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CARTA Nº 20

Julho de 1912

INCIATIVA E LIBERADE PESSOAL

 

Em sua opinião, qual o ponto principal da lição do mês passado? Não foram as minhas experiências, pois, embora os estudantes as tenham achado de grande valor, na realidade são insignificantes, salvo se serviram para transmitir um ensinamento benéfico. O fato mais importante da lição anterior foi a enfática e reiterada insist6encia sobre a absoluta liberdade pessoal na Fraternidade Rosacruz.

A este respeito, os Ensinamentos dos Mistérios do Ocidente diferem radicalmente dos que são dados às almas mais jovens do Oriente, onde cada um tem o seu Mestre um déspota a quem deve servir como escravo em todas as coisas, da mesma forma que fez "Kim" com o guru a quem seguia. Há muita veracidade na história de Kipling. Existe a obediência absoluta e indiscutível às ordens do Senhor externo, a quem vê e segue fisicamente. É este o meio implantado para o adiantamento espiritual; o discípulo não tem direito de escolha ou qualquer privilégio, tão pouco tem responsabilidades.

Entre as almas mais velhas do Ocidente, que aspiram ao crescimento espiritual, não pode haver nenhum Mestre ou Guia. Temos que aprender a ficar sozinhos. Talvez isto não nos agrade; sentimo-nos temerosos e gostaríamos de ter um Mestre ou Guia para livrar-nos de responsabilidades. Eis a razão, segundo creio, pela qual tão grande número de pessoas inteligentes e cultas ingressaram em círculos espíritas ou sociedades que proclamam os ensinamentos do Oriente. Evoluídos acima do desenvolvimento normal do Ocidente, eles sentem o Grande Além os atraindo, como o amplo espaço do céu azul atrai o passarinho que, apesar do medo, confia em suas asas inexperientes. O impulso interno compele-os, mas, receosos de confiar em si mesmos, agarram ansiosamente a mão de "Mestres" ou "Espíritos Guias", com a esperança de obter, com a ajuda destes, o poder espiritual. A criança para aprender a andar deve engatinhar, cair no chão, levantar-se e tornar a cair. A experiência é desagradável, mas inevitável, e isso é preferível às conseqüências que acarretariam atá-la a uma cadeira para evitar as quedas; neste caso, os membros ser-lhe-iam inúteis. O mesmo acontece com as forças espirituais latentes dos infortunados (Ocidentais) que caem sob o domínio perniciosos de Espíritos Guias e Mestres do Oriente.

O Mestre Ocidental é mais parecido como pássaro pai, que empurra os seus pequeninos para fora do ninho se eles não quiserem sair por si mesmos. Podemos lastimar-nos, mas temos que aprender a voar. Tomem o meu próprio caso como exemplo: fui incumbido de divulgar os Ensinamentos Rosacruzes. Acreditem que, muitas vezes, faltou-me a respiração à medida que percebia quão gigantesca era tal missão e quão insignificantes éramos minha esposa e e eu. Freqüentemente, quando sentíamos que o trabalho nos ia derrubar, rezávamos e rezávamos por ajuda. Agora, ao olharmos para trás, vemos as lições que aprendemos por termos batalhado. Algumas vezes, os amigos diziam: "Oh, como desejaríamos ter mais dinheiro para construir a Ecclesia e escolas para que o trabalho pudesse ser levado ao mundo com maior resultado". Mas, apercebemo-nos que existem outras lições ante nós, e que, quando estivermos preparados, os meios virão para a desejada expansão. Até lá, as nossas asas precisam de um maior treinamento.

Isto diz respeito a todos os membros da Fraternidade Rosacruz. Temos que aprender a lição do trabalho para um fim comum, sem lideranças e, cada um, impulsionado pelo Espírito do Amor interno, deve esforçar-se pela elevação física, moral e espiritual do mundo até alcançar a estatura de Cristo - Senhor e Luz do Mundo.

 

 

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