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O CORPO DE DESEJOS

Max Heindel

 

 

Parte III

O Corpo de Desejos do Homem no Mundo Físico

Capítulo I

Da Infância à Puberdade

 

Os veículos do recém-nascido não entram em atividade logo de pronto. O corpo denso permanece indefeso por um longo período de tempo após o nascimento.

O mesmo ocorre com as forças que operam no corpo de desejos. A sensibilidade passiva à dor física acha-se presente enquanto que a sensibilidade às emoções acha-se quase que completamente ausente. A criança mostrará emoções, é certo, à menor provocação, mas a duração dessa emoção é apenas momentânea. Está tudo na superfície.

O corpo vital da planta constrói uma folha após a outra, fazendo o caule crescer sempre mais. Não fosse pelo corpo de desejo macrocósmico continuaria desse modo indefinidamente, mas o corpo de desejo macrocósmico intervém em um determinado ponto e interrompe o crescimento. A força agora necessária para prosseguir o crescimento acha-se disponível para outros propósitos e é usada para construir a flor e a semente. De modo semelhante, o corpo vital do homem, quando o corpo denso fica sob seu controle, após o sétimo ano, faz o último crescer bem rápido, mas perto do décimo quarto ano o corpo de desejos individual nasce do útero do corpo de desejo macrocósmico e então está livre para trabalhar no corpo denso. O crescimento excessivo é interrompido e a força anteriormente usada para isso torna-se disponível para a propagação de forma que a planta humana pode florescer e dar à luz. Portanto, o nascimento do corpo de desejo pessoal marca o período da puberdade. A partir desse período, aparece a atração pelo sexo oposto, tornando-se especialmente ativa e desenfreada no terceiro período setenário da vida - do décimo quarto ano ao vigésimo primeiro - porque a mente controladora ainda não nasceu.

Entretanto, não se deve imaginar que, quando o pequeno corpo de uma criança nasce, o processo do nascimento esteja completo. O corpo denso físico teve a mais longa evolução e, como o sapateiro que trabalhou muitos anos na sua profissão é mais experiente que um aprendiz e capaz de fazer mais rápido sapatos melhores, assim também o Espírito que tenha construído mais corpos físicos os produz mais rapidamente, mas o corpo vital é uma aquisição mais recente do ser humano. Por isso, não somos tão experientes na construção desse veículo. Conseqüentemente, leva mais tempo para construí-lo a partir de materiais não empregados na feitura do revestimento do arquétipo, e o corpo vital não nasce antes do sétimo ano. Começa então o período de crescimento rápido. O corpo de desejo é uma aquisição na composição do homem que se dá mais tarde ainda, que não nasce antes do décimo quarto ano, quando a natureza de desejo expressa-se mais fortemente durante a chamada mocidade "quente", e a mente que torna o homem adulto, não nasce antes do vigésimo primeiro ano. Perante a lei, essa última idade é reconhecida como o tempo mais cedo em que o homem está pronto para exercer o direito de votar.

Aos quatorze anos, temos o nascimento do corpo de desejos, que marca o início da auto-afirmação. Nos primeiros anos, a criança se vê mais como pertencente à família e subordinada às vontades de seus pais do que após os quatorze anos. A razão é a seguinte: na garganta do feto e da criancinha existe uma glândula chamada timo, que é maior antes do nascimento e que diminui gradualmente durante a infância e, finalmente, desaparece em idades que variam de acordo com as características da criança. Os anatomistas ficaram confusos quanto ao funcionamento desse órgão e ainda não chegaram a uma conclusão definitiva. Mas foi sugerido que, antes do desenvolvimento dos ossos vermelhos da medula, a criança não é capaz de fabricar seu próprio sangue, e que, portanto, a glândula timo contém uma essência, suprida pelos pais, que a criança pode extrair enquanto bebê e durante a infância, até estar apta a fabricar seu próprio sangue. Essa teoria está próxima da verdade, e, como o sangue da família circula na criança, ela se considera parte da família e não como um Ego. Mas no momento em que ela começa a fabricar seu próprio sangue, o Ego se afirma; não é mais a menina do papai ou o menino da mamãe. Passa a ter um "Eu" identificando-a. Tem início a idade crítica quando os pais colhem o que semearam. A mente ainda não nasceu, não há nada para refrear a natureza de desejo reprimida, e mais, muito mais, depende de como a criança foi educada nos primeiros anos e que exemplos os pais deram. Nesse ponto da vida, a auto-afirmação, o sentimento de "Eu sou eu", é mais forte que em qualquer outra ocasião e, portanto, a autoridade deve dar lugar ao conselho.

