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CAPÍTULO VII - O CAMINHO DA EVOLUÇÃO

 

Não será demais fazer aqui uma recomendação relativa aos diagramas empregados para ilustração. O estudante deve recordar que nunca pode ser exato o que é reduzido das suas reais dimensões. O desenho de uma casa significaria pouco ou nada se nunca tivéssemos visto uma casa. Nada mais veríamos no desenho do que linhas e manchas, e não teria para nós significado algum. Os diagramas empregados para ilustrar assuntos suprafísicos são representações da realidade, muito menos verdadeiras pela simples razão de que, no caso do desenho, as três dimensões da casa foram reduzidas somente a duas, enquanto que no caso de diagramas de Períodos, Mundos e Globos as realidades possuem de quatro a sete dimensões. Logo, os diagramas de duas dimensões com que se intenta representá-los estão muito longe de retratá-los corretamente. Tenhamos sempre em mente que esses mundos se interpenetram, que os globos se interpenetram, e que o modo como aparecem nos diagramas é análogo ao retirar todas as engrenagens de um relógio, e dispô-las umas ao lado das outras para mostrar como ele indica as horas. Para que tais diagramas sejam de alguma utilidade para o estudante, é necessário que este tenha deles uma concepção espiritual. Caso contrário servirão mais para confundir do que para iluminar.

REVOLUÇÕES E NOITES CÓSMICAS

O Período de Saturno é o primeiro dos sete períodos. Neste primeiro estágio os Espíritos Virginais dão o primeiro passo na evolução da Consciência e da Forma. Conforme mostra o Diagrama 7, este impulso evolutivo dá sete voltas ao redor dos sete globos, A, B, C, D, E, F e G, na direção indicada pelas setas.

Primeiramente uma parte da evolução se realiza no Globo A, situado no Mundo do Espírito Divino, o mais sutil dos cinco mundos que formam o nosso campo de evolução. Então, gradualmente, a vida evolucionante é transferida ao Globo B, que se situa no Mundo do Espírito de Vida, algo mais denso, onde ela passa por outro estágio evolutivo. No devido tempo a vida evolucionante está pronta para entrar na arena do Globo C, composto da substância ainda mais densa da Região do Pensamento Abstrato, onde está situado. Depois de aprender as lições correspondentes a esse estado de existência, a onda de vida segue até o Globo D, formado da substância da Região do Pensamento Concreto, onde também está situado. Este é o grau mais denso de matéria alcançado pela onda de vida durante o Período de Saturno.

Desse ponto a onda de vida é levada para cima novamente, ao Globo E, situado na Região do Pensamento Abstrato tal como o Globo C, embora as condições não sejam as mesmas. Esse é o estágio involucionário de modo que a substância dos mundos faz-se cada vez mais densa. Ao longo do tempo tudo tende a fazer-se cada vez mais denso e mais sólido. Mas como o caminho evolutivo é uma espiral, é claro que, ainda que se passe pelos mesmos pontos, nunca mais se apresentam as mesmas condições, mas outras em plano superior e mais avançado.

Completado o trabalho no Globo E, efetua-se o passo seguinte para o Globo F, situado no Mundo do Espírito de Vida como o Globo B, dali subindo ao Globo G. Quando se efetuou esse trabalho, a onda de vida deu uma volta em torno dos sete Globos; uma vez para baixo e outra para cima, através dos quatro mundos respectivamente. Esta jornada da onda de vida denomina-se uma Revolução, e sete Revoluções formam um Período. Durante um Período a onda de vida dá sete voltas descendo e subindo através de quatro mundos.

Quando a onda de vida deu sete voltas em torno dos sete Globos, completando as sete Revoluções, terminou o primeiro Dia da Criação. Seguiu-se uma Noite Cósmica de repouso e assimilação, depois da qual teve início o Período Solar.

DIAGRAMA 8

Como a noite de sono entre dois dias da vida humana e o intervalo de repouso entre duas vidas terrestres, esta Noite Cósmica, de repouso, após completado o Período de Saturno, não foi um tempo de inatividade mas uma fase de preparação para a atividade a ser desenvolvida no próximo Período Solar, em que o homem em formação precisava submergir mais profundamente na matéria. Portanto, fizeram-se necessários novos Globos, cujas posições nos sete Mundos tinham que ser diferentes das ocupadas pelos Mundos do Período de Saturno. A preparação desses globos novos e as demais atividades subjetivas estiveram a cargo dos espíritos evolucionantes durante o intervalo entre os Períodos - a Noite Cósmica. Como isso se processa podemos ver a seguir:

Quando a onda de vida deixou o Globo A no Período de Saturno pela última vez, esse Globo começou a desintegrar-se lentamente. As forças que o criaram foram transferidas do Mundo do Espírito Divino (em que se encontrava o Globo A no Período de Saturno) ao Mundo do Espírito de Vida (em que se encontrava o Globo A no Período Solar). Isto é mostrado no Diagrama 8.

