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ENSINAMENTOS DE UM INICIADO

MAX HEINDEL

 

 

CAPÍTULO I

OS DIAS DE NOÉ E DE CRISTO

 

NICODEMUS ao ouvir Cristo falar-lhe sobre a necessidade do renascimento, perguntou: "Como pode ser isso?" Com nossas mentes inquiridoras, nós também ansiamos por mais luz sobre os vários ensinamentos referentes ao nosso futuro. Ajudaria muito se pudéssemos sentir que esses ensinamentos se enquadram em fatos físicos que conhecemos. Então, teríamos uma base mais firme para nossa fé sobre outras coisas que ainda não experimentamos.

Tem sido trabalho do autor investigar fatos espirituais e correlacioná-los com fatos físicos, de tal modo que, através da razão, venham despertar a fé. Desta maneira, tem sido sua prerrogativa esclarecer as almas ansiosas sobre os mistérios da vida. Recentemente realizou-se uma nova descoberta que parece ter uma relação com a vinda de Cristo, embora um tanto remota quanto o leste está para o oeste, mas lança uma luz considerável sobre esse evento, principalmente sobre o nosso encontro com o Senhor que, como diz a Bíblia, será "num piscar de olhos". Nossos estudantes sabem muito bem como é desagradável para o autor relatar experiências pessoais mas, algumas vezes, como no caso presente, parece necessário e pedimos desculpas por usar um pronome pessoal ao relatar o incidente.

Numa noite, há algum tempo atrás, ao transportar-me para um lugar numa terra distante onde devia desempenhar uma missão, ouvi um grito. Embora a voz humana só possa ser ouvida através do ar, há sons que são perceptíveis no reino espiritual à distâncias que excedem as percorridas pelas mensagens do telégrafo sem fio. Contudo, o grito vinha de perto e eu estava no local no mesmo instante, mas não tão depressa para poder oferecer o socorro necessário. Vi um homem deslizando por um aterro inclinado, sem vegetação, com mais ou menos quatro metros de largura e, como ficou provado em exame subseqüente, sem nenhuma fresta em que pudesse firmar os dedos. Para tê-lo salvo, seria necessário materializar os braços e ombros, mas não havia tempo. Num instante, ele já havia deslizado pelo desfiladeiro e estava caindo no precipício, provavelmente a algumas centenas de metros, embora não possa ter certeza pois não sei calcular distâncias.

Impelido por um natural espírito de ajuda ao próximo, aproximei-me e então observei o fenômeno que é a base deste artigo, ou seja, quando o corpo atingiu uma velocidade considerável, os éteres do corpo vital começaram a fluir para fora. Quando o corpo se chocou contra as pedras lá embaixo, tornando-se uma massa esfacelada, havia pouco ou nenhum éter interpenetrando-o. Contudo, gradativamente, os éteres agruparam-se, tomaram forma, e pairaram com os veículos mais sutis sobre o corpo espedaçado. Mas o homem estava em estado letárgico e incapaz de sentir ou compreender as mudanças em suas condições.

Quando percebi que ele estava além de qualquer ajuda, retirei-me. Mas, pensando no caso, comecei a sentir que algo de extraordinário havia acontecido e que era meu dever procurar saber se os éteres fluíam dessa maneira em todos os que despencavam e, se assim fosse, por quê. Sob condições anteriores, isso teria sido mais difícil, mas o advento das máquinas voadoras faz muitas vítimas, principalmente nestes infelizes tempos de guerra. Portanto, era fácil averiguar que se um corpo em processo de queda atinge uma certa velocidade, os éteres superiores deixam o corpo denso e o homem que está caindo permanece insensível. Quando o corpo atinge o solo, fica estraçalhado, mas a pessoa pode voltar a ficar consciente quando o éter se reorganizar. Então, começará a sofrer as conseqüências físicas da queda. Se a queda continuar depois que os éteres superiores saíram, o aumento da velocidade desaloja os éteres inferiores e o Cordão Prateado é só o que permanece unido ao corpo. Este é rompido no momento do impacto com o solo, e o átomo-semente transfere-se para o ponto de ruptura, onde fica preso da maneira usual.

