios d'Aquele. Quando lemos que, em certa ocasião, Cristo se afastava dos seus discípulos, ou caminhava sobre o mar em sua procura, o esoterista sabe que Cristo tinha abandonado momentaneamente os veículos de Jesus para dar-lhes descanso, deixando-os ao cuidado dos Irmãos Essênios que, melhor que Cristo, sabia como deviam cuidar de tais veículos.

Esta cessão foi consumada com pleno e livre consentimento de Jesus. Ele soube que, durante a encarnação inteira, estava preparando um veículo para Cristo. Submeteu-se alegremente, para que o desenvolvimento da humanidade pudesse receber o gigantesco impulso que lhe foi dado pelo misterioso sacrifício do Gólgota.

Como se vê no diagrama 14, Cristo-Jesus possuía os doze veículos que formam uma ininterrupta cadeia desde o Mundo Físico até o próprio Trono de Deus. Portanto, Ele é o único Ser do Universo que está em contato, ao mesmo tempo, com Deus e com o homem. É capaz desta mediação porque experimentou, pessoal e individualmente, todas as condições e conhece todas as limitações incidentais à existência física.

Cristo é único entre todos os Seres dos sete Mundos. Unicamente Ele possui os doze veículos. Ninguém, a não ser Ele, é capaz de sentir tão elevada compaixão e compreender tão amplamente a situação e as carências da humanidade. Ninguém, só Ele, está qualificado para trazer o remédio que satisfaça todas as nossas necessidades.

Assim, ficamos conhecendo a natureza de Cristo, o Iniciado mais elevado do Período Solar, que tomou os corpos vital e denso de Jesus para poder funcionar diretamente no Mundo Físico e aparecer como um homem entre os homens. Se o seu aparecimento se desse de maneira milagrosa, estaria em desacordo com o plano evolutivo porque, ao final da Época Atlante, a humanidade obteve a liberdade de agir bem ou mal. Para aprender a dominar-se não podia ser empregada sobre ela nenhuma coação. Devia conhecer o Bem e o Mal por meio da experiência. Antes desse tempo, os homens tinham sido conduzidos, voluntariamente ou não, mas, depois, deu-se-lhes a liberdade, sob diferentes Religiões de Raça, cada uma delas adaptada às necessidades de cada Tribo ou Nação.

NÃO A PAZ, MAS A ESPADA

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