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ENSINAMENTOS DE UM INICIADO

MAX HEINDEL

 

 

CAPÍTULO XIII

O SIGNIFICADO ESOTÉRICO DA PÁSCOA

E o início da Filosofia Rosacruz

 

Outra vez a Terra atinge o equinócio da primavera em seu movimento anual de translação em torno do Sol, e assim chegamos à Páscoa. O raio espiritual emitido pelo Cristo Cósmico a cada outono para reativar a esgotada vitalidade da Terra, está prestes a ascender ao Trono do Pai. Às atividades espirituais de fecundação e germinação, levadas a efeito durante o inverno e a primavera, seguir-se-ão os processos de crescimento físico e amadurecimento durante os próximos verão e outono sob a influência do Espírito da Terra. O ciclo termina no "Lar da Colheita". Deste modo, o grande Drama do Mundo é encenado e reencenado ano após ano, numa eterna disputa entre a vida e a morte, sendo cada uma, por vez, vencedora e vencida na seqüência dos ciclos.

Os grandes fluxos e refluxos cíclicos não estão limitados em seus efeitos à Terra, à sua flora e fauna. Exercem igualmente uma influência dominante sobre a humanidade, mesmo que a grande maioria não se aperceba das causas que a impelem a agir numa e noutra direção. Não obstante essa ignorância, permanece o fato de que a mesma vibração terrestre que adorna vistosamente as aves e outros animais na primavera, responde também pelo desejo humano de vestir-se com cores alegres e roupas mais claras nessa época do ano. É também "o apelo do campo", que no verão convida o homem a descontrair-se no meio rural, onde os espíritos da natureza exercitaram suas artes mágicas nos campos e florestas, para recuperar-se da tensão das condições artificiais reinantes nas cidades congestionadas.

Por outro lado, é a "queda" do raio espiritual do Sol no outono que causa o reinício das atividades mentais e espirituais no inverno. A mesma força germinadora que fermenta a semente na terra e a prepara para reproduzir sua espécie multiplicada, também ativa a mente humana e fomenta atividades altruístas que tornam o mundo melhor. Caso essa grande onda de desprendido Amor Cósmico não culminasse no Natal, com vibrações de paz e boa-vontade, não poderia haver nenhuma sensação festiva em nossos corações de modo a gerar o desejo de fazer os outros igualmente felizes. O costume universal de dar presentes no Natal seria impossível, e todos nós sofreríamos essa perda.

Quando Cristo andava, dia após dia, pelas colinas e vales da Judéia e Galiléia ensinando as multidões, todos foram beneficiados. Mas Ele convivia mais com Seus discípulos, e estes cresciam rapidamente a cada dia. À medida que o tempo passava, esses laços de amor estreitavam-se mais, até que um dia, mãos impiedosas tiraram o amado Mestre e o levaram à morte desonrosa. Contudo, mesmo que tenha morrido na carne, Ele continuou a conviver intimamente com Seus discípulos por algum tempo, em espírito. Por fim, subiu às esferas superiores, perdendo-se assim o contato direto com Ele. Aqueles homens olharam-se tristemente, face a face, e perguntaram-se: "É este o fim?" Eles haviam esperado tanto, haviam alimentado tão elevadas aspirações que, apesar da verdejante paisagem continuar brilhante e beijada pelo Sol como antes de Sua partida, a Terra parecia fria e monótona. Sombria desolação oprimia os seus corações.

Algo semelhante também acontece conosco quando buscamos seguir o espírito e lutar contra a carne, mesmo que a analogia não tenha sido aparente até aqui. Quando, no outono, a "queda" do raio crístico começa anunciando a época da supremacia espiritual, logo o sentimos e começamos avidamente a banhar nossas almas nessa bendita maré. Experimentamos uma sensação semelhante a dos apóstolos quando andavam com Cristo e, à medida que a estação avança, torna-se cada vez mais fácil comungar com Ele, face a face, como antes. Mas, no curso anual dos acontecimentos, a Páscoa e Ascensão do raio de Cristo "ressuscitado" para o Pai, deixa-nos em idêntica posição a dos apóstolos quando seu querido Mestre se afastou. Nós ficamos desolados e tristes, vemos o mundo como um deserto monótono e não

podemos atinar com a razão de nossa perda, que é tão natural como os fluxos e refluxos das marés ou como os dias e as noites-fases da era atual dos ciclos alternantes.