Por esses fatos, chegamos à conclusão que é a pressão normal do ar que retém o corpo vital dentro do corpo denso. Quando nos movemos com uma velocidade anormal, a pressão é removida de algumas partes do corpo e um vácuo parcial é formado e, por esse motivo, os éteres deixam o corpo e fluem para dentro desse vácuo. Os dois éteres superiores, unidos mais frouxamente, são os primeiros a sair e deixam a pessoa inconsciente após lhe apresentarem, num rápido instante, o panorama da sua vida. Depois, se a queda continuar a aumentar a pressão do ar na frente do corpo e o vácuo atrás, os éteres inferiores mais firmemente aderidos expelem-se também e o corpo estará morto antes de chegar ao solo.

Examinando uma série de pessoas em estado normal de saúde, verificou-se que cada um dos átomos prismáticos que compõem os éteres inferiores, irradiam de si mesmos as linhas de força que fazem voltear os átomos físicos em que estão inseridos, provendo todo o corpo com vida. A direção de todas estas unidades de força está para além da periferia do corpo, onde constituem o que se convencionou chamar "Fluido Ódico", também designado por outros nomes. Quando a pressão do ar exterior é reduzida por estar a uma grande altitude, manifesta-se uma tendência para o nervosismo, porque a força etérica interna tende a sair desordenadamente. Se o homem não fosse capaz de impedir a entrada da emanação de energia solar, em parte por grande força de vontade em sobrepujar a dificuldade, ninguém poderia viver em tais lugares.

Já tínhamos ouvido falar do "choque por explosão" e sabíamos de várias pessoas que, mesmo sem o menor ferimento, foram encontradas mortas nos campos de batalha. Na verdade, tínhamos visto e falado com pessoas que haviam morrido assim, mas que estavam perplexas querendo saber por que morreram. Todos negavam ter sentido medo, e foram unânimes em afirmar que, de repente, ficaram inconscientes e logo em seguida encontraram-se na condição atual. Ao contrário de seus companheiros, não tinham sequer um arranhão em seus corpos. Nossa idéia preconcebida de que deveria ter havido um instante de medo que, embora incompreendido naquele momento, causou essas mortes, evitou uma investigação mais completa. Mas os resultados averiguados sobre as conseqüências de uma queda, levam-nos a acreditar que algo semelhante deva acontecer em relação a isso, e esta suposição provou ser acertada.

Quando um grande projétil cruza o ar, cria um vácuo atrás de si pela enorme velocidade com que se move. E se uma pessoa estiver nessa área de vácuo quando da passagem da cápsula, sofrerá numa medida determinada por sua própria natureza e por sua proximidade do centro de sucção. Sua posição é, na realidade, uma réplica inversa do homem que cai; pois ele fica parado enquanto que um corpo em movimento remove a pressão do ar e permite a saída dos éteres. Se á quantidade de éter deslocado for comparativamente pequena e composta apenas do terceiro e quarto éteres, que governam o sentido da percepção e da memória, ele provavelmente sofrerá apenas uma perda de memória temporária e incapacidade de sentir as coisas ou de se mover. Essa incapacidade desaparecerá quando os éteres extraídos forem novamente alojados dentro do corpo denso, uma tarefa muito mais difícil do que quando o corpo denso sucumbe e se reorganiza sem a participação desse veículo.