Quando a onda de vida deixou o Globo B no Período de Saturno pela última vez, também começou ele a desintegrar-se. Então suas forças, tal como acontece ao átomo-semente de um veículo humano, foram empregadas no Período Solar como núcleo para o Globo B, passando este Globo a situar-se na Região do Pensamento Abstrato.

Da mesma maneira, as forças do Globo C foram transferidas para a Região do Pensamento Concreto, atraindo dessa Região a substância necessária para a construção de um novo Globo C no próximo Período Solar. O Globo D foi semelhantemente transmutado e colocado no Mundo do Desejo. Os Globos E, F e G, na ordem indicada, foram transferidos analogamente. Como resultado (como mostra o Diagrama 8) no Período Solar todos os Globos estavam localizados um grau mais abaixo na matéria densa do que estavam no Período de Saturno, pelo que a onda de Vida, depois de emergir da Noite Cósmica de repouso, entre a última atividade no Globo G do Período de Saturno e a nova atividade do Globo A do Período Solar, achou-se em novo ambiente, com oportunidade para novas experiências.

A onda de vida agora circula sete vezes em torno dos sete Globos durante o Período Solar, descendo e subindo sete vezes através dos quatro mundos ou Regiões em que esses Globos estão situados. Efetua sete Revoluções no Período Solar, da mesma forma que no de Saturno.

Quando a onda de vida abandonou o Globo A no Período Solar pela última vez, esse Globo começou a desintegrar-se. Suas forças foram transferidas à Região do Pensamento Abstrato, mais densa, onde formaram um planeta para ser utilizado no Período Lunar. Da mesma maneira as forças dos demais Globos foram transferidas e serviram de núcleo para os Globos do Período Lunar, como mostra o Diagrama 8, sendo o processo exatamente o mesmo que se observou quando os Globos passaram dos lugares ocupados no Período de Saturno para as posições ocupadas no Período Solar. Desta maneira os Globos do Período Lunar ficaram um grau mais abaixo na matéria do que estavam no Período Solar, situando-se o mais inferior (o Globo D) na Região Etérica do Mundo Físico.

Depois do intervalo da Noite Cósmica entre o Período Solar e o Período Lunar, a onda de vida começou seu curso no Globo A deste último, completando no devido tempo suas sete Revoluções como anteriormente. Então, durante outra Noite Cósmica, os Globos foram novamente transferidos a um grau mais abaixo, ficando o Globo mais denso situado na Região Química do Mundo Físico, como mostra o Diagrama 8.

Este é o Período Terrestre e o Globo inferior e mais denso (o Globo D) é nossa Terra atual.

A onda de vida aqui, como de costume, parte também do Globo A, depois da Noite Cósmica que se seguiu ao Período Lunar. No atual Período Terrestre já circulou três vezes em torno dos sete Globos e está agora no Globo D, em sua quarta Revolução.

Aqui na Terra, na atual quarta Revolução, há alguns milhões de anos atrás, alcançou-se a maior densidade de matéria - o nadir da materialidade. Daqui para diante a tendência é elevar-se para uma substância mais rarefeita. Durante as três e meia Revoluções que faltam para completar esse Período, as condições da Terra tornar-se-ão gradualmente mais etéreas, de forma que no próximo Período - o de Júpiter - o Globo D voltará de novo a localizar-se na Região Etérica, conforme estava no Período Lunar, elevando-se os demais globos de modo correspondente.

No Período de Vênus estarão situados nos mesmos Mundos em que os Globos estavam no Período Solar. Os Globos do Período de Vulcano terão a mesma densidade e estarão situados nos mesmos Mundos em que estavam os Globos do Período de Saturno. Tudo isso se mostra no Diagrama 8.

Quando a onda de vida completar sua obra no Período Terrestre e a Noite Cósmica que se seguirá tenha passado, fará suas sete Revoluções em torno dos Globos do Período de Júpiter. Seguir-se-á então a costumeira Noite Cósmica com suas atividades subjetivas; depois virão as sete Revoluções do Período de Vênus seguidos de outro repouso, e finalmente o último dos Períodos do nosso esquema atual de evolução - o Período de Vulcano. A onda de vida também fará suas sete Revoluções aqui, e no fim da última Revolução todos os Globos dissolver-se-ão. A onda de vida será reabsorvida por Deus durante um período de tempo igual ao empregado por todos os sete Períodos de atividade. Deus Mesmo imergirá então no Absoluto durante a Noite Universal de assimilação e preparação para outro Grande Dia.

