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CARTA Nº 37

Dezembro de 1913

A RAZÃO DE TANTOS CULTOS DIFERENTES

 

O assunto principal da lição do mês passado, e que devemos ponderar devidamente, é o motivo de existirem tantos cultos diferentes, cada um deles com o seu credo próprio e com a convicção de que possue a verdade absoluta. Esta atitude, como explicaremos nesta carta, baseia-se no fato que o Ego ficou limitado ao penetrar num veículo que o separa de tudo o mais. Em virtude desta limitação, é incapaz de avaliar a verdade universal e, por conseguinte, somente uma verdade parcial ser-lhe-á apresentada pelos ensinamentos religiosos.

A guerra e a discórdia, engendradas no mundo pelas influências segregatórias dos credos, também têm o seu lado benéfico, pois se todos tivéssemos a mesma opinião acerca da grande pergunta: "Que é a verdade?" não haveria o anseio profundo pela procura da luz ou do conhecimento, e a verdade não produziria em nós a forte impressão que podemos obter quando lutamos pelo que acreditamos. Por outro lado, a militância das igrejas mostra aos que estão adquirindo uma visão mais ampla - os pioneiros que conhecem que ninguém possui mais do que um pouco da verdade completa e olham para o futuro trabalhando e desenvolvendo suas capacidades - "que agora vemos como por um espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conhecemos em parte, então, conheceremos como também somos conhecidos".

Sabendo que existe uma razão cósmica para os credos, não devemos tentar impor idéias avançadas aos que estão ainda limitados pelo espírito do convencionalismo, nem imitar o espírito militante das igrejas missionárias, mas, como diz a Bíblia, dar as nossas pérolas do conhecimento só àqueles que estão cansados de alimentar-se das cascas e que anseiam pelo verdadeiro pão da vida.

Discorrer sobre assuntos relacionados com o conhecimento superior pode ajudar os que despertaram da sua letargia espiritual, a qual, infelizmente, é muito comum em nossos dias e na presente época. Mas, argumentos nunca produzirão algo de bom, pois os que estão numa disposição de crítica e discussão, nunca se convencerão do que possamos dizer. A compreensão da verdade, por si só, é suficientemente poderosa para derrubar as barreiras da limitação que os credos engendram, mas deve vir de dentro e não de fora.

Portanto, ainda que estejamos dispostos a responder às perguntas dos que desejam saber e preparados para transmitir as razões das nossas crenças, devemos manter-nos dentro de certos limites, não impondo aos outros as nossas convicções. Ao liberta-los de uns grilhões, não devemos amarrá-los a outros, pois a liberdade é a herança mais preciosa da alma. Os Irmãos Maiores no mundo ocidental não aceitam nenhum discípulo que não esteja livre de outros vínculos, e têm o máximo cuidado para que o aspirante não se prenda a eles ou a nenhum outro mentor. Só desta forma poderemos dissolver o anel dos Niebelungos e o dos deuses. Que todos possamos viver um ideal de liberdade absoluta e, ao mesmo tempo, ter o máximo cuidado em não infringir o direito e o livre-arbítrio dos nossos semelhantes.

 

 

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