Se as pessoas assim atingidas soubessem como efetuar os exercícios que separam os éteres superiores e os inferiores, ter-se-iam encontrado fora do corpo em plena consciência e talvez prontos para o primeiro vôo de sua alma, se tivessem coragem de executá-lo. Não importa como, mas podemos dizer com segurança que, no seu retorno ao corpo denso, teriam sentido pouco ou nenhum incômodo, e se o vácuo fosse suficientemente intenso para conseguir desalojar todos os quatro éteres e causar a morte, provavelmente não haveria inconsciência como acontece com uma pessoa comum; pois foi constatado que as pessoas que disseram ter ficado inconscientes por apenas um instante, estavam erradas. Teria sido necessário um tempo variável de um a vários dias, nos casos que investigamos, para que o corpo vital se reorganizasse e a consciência fosse restabelecida.

Vejamos agora que relação existe entre esses fatos recentemente descobertos, o advento de Cristo e nosso encontro com Ele. Quando vivíamos na antiga Atlântida, nas bacias da Terra, a pressão da névoa carregada de umidade era muito grande. Isso enrijeceu o corpo denso, resultando que as vibrações da interpenetração dos veículos mais sutis ficaram consideravelmente retardadas. Esse fato está correto em relação ao corpo vital, que é formado de éter, matéria que pertence ao mundo físico e sujeita a algumas leis físicas. A força da vida solar não penetrava na névoa densa com tanta abundância como está presente na atmosfera clara de hoje. Acrescente-se a isto o fato de que os corpos vitais dessa época eram quase que inteiramente compostos dos dois éteres inferiores, o que favorecia a assimilação e a reprodução, e assim poderemos compreender que o progresso era muito lento. O homem levava uma existência principalmente vegetativa, e seus maiores esforços eram no sentido de obter alimento e reproduzir sua espécie.

Se tal homem fosse removido para nossas condições atmosféricas, a falta de pressão exterior teria resultado numa saída do corpo vital, o que significaria a morte. Gradativamente, o corpo físico tornou-se menos denso e a quantidade dos dois éteres superiores aumentou. Assim, o homem tornou-se apto a viver numa atmosfera límpida, sob uma pressão decrescida como a que temos desfrutado desde o acontecimento histórico conhecido como "O Dilúvio", quando a névoa se condensou.

Desde essa época, também temos sido capazes de especializar mais a força vital do Sol. A proporção maior dos dois éteres superiores, que agora existem em nosso corpo vital, permite-nos expressar os mais elevados atributos humanos e colaborar para o desenvolvimento desta era.

As vibrações do corpo vital, sob a presente condição atmosférica, capacitaram o espírito a construir o que chamamos civilização, que consiste em conquistas industriais e artísticas e normas de conduta morais e espirituais. A superioridade moral e industrial estão tão interligadas e tão interdependentes, como a conquista artística é dependente de uma concepção espiritual. As ocupações produtivas têm a finalidade de desenvolver o lado moral da natureza humana, a arte desabrocha o lado espiritual. Assim, estamos sendo preparados para o próximo passo de nosso desenvolvimento.

Recordemos que as qualificações necessárias para emanciparmo-nos das condições predominantes na Atlântida eram parcialmente fisiológicas; nós precisávamos desenvolver pulmões para respirar o ar puro no qual estamos agora imersos e que permite o corpo vital vibrar mais rapidamente do que o fazia na pesada umidade da Atlântida. Pensando nisso, podemos perfeitamente perceber que o futuro avanço consiste em livrar inteiramente o corpo vital dos entraves do corpo denso e deixá-lo vibrar ao ar puro.

Foi isto o que aconteceu na sublime altitude, esotéricamente conhecida como o "Monte da Transfiguração". Homens altamente desenvolvidos de várias épocas, Moisés, Elias e Jesus (ou antes, o corpo de Jesus que recebeu a alma de Cristo) apareceram nas vestes luminosas do corpo-alma liberado, que todos usarão na Nova Galiléia, o Reino de Cristo. "Carne e sangue não podem herdar o reino", pois isso iria interferir no progresso espiritual desse dia. Assim, quando Cristo aparecer, devemos estar preparados com um corpo-alma e prontos para abandonar nosso corpo denso para sermos "arrebatados e encontrá-Lo no ar".