Existe um perigo nesta atitude mental. Se permitimos que ela nos domine, é possível que abandonemos o nosso trabalho no mundo e nos convertamos em sonhadores desiludidos, percamos nosso equilíbrio e provoquemos contra nós a crítica muito justa dos demais. Este tipo de conduta é inteiramente errado, pois, assim como a Terra emprega o seu esforço material para produzir abundantemente no verão após haver recebido o ímpeto espiritual do inverno, é também nosso dever envidar os maiores esforços ao trabalho do mundo quando possuímos o privilégio de comunicar com o espírito. Assim fazendo, é possível que despertemos nos outros o espírito de emulação e o de servir.

Estamos acostumados a pensar no avaro como alguém que junta ouro, sendo essa classe de pessoas, de modo geral, objeto de desprezo. Mas há indivíduo" que lutam tão tenazmente para adquirir conhecimento como o avaro se esforça para acumular ouro, não hesitando em usar qualquer meio ou subterfúgio para alcançar seu intento, guardando consigo seus conhecimentos tão egoisticamente quanto o avaro guarda o seu tesouro. Não compreendem que, por tal método, eles fecham de fato as portas a uma sabedoria maior. A antiga teologia nórdica continha uma parábola que, simbolicamente, esclarece o assunto. Dizia que todos os que morriam no campo de batalha (as almas fortes que combateram o bom combate até o fim) eram conduzidos ao Valhalla para estar com os deuses, enquanto os que morriam na cama ou por doença (as almas fracas que vagavam pela vida) iam para o lúgubre Niflheim. No Valhalla, os valentes guerreiros banqueteavam-se diariamente com a carne de um javali chamado Scrimner, que se caracterizava por uma particularidade: sempre que se cortava um pedaço de suas carnes, imediatamente outro crescia no lugar, de modo que seu corpo nunca era consumido, não importa quanto se cortasse dele. Isto simboliza adequadamente o "conhecimento", pois, não importa quanto dele possamos dar aos outros, o original sempre fica conosco.

Portanto, há uma certa obrigatoriedade em passar adiante o conhecimento que temos, pois "a quem muito é dado, muito será exigido". Talvez seja oportuno narrar novamente uma experiência que pode ilustrar o caso. Foi a "prova" final a que fui submetido antes de me serem confiados os ensinamentos compreendidos no "O Conceito Rosacruz do Cosmos", embora nessa ocasião, naturalmente, eu não soubesse que estava sendo testado. Aconteceu numa época em que fui a Europa em busca de um professor que, eu acreditava, poderia ajudar-me a avançar no caminho da realização. Mas, quando já havia investigado a fundo seus ensinamentos, tendo-o forçado a admitir certas incongruências que ele não soube explicar, encontrei-me numa verdadeira "depressão e desalento", pronto para voltar para a América. Quando sentei em minha cadeira, avaliando o meu desapontamento, tive a sensação de que havia mais alguém presente vindo em minha direção. Olhei para cima e contemplei Aquele que, desde então, se tornou meu Mestre. Lembro-me, envergonhado, do quão rispidamente perguntei quem o havia enviado e o que ele queria, pois eu estava muito mortificado e hesitei bastante antes de aceitar seu auxílio sobre os pontos que motivaram minha ida para a Europa.

Durante os dias seguintes, meu novo conhecido apareceu em meu quarto diversas vezes, respondendo às minhas perguntas e ajudando-me a resolver problemas que antes me haviam desorientado. Mas como a minha visão espiritual era fracamente desenvolvida e nem sempre sob controle, eu me sentia bastante cético no assunto. Não teria sido alucinação? Discuti o assunto com um amigo. As respostas às minhas dúvidas, dadas pela aparição, eram claras, concisas e altamente lógicas. Eram diretas e muito além de qualquer concepção que eu fosse capaz de imaginar, daí concluirmos que a experiência devia ser real.

Alguns dias depois, meu novo amigo disse-me que a Ordem, à qual pertencia, tinha uma solução completa para o enigma do universo, muito mais extensa do que qualquer outro ensinamento conhecido, e que eles iriam partilhar comigo esses ensinamentos com a condição de eu concordar em conservá-los como um segredo inviolável.

Voltei-me para ele enraivecido: "Ah! Por fim estou percebendo a armadilha! Não, se você possue o que diz e se é bom, então é bom também que o mundo o saiba. A Bíblia proíbe-nos expressamente de ocultar a Luz, e não me interessa desfrutar dessa fonte de conhecimentos enquanto milhares de almas anseiam por uma solução a seus problemas, assim como eu". Meu visitante, então, deixou-me e não voltou, e eu concluí que ele era um emissário dos Irmãos Negros.