Outras evoluções maiores seguir-se-ão, mas só podemos tratar dos sete Períodos mencionados.

 

CAPÍTULO VIII - A OBRA DA EVOLUÇÃO

O FIO DE ARIADNE

 

Tendo nos familiarizado com os Mundos, os Globos e as Revoluções que constituem o caminho da evolução durante os sete Períodos, estamos agora em condições de considerar a obra efetuada em cada Período e os métodos empregados para realizá-la.

O "Fio de Ariadne" que nos guiará através desse labirinto de Globos, Mundos, Revoluções e Períodos, será encontrado quando recordarmos e fixarmos na mente que os Espíritos Virginais, a onda de vida evolucionante, tornaram-se completamente inconscientes quando começaram sua peregrinação evolutiva através dos cinco Mundos de substância mais densa que a do Mundo dos Espíritos Virginais. O propósito da evolução é torná-los completamente conscientes e capazes de dominar a matéria de todos os mundos, por isso as condições estabelecidas nos Globos, Mundos, Revoluções e Períodos estão ordenadas, tendo em vista tal finalidade.

Durante os Períodos de Saturno, Solar e Lunar e na metade passada do atual Período Terrestre, os Espíritos Virginais construíram inconscientemente seus diferentes veículos sob a direção de exaltados Seres, os quais guiaram seu progresso, despertando-os gradualmente até adquirirem seu estado atual de consciência de vigília. Este período é chamado "Involução".

Desde o tempo presente até o fim do Período de Vulcano, os Espíritos Virginais, que agora são a nossa humanidade, aperfeiçoarão seus veículos e expandirão suas consciências nos cinco Mundos por seu próprio esforço e gênio. Este período é chamado "Evolução".

O que foi dito anteriormente é a chave para a compreensão do que segue.

A perfeita compreensão do esquema da evolução planetária bosquejado nas páginas precedentes é de imenso valor para o estudante. Ainda que alguns crentes nas Leis de Conseqüência e Renascimento julguem que a posse de tais conhecimentos não é essencial e seja até de pouca utilidade, todavia eles são da maior importância para quem estuda seriamente essas duas leis. Exercita a mente em pensamentos abstratos e eleva-a acima das coisas sórdidas da existência concreta, ajudando a imaginação a alçar-se sobre as traiçoeiras malhas do interesse próprio. Como já indicado no estudo do Mundo do Desejo, o Interesse é a mola da ação, se bem que no presente grau de desenvolvimento o Interesse é geralmente despertado pelo egoísmo. Algumas vezes é de natureza mui sutil, mas incita à ação de várias maneiras. Toda ação inspirada pelo Interesse gera certos efeitos que atuam sobre nós e, em conseqüência, estamos limitados pelas ações que se relacionam com os mundos concretos. Mas se ocuparmos as nossas mentes com assuntos tais como a matemática, ou com este estudo das fases planetárias da evolução, nós estamos laborando na Região do Pensamento puramente Abstrato, que fica além da influência do Sentimento, dirigindo-se para o alto, rumo aos remos espirituais e à libertação. Extrair raízes cúbicas, multiplicar algarismos, ou meditar sobre Períodos, Revoluções, etc., não gera Sentimentos a tal respeito. Não brigamos para que duas vezes dois sejam quatro. Se envolvêssemos nisso os nossos sentimentos, talvez pretendêssemos que o produto fosse cinco, e questionaríamos com quem, por razões pessoais, quisesse talvez que fosse três. Mas em matemática a Verdade é clara, aparente, e o sentimento está eliminado. Por isso, ao comum dos homens, desejosos de viver seus sentimentos, a matemática é árida e sem interesse. Pitágoras ensinava aos seus discípulos que vivessem no Mundo do Espírito Eterno, e exigia primeiramente dos que desejavam instrução, o estudo da matemática. Uma mente capaz de compreender a matemática coloca-se acima da mentalidade comum, e é capaz de elevar-se ao Mundo do Espírito porque não está presa ao Mundo do sentimento e do Desejo. Quanto mais nos acostumamos a pensar em termos dos Mundos Espirituais, tanto mais facilmente poderemos sobrepor-nos às ilusões que nos rodeiam nesta existência concreta, onde os sentimentos gêmeos de Interesse e Indiferença obscurecem a Verdade e nos sugestionam, assim como a refração de luz dos raios luminosos através da atmosfera da Terra nos dá uma idéia errônea sobre a posição ocupada pelo luminar que os emite.