O resultado da investigação, que é a base do presente artigo, pode fornecer um vislumbre do método de transição quando comparado com a informação bíblica. Diz-se que o Senhor aparecerá acompanhado de um som vibrante e poderoso. Lemos que haverá trovões e toques de trombetas relacionados com o evento. Um som é uma perturbação atmosférica, e como a passagem de um projétil construído pelo homem pode arrebatar os corpos vitais de soldados de seus corpos densos, não há necessidade de argumentos para provar que o grito de uma voz sobre-humana pode conseguir o mesmo resultado com maior eficácia - "num piscar de olhos".

"Quando acontecerão essas coisas?" perguntaram os discípulos. Disseram-lhes que como fora nos dias de Noé (quando estava para começar a Época Ária), assim deveria ser no Dia de Cristo. Eles comiam, bebiam, casavam e eram dados em casamento. Porém, alguns, que talvez não se diferenciassem tanto dos outros, haviam desenvolvido os tão importantes pulmões e, quando a atmosfera ficou clara, foram capazes de respirar o ar puro, enquanto os outros, que só possuíam as fendas das guelras, pereceram. No Dia de Cristo, quando Sua voz emitir o Chamado, aqueles que tiverem desenvolvido o corpo-alma serão capazes de elevar-se acima dos descartados corpos densos, enquanto outros serão como os soldados que morreram do "choque por explosão" nos campos de batalha.

Oxalá possamos estar preparados para esse dia, seguindo os Seus passos.

 

CAPÍTULO II

O SINAL DO MESTRE

Na época atual, há muitos que, julgando pelos sinais dos tempos, acreditam que Cristo está para retornar e esperam Sua vinda em alegre expectativa. Embora, na opinião do autor, as "coisas que antes devem acontecer" ainda não ocorreram em muitas particularidades importantes, não devemos esquecer que Ele preveniu que "assim como era no tempo de Noé, assim será no dia do Filho do Homem". Então, eles comiam, bebiam, divertiam-se, casavam e eram dados em casamento até o momento em que aconteceu o dilúvio que os tragou. Apenas um pequeno número se salvou. Portanto, nós que oramos pela Sua vinda, também devemos estar atentos e vigiar para que nossas preces não sejam atendidas antes de estarmos preparados, pois Ele disse: "O dia do Senhor virá como um ladrão na noite".

Mas ainda existe outro perigo, um enorme perigo que Ele salientou, isto é, "haverá falsos Cristos", e "eles enganarão até mesmo os próprios escolhidos, se isso for possível". Assim, ficamos prevenidos que se pessoas disserem: "Cristo está aqui na cidade ou lá no deserto", não devemos ir, ou certamente seremos enganados.

Mas, por outro lado, se não investigarmos, como O conheceremos? Não podemos correr o risco de rejeitar Cristo recusando-nos a ouvir os que julgam tê-Lo visto. Quando examinamos as exortações da Bíblia a esse respeito, ficamos confusos pois não nos esclarecem a questão e a pergunta permanece: "Como conheceremos Cristo quando Ele voltar?" Publicamos um panfleto sobre o assunto, mas acreditamos que seria muito bem-vindo para todos um esclarecimento adicional.

Cristo disse que alguns dos falsos Cristos operariam sinais e maravilhas. Quando instado pelos escribas e fariseus a provar Sua divindade por esses meios, Ele sempre Se recusou, porque sabia que esses fenômenos apenas excitariam a impressão do maravilhoso e aguçariam a ânsia por muito mais. Os que presenciam essas manifestações são, às vezes, sinceros em seus esforços para convencer os outros e, em geral, conseguem fazê-lo, pois estes respondem prontamente: "Vocês afirmam ter visto alguém fazer maravilhas e por essa razão acreditaram. Muito bem! Nós também queremos ver e acreditar".