Mais ou menos um mês depois, deduzi que não poderia obter maior iluminação na Europa, portanto, fiz reserva num navio para Nova Iorque. Como o movimento era intenso, só consegui vaga para um mês depois.

Quando voltei para meu alojamento depois de haver comprado a passagem, lá estava meu desconsiderado Mestre que novamente me ofereceu ensinamentos com a condição de conservá-los em segredo. Desta vez minha recusa foi talvez mais enfática e indignada do que antes. Porém, ele não se foi, mas disse: "Estou contente em ouvir sua recusa, meu irmão, e espero que você seja sempre zeloso em propagar nossos ensinamentos, sem medo nem parcialidade como tem sido nesta recusa. Esta é a real condição para receber as revelações".

Como recebi instruções para tomar um determinado trem numa certa estação para ir a um lugar do qual nunca ouvira falar, como lá encontrei o Irmão em carne e osso e fui levado ao Templo, e como recebi as principais instruções contidas em nossa literatura, é agora assunto de menor importância. O importante é que se eu tivesse concordado em conservar em segredo as revelações, naturalmente teria sido considerado incapaz de ser um mensageiro dos Irmãos e eles teriam que procurar outro. Assim é com qualquer um de nós. Se guardamos avaramente as bênçãos espirituais que recebemos, o mal estará batendo à nossa porta, portanto, vamos imitar a terra nesta época da Páscoa. Vamos dar ao mundo físico da atividade, os frutos do espírito semeados em nossas almas durante a passada estação invernal. Assim, receberemos bênçãos mais abundantes cada ano que passa.

 

CAPÍTULO XIV

OS ENSINAMENTOS DA PÁSCOA

 

Novamente é Páscoa. Passaram-se os sombrios e monótonos dias de inverno. A Mãe Natureza remove o manto frio de gelo que cobre a terra, permitindo a milhões e milhões de sementes abrigadas no chão macio, romperem sua crosta e vestirem o solo com trajes de verão numa orgia de cores alegres e vistosas, preparando as "câmaras nupciais" para os animais e aves se acasalarem. Mesmo neste ano de guerra regado de lágrimas, o canto da vida ressoa bem alto, acima do canto fúnebre da morte. "Oh! morte, onde está teu aguilhão? Oh! tumba, onde está tua vitória?" Cristo ressuscitou - os primeiros frutos. Ele é a Ressurreição e a Vida; quem acredita Nele não morrerá, mas terá vida eterna.

Na presente estação, a mente do mundo civilizado volta-se para a festividade que chamamos Páscoa, na qual se comemora a morte e ressurreição do nobre ser que o mundo conhece pelo nome de Jesus, cuja história de sua vida foi escrita nos Evangelhos. Mas um Cristão místico tem uma visão mais profunda e mais ampla desse evento cósmico que se repete anualmente. Para este, o que existe é uma impregnação anual da Terra com a vida do Cristo cósmico. Uma inalação que tem lugar durante os meses do outono, culminando no solstício do inverno quando celebramos o Natal, e uma exalação que chega ao fim na época da Páscoa. A inspiração ou impregnação manifesta-se pela aparente inatividade do inverno, enquanto que a expiração da vida de Cristo manifesta-se como a força da ressurreição, que dá nova vida a tudo que vive e se movimenta sobre a terra, vida abundante, não apenas para manter, mas para propagar e perpetuar.

O drama cósmico da vida e da morte é representado anualmente por todas as criaturas e coisas evoluintes, da maior à menor, porque até o grande e sublime Cristo cósmico, em Sua compaixão, torna-se sujeito à morte quando entra nas condições enclausurantes da Terra em um período do ano. Por conseguinte, é oportuno recordar alguns pontos relativos à morte e renascimento que, às vezes, podemos esquecer.

Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antigüidade, nenhum é mais comum que o símbolo do ovo. Encontramo-lo em toda religião. Está presente no Antigo Eddas dos Escandinavos, venerável pela idade, que nos fala do ovo mundano esfriado pelo sopro gelado no Niebelheim, mas aquecido pelo hálito quente do Muspelheim antes que os vários mundos e o próprio homem viessem a existir. Se voltamo-nos para o ensolarado sul, podemos achar nos Vedas da índia a mesma história no mito Kalahgansa, o Cisne do tempo e do espaço, o qual pôs o ovo que veio a ser finalmente o mundo. Entre os egípcios encontramos o globo alado e as serpentes ovíparas, simbolizando a sabedoria manifestada neste nosso mundo. Depois, os gregos utilizaram esse simbolismo reverenciando-o em seus Mistérios. Foi preservado pelos druidas. Tal símbolo era também conhecido dos construtores do grande outeiro da serpente, em Ohio, e conservou seu lugar na simbologia sagrada até hoje, muito embora a grande maioria dos seres humanos seja cega ao grande mistério que ela encerra e revela - o mistério da vida.

Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistências diversas. Mas, se submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças, assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os magos dos laboratórios podem duplicar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca, de maneira que , conforme as experiências feitas até hoje, uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida. Contudo, este difere do ovo natural em um ponto, isto é, nenhuma coisa viva pode ser incubada no produto artificial. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente em outro.

Esse mistério de séculos que produz o ser vivo é que nós chamamos Vida. Como a Vida não pode ser detectada em meio aos elementos do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio (ainda que ela ali esteja para produzir as mudanças que se notam), é de concluir-se que ela deve ser capaz de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da vida ser capaz de modelar a matéria, não depende entretanto desta para existir. Ela é auto-existente e não tendo princípio não pode também ter fim. Isto é simbolizado pela forma ovóide do ovo.

Estamos estarrecidos com a carnificina nos campos de batalha da Europa, e também pela maneira como as vítimas são arrancadas da vida física. Mas, se considerarmos que a média da vida humana é de apenas 50 anos mais ou menos, e que a morte ceifa cento e cinqüenta milhões em meio século, ou três milhões por ano, ou duzentos e cinqüenta mil cada mês, vemos que afinal o total não foi tão expressivamente aumentado. E quando nos apercebemos do verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo, isto é, que a vida não é criada, nunca teve princípio e nunca terá fim, habilitamo-nos a criar coragem e admitir que os que são retirados agora da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo cósmico, vida que penetra a Terra no outono e a abandona na Páscoa. Os que morreram estão apenas indo para os reinos invisíveis, de onde mais tarde mergulharão de novo em uma matéria física entrando como todas as coisas vivas no óvulo da mãe. Depois de um período de gestação, eles reentrarão na vida física para aprender novas lições na grande escola. Assim, vemos como a grande lei da analogia opera em todas as fases e sob todas as circunstâncias da vida. O que acontece ao Cristo no grande mundo vai acontecer também na vida dos que vão se tornar Cristos. Isto permitirá que encaremos a presente luta mais animadamente.

Devemos admitir que a morte é uma necessidade cósmica nas atuais circunstâncias, porque se fôssemos aprisionados num corpo como o que agora usamos e colocados num ambiente tal e qual este em que nos encontramos hoje, para assim viver perenemente, as enfermidades do corpo e as condições insatisfatórias do ambiente bem cedo nos fariam cansar da vida e implorar por libertação. Isso impediria todo progresso e tornaria impossível evoluirmos à alturas mais elevadas, tais como as que podemos alcançar através do renascimento em novos veículos e novos ambientes que nos permitam novas possibilidades de crescimento. Por conseguinte, devemos agradecer a Deus o fato de que, enquanto o nascimento em um corpo concreto é necessário para nosso desenvolvimento futuro, a liberação pela morte tem sido proporcionada para libertar-nos do instrumento esgotado pelo uso. A ressurreição e um novo nascimento sob o céu alegre de um novo ambiente, fornecem-nos outras oportunidades para recomeçar a vida e assim aprender as lições que não conseguimos assimilar antes. Por esse método seremos algum dia perfeitos como o Cristo ressuscitado. Ele assim determinou e exemplificou para ajudar-nos a conseguí-lo.

 

CAPÍTULO XV

MÉTODO CIENTÍFICO DO DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL

Parte I - Analogias materiais

 

Enquanto estávamos descendo para uma existência concreta pela involução, nossa linha de progresso consistia unicamente em desenvolvimento material. Mas, desde que ultrapassamos o nadir da materialidade e começamos a ascender além do concreto, a expansão espiritual está se tornando cada vez mais importante, como um fator necessário para nosso desenvolvimento, embora ainda tenhamos muitas lições importantes a aprender da fase material de nossa existência. Isto se aplica à humanidade em geral, mas particularmente, é claro, aos que já estão conscientemente começando a aspirar a viver a vida superior. Portanto, é oportuno rever por um outro ângulo os Ensinamentos Rosacruzes, no que se refere ao método científico de alcançar esse desenvolvimento espiritual.