Portanto, o estudante que deseja conhecer a Verdade; que almeja penetrar e investigar os remos do Espírito; que anela libertar-se das preocupações da carne tão rapidamente quanto seja possível fazê-lo com segurança e para o seu próprio crescimento, deve estudar o que segue com o máximo cuidado, a fim de assimilar e fixar bem as concepções mentais desses Mundos, Globos e Períodos. Se deseja progredir nesse caminho, o estudo da matemática e "A quarta dimensão" de Hinton, são também admiráveis exercícios de pensamento abstrato. Essa obra de Hinton (ainda que basicamente incorreta, visto que o Mundo do Desejo, de quatro dimensões, não pode realmente ser determinado por métodos tridimensionais) tem aberto os olhos de muitas pessoas que a têm estudado, levando-as à clarividência. Além disso, recordando que a lógica é o melhor mestre em qualquer mundo, certamente o indivíduo que consiga entrar nos mundos suprafísicos por meio de tais estudos, por meio do pensamento abstrato, não ficará confuso, mas, antes, poderá permanecer em perfeito domínio próprio sob quaisquer circunstâncias.

Um estupendo esquema está aqui desenvolvido e, à medida que se lhe acrescentem mais e mais detalhes, sua complexidade far-se-á quase inconcebível. Quem for capaz de compreendê-lo será bem recompensado, por maior que seja o esforço feito. Portanto, o estudante deverá ler lentamente, repetir a leitura com freqüência, meditar muito e profundamente.

Este livro, especialmente este capítulo, não pode ser lido de maneira casual. Cada sentença tem seu valor e é o sustentáculo de tudo o que se segue, ao mesmo tempo que pressupõe o conhecimento do que antecede. Se o livro não for estudado profunda e sistematicamente, tornar-se-á a cada página mais incompreensível e confuso. Por outro lado, se ao longo da leitura estuda-se e medita-se bem, cada página será iluminada pelo acréscimo do conhecimento adquirido no estudo das precedentes.

Nenhuma obra desta classe, que trate dos aspectos mais profundos do Grande Mistério do Mundo e dirigida à compreensão da mente humana em seu atual estado de desenvolvimento, pode ser escrita de maneira a ser assimilada numa ligeira leitura. Contudo, as fases mais profundas que possamos compreender no momento nada mais são do que o a-b-c do esquema, o que nos será revelado quando nossas mentes forem capazes de melhor compreender em posteriores estados de desenvolvimento, como super-homens.

O PERÍODO DE SATURNO

Os Globos do Período de Saturno eram formados de substância muito mais rarefeita e sutil que a da nossa Terra, como se tornará evidente pelo estudo dos Diagramas 7 e 8, que o estudante deverá ter à mão para referência, enquanto estuda este assunto. O Globo mais denso desse Período estava situado na mesma parte do Mundo do Pensamento ocupada pelos Globos mais sutis do Período atual - a Região do Pensamento Concreto. Estes Globos não tinham consistência, no sentido atual da palavra. "Calor" é a única palavra que mais se aproxima da idéia do que era o antigo Período de Saturno. De tão escuro, uma pessoa que conseguisse entrar no seu espaço nada poderia ver. Tudo em torno dela seria escuridão, mas poderia sentir o seu calor.

Para o materialista, naturalmente, será loucura chamar tal condição um "Globo", como também afirmar que se tratava de um campo de evolução da Vida e da Forma. Contudo, se considerarmos a Teoria Nebular podemos compreender que a nebulosa deveria ter sido escura antes de iluminar-se, e ter sido quente antes de ser ígnea. Esse calor deve ter-se produzido pelo movimento, e movimento é vida.

Poderíamos dizer que os Espíritos Virginais, a fim de desenvolver consciência e forma, foram incrustados nesse Globo. Melhor dizendo: todo o Globo era composto de Espíritos Virginais, assim como a framboesa é composta de um grande número de pequenas framboesas. Foram incorporados ao Globo, assim como a vida que anima o mineral está incorporada à Terra. Portanto se diz entre os cientistas ocultistas que no Período de Saturno o homem passou pelo estágio mineral.

Fora desse "Globo-calor" - em sua atmosfera, por assim dizer - estavam as grandes Hierarquias Criadoras que ajudavam os Espíritos Virginais a desenvolverem forma e consciência. Havia muitas Hierarquias, mas por enquanto ater-nos-emos só às principais, àquelas que realizaram o trabalho mais importante do Período de Saturno.