Mas, mesmo supondo que um Mestre acedesse a provar sua identidade, quem na multidão estaria qualificado para julgar a validade da prova? Ninguém! Quem reconhece o sinal do Mestre ao vê-lo? O sinal do Mestre não é um fenômeno que possa ser repudiado ou explicado pelos sofistas, nem é algo que o Mestre possa mostrar ou esconder a seu bel-prazer. É obrigado a carregá-lo sempre, assim como nós carregamos nossos membros. Seria absolutamente impossível esconder o sinal do Mestre aos qualificados para vê-lo, reconhecê-lo e julgá-lo, como seria impossível para nós esconder nossos membros de quem quer que tenha visão física. Por outro lado, como o sinal do Mestre é espiritual, deve ser percebido espiritualmente. Portanto, é impossível mostrar o sinal do Mestre aos que não possuem visão espiritual, como é impossível mostrar uma forma material a alguém fisicamente cego.

Assim lemos: "Uma geração corrompida e adúltera procura encontrar o sinal, mas o sinal não lhe será dado". Mais adiante, no mesmo capítulo (Mateus 16), vemos Cristo perguntando a Seus discípulos: "Quem dizem os homens que eu, o Filho do Homem, sou?" A resposta revela que embora os judeus vissem Nele um ente superior, fosse Moisés, Elias ou algum dos profetas, eram incapazes de reconhecer Sua verdadeira personalidade. Eles não podiam ver o sinal do Mestre, do contrário não teriam necessidade de outro testemunho.

Então, Cristo voltou-se para Seus discípulos e perguntou-lhes: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" E de Pedro veio a resposta cheia de convicção, rápida e incisiva: "Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo". Ele havia visto o sinal do Mestre e sabia do que falava, independentemente de prodígios ou circunstâncias exteriores, como o próprio Cristo enfatizou ao dizer: "Bem aventurado és tu, Simão, Filho de Jonas, pois não foi a carne de sangue que te revelou, mas meu Pai que está no Céu". Em outras palavras, a compreensão dessa grande verdade era conseqüência de uma qualificação interior.

Que qualificação era essa, e ainda o é, compreendemos pelas palavras de Cristo que se seguiram: "Pois também te digo que és Pedro (Petros uma rocha) e sobre esta rocha (Petra) edificarei a minha Igreja".

Cristo disse ao referir-se à multidão de judeus materialistas: "Uma geração corrompida e adúltera tenta encontrar o sinal, mas o sinal não lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas". Também entre os cristãos materialistas de nossos tempos tem havido muita especulação nesse sentido. Alguns afirmaram que uma baleia comum havia engolido o profeta e mais tarde o depositou na praia. As igrejas dividem-se em relação a este tema, como em relação a muitos outros. Mas, ao consultarmos registros ocultos, encontramos uma interpretação que satisfaz o coração sem violentar a inteligência.

Essa grande alegoria, como muitos outros mitos, está retratada no filme do firmamento, pois ela foi representada no céu antes de ser encenada na Terra; e ainda podemos ver no céu estrelado "Jonas, a Pomba" e "Cetus, a Baleia". Mas não vamos nos preocupar tanto com a parte celestial, mas sim com sua função terrestre.

"Jonas" significa pomba, o bem conhecido símbolo do Espírito Santo. Durante os três "dias" que abrangem as revoluções de Saturno, do Sol e da Lua do Período Terrestre, e as "noites" entre eles, o Espírito Santo e todas as Hierarquias Criadoras trabalharam no Grande Abismo, aperfeiçoando as, partes internas da Terra e dos homens, removendo o peso morto da Lua. Então, a Terra emergiu de seu estágio aquático de desenvolvimento na metade da Época Atlante, e assim "Jonas, a Pomba Espiritual", realizou a salvação da maior parte da humanidade.

