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CARTA Nº 35

Outubro de 1913

O MITO DE FAUSTO E A LENDA MAÇÔNICA

 

Na lição do mês passado terminamos a nossa análise do mito de Fausto e, ao fazer uma recapitulação dele como um todo, notamos que transmite a mesma idéia da lenda maçônica. De um lado temos Fausto e Lúcifer; do outro, Margarida e os sacerdotes. Margarida mostra fé na Igreja, mesmo nas horas de maior infortúnio. Esta fé é o seu consolo e segurança, o que a faz atingir a meta do espírito. Ela alcança seu lugar celestial pela fé. Os seus pecados de omissão e de ter agido erradamente são devidos à ignorância, mas quando ela vê a força do mal encarnada no caráter de Lúcifer, que lhe oferece a liberdade da prisão e da morte, recusa consegui-la por meio de tal ajuda, pelo que se redime suficientemente para merecer um lugar no Reino celestial. Deste modo, os pupilos da Igreja, os Filhos de Seth, estão ainda dependendo do perdão dos pecados, em vez dos seus próprios méritos. Estão procurando a salvação por meio da fé, já que a sua força de ação é muito pequena.

Em Lúcifer e em Fausto encontramos a réplica dos Filhos de Caim, que são positivos, fortes e ativos no trabalho do mundo. O mesmo espírito que infundiu em Caim o desejo de fazer que "duas folhas de erva crescessem onde anteriormente crescia só uma" - o independente e divino instinto criador que fez com que os filhos de Caim liderassem o trabalho no mundo - é também poderoso em Fausto. A maravilhosa forma com a qual empregou as forças do mal, isto é, fazendo-as construir uma nova terra onde um povo livre e feliz pudesse morar em paz e alegria, dá-nos visão do que o futuro nos reserva.

Por nosso próprio esforço, empregando as forças do mal para fazer o bem, libertar-nos-emos finalmente das limitações, tanto as da Igreja como as do Estado, que agora nos mantêm manietados. Ainda que as convenções sociais e as leis da Terra sejam agora necessárias para refrear-nos e evitar que infrinjamos os direitos dos outros, dia virá em que o espírito nos animará e nos purificará, da mesma maneira que o amor de Fausto por Helena purificou-o e incentivou-o a empregar as forças de Lúcifer no caminho do bem. Quando sentirmos o desejo de trabalhar por espontânea vontade, quando ficarmos felizes pelo serviço que prestamos aos outros - como Fausto estava quando com sua quase extinta visão pôde observar que a terra dos seus sonhos emergia do mar - então, nunca mais será necessária a restrição da lei e os convencionalismos, porque nós nos teremos elevado acima deles pelo cumprimento consciente de todas as suas exigências. Somente desta maneira poderemos ser realmente livres. É muito fácil dizer aos outros o que deve ou não ser feito, mas o verdadeiramente difícil é impor-nos o cumprimento da obediência, ainda quando, intelectualmente, possamos aceitar os ditames do convencionalismo. Como diz Goethe:

"De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado,
O homem se liberta quando o autocontrole há conquistado".

O mito de Fausto diz-nos que há uma condição utópica reservada para nós quando tivermos, pela força do trabalho, conquistado a nossa própria salvação, ao pôr em atividade as enormes forças internas que nos tornarão realmente livres. Esforçando-nos pelas nossas ações diárias, poderemos apressar esse dia.

 

 

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