Na terminologia Rosacruz essas Hierarquias são denominadas Senhores da Chama, devido à brilhante luminosidade dos seus corpos e aos seus grandes poderes espirituais. Na Bíblia são chamados "Tronos", e ocuparam-se com o homem por sua livre vontade. Eram tão avançados que esta manifestação evolutiva não podia proporcionar-lhes novas experiências, portanto nenhuma sabedoria mais. O mesmo poder-se-ia dizer de duas Hierarquias de ordem ainda mais elevada, que mais tarde mencionaremos. As restantes Hierarquias criadoras, com o objetivo de completar sua própria evolução, foram impelidas a trabalhar no homem, e com o homem.

Esses Senhores da Chama estavam fora do escuro Globo de Saturno. Emitindo de seus corpos uma forte luz, eles projetaram, por assim dizer, suas imagens sobre a superfície desse antigo Globo, tão pouco impressionável que refletia, como eco, muitas vezes em imagens multiplicadas, tudo o que se punha em contato com ele. É isto que o mito grego quer significar quando diz que Saturno devorava os próprios filhos.

Entretanto, por repetidos esforços durante a primeira Revolução, os Senhores da Chama conseguiram implantar na vida evolucionante o germe do nosso atual corpo físico. Esse germe expandiu-se um tanto durante o resto das seis primeiras Revoluções, obtendo a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, especialmente o ouvido. Portanto, o ouvido é o órgão mais altamente desenvolvido que possuímos. É o instrumento que conduz à consciência, com maior exatidão, todas as impressões que recebe do exterior. Está menos sujeito às ilusões do Mundo Físico do que qualquer outro órgão sensorial.

A consciência da vida evolucionante nesse Período era semelhante à do mineral atual - um estado de inconsciência análogo ao dos médiuns no transe mais profundo - se bem que, durante as primeiras seis Revoluções, a vida evolucionante trabalhasse no germe do corpo denso sob a direção e com ajuda das diferentes Hierarquias criadoras. Na metade da sétima Revolução os Senhores da Chama, que estiveram inativos desde o momento em que proporcionaram o germe do corpo denso na primeira Revolução, tornaram-se novamente ativos, desta vez com o objetivo de despertar no homem o princípio espiritual mais elevado. Assim, despertaram a atividade inicial do Espírito Divino no homem.

Portanto o homem deve o mais elevado e o mais inferior dos seus veículos - o Espírito Divino e o Corpo Denso - à evolução do Período de Saturno. Os Senhores da Chama prestaram a essa manifestação auxílio voluntário, sem que nada os obrigasse a fazê-lo.

A obra das várias Hierarquias Criadoras não começa no Globo A, no princípio de uma Revolução ou de um Período. Principia na metade de uma Revolução, crescendo em força e alcançando sua maior eficácia na metade da Noite Cósmica - que tem lugar tanto entre as Revoluções como entre os Períodos. Depois sua ação declina gradualmente, conforme a onda de vida alcança a metade da Revolução seguinte.

Assim, a obra dos Senhores da Chama, com objetivo de despertar a consciência germinal, foi mais ativa e eficiente durante o Período de repouso entre os Períodos de Saturno e Solar.

Reafirmamos que uma Noite Cósmica não deve ser considerada um período de inatividade. Não é uma existência inerte, conforme vimos no caso de um indivíduo desde sua morte até o novo nascimento. O mesmo acontece na grande morte de todos os Globos de um Período: há uma cessação da manifestação ativa, a fim de que se possa desenvolver proporcionalmente uma atividade subjetiva e mais intensa.

Talvez a melhor idéia da natureza dessa atividade subjetiva, nos seja proporcionada pela observação do que ocorre quando uma fruta madura é enterrada. Fermenta e desintegra-se, mas de todo esse caos brota a nova planta, que se eleva para o ar e para a luz do Sol. Assim também, ao fim de um Período, tudo se resume num conglomerado caos aparentemente impossível de ser ordenado. Contudo, no devido tempo, formam-se os Globos de um novo Período, que se convertem em Mundos habitáveis pelo homem. Depois a vida evolucionante transfere-se dos cinco Globos escuros, nos quais atravessa a Noite Cósmica, para começar as atividades em um novo dia criador, em ambiente modificado, preparado e exteriorizado durante as atividades na Noite Cósmica. Assim como as forças produzidas pela fermentação da fruta estimulam a semente e fertilizam a terra em que ela cresce, assim também os Senhores da Chama estimularam o germe do Espírito Divino, especialmente durante a Noite Cósmica entre os Períodos de Saturno e Solar, continuando suas atividades até a metade da primeira Revolução do Período Solar.

 

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