Nem a Terra nem seus habitantes eram capazes de manter seu equilíbrio no espaço, portanto, o Cristo Cósmico principiou a trabalhar com e em nós, finalmente descendo como uma pomba no batismo (não em forma de uma pomba, mas como uma pomba) sobre o homem Jesus. Assim como Jonas, a pomba do Espírito Santo, ficou três Dias e três Noites no Grande Peixe' (a terra submersa em água), assim também, no fim da nossa peregrinação evolucionária, possa outra pomba, o Cristo, entrar no coração da Terra para o advento dos três revolucionários Dias e Noites que nos darão o impulso necessário em nossa jornada de evolução. Ele deve ajudar-nos a eterizar a Terra na preparação para o Período de Júpiter.

Dessa forma, Jesus tornou-se no Seu batismo, "um Filho da Pomba", e foi reconhecido por outro, "Simão Bar-Jonas" (Simão, filho da pomba). Com este reconhecimento pelo sinal de uma pomba, o Mestre denomina o outro "uma rocha", a Pedra fundamental, e promete-lhe as "Chaves do Céu". Estas não são palavras vãs, nem promessas a esmo. São fases que envolvem o desenvolvimento da alma a que cada um deve ser submetido, se já não passou por elas.

O que é então o "sinal de Jonas" que Cristo ostentou em Si, visível para todos que pudessem ver, a não ser a "casa do céu", com a qual Paulo ansiava ser envolvido: a gloriosa casa de tesouros, dentro da qual todos os atos nobres de muitas vidas brilham e resplandecem como pérolas preciosas? Todos temos uma pequena "casa do céu". Jesus, santo e puro acima de tudo, provavelmente era uma visão esplêndida. Imaginem quão indescritivelmente resplandecente deve ter sido o veículo no qual Cristo desceu; teremos então alguma idéia da "cegueira" dos que pediam "um sinal". Mesmo entre Seus outros discípulos, Ele encontrou a mesma catarata espiritual. "Mostra-nos o Pai", disse Filipe, desatento sobre o misticismo da Trindade da Unidade, que deveria ter sido óbvio para ele. Simão, contudo, percebeu rapidamente, porque ele, por uma alquimia espiritual, tinha preparado esta pedra espiritual, ou "pedra" do filósofo, que lhe deu o direito de receber as "Chaves do Reino"; uma Iniciação que torna utilizáveis os poderes latentes do candidato evoluído pelo serviço.

Chegamos à conclusão que estas "pedras" para o "templo feito sem mãos" sofrem uma evolução ou processo de preparação. Antes é "petros", o diamante bruto, por assim dizer, encontrado na natureza. Quando lidas com o coração, tais passagens como: 1Q Cor., 10:4: "E todos beberam da mesma bebida espiritual; pois beberam da Rocha espiritual (Petros) que os acompanhava, e essa Rocha era Cristo", são reveladoras sobre este ponto. Gradativamente, ficamos impregnados com a água da vida que jorrou da grande Rocha. Também ficamos polidos como as "lithoi zontes" (pedras vivas) destinadas a se juntarem àquela Grande Pedra que o Construtor rejeitou; e quando estivermos completamente lapidados, receberemos finalmente no Reino o diadema, o mais precioso de todos, o "psiphon leuken" (a pedra branca) com seu Novo Nome.

Há três fases na evolução da "Pedra da Sabedoria": Petros, a dura pedra bruta; Lithon, a pedra polida pelo serviço e pronta para receber impressões; e Psiphon Leuken, a suave pedra branca que atrai para si todos os que são fracos e oprimidos. Há muita coisa escondida na natureza e na composição da pedra em cada fase que não pode ser descrita; deve ser interpretada nas entrelinhas.

Se esperamos construir o Templo Vivo com Cristo no Reino, preparemo-nos para ser capazes de reconhecer o Mestre e o Sinal do Mestre.

 

CAPÍTULO III - O QUE É TRABALHO ESPIRITUAL?

 

ENSINAMENTOS DE UM INICIADO - ÍNDICE

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