Pessoas da velha geração, especialmente na Europa e no leste dos Estados Unidos, sem dúvida devem lembrar-se com prazer de seus passeios através de tranqüilas alamedas no campo, e das muitas vezes que passaram por um riacho. murmurante com seu velho e rústico moinho e sua barulhenta roda d'água movendo com dificuldade a rude maquinaria, usando apenas uma pequena fração da força acumulada pela água corrente, inaproveitada a não ser para esse pequeno uso. Porém, mais tarde, surgiu uma nova geração que notou as possibilidades a serem aproveitadas pelo uso científico dessa poderosa energia. Engenheiros começaram a construir represas para impedir que as águas continuassem a correr sem aproveitamento. Desviaram a água dos reservatórios através de canos e calhas para as rodas d'água construídas conforme princípios científicos. Economizaram a grande energia que haviam armazenado, permitindo a entrada de água apenas o suficiente para movimentar as rodas d'água a uma certa velocidade e a uma determinada carga.

Mas, enquanto a roda d'água construída cientificamente fosse um gigante comparada com a sua tosca antecessora, estava sujeita às mesmas limitações. Sua poderosa energia poderia ser usada somente no lugar onde estava localizada a fonte geradora. Tais lugares, em geral, estão a muitas milhas dos centros urbanos onde há maior necessidade de energia. Trabalhando com as leis da natureza, o homem assegurara um servidor com uma energia inesgotável. Mas como torná-la aproveitável .onde fosse mais necessária, era a questão. Para solucionar esse problema, as leis da natureza foram invocadas novamente e geradores elétricos foram acoplados às rodas d'água. A força da água foi transformada em energia elétrica e realizados esforços para enviá-la, dos centros onde era gerada, para as cidades onde poderia ser utilizada. Também aqui foram necessários métodos científicos para operar com as leis da natureza, pois descobriu-se que diferentes metais transmitem eletricidade com diferentes resultados, sendo mais eficazes o cobre e a prata. Então, escolheu-se o cobre, por ser o mais barato dos dois.

Observe o estudante que não podemos compelir essas forças a fazer coisa alguma; sempre que as usarmos será com o concurso das leis que governam suas manifestações, optando pela linha de menor resistência para obter o máximo de energia. Se tivessem sido escolhidos como transmissores o fio de ferro ou o argentão, que oferecem comparativamente uma alta resistência, uma grande parte de energia se perderia, além de sobrevirem outras complicações que, para o nosso atual objetivo, não é necessário aprofundar. Mas, empregando as leis da natureza e escolhendo a linha de menor resistência, obtemos sempre o melhor resultado da maneira mais simples.

Esses pesquisadores enfrentaram outros problemas para transformar a força da água das velhas rodas em eletricidade utilizável muitas milhas além da sua fonte de energia. Descobriu-se que uma corrente elétrica sempre procuraria chegar ao solo pelo caminho mais curto, se houvesse qualquer possibilidade para fazê-lo. Tornou-se necessário, então, que o metal que transmitia a corrente elétrica fosse isolado da terra por algum material que a impedisse de evadir-se, exatamente como altos muros confinam prisioneiros dentro deles. Foi preciso encontrar alguma coisa pela qual a eletricidade tivesse uma aversão natural. Descobriu-se isso no vidro, na porcelana e em certas substâncias fibrosas, utilizando-se meios científicos e engenhosidade. Sempre trabalhando com as leis da natureza, solucionou-se o problema de como usar em lugares distantes, vantajosamente, a grande energia que a velha e tosca roda do moinho desperdiçava em sua fonte.

Aplicando, da mesma forma, métodos científicos a outros problemas da vida, como na agricultura, obtiveram-se resultados maravilhosos em proveito e conforto da humanidade, fazendo brotar duzentos pés de uma planta onde antes, pelos antigos métodos rústicos, nenhum conseguia subsistir. Gênios, como Luther Burbank, melhoraram as variedades silvestres de frutas e legumes tornando-os maiores, mais suculentos e mais saborosos, bem como mais produtivos. Em qualquer área em que os métodos científicos suplantaram os hábitos rústicos e o puro acaso, foram obtidos igual resultados benéficos. Mas como já foi dito e isto é muito importante para nossas considerações, tudo foi o resultado de um trabalho em harmonia com as leis da natureza.