Os pais devem praticar a maior tolerância, pois em nenhuma outra fase da vida o ser humano acha-se mais necessitado de compreensão que durante os sete anos que vão dos quatorze aos vinte um quando a natureza de desejo é exuberante e desenfreada.

O corpo de desejos necessita de proteção das investidas violentas do Mundo do Desejo até por volta dos quatorze anos quando ele nasce na fase que chamamos de puberdade; e a mente não está suficientemente madura para ser solta de sua capa protetora até que o homem atinja sua maioridade por volta dos vinte e um anos. Esses períodos estão aproximadamente corretos, apenas, pois cada pessoa é diferente das outras quanto à exatidão dos períodos, mas esses dados estão bem próximos da realidade.

Vimos que, quando o Ego chegou ao fim de seus dias na escola da vida, a força centrífuga de Repulsão faz com que ele se descarte do veículo denso por ocasião da morte e, depois do corpo vital, que é o mais denso a seguir. Posteriormente, no Purgatório, a matéria de desejo mais inferior acumulada pelo Ego como um corpo para seus mais inferiores desejos é expurgada por essa força centrífuga. Nos reinos mais elevados só a força de Atração governa e mantém o bem pela ação centrípeta, que tende a puxar tudo da periferia para o centro.

Essa força centrípeta de Atração também governa quando o Ego está de volta para renascer. Sabemos que podemos atirar uma pedra mais longe do que uma pena. Daí que, a matéria inferior é lançada fora após a morte, pela força de Repulsão, e, pela mesma razão a matéria mais inferior na qual o Ego que retorna incorpora as tendências ao mal é arrastada para o centro pela força centrípeta de Atração, resultando que, quando a criança nasce, tudo de melhor e mais puro aparece no exterior. O mal normalmente não se manifesta até após o nascimento do corpo de desejos próximo dos quatorze anos, e as correntes nesse veículo começam a jorrar fora pelo fígado. Nessa ocasião, o Ego começa a "viver" sua vida individual e mostrar o que tem em seu interior. O corpo de desejos nasce por volta dos quatorze anos, na puberdade. Esta é a ocasião em que os sentimentos e paixões estão começando a exercer seu poder sobre o jovem ou a jovem, quando o útero da matéria de desejos, que primeiramente protegia o corpo de desejo emergente, é removido. Em muitos casos, esse é um período de tentações, e é um bem para o jovem que aprendeu a respeitar pais e professores, pois eles serão para ele uma âncora de força contra a invasão dos sentimentos. Se foi acostumado a aceitar a opinião dos mais velhos como verdadeira e deles recebeu sábios ensinamentos, ele terá então desenvolvido o inerente senso de verdade que será um guia seguro, mas, na medida em que tenha falhado, então é capaz de ficar à deriva.

Quando numa vida a pessoa morre quando criança, ela, não raro, se lembra desta vida na próxima, porque as crianças menores de quatorze anos não perfazem o ciclo completo da vida, que necessita da construção de um grupo completo de novos veículos. Elas simplesmente passam para as regiões superiores do Mundo do Desejo e lá esperam pela construção de um novo corpo, o que normalmente ocorre entre um e vinte anos após a morte. Quando voltam a renascer, elas trazem consigo a antiga mente e o antigo corpo de desejos.

 

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PARTE III CAP II