O axioma hermético, "Como é em cima, assim é embaixo", expõe a lei da analogia, a chave mestra de todos os mistérios espirituais ou materiais. Podemos deduzir com segurança que o que é válido na aplicação de métodos científicos para problemas materiais, também terá igual força se aplicado para solucionar os mistérios espirituais. O mais superficial retrospecto do passado desenvolvimento religioso será suficiente para evidenciar que nele nada havia de científico e sistemático, e que os métodos mais casuais prevaleceram. Devido ao seu sentimento de devoção, alguns alcançaram alturas sublimes de espiritualidade e são conhecidos através dos séculos como Santos, iluminando caminhos, mostrando o que pode ser feito. Mas como alcançar essa sublime espiritualidade foi e ainda é um mistério para todos, mesmo para os que desejam ardentemente tal desenvolvimento. E uma pena que eles sejam, comparativamente, muito poucos hoje em dia.

Os Irmãos Maiores da Rosacruz criaram um método científico que, se seguido persistente e profundamente, ajudará a desenvolver os poderes latentes da alma em qualquer pessoa, tão certo quanto o exercício constante pode tornar uma pessoa competente em qualquer atividade material em que se empenhe. Para entender este assunto é necessário examinar os fatos do exemplo. Foi a velha e tosca roda do moinho que deu ao engenheiro a idéia de utilizar a força da água de maneira mais eficiente e vantajosa. Se estudarmos o desenvolvimento natural do poder anímico pela evolução, estaremos, então, em posição de entender os grandes e benéficos resultados que podem advir da aplicação de métodos científicos nesta importante questão. Naturalmente, os estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes estão bem familiarizados com os pontos principais deste processo de desenvolvimento da humanidade através da evolução. Mas deve haver alguns não tão bem informados. Em consideração a eles faremos um resumo sobre esse assunto.

A ciência diz, com muita propriedade, que uma substância invisível, intangível, chamada éter, permeia tudo, desde os sólidos mais densos até o ar que respiramos. Este éter nunca foi visto, medido ou analisado pela ciência. Porém, é necessário admitir a sua existência para explicar os vários fenômenos como, por exemplo, a transmissão de luz através do vácuo. Portanto, diz a ciência, o éter é o agente de transmissão dos raios de luz. Ele traz-nos uma imagem de todos os objetos que estão ao nosso redor e no raio de ação de nossa capacidade visual, impressionando a retina de nossos olhos. De igual modo, quando o operador cinematográfico focaliza uma série de cenas num filme, o éter transporta imagens de todos os objetos, seus movimentos, etc., nos mínimos detalhes para a placa sensível através das lentes de sua câmara, deixando um registro completo de todo o cenário e dos atores dessa peça. Se em nossos olhos houvesse um filme igualmente sensível, suficientemente extenso para conter as imagens, no fim de nossas vidas poderíamos ter um registro completo de todos os acontecimentos que nela tiveram lugar, isto é, contanto que pudéssemos ver.

Há um grande número de pessoas com deficiências em vários sentidos. No entanto, uma coisa todos devem fazer para viver: respirar. E a natureza, que é apenas outro nome de Deus, corretamente determinou que o registro seja feito por esse meio universalmente usado. Em todos os momentos de nossa participação no drama da vida, desde o primeiro alento até o último suspiro, o éter, que penetra em nossos pulmões, leva consigo a imagem completa de nosso ambiente externo, dos nossos atos e das ações de outras pessoas que convivem conosco. O registro ocorre num único e pequeno átomo situado no ventrículo esquerdo n.o ápice do coração, por onde o recém oxigenado sangue flui incessantemente, transportando com ele uma imagem diferente de cada momento de nossa vida. Portanto, tudo que dizemos ou fazemos de bem e de mal, de maior ou de menor importância, fica indelevelmente gravado em nosso coração. Esse registro é a base do natural método lento do crescimento da alma pela evolução, correspondendo à tosca e velha roda d'água.

No próximo capítulo, veremos como isso se processa e como, por meios científicos, podemos alcançar o crescimento e o poder anímicos desenvolvidos pelo aperfeiçoamento neste caminho.

 

CAPÍTULO XVI - MÉTODO CIENTÍFICO DO DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL

 

 

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